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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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segunda-feira, 9 de abril de 2018

Bispo sai do armário

Bispo da igreja anglicana assume homossexualidade

Nicholas Chamberlain, bispo de Grantham, admitiu publicamente estar numa relação com outro homem depois de uma publicação britânica ter ameaçado revelar detalhes da sua vida privada
Um bispo britânico tornou-se (...) no primeiro clérigo da Igreja Anglicana em Inglaterra a anunciar publicamente a sua homossexualidade, em entrevista publicada no diário inglês The Guardian, adiantou a Agência France Presse.

Nicholas Chamberlain, bispo de Grantham, no centro de Inglaterra, disse ao jornal inglês que mantinha uma relação de vários anos com um homem, depois de outra publicação ter dito que iria divulgar um artigo sobre a sua vida privada.

"Não foi uma decisão minha fazer alarido deste anúncio", disse, acrescentando que obedece às regras da igreja anglicana que estipulam que os clérigos homossexuais devem ser celibatários.

O bispo disse que a igreja sabia da sua homossexualidade quando assumiu este título e funções, no ano passado.

Afirmou ainda que as pessoas sabem que é gay, mas que esse facto não costuma ser a primeira coisa que diz a alguém.

"A sexualidade é parte de quem sou, mas é no meu sacerdócio que me quero concentrar", afirmou.

O arcebispo da Cantuária - líder da igreja anglicana -, Justin Welby, disse que a homossexualidade do bispo de Grantham era "completamente irrelevante". "A sua escolha teve por base as suas competência e vocação para servir a igreja na diocese de Lincoln", afirmou Welby. Um porta-voz da Igreja de Inglaterra -- a casa mãe da igreja anglicana a nível mundial -- disse que teria sido injusto não nomear Chamberlain bispo com base na sua sexualidade.

A Igreja de Inglaterra abandonou em 2013 a sua oposição a que clérigos homossexuais em uniões de facto pudessem tornar-se bispos, ainda que muitos fiéis da igreja anglicana em todo o mundo -- cerca de 80 milhões -- fossem contra.

A Igreja Anglicana do Uganda declarou em 2014 que considerava separar-se da casa mãe inglesa, se este pressionasse o país em relação à sua opressiva legislação anti-homossexualidade.

In DN, a partir de Lusa, a 3 de Setembro de 2016

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Igreja Episcopal Escocesa celebra casamentos entre pessoas do mesmo sexo

Mark Runnacles/Getty Images
Depois de em 2014 ser possível casar pelo registo civil na Escócia, este ano também a Igreja Episcopal Escocesa, a Igreja Anglicana da Escócia, votou pela realização de casamentos gay pela Igreja. O primeiro casamento tem lugar no Outono de 2017. Passo a citar o artigo de Harriet Sherwood, do The Guardian, publicado a 8 de Junho de 2017. O texto será o original, em inglês:

Scottish Episcopal church votes to allow same-sex weddings

"Scottish Anglicans have voted overwhelmingly in favour of allowing same-sex couples to marry in church. The historic move sets the church on a potential collision course with the global Anglican communion and risks fracture within its own ranks.

The vote at the Scottish Episcopal church general synod makes it the first Anglican church in the UK to allow same-sex weddings, with the first ceremony likely to take place this autumn.

The move, which raises the prospect of gay Christians from England, Wales and Northern Ireland heading to Scotland for a church wedding, was hailed by gay rights campaigners.

Canon law was changed to remove a doctrinal clause stating that marriage is between a man and a woman. A new conscience clause allows clergy to opt out of performing same-sex weddings.

The decision invites the possibility of sanctions by the 80 million-strong Anglican communion. Last year, the US Episcopal church was subjected to punitive measures at the end of a four-day meeting of church leaders in Canterbury. They said the US church’s acceptance of same-sex marriage represented “a fundamental departure from the faith and teaching held by the majority of our provinces on the doctrine of marriage”.

Traditionalists insist that a literal reading of the Bible means marriage must be a lifelong union of a man and a woman and that the church must resist changes in social attitudes or cultural pressure.

Minutes after the vote, Gafcon, which represents conservative Anglicans worldwide, named Andy Lines as a new “missionary bishop” for Scotland. The post is intended to offer alternative leadership for traditionalist Anglicans opposed to the synod’s decision.

Lines told a press conference that the church was “not at liberty to tamper with [God’s] words” and that he would offer help and support to those “who wish to maintain the authority of the Bible”.

Jayne Ozanne, a leading campaigner for LGBT rights within the Church of England, said: “I’m thrilled that the Scottish Episcopal church has chosen to take this brave and momentous step in enabling same-sex marriage. This has been done in a graceful and sensitive way, recognising the differing views on how we interpret scripture, and is a model for others to follow.”

Vicky Beeching, another gay rights campaigner, tweeted: “Come on Church of England, we need you to watch & learn from Scotland’s bold step today. Hoping for that change someday soon.”

Archbishop Josiah Idowu-Fearon, secretary general of the Anglican communion, said he expected the decision to be discussed by Anglican primates who are meeting in Canterbury in October. He said: “There are differing views about same-sex marriage within the Anglican communion, but this puts the Scottish Episcopal church at odds with the majority stance that marriage is the lifelong union of a man and a woman. This is a departure from the faith and teaching upheld by the overwhelming majority of Anglican provinces on the doctrine of marriage.”

A spokesperson for the Church of England said the decision was a matter for the Scottish Episcopal church: “The Church of England is unable by law to marry couples of the same sex and the teaching of the Church of England remains unchanged. However, this is a matter on which there is real and profound disagreement in the Church of England.”

The change to canon 31 on the solemnisation of holy matrimony that was agreed by the Scottish Episcopal church required a two-thirds majority in each section of the synod, the bishops, clergy and laity. The bishops and laity voted 80% in favour, the clergy at 67%.

It removed a clause saying marriage was “a physical, spiritual and mystical union of one man and one woman … and is a holy and lifelong estate instituted by God”.

The new clause says: “In the light of the fact that there are differing understandings of the nature of marriage in this church, no cleric of this church shall be obliged to conduct any marriage against their conscience.”

Draft guidelines on the new canon produced by bishops before the vote acknowledged that the issue of same-sex marriage was “one of deep distress”.

The new position “does not alter the fact that within the church there remains a range of views on marriage”. The revised canon “permits those clergy who, on the grounds of conscience, wish to conduct the marriages of same-sex couples, to seek nomination to do so; it also allows that there will be those who, on the grounds of conscience, will not seek such nomination.”

Church employees and volunteers, such as vergers, organists, choristers and flower arrangers, should be allowed to exercise their conscience and decline to participate in same-sex weddings.

Proposing the change, John Armes, the bishop of Edinburgh, told the synod: “No one is being asked to change their theology of marriage.” The new canon was an official recognition of a diversity of viewpoints, he said. “It is permissive, not directive.”

Ian Ferguson, of Aberdeen and Orkney, the only Scottish diocese to oppose the change during consultations over the past year, said: “This is one of the saddest and most painful days for us … We are broken. This schismatic move … will cause serious harm to our unity.” Members of the church “may seek alternative episcopal oversight”, he said.

Same-sex marriage was legalised in Scotland in 2014."


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domingo, 2 de dezembro de 2012

Hierarquia da Igreja Anglicana: a homossexualidade não põe em causa o celibato

in DN, 20 de Junho 2011
Igreja anglicana autoriza ordenação de bispos homossexuais


O documento intitulado "ordenar bispos, a lei sobre a igualdade de 2010" defende que a orientação sexual não deverá ser tida em consideração na promoção de um padre a bispo e recomenda que a hierarquia da Igreja possa bloquear uma nomeação se ela "causar divisão e desunião na diocese" em causa.
A Igreja Anglicana foi pressionada a esclarecer a sua posição sobre a ordenação de bispos homossexuais depois de Jeffrey John, padre celibatário e homossexual que vive com outro religioso, ter sido forçado a renunciar ao cargo de arcebispo de Reading em 2003. A Igreja Anglicana de Inglaterra voltou a rejeitar em Julho de 2010 a candidatura de Jeffrey John a bispo da diocese londrina de Southwark. Em setembro, o arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, líder da Igreja Anglicana, disse "não ter problemas" com o facto de os bispos serem homossexuais desde que sejam celibatários.
  A Igreja Anglicana de Inglaterra autoriza a ordenação de bispos homossexuais desde o Sínodo da igreja em Julho do ano passado (2011).   Quando chegará o momento em que a Igreja Católica vai compreender que uma coisa é orientação sexual, e outra é vocação para o celibato?

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Direitos na Ilha de Man

Uniões civis para casais do mesmo sexo

A ilha no Mar da Irlanda que está sob a dependência da Coroa do Reino Unido passou a reconhecer o direito a parceria civil.

Entre os novos direitos que estão disponíveis a partir de hoje para os casais do mesmo sexo incluem-se herança, pensões e subsídios fiscais.

Os grupos de ativistas LGBT na ilha já celebraram a nova iniciativa.

A homossexualidade era ilegal em Isle of Man até 1992 e o projeto de parceria civil para casais do mesmo sexo provocou intenso debate na ilha de 80 mil habitantes.

Desde dezembro de 2005 que os casais do mesmo sexo tinham acesso à lei de parceria civil no Reino Unido em tudo igual ao casamento excepto no nome, mas a Ilha de Man passou ao lado desta inovação legislativa.

Em Portugal estas uniões não deverão ser reconhecidas como casamento, as uniões registadas do Reino Unido também não são reconhecidas.

A nova lei de parceria civil também abre a possibilidade de adopção pelos casais de gays e lésbicas. E não são só os casais do mesmo sexo que passam a ter esta possibilidade: casais de sexo diferente mas que não estejam casados podem agora adoptar em conjunto desde que tenham uma relação estável. 

in portugalgay

quinta-feira, 24 de março de 2011

Desporto britânico contra a homofobia

Matt Schiermeier
Carta do desporto apresentada no Reino Unido pela ministra da Igualdade

Foi apresentada esta semana uma inovadora carta do desporto LGBT convida organismos nacionais a empenharem-se no combate à homofobia.

O anúncio foi feito pela ministra das Igualdade, Lynne Featherstone, quando assistia a um jogo da liga de rugby Sheffield Eagles em que os jogadores usaram equipamento contra a homofobia. No equipamento estava visível o slogan "Homofobia, pláca-a!" numa referência à ação de placar no rubgy situação em que alguém é parado pelo adversário.



A Ministra Lynne Featherstone disse que estava otimista sobre a nova Carta, que visa tornar o desporto mais seguro e acolhedor para gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e transgéneros.

Ela comentou: "A homofobia e a transfobia não têm lugar no desporto e estou muito contente que tantos organismos desportivos estejam a apoiar a nossa campanha para erradicá-la em todos os níveis, a partir dos clubes locais até aos estádios olímpicos."

Centenas participaram no jogo que foi patrocinado pelo LGBT History Month e Pride Sports, juntamente com o diversos sindicatos de professores de todos os níveis de ensino e a intersindical Unison. 

in Portugalgay

quinta-feira, 17 de março de 2011

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Beijos entre homens: do relvado para a rua

Beijos entre homens heterossexuais cada vez mais comum

Um estudo publicado pela revista “Archives of Sexual Behaviour” e conduzido por Eric Anderson, um sociólogo na Universidade de Bath em Inglaterra, chegou à conclusão que os beijos trocados entre pessoas do mesmo sexo é agora a norma nas universidades britânicas.

Esta tendência reflecte uma mudança de direcção a um ideal da masculinidade mais “agradável e suave”. Anderson declarou que “o macho man, vil, rude e homofóbico dos anos 80 morreu.”

Este estudo foi baseado em entrevistas realizadas em 145 universidades e escolas secundárias britânicas e revela que 89% dos inquiridos já tinha beijado um amigo heterossexual. Todos os homens que participaram nesta entrevista declararam ser heterossexuais e não viam o beijo como um acto sexual. Anderson declarou “estes rapazes não são homofóbicos e já não temem ser classificados como gays pelo seu comportamento. Simplesmente, apreciam uma amizade num nível como vemos nas mulheres.” Dos inquiridos que não tinham beijado um colega do mesmo sexo, todos declararam ser uma prática aceitável.

O sociólogo declarou que esta tendência disparou nos últimos anos, tendo começado nos campos de futebol, quando os jogadores se beijam depois de marcar um golo. Este acto fez com que fosse aceitável para os rapazes também se beijarem nos seus jogos na universidade ou liceu. Depois os jogadores levaram esta prática para fora dos relvados.

Contrariamente aos estereótipos machos, os participantes deste estudo declararam que beijavam os seus amigos puramente por afecto e comparavam o acto a um amigável aperto de mãos.

Estes beijos acabam muitas vezes nas páginas de redes sociais como o Facebook, no entanto, quando isto acontece os participantes não se sentem envergonhados nem ninguém questiona a sua sexualidade. Por outro lado, também não estão a gozar com o comportamento gay, declarou Anderson, acrescentando que de facto isto fez com que seja mais fácil para os casais gays demonstrarem afecto em público, “abriu um espaço para que os homossexuais se possam beijar livremente. Agora quando dois homens se beijam em público as pessoas não presumem imediatamente que são gays.”

No entanto, esta crescente aceitação de beijos entre pessoas do mesmo sexo não significa que a homofobia acabou, mas sim que os ideais masculinos estão a mudar. No seu livro intitulado “Inclusive Masculinity: The Changing Nature of Masculinities”, Eric Anderson afirma que quando a homofobia é visível os homens evitam serem vistos como gays. No entanto, quando a homofobia se esbate, descontraem-se e exploram comportamentos diferentes do masculino tradicional. Anderson conclui que a “diminuição da homofobia também tem efeitos positivos nos heterossexuais.”

Por Lúcia Vieira, in dezanove

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

"Next step" no Reino Unido: Da União Civil ao Casamento entre pessoas do mesmo sexo

No Reino Unido o governo avança na igualdade do casamento

O Governo do Reino Unido está a estudar a possibilidade de permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo e não apenas as uniões civis registadas. A uniões entre pessoas do mesmo sexo passarão a poder incluir elementos religiosos.


A notícia é avançada pelo Sunday Telegraph. Segundo o jornal será assim possível ter elementos religiosos numa celebração da união entre duas pessoas do mesmo sexo, algo que até agora estava estritamente vedado em termos legais.

Outra alteração mais profunda é acabar com a distinção entre o casamento para heterossexuais e a união civil registada pala homossexuais. O casamento passará, aos olhos da lei, a ser aplicável em ambos os casos.

O porta-voz do Home Office afirmou que "o governo está a estudar qual o próximo passo para as uniões civis registadas, incluindo o modo como algumas organizações religiosas podem registrar o relacionamento de casais do mesmo sexo num contexto religioso, se desejarem fazê-lo". Segundo o porta-voz foram ouvidas diversas organizações sobre esta questão e o anúncio será feito mais tarde.
A Igreja da Inglaterra, já tinha vindo a público informar que não permitirá que qualquer um de seus edifícios seja usado para cerimónias de união civil registada entre pessoas do mesmo sexo. No entanto há outros grupos religiosos que vêm com bons olhos a abertura a este tipo de cerimónias num contexto religioso tais como os quakers, unitaristas, e os judeus liberais.

As uniões civis registadas (Civil Partnerships) foram introduzidas no Reino Unido em dezembro de 2005. Dão aos casais homossexuais praticamente todos os direitos dos casais heterossexuais excepto na forma de celebrar a cerimónia e no reconhecimento fora de fronteiras.

Segundo as regras actuais, as cerimónias devem ser laicas e não podem conter elementos religiosos, como o canto de hinos e leituras da Bíblia. Em Maio de 2010 já tinham sido formalizadas mais de 26 mil parcerias civis.

Portugal tem o casamento entre pessoas do mesmo sexo desde Junho de 2010. Actualmente as uniões civis registadas realizadas no Reino Unido não são reconhecidas como casamento civil em Portugal.
 
In Portugalgay

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Bancos de esperma e de ovócitos

Identificação dos dadores reduz stocks de bancos de esperma e de ovócitos

Lei portuguesa garante a confidencialidade dos dadores. Só os tribunais podem decidir a divulgação da identidade.

Nic e Jules são um casal de lésbicas do Sul da Califórnia. Ambas tiveram filhos com o recurso a um dador de esperma. Quando Joni, a mais velha, faz 18 anos, o irmão, Lazer, convence-a a encontrarem o pai biológico de ambos. Um quinto elemento que acaba por desestabilizar a família. É o argumento de Os Miúdos Estão bem, filme que hoje se estreia [atenção que a notícia é do mês de Novembro e o filme já passou pelas salas portuguesas]. E em Portugal? É garantido o anonimato dos dadores, o que só poderá ser revelado por decisão do tribunal.

A lei portuguesa estabelece como regra a confidencialidade do dador ou dadora. Só em situações excepcionais, por exemplo, que envolvam um casamento, é que o jovem pode pedir ao Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida (CNPMA) para que seja fornecida a identidade genética. E só em tribunal se coloca a hipótese de informar a identidade civil.

"A lei diz que poderá haver a divulgação da identidade civil na sequência de um pedido do jovem em tribunal. É uma norma em branco, porque não é possível definir à partida que situações podem levar a esse tipo de decisão. Mas espero que avaliem bem o que a divulgação significa para os dadores", sublinha Eurico Reis, presidente do CNPMA. E acrescenta que a consequência imediata seria a diminuição de dadores.

A diminuição de dadores é, também, salientada como um dos obstáculos à divulgação do nome por Carlos Plancha, embriologista do Centro Médico de Assistência à Reprodução, em Lisboa. E diz que esta não é uma questão colocada pelos casais que recorrem a tratamentos de infertilidade.

Na maioria dos Estados membros, é garantida a confidencialidade dos dadores, mas no Reino Unido e nos países nórdicos há a possibilidade de divulgar o nome quando a criança atinge a maioridade. É o que também acontece nos Estados Unidos, desde que o dador autorize. E, se não autorizar, os jovens sempre podem recorrer aos tribunais.

"No Reino Unido e na Suécia houve diminuição de dadores e, agora, têm de recorrer a Espanha", diz Eurico Reis, que explica que o padrão médio dos dadores nos EUA são jovens universitários que vêem na doação de espermatozóides uma hipótese de aumentar o orçamento. Com os ovócitos o processo é mais complexo.

Rita Paulos, da Rede Ex-Aequo, associação de lésbicas, bissexuais, transgéneros e simpatizantes, entende que a questão é complicada, mas aceita a possibilidade de o nome dos dadores ser divulgado quando o jovem atinge a maioridade. "Talvez seja legítimo conceder esse conhecimento, já que é uma informação importante para a história da criança, desde que sejam respeitados os direitos legais das figuras parentais. As leis acabam por colocar a questão da confidencialidade para proteger sobretudo os dadores", defende.

Afonso Barros é pioneiro na procriação medicamente assistida (PMA) e sempre defendeu o sigilo. "É a única forma de proteger as pessoas, seja o dador, o casal ou o indivíduo". E, quanto ao direito de a criança saber quem doou o esperma, argumenta: "É uma célula e não tem a importância que lhe é atribuída no sentido de pôr em causa a confidencialidade."

Em Portugal, só as pessoas casadas ou que vivam em união de facto têm acesso à PMA. As lésbicas portuguesas acabam por, em regra, recorrer aos bancos espanhóis, onde a confidencialidade também é protegida. Apenas os centros privados fazem recolha de espermatozóides e ovócitos, esperando-se a abertura do primeiro banco público, já autorizado.

por Céu Neves, in diário de notícias online a 18 de Novembro de 2010
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1713710

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Gay Carols, em Londres

Um cartão de Boas Festas auditivo, com muita alegria em palco e um Medley (Rapsódia, em português) de Natal. Tudo interpretado por um coro composto por homossexuais.

Christmas Medley - London Gay Men's Chorus

domingo, 19 de dezembro de 2010

Bispos gays SIM, se forem celibatários!

A mesma notícia do que a da mensagem anterior, um ponto de vista diferente.
 A Igreja católica terá algo a aprender com a sua irmã anglicana. Enquanto o celibato for a norma vigente na Igreja católica, deveria haver a erradicação da discriminação dos candidatos ao sacerdócio pelo simples facto de serem homossexuais. Se estes querem viver em celibato, o que os distingue dos heterosexuais?

Mas sublinho a curiosidade de o Arcebispo de Cantuária, que agora "defende" os bispos gays, ter sido o mesmo que em 2003 barrou a nomeação de um bispo homossexual. As voltas que o mundo dá...

Bispos anglicanos gays só se forem celibatários

O arcebispo de Cantuária disse ontem que não se opõe a que homossexuais sejam nomeados bispos da Igreja de Inglaterra, desde que se mantenham celibatários - uma afirmação que ameaça dividir ainda mais a comunhão anglicana sobre a ordenação de gays.

"Para ser muito claro, não tenho qualquer problema que um gay seja bispo. Tem apenas a ver com o facto de que, tradicional e historicamente, há padrões que se espera que o clero respeite", disse Rowan Williams ao jornal Times.

Na entrevista, onde abordou mais explicitamente do que nunca o tema, o arcebispo admitiu que um dos períodos mais difíceis do seu mandato ocorreu em 2003 quando, após intensa polémica, bloqueou a nomeação de Jeffrey John, um reverendo que mantinha uma relação homossexual.

Williams admitiu que as divergências sobre o tema têm sido "uma ferida" no seu mandato, mas explicou que se sentiu sempre obrigado a alinhar com o sector mais conservador porque a aceitação incondicional da ordenação de homossexuais "tem ainda um custo demasiado grande para o conjunto da Igreja anglicana".

As declarações do arcebispo foram de imediato condenadas pelos defensores dos direitos dos homossexuais, que o acusam de discriminação, por exigir aos gays o celibato que não é obrigatório para os heterossexuais. "Para ele, a unidade da Igreja é mais importante do que o respeito pelos direitos humanos de gays e lésbicas." Mas a entrevista promete também indignar os mais conservadores, que acusam Williams de ignorar a doutrina da Igreja ao aceitar a ordenação de homossexuais.

Este é um dos temas que mais dividem os anglicanos em todo o mundo - uma comunhão que integra mais de 80 milhões de pessoas em 160 países. Desde 2003, várias congregações mais conservadoras anunciaram a sua cisão, depois de a Igreja Episcopal, o ramo da comunhão nos EUA, ter nomeado dois bispos homossexuais.

No ano passado, o Vaticano contribuiu para a polémica ao pôr em prática medidas destinadas a acolher na Igreja Católica os anglicanos mais tradicionalistas, descontentes com a ordenação de mulheres ou de homossexuais.

in público por Ana Fonseca Pereira a 26 de Setembro de 2010
http://www.publico.pt/Sociedade/bispos-anglicanos-gays-so-se-forem-celibatarios_1457967

Bispos anglicanos gays: há algum problema?

São notícias do mês de Setembro, mas parece-me importante que figurem no blogue, por serem questões pertinentes na Igreja anglicana e, quem sabe um dia, também na católica.

Arcebispo de Cantuária não vê problema em bispos homossexuais


Perguntas incómodas levam arcebispo a abrir feridas na Igreja Anglicana, em torno do difícil tema da sexualidade dos religiosos


O arcebispo de Cantuária, Rowan Williams, líder espiritual dos anglicanos em todo o mundo, está sob intensas críticas públicas após ter admitido numa entrevista ao jornal The Times que bispos homossexuais não serão um problema, desde que não tenham relações sexuais. Esta questão poderá abrir novas divisões no interior da comunidade anglicana, de 70 milhões de pessoas, e dificultar o diálogo ecuménico com Roma.

Na semana passada, o arcebispo Rowan Williams recebeu o Papa Bento XVI em Londres, em mais um passo na aproximação entre católicos e anglicanos.

Na polémica entrevista, o arcebispo sofre uma barragem de perguntas incómodas sobre a sexualidade. Embora tente evitar as questões, entra progressivamente em terrenos de controvérsia. Questionado sobre um texto seu em que considera não haver problema no sexo de casais homossexuais, o líder dos anglicanos responde com uma evasiva.

Sobre os bispos homossexuais, admite não haver problema, desde que não haja sexo. A pergunta seguinte refere-se a um bispo homossexual [Jeffrey John] celibatário, e Rowan Williams tem grande dificuldade em explicar a forma como recusou apoiar este religioso em 2003, quando John foi forçado a não aceitar uma nomeação. A pergunta final é a mais dramática. O jornalista pergunta se o arcebispo espera que a Igreja Anglicana tenha no futuro bispos homossexuais com parceiros. Williams responde apenas: "passo".

Recentemente, a propósito do escândalo de pedofilia, o arcebispo de Cantuária tinha feito afirmações polémicas sobre a igreja católica irlandesa, acabando depois por suavizar as declarações.

No recente encontro com o Papa Bento XVI, o diálogo entre os dois líderes da igreja correu de forma considerada pelos observadores como cordial. O arcebispo lembrou que as duas igrejas não procuram "controlo político ou o domínio da fé cristã na esfera pública; mas a oportunidade para testemunhar, para argumentar, por vezes para protestar, por vezes para afirmar, para participarmos nos debates públicos das nossas sociedades". A igreja de Inglaterra viveu nos últimos anos um conflito interno em torno do celibato dos religiosos, ordenação de mulheres e homossexualidade. E as divisões têm aumentado.

in dn por L.N. a 26 de Setembro de 2010
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1671369&seccao=Europa

terça-feira, 14 de setembro de 2010

1/4 das pessoas infectadas não estão diagnosticadas

Partilho hoje duas notícias que no mínimo nos devem alertar para os riscos comportamentais:

SIDA: Jovens ignoram sexo seguro

Portugal tem das taxas mais altas de infecção pelo VIH/Sida, uma taxa que é promovida pela ignorância patente no entendimento da infecção e veículos de transmissão.

Recentemente na Bélgica, a Universidade de Ghent, apresentou as conclusões de um estudo levado acabo durante nove anos, observando quinhentos indivíduos. Os pacientes que fizeram parte do estudo são do sexo masculino, homossexuais, e na sua grande maioria brancos, mas mais relevante ainda eram todos jovens.

Os pacientes tendem também a ser portadores de outras infecções sexualmente transmissíveis como a sífilis sugerindo assim, um comportamento de risco sem o uso do preservativo.

Nota de destaque sobre este estudo, o Reino Unido aponta-o como verdadeiro. Nick Partridge, director executivo do Terrence Higgins Trust (ONG do Reino Unido), aponta a sociedade gay como a mais propensa ao risco de infecção pelo VIH/Sida.

Por isso Partridge, pede maiores campanhas dirigidas aos jovens, e em específico aos jovens gays, dado que segundo ele, mais de um quarto das pessoas infectadas não estão diagnosticadas.

sábado, 4 de setembro de 2010

Os números do preconceito

Em todo o mundo, centenas de pessoas são mortas todos os anos por causa da sua orientação sexual, apesar dos progressos feitos nalguns países, para eliminar o preconceito.

Um amplo estudo dos direitos mundiais de lésbicas, bissexuais e gays, divulgado pelo The Independent on Sunday [IoS, edição dominical do jornal The Independent], revela o preço enorme – e, em muitos casos, fatal – que as pessoas pagam em todo o mundo por causa da sua sexualidade. A pesquisa, realizada pela ILGA, mostra que 76 países ainda perseguem as pessoas com base em sua orientação sexual – sete dos quais punem os actos homossexuais com a morte.

Numa escala global, as nações que estão a fazer algo de positivo pelos direitos dos gays parecem poucas comparando com aquelas que se comportam negativamente. Enquanto 75 países irão prendê-lo se for gay, apenas 53 têm leis antidiscriminação que são aplicadas à sexualidade. Apenas 26 países reconhecem as uniões de mesmo sexo.

O Primeiro-Ministro britânico diz: "Sim, o Reino Unido é um líder mundial em igualdade de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros, mas não podemos ser complacentes. Enquanto houver pessoas lá fora se sentindo marginalizadas e ameaçadas, temos que continuar a combater o preconceito."

De acordo com o Stonewall, quase dois terços das jovens lésbicas, gays e bissexuais experimentam bullying homofóbico nas escolas da Grã-Bretanha.

O estudo da ILGA dos direitos mundiais dos homossexuais mostra que, noutros lugares, admitir ser gay ainda é uma questão de vida ou morte. Mais de 50% dos Estados africanos tomaram medidas para criminalizar a homossexualidade, e a homofobia religiosa é abundante. O quadro não é muito melhor na Ásia, onde 23 países tornaram o facto de ser gay um crime. A América Latina e as Caraíbas também acolhem muitos governos com uma visão semelhante. Na Jamaica, o sexo com outro homem é descrito no livro estatutário como um "crime abominável".

Widney Brown, da Amnistia Internacional, lista a África subsaariana, o Médio Oriente e a Europa oriental como as regiões que lhe dão as maiores preocupações em relação aos direitos dos homossexuais.

John Bosco Nyombi, de 39 anos, fugiu para o Reino Unido em 2001, porque ser gay no Uganda pode resultar em prisão perpétua. Mais de um gay preso foi morto enquanto cumpria pena nas prisões do Uganda.

Brown também alertou contra o facto das nações ocidentais se estarem a tornar complacentes. "Os EUA são o único país da NATO com uma proibição de se ser abertamente gay nas Forças Armadas".

Baseado na reportagem de Emily Dugan, traduzida por Moisés Sbardelotto.

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

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As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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