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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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segunda-feira, 25 de março de 2019

O Franciscano à frente do Banco

Pobreza e Poder

Partilho o artigo do Observador, intitulado "De onde vem a influência de Vitor Melícias, o padre "malandreco" que manda no Montepio". Ao contrário do que o título sugere, não se trata de um artigo sensacionalista ou difamatório. Partilho-o com os meus leitores por me parecer interessante e por levantar algumas questões ligadas à presença e acção de um cristão no mundo e, neste caso concreto, a acção pública, social e mediática de um sacerdote e de um religioso em meios políticos, sociais, empresariais e económicos. Demito-me de opiniões e deixo que cada um formule as suas.


domingo, 25 de março de 2018

A pobreza no âmago do Evangelho

Dia mundial dos pobres

Diz o Papa Francisco, no penúltimo parágrafo da sua Carta Apostólica, Misericordia et misera. Na conclusão do Jubileu extraordinário da misericórdia, a propósito do «Dia mundial dos pobres», que:

«Será um dia que vai ajudar as comunidades e cada batizado a refletir como a pobreza está no âmago do Evangelho e tomar consciência de que não poderá haver justiça nem paz social enquanto Lázaro jazer à porta da nossa casa (cf. Lc 16, 19-21).».

Trata-se do Lázaro, pedinte, coberto de úlceras e faminto ao ponto de se contentar com comer das migalhas que caíssem da mesa do dono da casa junto da qual estava.

O migrante é sempre uma qualquer forma de Lázaro, não por ser necessariamente pobre em sentido material do termo, mas porque, como Lázaro, está realmente distante dos bens de que necessita, pois a eles não tem acesso, mesmo que esteja fisicamente próximo deles, como é, também, o caso deste Lázaro.

Ora, a sua condição primeira de excluído não é económica, ética ou política, mas antropológica, pois o seu estado – esse sim, económico e político, de origem ética – deve-se a uma desclassificação da sua realidade como propriamente humana, isto é, o seu ser não é julgado como um ser propriamente humano – por isto, está do lado de fora da casa: quem está dentro da casa são os que se consideram a si próprios como verdadeiramente humanos e, por tal, dignos do banquete.

O primeiro dado, que coincide com o primeiro momento do drama e eventual tragédia do migrante deve-se à redução que sobre ele é imposta em termos onto-antropológicos, isto é, relativos ao seu ser.

No fundo, esse que tem de migrar fá-lo porque a sua humanidade não é própria e devidamente reconhecida.

É considerado menos-humano ou mesmo não-humano. Como tal, não é considerado como merecedor de partilhar o bem disponível para os verdadeiros seres humanos – assim, autoproclamados –, sendo, como Lázaro, mantido afastado desses mesmos bens, ainda que estando na sua proximidade física.

Nada do que existe no problema das migrações de origem não-natural, quer dizer, de origem cultural, necessariamente humana, é devido a questões estritamente físicas, mas, é sempre devido a motivações éticas e políticas, com efeitos mais ou menos diretos, mais ou menos imediatos, sobre a dimensão onto-antropológica, sobre o que cada pessoa e todas as pessoas são como ser e em seu ser próprio e irredutível, humanamente impassível de qualquer forma de redução ou avaliação, enquanto propriamente humanos.

No exemplo do Lázaro citado, não é qualquer razão natural ou económica que justifica o afastamento deste ser humano relativamente ao bem disponível – este bem existe realmente –, mas o facto de já anteriormente ter migrado do comum da sociedade, por alguma razão que não propriamente natural ou económica. Não se diz qual, mas tal não interessa, interessa apenas que há alguém, que é um ser humano, que foi posto distante do comum.

Mesmo que tal migração se devesse a algo que Lázaro tivesse feito, mais propriamente «agido», a recompensa que passasse pela sua erradicação do seio do comum ontológico dos seres humanos seria sempre excessiva, pois a nenhum ser humano compete negar a comum humanidade a qualquer outro. É no seio da mesma comum humanidade que os problemas humanos individuais ou trans-individuais devem ser resolvidos.

No limite, a migração de um qualquer ser humano acaba sempre por ser uma forma de negação da sua comum humanidade com esses que o forçam a migrar.

Lembre-se que, no limite, a morte de alguém por razões políticas é uma forma extrema e irremível de migração: como diz o povo, «vai para o outro mundo», migração com a qual todas as outras migrações têm de ser comparadas, pois, de facto, estas últimas são formas de morte em vidade esses que são levados a migrar. E tal é válido mesmo quando, após algum tempo, isto é, algum movimento de ação integrativa no «novo mundo», se consegue ganhar uma forma própria de integração no bem aí presente. No entanto, a violência que originou a migração sempre matou algo do que era o mundo anterior próprio da pessoa forçada a migrar; e tal não tem remédio possível.

Não há, aqui, reescritas cor-de-rosa do passado, porque a migração não é confundível com algo como a «volta ao mundo em oitenta dias», de Verne, ou com qualquer outra forma de turismo ou de aventura: é sempre uma resposta necessária a um ato de violência ética e política que tem como alvo a antropologia do diferente.

Aquele que é antropologicamente o nosso próximo, relativamente a nós, não migra, viaja.

Com o próximo, partilha-se o pão, quando há e na quantidade que há.

Se não há pão, de todo, então, nós e o próximo migramos ambos e, assim, somos ambos pacientes e agentes de um mesmo movimento, que pode ser originado pela violência de quem tem pão e não o quer partilhar connosco, porque nos reduz a não-humanos, precisamente ao recusar dar-nos o pão que existe e é partilhável. Se tal movimento for originado por algo de natural, não cabe nesta reflexão.

Este mencionado Lázaro é uma pessoa, um indivíduo humano, não é um «povo», um conjunto, mais ou menos coerente de seres humanos em interação. Poderá representar as grandes migrações, as dos «povos» ou certos tipos de «populações»?

Pode, sim. E pode, porque «povos» e «populações» existem apenas como formas abstratas de nos referirmos ao que, na realidade, existe mesmo, e que são as pessoas e estas, na sua forma realíssima, única, de ser humano individual, pessoal.

Quando surgem nas notícias relatos da morte – ou do resgate – de um determinado número de pessoas, por vezes, tal surge não-quantificado: algo como «numerosas pessoas morreram aquando do naufrágio de uma lancha sobrelotada».

Ora, na realidade, um grupo de pessoas nunca morre, porque os grupos, que são entidades de tipo lógico, nunca morrem: o que morre é a pessoa A, a pessoa B, em que A e B são nomes de humana carne, não números ou expressões lógicas que escamoteiam a ontologia própria do que acabou de ser mundanamente aniquilado e para o que, para quem, já não há humano, mundano, remédio possível; e os demais possíveis remédios, aqui, não nos interessam, pois remetem para realidades atualmente inacessíveis para problemas atuais que, esses, têm de ser atualmente resolvidos aqui e agora.

Se a mundanidade da vida humana é mesmo sem qualquer humano interesse, então que se cesse qualquer ação que promova o bem e seja substituída por uma ação, que até pode ser imediata, de aniquilação da humanidade (basta que, aos pares, os sete mil milões de seres humanos se matem num mesmo gigantesco e absurdo ato de “migração” deste mundo para “o outro”). Não é para isto que a humanidade é, não para ser assassina de si mesma, mas para ser instrumento colaborador de sua mesma salvação, mundana apenas que seja; ainda assim, digna de pessoas, não de bestas.

A ação do possuidor de pão em abundância que tem Lázaro à porta esperando pelas migalhas casuais é própria não de um ser humano, de uma pessoa, mas de um ser humano que age como se besta fora. Ao não reconhecer a humanidade do outro, de esse que está migrado para fora do sítio em que há pão, des-reconhece a sua própria humanidade, pois, de facto, são ambas a mesma, a dele e a do outro, na diferença pessoal que os constitui. Mas que os constitui diferentemente como membros de um mesma humanidade.

Ora, não reconhecer o que é humano no outro, propriamente humano no outro, é não reconhecer isso que tem em comum comigo; mas tal significa que não reconheço isso em mim próprio, pois o que me faz humano é o mesmo que faz o outro humano, e se não o reconheço no outro, não o reconheço simplesmente, pelo que não o posso reconhecer em mim próprio.

Tal significa que o que reconheço em mim como propriamente humano, ao ser diferente do que reconheço no outro, esse que é, apesar de tudo, realmente humano, não é, em mim, verdadeiramente humano, antes fruto de uma qualquer ilusão, que confundo com a realidade humana.

É a partir desta ilusão que vivo o que defino como «humanidade». É a partir desta redução antropológica, onto-antropológica, que construo o que considero ser o mundo humano, o meu mundo humano, em que incluo esses que considero como propriamente humanos e do qual excluo os que considero como impropriamente humanos ou, mesmo, como de todo não-humanos.

Todas as formas etnocêntricas radicam nesta ilusão onto-antropológica e todas as migrações cuja origem não é natural ou puramente económica por anulação de bens disponíveis, radicam nesta mesma ilusão.

A recusa do pão – nas suas várias formas, que este simboliza, isto é, a riqueza necessária e apropriada para toda e cada pessoa que queira fazer parte do bem-comum – implica sempre uma redução onto-antropológica de esse a quem o pão é recusado. Não se recusa o pão ao amigo.

A recusa do pão é o ato de formação da relação de inimizade. É esta inimizade que implica a necessidade de migração, a fim de preservar a vida ou a sua dignidade, indiscerníveis em termos humanos.

Ora, aquilo que designámos como «ilusão», de facto, não é uma realidade de tipo gnosiológico, um «erro» de visão, de inteligência, de quem olhe para o outro e não consiga ver o que lá está porque tem um problema qualquer de disfunção gnosiológica.

Trata-se de um ato propriamente ético, de uma escolha.

Escolho considerar esse que reduzo em sua humanidade por um ato meu, irredutivelmente meu: estou a ser mau, não estou a errar.

Na raiz de toda a migração cujo motor é um ato humano, há uma dimensão ética: negar o pão a alguém é um ato ético, depende do arbítrio de uma pessoa, não de um cão, não de uma máquina, por exemplo. Sou eu que te nego o acesso ao pão; ao fazê-lo estou a negar a tua humanidade porque te nego o acesso ao pão. O mais são desculpas, algumas das quais bem estudadas por quem é bem pago para as estudar.

Mas, ao passar a ato a escolha que fiz relativamente a ti de te excluir do acesso ao pão – muito ou pouco que seja, os que têm acesso são os humanos, os que não têm acesso são os não humanos e é o acesso que é o critério de humanidade, aqui – crio um ato político.

Deste modo, toda a migração, que depende de atos humanos que a provoca, tem uma finalidade onto-antropológica, tem origem ética e tem operação política.

Não haverá cessação de migrações – não confundir com atos de deslocação puramente voluntários – enquanto os seres humanos, isto é, eu, não deixarem de ver alguns dos seus reais e objetivos semelhantes como algo de dissemelhante, não deixarem de os julgar como tal e não deixarem de agir sobre eles com a finalidade de os afastar de si, da sua riqueza, do seu mundo.

O remédio é conhecido há muito tempo, chama-se ação no sentido do bem-comum, esse que não exclui pessoa alguma (que não queira voluntariamente excluir-se), tendo recebido, por parte de Cristo, a formulação prático-pragmática operacionalizante na forma do ignorado mandamento da universal caridade.

Não há desculpa. Há perdão, sim, mas passamos pela antropológica vergonha de não termos desculpa para a inanidade da nossa ação pessoal e coletiva. No entanto, nisto nos comprazemos.

Migrantes do bem que somos, dele insistimos teimosamente em fugir, quando para ele nos deveríamos encaminhar sem desfalecimento.

Américo Pereira
Universidade Católica Portuguesa, Faculdade de Ciências Humanas
Publicado por SNPC em 12 de dezembro de 2017

sexta-feira, 23 de março de 2018

7ª meditação do P. Tolentino no retiro do papa

Maior obstáculo à vida de Deus em nós não é a rigidez

O que mais se opõe à vida de Deus dentro de nós não é a fragilidade, mas o orgulho, sublinhou na tarde desta quarta-feira o P. José Tolentino Mendonça, na sétima meditação que propôs ao papa Francisco e a membros da Cúria Romana que desde domingo participam nos exercícios espirituais da Quaresma que decorrem em Ariccia, próximo do Vaticano.

O poeta e biblista português associou a sede à Paixão de Jesus e recordou que a pobreza de cada ser humano é o lugar onde Jesus intervém e que o maior obstáculo à vida de Deus é a inflexibilidade e a presunção. Por isso é preciso aprender a beber da própria sede.

A Igreja, prosseguiu, não pode isolar-se numa torre de marfim e deve ser discípula, abraçando uma experiência de nomadismo, afirmou o vice-reitor da Universidade Católica, que mencionou o risco de impor a outros caminhos exigentes, enquanto que fiéis permanecem sentados. É preciso que as comunidades cristãs estejam atentas para que o sedentarismo não se torne também espiritual, como uma atrofia interior.

Depois de realçar que os não crentes podem olhar com frescura surpreendente para a vida de fé, o P. Tolentino Mendonça referiu-se ao pensamento do teólogo peruano Gustavo Gutiérrez, assinalando que o poço de onde se bebe a água que sacia a sede é a vida espiritual concreta, mesmo que ferida de contingências e limitações.

«A humanidade que temos dificuldade em abraçar, a nossa própria e a dos outros, é a humanidade que Jesus abraça verdadeiramente, dado que Ele se inclina com amor sobre a nossa realidade, e não sobre a idealização de nós mesmos que construímos. O mistério da incarnação do Filho de Deus, em suma, comporta para nós uma visão não ideológica da vida», destacou.

A sede, em certo sentido, humaniza o ser humano e constitui uma via de «amadurecimento espiritual». É preciso muito tempo para perder a mania das coisas perfeitas, para vencer o vício de sobrepor as falsas imagens à realidade. Como escreve Thomas Merton, Cristo quis identificar-se com o que não gostamos de nós próprios, dado que tomou sobre si a nossa miséria e o nosso sofrimento. S. Paulo testemunha a fé com uma hipótese paradoxal: «Quando sou fraco é então que sou forte».

«O grande obstáculo à vida de Deus dentro de nós não é a fragilidade ou a fraqueza, mas a dureza e a rigidez. Não é a vulnerabilidade e a humilhação, mas o seu contrário: o orgulho, a auto-suficiência, a autojustificação, o isolamento, a violência, o delírio do poder. A força de que temos verdadeira necessidade, a graça que precisamos, não é nossa, mas de Cristo», frisou.

«Se nos dispusermos à escuta, a sede pode ser um mestre precioso da vida interior», assinalou o P. Tolentino Mendonça, que seguidamente se centrou nas três tentações de Jesus no deserto, antes do início da vida pública, narrativa proclamada no Evangelho das missas celebradas no passado domingo, o primeiro da Quaresma.

Sobre a tentação do pão, o biblista assinalou que Jesus conhece as necessidades materiais humanas, mas recorda que não só de pão vive o homem; a sua resposta não é para nos fazer evadir desta realidade, para a fazer considerar como um lugar que deve ser marcado pelo Espírito.

Acerca da segunda tentação, o sacerdote evocou a passagem do povo de Israel no deserto, a caminho da Terra Prometida, quando exigiu a Moisés que lhe desse de beber; para acreditar, queremos ver a nossa sede satisfeita, mas Jesus «ensina-nos a entregar o silêncio, o abandono e a sede como oração».

Na última tentação, em que Jesus responde a Satanás «o Senhor teu Deus adorarás; só a Ele prestarás culto», o P. Tolentino recordou que a Cristo ressuscitado foi dado todo o poder no Céu e na Terra.

O diabo quer ser adorado, mas o seu poder é aparência, enquanto que o do Ressuscitado faz parte do mistério da cruz, da oferta extrema de si. É um risco enorme quando a tentação do poder, em escala mais ou menos maior, nos afasta do mistério da cruz, quando nos afasta do serviço aos irmãos.

Jesus, ao contrário, ensina a não nos deixarmos escravizar por ninguém e a não fazer de ninguém escravo, mas a prestar culto só a Deus e a servir: «Nós não somos proprietários, somos pastores».

Debora Donnini In Vatican News

Tradução e edição em SNPC
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quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Homenagem a Santa Teresa de Calcutá

Poucas semanas depois de o Papa Francisco ter implantado no Domingo anterior à festa de Cristo-Rei o dia Mundial dos Pobres, transcrevo alguns artigos sobre a Santa dos Pobres, a Madre Teresa de Calcutá:

Madre Teresa

Em apenas 50 anos desde a aprovação pontifícia querida por Paulo VI em 1964, as Missionárias da Caridade, fundadas por Madre Teresa de Calcutá, cresceram de algumas centenas a mais de 5300 religiosas em 758 casas espalhadas pelo mundo.

Mas seria um erro grosseiro ler a história desta pequena mulher albanesa cheia de rugas, frágil como uma borboleta e corajosa como uma leoa, à luz das estatísticas ou dos "sucessos" numéricos.

Madre Teresa levou com grande força ao centro da sua vida, e por isso do seu testemunho, o amor incondicional pelos pobres, pelos últimos. Por aqueles pobres e aqueles últimos que recolhia pelas ruas de Calcutá, conseguindo apenas, na maior parte dos casos, assegurar-lhes uma morte digna e rodeada de amor. Esse amor que nunca tinham podido experimentar ao longo da sua vida de mendigos ou descartados pela sociedade das castas.

A pequena grande irmã (...) proclamada santa não fundou uma ONG. Na casa-mãe das Missionárias da Caridade, à entrada destacou-se sempre um crucifixo com as palavras «I thirst!» («Tenho sede!). As palavras de Jesus no Calvário.

O amor pelos pobres, a assistência àqueles que ninguém quer assistir, tocar e curar foi originado e recobrou diariamente força na oração: uma hora de oração e ao todo três horas de oração ao dia.

«Não lhe parece demasiado longo este tempo dedicado à oração?», perguntou um dia um visitante. «Não - foi a resposta de Madre Teresa -, não se pode fazer o nosso trabalho se não por amor e por graça de Cristo. A nossa força são as horas de adoração».

Outro aspeto importante do seu testemunho foi a sua capacidade de ser indiana entre os indianos. Não se apresentou como uma missionária ocidental com o olho no proselitismo. Queria apenas fazer brilhar o rosto da misericórdia de Deus entre os miseráveis e os pobres. Deixando a Deus toda a iniciativa no coração daqueles que a contactavam.

A Índia, sempre muito sensível ao sentido religioso, observou o padre Piero Gheddo, não a via «como uma mulher que curava os doentes, mas como o sinal humano de que Deus estava presente naqueles pobres e naquelas irmãs». Viu-se isso nos seus funerais de Estado, em 1997.

Madre Teresa não fez grandes planos, complicados projetos pastorais, estratégias mediáticas ou de marketing religioso. Curou o primeiro leproso que encontro no seu caminho. Depois o segundo, o terceiro e por aí diante. Reconhecendo no rosto do homem e da mulher sofredores e abandonados nos passeios o rosto de Jesus. Simplesmente porque assim Jesus pediu que fosse feito, como se lê no capítulo 25 do Evangelho segundo Mateus.

E não quis grandes estruturas ou grandes seguranças para as suas irmãs, às quais é pedida uma vida austera e de sacrifícios. Não quis ter conta no banco para garantir o futuro da sua congregação, gastando tudo o que recebia, «porque o nosso perigo maior e tornarmo-nos ricos».

Mostrou que no amor, no acompanhamento, na proximidade não há vida que não valha a pena ser vivida até ao último respiro.

Não foi evangelizar os pobres, deixou-se evangelizar por eles. «Os pobres são a reserva de humanidade de que todos temos necessidade, a reserva de amor, a reserva da capacidade de sofrer e de se alegrar. Dão-nos mais do que nós lhes damos», afirmou.

Foi e é uma santa "contracorrente" porque durante uma longa parte da sua vida experimentou a obscuridade, as dúvidas de fé. Por muitos anos não pôde escutar a voz de Deus. Esta humaníssima e trágica experiência torna-a infinitamente distante da imagem de uma pagela hagiográfica.

Foi e é contracorrente pela sua defesa da família e da vida.
(...)
Foi e é, por fim, contracorrente diante de um certo catolicismo contemporâneo que se reveste com o manto da virtude moral e da fixação doutrinal, que parece experimentar desconforto diante da insistência no amor concreto e incondicional pelos pobres. Se hoje fosse viva, Madre Teresa estaria em Lesbos ou Lampedusa, a tratar as feridas dos migrantes e refugiados.

Andrea Tornielli In "Vatican Insider"
Tradução de Rui Jorge Martins para SNPC a 4 de setembro de 2016

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Pobreza cardinalícia

Papa Francisco pede «pobreza» aos novos cardeais e lembra-lhes que nomeação não é «promoção», mas «serviço»

O papa Francisco escreveu uma carta aos 19 bispos e arcebispos que vão ser criados cardeais a 22 de fevereiro, sublinhando que «o cardinalato não significa uma promoção, nem uma honra, nem uma decoração».

«Simplesmente é um serviço que exige ampliar o olhar e alargar o coração», frisa o papa na missiva que a Rádio Vaticano dá a conhecer um dia depois de Francisco ter revelado o nome dos novos membros do Colégio Cardinalício.

Francisco salienta que «embora pareça um paradoxo, este poder olhar mais longe e amar mais universalmente com maior intensidade pode adquirir-se apenas seguindo o mesmo caminho do Senhor: o caminho do abaixamento e da humildade, tomando forma de servidor».

«Peço-te, por favor, que recebas esta designação com um coração simples e humilde», escreve o papa, acrescentando: «Ainda que o devas fazer com júbilo e alegria, fá-lo de modo que este sentimento seja distante de qualquer expressão de mundanidade, de qualquer festejo estranho ao espírito evangélico de austeridade, sobriedade e pobreza».

Os cardeais encontram-se com Francisco a 20 de fevereiro, no Vaticano, antes do consistório para a criação dos novos purpurados, com o objectivo de, durante dois dias, debaterem o tema da família, assunto que está no centro do próximo sínodo dos bispos, agendado para outubro.

Dezasseis dos novos cardeais, os primeiros criados por Francisco, têm menos de 80 anos, pelo que podem participar num futuro conclave para a eleição do papa.

O número máximo de cardeais que podem eleger o papa é 120. Atualmente estão "vagos" 13, número que em maio passa a 16. Ou seja, em maio haveria 104 cardeais com menos de 80 anos. Com esta escolha, Francisco repõe o número máximo de cardeais eleitores.

Destes 16 novos cardeais, quatro são membros da Cúria do Vaticano e 12 são arcebispos ou bispos residenciais.

A distribuição dos 16 cardeais eleitores por continentes é a seguinte: Europa, 2; América do Norte e Central, 3; América do Sul, 3; África, 2; Ásia, 2.

A escolha de cardeais do Burkina Faso e do Haiti resulta da atenção que o papa quer dar às populações provadas pela pobreza, explicou o responsável pela Sala de Imprensa do Vaticano, padre Federico Lombardi.

O cardeal mais idoso, Loris Capovilla, foi secretário de João XXIII, o papa que decidiu a realização do Concílio Vaticano II (1962-1965) e que vai ser canonizado em 2014, juntamente com João Paulo II.

Entre os escolhidos, o único de língua portuguesa é o arcebispo do Rio de Janeiro, D. Orani Tempesta. O prelado mais novo é Chibly Langlois, de 55 anos, enquanto que o mais idoso tem 98 anos.

Rui Jorge Martins
in © SNPC | 13.01.14

O Pobre de Assis: Teologia do Dom

«São Francisco de Assis: uma teologia da pobreza e do dom

O novo Papa escolheu o nome de Francisco com evidente referência a São Francisco de Assis. Um sinal de regresso ao essencial que nos oferece a ocasião para revisitarmos a teologia da pobreza e do dom desenvolvida pelo franciscano São Boaventura interpretando a vida de São Francisco de Assis.

São Francisco tornou-se pobre entre os pobres: ele viveu a experiência do dom de si e da pobreza; a partir desta experiência São Boaventura criará uma conceptualização do dom segundo quatro formas do dom:

1)Dom do ter: dar aquilo que se tem
São Francisco assumiu para si o versículo do Evangelho de São Mateus: «Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e segue-me.» Assim, Francisco despoja-se e dá o seu dinheiro e os seus bens aos pobres. É o dom do ter.

2)Dom do ser: dar-se a si-mesmo
Mas não basta ajudar os pobres, é preciso tornar-se a si-mesmo pobre, tal como Deus se tornou homem despojando-se da sua condição divina. Deste modo, tal como Deus se deu a Si-mesmo, é preciso dar-se a si-mesmo. É o dom do ser.

3)Dom do dom: liberalidade, aban-dono [em francês: aban-don]
A pobreza perfeita não retém [não reserva] nada para si-mesma, nem mesmo a própria pobreza: «o saber do dom mata o dom» dizia Derrida, ou ainda: «toda a reciprocidade do dom mata o dom» segundo Jean-Luc Marion. Assim, realizar verdadeiramente o dom é dar o dom, isto é, nada esperar dele em troca e não orgulhar-se dele. É o dom do dom, o aban-dono [aban-don]. Reconhecemos aqui o debate contemporâneo sobre a doação em que Jean-Luc Marion elabora a posição seguinte: colocar entre parênteses o doador (visto que não é preciso esperar nada do dom), colocar entre parênteses o recebedor (visto que é preciso libertar-se das suas dívidas) e colocar entre parênteses o próprio dom (uma vez que não é preciso registá-lo). Assim desaparecidos doador e doado, apenas permanece o acto de doação.

4) A humildade, a dependência: reconhecimento da sua condição de criatura
Mais perfeita ainda do que o dom do dom, é a humildade, isto é, o reconhecimento por parte da criatura de que nada é e de que só de Deus depende [humildade: humus: terra (cf. Génesis 1)]. Aqui não se trata da humildade de servidão tal como a encontramos em S. Paulo ou em S. Bernardo. A humildade é a etapa suprema do dom: o franciscano dá-se de tal maneira que já não tem nada, nem mesmo a si-próprio, e já não depende senão de Deus. É a forma mais conseguida do dom.

A partir da obra de Emmanuel Falque, Saint Bonaventure et l’entrée de Dieu en théologie, 2001»

Nota do tradutor: Esta quarta forma do dom tem o seu equivalente no conceito de desprendimento (abegesheidenheit, détachement) de Mestre Eckhart.
Tradução de José Mendonça

domingo, 12 de maio de 2013

A falibilidade (sem dogmas) e a pobreza táctil

Ziraldo
Publico este artigo, pensando na "arrogância" do dogma da "Infalibilidade papal": parece-me que este papa, na sua lucidez a que nos tem habituado, tem posto o dedo em tantas feridas, tem sido sensível a tantos aspectos que desvirtuam a Igreja da sua vocação primordial, e na sua humildade e sapiência de servidor e de pastor sabe e afirma que ninguém é infalível. Quem crê no dogma, pode crer no que o papa disse: "ninguém é dono da verdade"!

Ninguém é dono da verdade


O papa afirmou esta quarta-feira que «ninguém é dono da verdade» e estimulou os católicos a seguirem o exemplo da evangelização feita por S. Paulo, que foi um «construtor de pontes» e não de «muros». «A verdade não entra numa enciclopédia. A verdade é um encontro; é um encontro com a Suma Verdade: Jesus, a grande verdade. Ninguém é dono da verdade. A verdade recebe-se no encontro», disse Francisco, citado pelo portal de notícias da Santa Sé. À imagem de Cristo, «que falou com todos», o cristão que anuncia o Evangelho deve «escutar todos», tendo presente que a Igreja “não cresce com proselitismo”, mas pela «atração, pelo seu testemunho, pela sua pregação». «Os cristãos que têm medo de fazer pontes e preferem construir muros são cristãos inseguros da própria fé, não seguros de Jesus Cristo», frisou Francisco (...).
A pobreza deve ser entendida como «superação de todos os egoísmos na lógica do Evangelho que ensina a confiar na Providência de Deus», apontou. «Pobreza como indicação a toda a Igreja que não somos nós a construir o Reino de Deus, não são os meios humanos que o fazem crescer, mas é principalmente o poder, a graça do Senhor, que opera através da nossa fraqueza», explicou. Para Francisco a pobreza revela-se através da «solidariedade, a partilha e a caridade», bem como na «sobriedade e alegria pelo essencial», a par da vigilância face aos «ídolos materiais que obscurecem o sentido autêntico da vida». «A pobreza teórica não nos serve. A pobreza aprende-se tocando a carne de Cristo pobre, nos humildes, nos pobres, nos doentes, nas crianças», vincou. (...)

Rui Jorge Martins
Publicado por SNPC

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Lutar contra a pobreza pelo correio

CTT: Projecto Luta contra a Pobreza

Após consultarem as listas, e se virem que podem oferecer algo mais este Natal, vão a uma estação dos CTT e podem pedir uma caixa (há dois tamanhos) grátis para poder enviar a uma instituição de solidariedade social. Depois, é só entregar na estação dos CTT e eles farão o respectivo envio (totalmente gratuito).
Lista de Instituições Aderentes e Bens Solicitados http://www.ctt.pt/fectt/export/download/grupoctt/respSocial/AF_folheto_triptico.pdf
Lista de Outros Artigos pedidos
http://www.ctt.pt/fectt/export/download/grupoctt/respSocial/ListaArtigos2.pdf
A pobreza e a exclusão social constituem um dos mais graves problemas das sociedades dos nossos dias.

Os CTT não podem nem querem alhear-se de um problema que toca a todos, pelo que em 2010 – Ano Europeu de Combate à Pobreza e Exclusão Social, mantêm o Projecto de Luta Contra a Pobreza e a Exclusão Social que envolve não só os CTT mas também um largo conjunto de instituições de solidariedade social.

Nos CTT acreditamos que é possível fazer a diferença através de pequenos gestos. Com isso em mente, decidimos unir esforços com Instituições que trabalham diariamente para reduzir os efeitos da pobreza e exclusão social em muitas famílias portuguesas. E para podermos chegar ao maior número de famílias possível, contamos também com a sua ajuda.

É muito simples participar nesta acção de solidariedade. Basta dirigir-se até uma Estação de Correio com o seu contributo, pedir uma das nossas caixas solidárias e colocar o mesmo lá dentro. E para enviar, assinale qual a Instituição a ajudar. Pode contribuir com alimentação, roupa, artigos de higiene para adultos e bebés, artigos didácticos e informáticos. O resto fica nas mãos da rede CTT, garantindo, assim a entrega da sua mensagem às mãos de quem precisa. Um pequeno gesto que faz uma grande diferença. Peça a sua caixa nas Estações de Correio e Ajude a mudar o mundo de uma família carenciada.

In Projecto Luta contra a Pobreza
http://www2.ctt.pt/fectt/wcmservlet/ctt/institucional/grupoctt/resp_social/luta_contra_pobreza.html

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O evangelista do Amor

Na pequena comunidade de oração e reflexão com que me reuno semanalmente (que até há uns meses era apenas formada por mim e por um casal, e que desde então conta com mais um elemento) estamos a ler o evangelho de S. Lucas. Inicialmente achei-o duro, seco e demasiado teatral e pedagógico nalguns dos seus episódios, com uma linguagem que se adequava pouco às nossas (pre)ocupações do 3º milénio. Parecia povoada por exorcismos e com cenas desconexas tiradas de uma peça de teatro escolar.
Contudo não posso deixar passar em branco os hinos dos primeiros capítulos, a infância de Jesus e as parábolas que, à medida que vamos avançando, começam a ser mais fecundas, frequentes e ricas. E é por essa razão que partilho um texto publicado no site da Pastoral da Cultura sobre este Evangelho.

Lucas, o evangelista do amor, pobreza, oração, renúncia e alegria


Lucas é o Evangelho do amor. O livrinho de parábolas do capítulo 15, a célebre parábola do samaritano, o “discurso da planície” (6, 17-49), a atenção de Jesus pelos excluídos, a eleição dos pobres e dos oprimidos, a dádiva aos pecadores, a fidelidade à História são elementos que repropõem ao crente de hoje um empenho renovado de solidariedade, de amor e de justiça segundo as novas e actuais coordenadas históricas. O Evangelho de Lucas apresenta-se como um apelo a redescobrir a dimensão social da fé, sem que ela se esgote numa simples proposta política. A história humana é um espaço onde o cristão deve sujar as mãos para contribuir para a plena realização do homem amado por Deus.

Lucas é o Evangelho da pobreza. Os pobres são evangelizados (cf. 4, 18): os pastores, a viúva que dá tudo, os discípulos que devem deixar tudo, os miseráveis que Jesus encontra no seu caminho cão os cidadãos do Reino de Deus, enquanto que os ricos insensatos (12, 13-21), os fariseus «amantes do dinheiro» (cf. 16, 9.14), aqueles que estão saciados e levam uma vida despreocupada são expulsos e refutados por Cristo. O jovem rico, apesar dos seus dons humanos e religiosos, não serve a Jesus se não distribui aos pobres «tudo quanto possui» (18, 22); «como é difícil para os que têm riquezas entrar no Reino de Deus! Sim, é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus!» (18, 24-25). Contra a idolatria do consumismo e do bem-estar, Lucas celebra o afastamento e a doação, exaltando a escolha preferencial de Cristo e dos cristãos pelos pobres.

Lucas é o Evangelho da oração. Cristo é retratado como o perfeito orante que nos momentos decisivos da sua vida se confia ao diálogo íntimo com o Pai. Lucas é um verdadeiro “catecismo da oração”. Uma atenção particular merecem os hinos do Evangelho da infância, que entraram na liturgia cristã (“Magnificat”, “Benedictus”, “Gloria in excelsis”, Nunc dimittis”): o seu aprofundamento permitirá celebrá-los com mais intensidade e revelar-nos-á a sua riqueza, ao mesmo tempo que nos faz entrar em sintonia com a oração da comunidade cristã das origens.

Lucas é o Evangelho da renúncia. «Quem olha para trás, depois de deitar a mão ao arado, não é apto para o Reino de Deus» (9, 62). Para seguir Jesus é preciso decidir por uma escolha radical, é preciso libertar-se de todo o compromisso, sobretudo com o dinheiro. É um imperativo diário de distanciamento que exige «deixar tudo» (5, 11) e «tomar a sua cruz, dia após dia» (9, 23). Lucas lança-nos um convite permanente a libertarmo-nos da idolatria das coisas e do egoísmo para ser, como Jesus e com Jesus, em marcha para a cidade do nosso verdadeiro destino.

Lucas é o Evangelho da alegria. O evangelista utiliza cinco verbos para a exprimir a alegria em 27 passos do seu escrito. Cristo, com a sua vinda à trama quotidiana dos nossos dias e nas nossas obras, lança a semente da felicidade e da esperança messiânica, sobretudo no coração dos homens «perdidos reencontrados», como se comprova na parábola do capítulo 15 (cf. versículos 5.6.7.9.10.23.25.32). Com Lucas há, portanto, a recuperação da dimensão jubilosa do Reino e da experiência da fé. Alegria que se manifesta sobretudo quando um «irmão que era morto regressa à vida», quando um «irmão que estava perdido é reencontrado» (15,32).
D. Gianfranco Ravasi
Presidente do Pontifício Conselho da Cultura

In Il Vangelo di Luca
Trad.: rm
© SNPC (trad.)
18.10.10
http://www.snpcultura.org/pedras_angulares_sao_lucas.html

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Seguir os princípios da Doutrina Social

A Igreja e o Vaticano II: Um retrocesso (parte 3)
continuação do discurso de Kevin Dowling, bispo de Rustenburg (África do Sul)

Uma das contribuições realmente significativas da Igreja para a construção de um mundo em que pessoas e comunidades possam viver em paz e com dignidade, com uma qualidade de vida de quem é criado à imagem de Deus, é o “corpo” do que se tem chamado de “Doutrina Social da Igreja”, um compêndio publicado nos últimos anos. Os princípios da doutrina social são: Bem comum, Solidariedade, Opção pelos pobres, Subsidiariedade, Destino universal dos bens, Integridade da criação e a Centralidade da pessoa – todos baseados e seguindo os valores do Evangelho. Aqui temos princípios e directrizes muito relevantes para empregar em realidades sociais, económicas, culturais e políticas complexas (…).

Porém, se a hierarquia da Igreja (…) ousa desaprovar ou criticar políticas económicas e sociopolíticas, quem planeia tais políticas ou mesmo os governos, também deve deixar-se criticar da mesma forma, em relação às suas políticas, à sua vida interna e, especialmente, ao seu modus operandi. Uma cultura e prática democrática, com foco na participação dos cidadãos e mantendo o dever de prestar contas pelos que são eleitos para governar, é cada vez mais desejada (…). Se a Igreja e a sua hierarquia declaram seguir os valores do Evangelho e os princípios da Doutrina Social da Igreja, então a sua vida interna, os seus métodos de governação e o seu uso da autoridade serão analisados com base no que nós acreditamos.

Vamos olhar, por exemplo, para um princípio da doutrina social com importância vital para a garantia da democracia participativa no domínio sociopolítico: a subsidiariedade.

Trabalhei 17 anos com a Conferência Episcopal (da África do Sul), no Departamento de Justiça e Paz. Após a nossa libertação política em 1994, constatámos que esta seria pouco relevante para a realidade dos pobres e marginalizados, se não resultasse na sua emancipação económica. Nós, portanto, decidimos que uma questão fundamental para a África do Sul pós 1994 era a justiça económica. Depois de muita discussão (…) emitimos uma Nota Pastoral em 1999: “Justiça Económica na África do Sul”. O seu foco principal foi necessariamente a economia. Entre outras coisas, tratou de cada um dos princípios da Doutrina Social da Igreja; apresento uma citação do tópico da subsidiariedade:

O princípio da subsidiariedade protege os direitos dos indivíduos e grupos perante os poderosos, especialmente o Estado. Faz com que aquelas coisas que podem ser feitas ou decididas a um nível mais baixo da sociedade não sejam substituídas pelo que vem de um nível mais alto. Assim, reafirma o nosso direito e a nossa capacidade de decidirmos por nós, organizarmos os nossos relacionamentos e entrarmos em sintonia com os outros. (...) Nós podemos e deveríamos dar passos para encorajar tomadas de decisões nos níveis económicos mais baixos, e capacitar o maior número de pessoas a participar o mais possível na vida económica.” (…)

Aplicado à Igreja, o princípio de subsidiariedade requer que a hierarquia promova e encoraje activamente a participação, a responsabilidade pessoal e o empenho efectivo de todos, em âmbitos de vocação e ministério particular na Igreja e no Mundo, de acordo com suas possibilidades e dons.
... (continua)

ver parte 1
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/10/o-vaticano-ii-em-aguas-de-bacalhau.html
ver parte 2
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/10/igreja-deveria-partir-do-principio-que.html

http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=34406

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O Vaticano II em "águas de bacalhau"

Kevin Dowling, bispo de Rustenburg (África do Sul), proferiu um discurso que teve uma grande repercussão nos países anglófonos. Um grupo de “católicos leigos influentes” pediu-lhe que dissesse algo sobre a situação actual da Igreja.

O discurso de D. Kevin Dowling foi publicado no site National Catholic Reporter no dia 8 de Julho de 2010.




A Igreja e o Vaticano II: Um retrocesso (parte 1)
[devido à extensão do texto, será publicado em diferentes mensagens]
Dowling começou a palestra lendo uma nota do correspondente do National Catholic Reporter em Washington, Jerry Filteau, sobre uma Missa Latina celebrada em Abril passado na Basílica do Santuário Nacional da Imaculada Conceição nesta cidade. Edward Slattery, bispo de Tulsa, celebrou a missa envergando a cappa magna [1], um “adereço” litúrgico vermelho brilhante com quase 20 metros, um dos símbolos do renascimento da missa tridentina.


The Southern Cross (jornal católico semanal da África do Sul) (…) publicou uma fotografia do bispo Slattery com sua cappa magna. Para mim, tal demonstração, que representa o triunfalismo, numa Igreja despedaçada por escândalos de abusos sexuais, é muito infeliz. O que aí aconteceu reproduziu as marcas de uma corte real medieval, não a liderança humilde e servidora demonstrada por Jesus. Mas parece-me que isto é também um símbolo do que tem ocorrido na Igreja (…) – e isto é (…) o desmantelamento cuidadosamente planeado da teologia, da eclesiologia, da visão pastoral, (…) da “abertura das janelas” do Concílio Vaticano II –, (…) [restaurando-se] um modelo de Igreja anterior, mais controlável através de uma estrutura de poder cada vez mais centralizada. Estrutura essa que agora controla tudo na vida da Igreja através de uma rede de congregações do Vaticano, lideradas por cardeais que asseguram a estrita observância do que por eles é considerado “ortodoxo”. Aqueles que não obedecem arcam com censura e punição. Por exemplo, os teólogos que são proibidos de leccionar em faculdades católicas.

Assim, que não deixemos de destacar (…) este facto importante: Vaticano II foi um concílio ecuménico, ou seja, um exercício solene do Magistério da Igreja, ou ainda, o colégio de bispos reunidos com o bispo de Roma exercitando uma função de ensino para toda a Igreja. Por outras palavras, a sua visão, os seus princípios e directivas, devem ser seguidos e implementados por todos, do Papa ao camponês lavrador nas Honduras.

Desde o concílio Vaticano II, não houve tal exercício de autoridade de ensino do magistério. Em vez disso, uma série de decretos, declarações e decisões, (…) mas na realidade são simplesmente as interpretações ou opiniões teológicas ou pastorais dos que têm poder no centro da Igreja. Eles não foram definidos solenemente como pertencentes ao “depositário da Fé” para serem (…) seguidos por todos os católicos, como outros dogmas solenemente proclamados.

Quando trabalhei internacionalmente, a partir da minha base congregacional religiosa em Roma, de 1985 a 1990 - Dowling é Redentorista [Congregação do Santíssimo Redentor] -, (…) uma das minhas responsabilidades era a construção da Pastoral de Jovens em conjunto com as nossas comunidades nos países europeus, onde tantos jovens estavam longe da Igreja. Desenvolvi relações com muitas centenas de jovens católicos que procuravam de forma sincera, bem abertos a questões de injustiça, pobreza e miséria no mundo, conscientes da injustiça estrutural nos sistemas políticos e económicos que dominam o mundo. Eles sentiam cada vez mais que a Igreja “oficial” não estava apenas a perder a noção da realidade, mas a dar mau testemunho às aspirações de católicos pensadores e conscientes, que procuram uma experiência diferente de Igreja.
Por outras palavras, procuravam uma experiência que os deixasse acreditar que a Igreja a que pertenciam possuia algo de relevante para dizer e testemunhar neste mundo desafiante em que vivemos. Muitos, mas mesmo muitos destes jovens, desde então, deixaram a Igreja definitivamente.


[1] a fotografia desta capa encontra-se na mensagem abaixo: Será que a Igreja reconhece Jesus Cristo?
... (continua)
http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=34406

domingo, 3 de outubro de 2010

"Quando dou comida aos pobres, chamam-me de santo. Quando pergunto porque é que eles são pobres, chamam-me de comunista"

Ainda na senda da Simplicidade e da Pobreza evangélica, quero citar uma pessoa que pela sua vida e obra me parece ser um exemplo vivo (apesar de já ter morrido) para uma Igreja mais fraterna e simples.

Dom Hélder Câmara nasceu no Brasil em Fortaleza a 7 de Fevereiro de 1909 e morreu no Recife em Agosto de 1999. Foi um bispo católico, arcebispo emérito de Olinda e Recife. Associado à Teologia da Libertação e conhecido como o Pai dos pobres, foi um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e grande defensor dos direitos humanos durante o regime militar brasileiro.

Pregava uma Igreja simples, voltada para os pobres e para a não-violência. Pela sua acção, recebeu diversos prémios brasileiros e internacionais. Foi o único brasileiro indicado quatro vezes para o Prémio Nobel da Paz.

Aponto várias fontes para quem quiser saber mais sobre este Grande Homem.

Biografia: vida e obra de D. Hélder
http://pt.wikipedia.org/wiki/H%C3%A9lder_C%C3%A2mara
http://www.pime.org.br/mundoemissao/evanghelder.htm

Algumas frases e pensamentos de D. Hélder Câmara
http://www.pensador.info/autor/Dom_Helder_Camara/

Mais informações
http://www.centenariodomhelder.com.br/
http://www.dhnet.org.br/direitos/militantes/domhelder/index.html

Alguns vídeos
http://www.youtube.com/watch?v=OMAx70ki66w
http://www.youtube.com/watch?v=-t7Aier2yPU
http://www.youtube.com/watch?v=_qKdc-L7DtI
http://www.youtube.com/watch?v=oHFwS5WgllQ

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Será que a Igreja reconhece Jesus Cristo?

Pareceu-me apropriado abordar ao longo desta semana o tema da pobreza e uma análise crítica de posturas da Igreja face a questionamentos sociais e outros apelos contemporâneos. Começo por uma reflexão de S. João Crisóstomo, que me parece ilustrar perfeitamente o texto de Lc 16, 19-31 que se ouviu nas igrejas católicas de todo o mundo no Domingo passado. E isto é um alerta para a Igreja, instituição. Mas também o é para cada um de nós. Quem são as pessoas que nós ignoramos ou a quem não prestamos o devido cuidado? Não estarão aí grandes falhas no nosso amor? O que valorizamos na realidade?


Reconhecer Cristo no pobre

Queres honrar o Corpo de Cristo? Então não o desprezes nos seus membros, isto é, nos pobres que não têm que vestir, nem o honres no templo com vestes de seda, enquanto o abandonas lá fora ao frio e à nudez. Aquele que disse: «Isto é o meu Corpo» [1], e o realizou ao dizê-lo, é o mesmo que disse: «Porque tive fome e não me destes de comer» [2]; e também: «Sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer» [3]. Aqui, o corpo de Cristo não necessita de vestes, mas de almas puras.

Deus não precisa de vasos de ouro, mas de almas que sejam de ouro. Que proveito resulta de a mesa de Cristo estar coberta de taças de ouro, se ele morre de fome na pessoa dos pobres? Sacia primeiro o faminto, e depois adornarás o seu altar com o que sobrar.

Fazes um cálice de ouro e não dás um copo de água fresca? [4]. Pensa que se trata de Cristo, que é ele que parte errante, estrangeiro, sem abrigo; e tu, que não o acolheste, ornamentas a calçada, as paredes e os capiteis das colunas, prendes com correntes de prata as lâmpadas, e a ele, que está preso com grilhões no cárcere, nem sequer vais visitá-lo? Não te digo isto para te impedir de tal generosidade, mas exorto-te a que a acompanhes ou a faças preceder de outros actos de beneficência. Por conseguinte, enquanto adornas a casa do Senhor, não deixes o teu irmão na miséria, pois ele é um templo e de todos o mais precioso.

[1] Mt 26, 26; [2] cf. Mt 25, 35; [3] Mt 25, 42.45; [4] Mt 10, 42.

in Homílias sobre o Evangelho de Mateus, n°50, 3-4http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=commentary&localdate=20100926

sábado, 25 de setembro de 2010

Ajudar é preciso: voluntariado no "Desporto contra a Pobreza"


No próximo dia 6 de Outubro vai decorrer a iniciativa "24 horas de combate à pobreza" que conta com actividades em vários pontos do país e engloba inúmeras entidades que das mais diversas formas irão desenvolver acções para sensibilizar a população para este tema.

A Amnistia Internacional faz parte desta iniciativa e além de dinamizar actividades próprias, estamos a apoiar outros parceiros a angariarem voluntários para as iniciativas.



Neste sentido são necessários voluntários para a iniciativa "Desporto contra a Pobreza e Exclusão Social - 12 modalidades desportivas e actividades culturais" da Fundação Aragão Pinto a decorrer em Lisboa.


Onde é? 
Casa Pia de Lisboa CED Jacob Rodrigues Pereira
Rua D. Francisco de Almeida, 1
1440-117 Lisboa
 
O que é preciso?
6 pessoas - recepção das entidades; Confirmação das entradas/inscrições;      
10 pessoas - 1 em cada estação a auxiliar o responsável da modalidade caso seja necessário.  
10 pessoas - 1 em cada grupo de crianças a auxiliar o responsável pelo grupo no percurso entre estação, e durante o decorrer da actividade
8 pessoas - Distribuição do pequeno almoço e almoço; Distribuição de comida e bebida ao longo do Evento


Como inscrever-se?
Enviar um e-mail para l.marques@amnistia-internacional.pt
(Luisa Marques, Directora de Campanhas e Estruturas, Amnistia Internacional Portugal)
O pós:
O dia termina em festa na Lx Factory com um concerto a partir das 21h00, para o qual estão todos convidados desde já.


Saber mais:
http://24hcombatepobreza.blogspot.com
www.amnistia-internacional.pt

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

Este blogue também é teu

São benvindos os comentários, as perguntas, a partilha de reflexões e conhecimento, as ideias.

Envia o link do blogue a quem achas que poderá gostar e/ou precisar.

Se não te revês neste blogue, se estás em desacordo com tudo o que nele encontras, não és obrigado a lê-lo e eu não sou obrigado a publicar os teus comentários. Haverá certamente muitos outros sítios onde poderás fazê-lo.

Queres falar?

Podes escrever-me directamente para

rioazur@gmail.com

ou para

laioecrisipo@gmail.com (psicologia)


Nota: por vezes pode demorar algum tempo a responder ao teu mail: peço-te compreensão e paciência. A resposta chegará.

Os textos e as imagens

Os textos das mensagens deste blogue têm várias fontes. Alguns são resultados de pesquisas em sites, blogues ou páginas de informação na Internet. Outros são artigos de opinião do autor do blogue ou de algum dos seus colaboradores. Há ainda textos que são publicados por terem sido indicados por amigos ou por leitores do blogue. Muitos dos textos que servem de base às mensagens foram traduzidos, tendo por vezes sofrido cortes. Outros textos são adaptados, e a indicação dessa adaptação fará parte do corpo da mensagem. A maioria dos textos não está escrita segundo o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pelo facto do autor do blogue não o conhecer de forma aprofundada.

As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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