O meu Olhar
O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O mundo não se fez para pensarmos nele
(pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na natureza, não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...
Fernando Pessoa, in O Guardador de Rebanhos
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A diversidade na Igreja
"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.
A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.
A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.
Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?
A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.
A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.
Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?
Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja
Porquê este blogue?
Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!
Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.
Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.
Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
Documentos em destaque no blogue
- Eles são católicos, homossexuais e praticam: testemunhos na Pública
- Viver como cristãos a condição homossexual
- Carta sobre o atendimento pastoral das pessoas homossexuais
- O Caminho das pedras: artigo do Expresso sobre hom...
- Deus bem-me-quer
- "Eu posso crer no amanhã" Discurso em Ética da Reciprocidade: Líderes Religiosos LGBTI em diálogo na ONU | "We can face tomorrow" Speech on Ethics of Reciprocity: UN Dialogue of LGBTI Religious Leaders
- Carta ao Sínodo da Organização Mundial das Associações Homossexuais Católicas
- Rumos da discussão eclesial sobre a questão gay, p...
- Considerações sobre os projectos de Reconhecimento Legal das Uniões entre pessoas homossexuais: um documento de 2003 (Congregação para a Doutrina da Fé, Vaticano)
- Entrevista Exclusiva do Papa Francisco às revistas dos Jesuítas por P. Antonio Spadaro S.J.
- Um estudo da realidade da Homossexualidade em Portugal
- Glossário LGBTI de A a Z
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segunda-feira, 17 de outubro de 2016
sábado, 2 de novembro de 2013
Mãe de Deus, segundo Pessoa
Mãe de Deus, porque tu a Deus creaste,
Filha de Deus, pois Elle te creou,
Irmã de Deus, pois Elle te enviou,
Sposa de Deus, pois virgem tu ficaste,
Eterna, transcendente e fragil haste
Que abre ao alto em Mulher, na que baixou
Á terra, a dar á Eva que peccou
A seiva do carinho que lhe achaste.
És tu que dás ás mães o - afago
És tu -
Tu és a alma da Mulher -
E se o que penso é com amor affim,
E em minha inspiração sinto o teu beijo,
Mãe, mãe de Deus, mãe do Divino em mim.
Fernando Pessoa
Sonetos inéditos até 2000
Edição: Jerónimo Pizarro, Carlos Pittella-Leite
In Granta (Portugal), n. 1
Filha de Deus, pois Elle te creou,
Irmã de Deus, pois Elle te enviou,
Sposa de Deus, pois virgem tu ficaste,
Eterna, transcendente e fragil haste
Que abre ao alto em Mulher, na que baixou
Á terra, a dar á Eva que peccou
A seiva do carinho que lhe achaste.
És tu que dás ás mães o - afago
És tu -
Tu és a alma da Mulher -
E se o que penso é com amor affim,
E em minha inspiração sinto o teu beijo,
Mãe, mãe de Deus, mãe do Divino em mim.
Fernando Pessoa
Sonetos inéditos até 2000
Edição: Jerónimo Pizarro, Carlos Pittella-Leite
In Granta (Portugal), n. 1
Etiquetas:
arte e cultura,
mães,
Maria,
pessoa,
poesia
O Rei, segundo Fernando Pessoa
O Rei
O Rei, cuja coroa de oiro é luz
Fita do alto do throno os seus mesquinhos.
Ao meu Rei coroaram-O de espinhos
E por throno Lhe deram uma cruz.
O olhar fito do Rei a si conduz
Os olhares fitados e visinhos
Mas mais me fitam, e mortas sem carinhos,
As palpebras descidas de Jesus.
O Rei falla, e um seu gesto tudo prende,
O som da sua voz tudo transmuda.
E a sua viva majestade esplende;
Meu Rei morto tem mais que majestade:
Falla a Verdade nessa bocca muda;
Suas mãos presas são a Liberdade.
Fernando Pessoa
O Rei, cuja coroa de oiro é luz
Fita do alto do throno os seus mesquinhos.
Ao meu Rei coroaram-O de espinhos
E por throno Lhe deram uma cruz.
O olhar fito do Rei a si conduz
Os olhares fitados e visinhos
Mas mais me fitam, e mortas sem carinhos,
As palpebras descidas de Jesus.
O Rei falla, e um seu gesto tudo prende,
O som da sua voz tudo transmuda.
E a sua viva majestade esplende;
Meu Rei morto tem mais que majestade:
Falla a Verdade nessa bocca muda;
Suas mãos presas são a Liberdade.
Fernando Pessoa
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Pessoa e a Bíblia
A escritora Inês Pedrosa qualificou esta quinta-feira de «desassossegada» a relação que Fernando Pessoa manteve com a Bíblia e o padre José Tolentino Mendonça recordou as «marcas de leitura» daquele texto presentes na poesia pessoana. A questão da fé não era «acessória» para o autor do 'Livro do Desassossego', referiu à Agência Ecclesia a diretora da Casa Fernando Pessoa, instituição lisboeta que acolheu esta quinta-feira a primeira sessão do ciclo"A Bíblia, coisa curiosa".
«Era um homem completamente viciado em enigmas e por isso nunca se fixou numa religião, como nunca se fixaria a nada», lembrou Inês Pedrosa, acrescentando: «Foi muita coisa em simultâneo e em catadupa», pelo que «nunca poderia dizer “Eu sou deste dogma”, dado que não saberia se amanhã acordaria assim». Pessoa «tinha a noção do sagrado, como acho que os grandes artistas têm sempre», salientou a responsável, e embora «não se possa dizer que fosse católico», era todavia “um homem de fé”.
Para Inês Pedrosa, a evocação de Jesus que «desce do céu e vem brincar connosco» constitui um texto «realmente bíblico e sublime»: «Esse momento é particularmente forte e mostra bem o brilho» que a figura de Cristo tinha para Fernando Pessoa. O menino Jesus «rebelde, luminoso e salvador» evocado pelo heterónimo Alberto Caeiro em “O Guardador de Rebanhos” constitui um excerto que para Inês Pedrosa «faz parte da Bíblia».
A iniciativa que a Casa Fernando Pessoa organiza em parceria com a Faculdade de Teologia da Universidade Católica pretende alargar o debate sobre a fé para além das igrejas e instituições eclesiais.
«A intenção do padre Tolentino quando se aproximou de nós foi trazer a fé para a sociedade civil», assinalou Inês Pedrosa, para quem a «função» da Casa Fernando Pessoa é suscitar a discussão «sobre assuntos que não estão a ser debatidos». A escritora considera que «a reflexão da fé é importante e particularmente interessante nos tempos de hoje, muito marcados por extremismos e por uma certa apatia do mundo ocidental» em relação a ela.
Tolentino Mendonça lembra que Fernando Pessoa, através do heterónimo Álvaro de Campos, adjetivou a Bíblia de «coisa curiosa», uma forma que o poeta madeirense diz ser «muito acertada» para falar dos livros que a compõem.
«A Bíblia está na gestação de cultura, sendo comentada não apenas por teólogos e exegetas, mas também por músicos, poetas e pintores», realçou o diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.
Na catequese quaresmal pronunciada este domingo, o cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, sublinhou que as «interpretações individuais» da Bíblia «que se afastem do sentir da Igreja, enfraquecem a fé pessoal chegando a adulterá-la gravemente».
Esta declaração não implica fechar os textos bíblicos a quem está fora da Igreja: «O sentido pleno da Bíblia brilha na comunidade litúrgica» mas essa convicção «não exclui as infinitas leituras que se podem e devem fazer», sustentou Tolentino Mendonça.
O ciclo de conversas, que prossegue este mês com poetas, teólogos e psicanalistas, pretende «mostrar como há uma multiplicidade de acessos ao texto bíblico que testemunham como ela continua a ser um texto sedutor e cujo charme continua a tocar o coração das mulheres e dos homens do nosso tempo», explicou o sacerdote.
Rui Martins
In Agência Ecclesia, publicada por SNPC
In Agência Ecclesia, publicada por SNPC
Ler o programa de A Bíblia, Coisa Curiosa
sábado, 15 de janeiro de 2011
A melhor coisa em mim és Tu
A alteridade é algo que ajuda profundamente a contruir a pessoa global. Saint-Éxupery dizia pela boca de um dos personagens dos seus livros, que a melhor coisa na sua vida eram as pessoas que por ela tinham passado. Eu encontro uma grande verdade nisso, partilho a gratidão pelas pessoas que Deus tem colocado no meu caminho. Muitas vezes são estas quem me ajuda a ler o sentido dos passos que vou dando, valorizam-me enquanto ser humano, enquanto pessoa (que se relaciona), são o meu olhar mais positivo e construtivo.
Tanto o vídeo, como o próprio Ricky Martin, apresenta-se de forma descontraída e jovem. Pretende ser um manifesto pela igualdade, sendo ilustrado por frases, palavras e também grupos de pessoas, casais e crianças, representando toda uma diversidade racial, social, cultural e, inclusivamente, de condição sexual. De fora ficou, a meu ver, a diversidade etária (não aparece ninguém, julgo eu, que tenha mais de 40 anos).
É a primeira música divulgada do próximo álbum "Music+Soul+Sex" que será apresentado dia 1 de Fevereiro e marca o regresso do cantor depois de se ter revelado publicamente como homossexual, no mês de Março do ano passado. Nos tops das vendas nas livrarias encontra-se a sua autobiografia "Me", lançada em Novembro de 2010.
Ricky Martin tem um companheiro estável que prefere resguardar dos media. Já os seus dois filhos gémeos de dois anos (gerados por barriga de aluguer), Mateo e Valentino, têm aparecido ocasionalmente nos meios de comunicação social. Recentemente Ricky Martin declarou que não põe de parte a possibilidade de adoptar no futuro.
Mensagem inspirada em
http://portugalgay.pt/news/110111A/eua:_ricky_martin_apresenta_novo_video-clip
The Best Thing About Me Is You
O novíssimo video-clip de Ricky Martin
O novo tema "The Best Thing About Me Is You", com a colaboração com Joss Stone, já está no YouTube. O texto não traz grande novidade, parecem chavões. Mas, se calhar, nunca é demais que a música pop, a que chega às grandes massas, se dedique a estes valores que se pretendem universais.
Tanto o vídeo, como o próprio Ricky Martin, apresenta-se de forma descontraída e jovem. Pretende ser um manifesto pela igualdade, sendo ilustrado por frases, palavras e também grupos de pessoas, casais e crianças, representando toda uma diversidade racial, social, cultural e, inclusivamente, de condição sexual. De fora ficou, a meu ver, a diversidade etária (não aparece ninguém, julgo eu, que tenha mais de 40 anos).
É a primeira música divulgada do próximo álbum "Music+Soul+Sex" que será apresentado dia 1 de Fevereiro e marca o regresso do cantor depois de se ter revelado publicamente como homossexual, no mês de Março do ano passado. Nos tops das vendas nas livrarias encontra-se a sua autobiografia "Me", lançada em Novembro de 2010.
A vida semi-privada de Ricky Martin
Ricky Martin tem um companheiro estável que prefere resguardar dos media. Já os seus dois filhos gémeos de dois anos (gerados por barriga de aluguer), Mateo e Valentino, têm aparecido ocasionalmente nos meios de comunicação social. Recentemente Ricky Martin declarou que não põe de parte a possibilidade de adoptar no futuro.
Mensagem inspirada em
http://portugalgay.pt/news/110111A/eua:_ricky_martin_apresenta_novo_video-clip
sábado, 27 de novembro de 2010
A morte de Luís II da Baviera: uma ópera no Filme do Desassossego
| de O filme do desassossego |
A obra é do compositor Eurico Carrapatoso e chama-se "A morte de Luís II da Baviera"
Drama musical em uma cena e um acto
Sobre texto de Bernardo Soares (Livro do desassossego)
Libreto de João Botelho
Obra encomendada pela ARDEFILMES, incluída em O filme do desassossego de João Botelho
MORTE - Angélica Neto, soprano
PROVIDÊNCIA - Elsa Cortez, soprano
Coro Ricercare (dir. Pedro Teixeira)
Sinfonietta de Lisboa
dir. Vasco Azevedo
"Enquanto João Botelho me explicava o filme e o projecto da ópera fumava cigarros pensativos.
A sua exaltação era contagiosa. Eu dizia-lhe "calma, mais devagar, espere" e ele falava-me de Morte, de Providência, de coros de pajens, de atimbales, de metais e arcos; e eu dizia-lhe "calma, calma, mais devagar", mas ele falava-me de filmagens ao ar livre, de planos, de jogos de luz e sombra caravaggianos, de travellings sobre a orquestra e sobre a cena da morte; e eu dizia-lhe "calma, mais devagar! mas ao ar livre? tem a certeza?", e ele falava-me de uma encenação em pleno bosque de Sintra; e eu dizia-lhe "calma, mais devagar, mas ao ar livre? o quê? em Sintra? tem a certeza? e os elementos: o frio? a chuva? o nevoeiro?", e ele dizia-me "sim, sim... conhece outro local mais apropriado para a cena da morte de Luís II, conhece?".
E então leu-me Bernardo Soares:
Senhor Rei, Pastor das vigílias,
cavaleiro andante das Angústias,
sem glória e sem dama
ao luar das estradas,
senhor nas florestas,
nas escarpas,
perfil mudo de viseira caída
Contempla da janela do meu castelo
Não o luar e o mar
Que são coisas belas e por isso imperfeitas;
Mas a noite vasta e materna,
O esplendor indiviso do abismo profundo.
Foi assim que conspirámos o projecto, envoltos em tabaco e nevoeiro.
Aos poucos o texto de Bernardo Soares foi-se insinuando como as púrpuras e os oiros bizantinos de Klimt.
Passados uns dias começou-me a doer. Assim nasceu a obra.
E em Março lá estávamos nós a filmar, em pleno bosque de Sintra, na mítica Peninha, inundada de um sol picardo e refulgente que furava as folhagens em mil matizes."
Eurico Carrapatoso, Novembro de 2010
Serão também interpretadas neste concerto obras de:
JOÃO FRANCISCO NASCIMENTO
JOLY BRAGA SANTOS
LUÍS DE FREITAS BRANCO
VIANNA DA MOTTA
Ler no blogue
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/o-filme-do-desassossego-continua-sem.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/10/desassossego.html
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
O Filme do Desassossego continua sem parar
Percorrendo o país, o filme é mostrado em escolas e auditórios. Em Novembro passará mais uma vez pela capital, desta vez no Teatro Nacional de S. Carlos. O Olga Cadaval em Sintra também o acolherá. Abaixo transcrevo a leitura crítica de Margarida Ataíde. A minha, podem lê-la em: http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/10/desassossego.html
Procurou a inquietação do poeta, ele próprio incomodado com uma realidade cinematográfica: a voragem do cinema comercial, o consumo insonso de uma meia ideia por um ror de sequências meramente visuais e mais uma série de preocupações a juntar ao que o próprio afirma ter sido um período difícil da sua vida.
A bordo do heterónimo de Fernando Pessoa, Bernardo Soares, a primeira descoberta: que o seu sofrimento, à vista do do poeta, nada tinha de comparável. Desde então João Botelho embarcou à descoberta do poeta e da sua relação profunda com a cidade e com o mundo, o que conheceu desde Lisboa.
Inspirado na obra quase homónima, “O Livro do Desassossego”, é o primeiro regresso de João Botelho ao comando cinematográfico, depois de “Corrupção”, que abandonou por divergências maiores com o produtor. Entre ambos os filmes há um salto claro, dissidente, segundo o próprio, das obrigações comerciais para o compromisso pessoal, da mera ilustração para a introspeção, do ruído para o silêncio. De alguma forma, Botelho está mais perto dos seus primeiros trabalhos.
Arriscando-se, tenta um filme aberto, numa Lisboa intemporal, que nos seduza e comova pela abdicação expressa, a comoção, o insaciável questionar da vida e da morte, da felicidade e da tristeza, da abastança e da pobreza... multiplicando personagens – com um belíssimo Cláudio Silva a protagonista -, sequências em jogos de associação de ideias, com e sem espelhos, tudo o que, já quase fora de si, incomodou as personas de Pessoa. Tudo o que nos possa fazer pensar.
Adaptação livre do original literário, ritmo e forma narrativos, alguns diálogos mais hirtos, uma ou outra aproximação ao postal poderão não atrair toda a sorte de espetadores.
Não se diminua por isso o mérito de tentar honestamente dar à obra vantagem estética por imagem e movimento e fazê-la percorrer o país de lés a lés, com direito a debate, num circuito paralelo de escolas e cine teatros, à margem dos índices de bilheteira e suas obrigações, do consumo a eito de ideias – tantas vezes tão poucas e tão frágeis – entre a vertigem de imagens gratuitas, sem tempo nem motivo de reflexão.
Filme do Desassossego: A inquietude de Pessoa e de Botelho
A bordo do heterónimo de Fernando Pessoa, Bernardo Soares, a primeira descoberta: que o seu sofrimento, à vista do do poeta, nada tinha de comparável. Desde então João Botelho embarcou à descoberta do poeta e da sua relação profunda com a cidade e com o mundo, o que conheceu desde Lisboa.
Inspirado na obra quase homónima, “O Livro do Desassossego”, é o primeiro regresso de João Botelho ao comando cinematográfico, depois de “Corrupção”, que abandonou por divergências maiores com o produtor. Entre ambos os filmes há um salto claro, dissidente, segundo o próprio, das obrigações comerciais para o compromisso pessoal, da mera ilustração para a introspeção, do ruído para o silêncio. De alguma forma, Botelho está mais perto dos seus primeiros trabalhos.
Arriscando-se, tenta um filme aberto, numa Lisboa intemporal, que nos seduza e comova pela abdicação expressa, a comoção, o insaciável questionar da vida e da morte, da felicidade e da tristeza, da abastança e da pobreza... multiplicando personagens – com um belíssimo Cláudio Silva a protagonista -, sequências em jogos de associação de ideias, com e sem espelhos, tudo o que, já quase fora de si, incomodou as personas de Pessoa. Tudo o que nos possa fazer pensar.
Adaptação livre do original literário, ritmo e forma narrativos, alguns diálogos mais hirtos, uma ou outra aproximação ao postal poderão não atrair toda a sorte de espetadores.
Não se diminua por isso o mérito de tentar honestamente dar à obra vantagem estética por imagem e movimento e fazê-la percorrer o país de lés a lés, com direito a debate, num circuito paralelo de escolas e cine teatros, à margem dos índices de bilheteira e suas obrigações, do consumo a eito de ideias – tantas vezes tão poucas e tão frágeis – entre a vertigem de imagens gratuitas, sem tempo nem motivo de reflexão.
Margarida Ataíde
© SNPC a 13.10.10
http://www.snpcultura.org/vol_filme_do_desassossego.html
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Desassossego
Quando chega o Outono e o céu começa a franzir o sobrolho não faltam boas razões para sair de casa. Foi assim que ontem, primeiro Domingo chuvoso e ventoso da estação, me dirigi ao CCB para ver um filme português. Cheguei atrasado pela chuvada e pelo trânsito de Lisboa, mas valeu a pena. O filme esgotou a sala nas várias apresentações e o CCB preparou duas sessões extras (inédito para um filme português!).
O Filme do Desassossego de João Botelho é baseado no Livro do Desassossego de Fernando Pessoa, ou melhor, do seu heterónimo Bernardo Soares. O filme chega no ano do 75º aniversário da morte do génio literário. Não passará pelas salas de cinema, pois o seu autor preferiu passá-lo em salas de espectáculo tradicionalmente associadas a outras artes. Vai passar pelo menos por 30 cidades até Janeiro do próximo ano. A próxima é o Porto (TNSJ) e volta a Lisboa em Novembro, desta vez ao S. Carlos, um teatro que acompanhou de perto os passos de Pessoa.
É um filme belíssimo do ponto de vista plástico. As artes entrelaçam-se na bela fotografia, os detalhes são cuidados. Fado, outras músicas, dança, moda, luxo, decadência, noite, lusco-fusco, claridade, locais carismáticos ou desconhecidos (mas identificáveis como Lisboa) e até ópera (de Eurico Carrapatoso) são cenário. As palavras desassossegadas são-nos reveladas como uma fita de nastro que passa pelas bocas de actores, figurantes, mendigos, prostitutas e cantores. O filme é inquieto, como o é o livro e como o são as personagens que os habitam.
Se alguém tiver a oportunidade de o ver, que a aproveite e faça bom proveito!
http://www.ardefilmes.org/filmedodesassossegopt.html
trailers (há mais)
http://www.youtube.com/watch?v=Htyvvx8VzDE
http://www.youtube.com/watch?v=GU2DT6Z5CF8
mais notícias
http://www.destak.pt/artigo/76783-filme-do-desassossego-comemora-75-anos-da-morte-de-pessoa
O Filme do Desassossego de João Botelho é baseado no Livro do Desassossego de Fernando Pessoa, ou melhor, do seu heterónimo Bernardo Soares. O filme chega no ano do 75º aniversário da morte do génio literário. Não passará pelas salas de cinema, pois o seu autor preferiu passá-lo em salas de espectáculo tradicionalmente associadas a outras artes. Vai passar pelo menos por 30 cidades até Janeiro do próximo ano. A próxima é o Porto (TNSJ) e volta a Lisboa em Novembro, desta vez ao S. Carlos, um teatro que acompanhou de perto os passos de Pessoa.
É um filme belíssimo do ponto de vista plástico. As artes entrelaçam-se na bela fotografia, os detalhes são cuidados. Fado, outras músicas, dança, moda, luxo, decadência, noite, lusco-fusco, claridade, locais carismáticos ou desconhecidos (mas identificáveis como Lisboa) e até ópera (de Eurico Carrapatoso) são cenário. As palavras desassossegadas são-nos reveladas como uma fita de nastro que passa pelas bocas de actores, figurantes, mendigos, prostitutas e cantores. O filme é inquieto, como o é o livro e como o são as personagens que os habitam.
Se alguém tiver a oportunidade de o ver, que a aproveite e faça bom proveito!
http://www.ardefilmes.org/filmedodesassossegopt.html
trailers (há mais)
http://www.youtube.com/watch?v=Htyvvx8VzDE
http://www.youtube.com/watch?v=GU2DT6Z5CF8
mais notícias
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Porque estou aqui
Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.
Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.
Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.
Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.
Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.
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Os textos e as imagens
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As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.
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