Pesquisar neste blogue
A diversidade na Igreja
A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.
A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.
Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?
Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja
Porquê este blogue?
Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.
Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
Documentos em destaque no blogue
- Eles são católicos, homossexuais e praticam: testemunhos na Pública
- Viver como cristãos a condição homossexual
- Carta sobre o atendimento pastoral das pessoas homossexuais
- O Caminho das pedras: artigo do Expresso sobre hom...
- Deus bem-me-quer
- "Eu posso crer no amanhã" Discurso em Ética da Reciprocidade: Líderes Religiosos LGBTI em diálogo na ONU | "We can face tomorrow" Speech on Ethics of Reciprocity: UN Dialogue of LGBTI Religious Leaders
- Carta ao Sínodo da Organização Mundial das Associações Homossexuais Católicas
- Rumos da discussão eclesial sobre a questão gay, p...
- Considerações sobre os projectos de Reconhecimento Legal das Uniões entre pessoas homossexuais: um documento de 2003 (Congregação para a Doutrina da Fé, Vaticano)
- Entrevista Exclusiva do Papa Francisco às revistas dos Jesuítas por P. Antonio Spadaro S.J.
- Um estudo da realidade da Homossexualidade em Portugal
- Glossário LGBTI de A a Z
sexta-feira, 5 de agosto de 2016
Islão responde ao terrorismo
sexta-feira, 4 de março de 2011
Sexualidade para crentes
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Homossexualidade e Orixás
sábado, 15 de janeiro de 2011
O Papa também tem medos e revela fragilidades
“O livro desmantela completamente a imagem de Ratzinger obscurantista, retrógrado”, avalia o vaticanista Sandro Magister, após a apresentação do livro. Conceituado especialista do Vaticano, crítico de Ratzinger, Magister dizia à AFP que o Papa manifesta agora “vontade de compreender o mundo”.
A questão do preservativo marcou mediaticamente, desde sábado [estamos a falar do mês de Novembro; para ler artigos no blogue sobre esta questão ir ao mês de Novembro ou ver as etiquetas de preservativo e bentoxvi], a pré-publicação do livro. Nesse dia, o "L’Osservatore Romano", jornal do Vaticano, divulgou excertos. Ali se lia que, “em casos pontuais, justificados”, se pode usar o preservativo.
A afirmação teve reacções positivas em todo o mundo, nomeadamente de organizações de luta contra a sida. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse, em entrevista ao PÚBLICO, que o Papa era “bastante pragmático e realista”. A directora da Organização Mundial de Saúde, Margaret Chan, falou em “boas notícias”.
“É uma maravilhosa vitória do senso comum e da razão”, reagiu Jon O’Brien, do grupo Católicos pela Escolha [Catholics for Choice], citado pela Reuters. E o director da Onusida, Michel Sidibe, falou num passo “positivo”.
O autor da entrevista, Peter Seewald, considerou ontem “penoso” e ridículo” que os media se concentrem apenas no preservativo. “O livro aborda a sobrevivência do planeta ameaçado, o Papa lança um apelo a toda a humanidade, o nosso mundo afunda-se e metade dos jornalistas só se interessa pela questão do preservativo”, afirmou na apresentação.
Muitos outros temas da Igreja e do mundo, bem como dos cinco anos de pontificado de Ratzinger, passam pelo livro, que não ignora polémicas provocadas por afirmações do Papa — o tema do preservativo surge nesse contexto, quando Bento XVI explica o que pretendeu dizer na viagem a África. E, confessa, algumas das polémicas foram para si inesperadas.
Ratzinger abriu uma importante brecha no tema da contracepção, mas mantém outras ideias da doutrina tradicional: a homossexualidade, por exemplo, “opõe-se à vontade de Deus”, mas os homossexuais “merecem respeito” e “não devem ser rejeitados por causa disso”.
Estas afirmações provocaram ontem a reacção da mais importante associação de defesa dos direitos de homossexuais italianos. A Arcigay afirmou: “As palavras do Papa humilham milhões de vidas que têm que suportar discriminações todos os dias.” E anunciou “contestação directa ao Papa” no futuro imediato.
A recusa de ordenação de mulheres é outro tema de conversa entre Bento XVI e Peter Seewald, jornalista alemão que já antes publicara outras duas entrevistas com o então cardeal Joseph Ratzinger ("O Sal da Terra" está editado na Tenacitas). A não-ordenação de mulheres “é uma vontade de Deus”, afirma, retomando afirmações suas segundo as quais o debate está dado por terminado pelo Vaticano.
O Papa sugere, entretanto, ser necessária “uma reflexão” sobre a proibição de pessoas divorciadas que voltaram a casar não poderem comungar. E, pela primeira vez publicamente, assume também a possibilidade de resignação do cargo. “Não se pode fugir quando o perigo é grande. Em consequência, não é certamente o momento de me demitir”, diz no livro, citado pela AFP. Mas “se o Papa não estiver em forma fisicamente e espiritualmente”, a hipótese de abdicar do cargo deve ser colocada.
Polémica, no início de 2009, foi também a retirada da excomunhão (mas sem o ter reintegrado na Igreja Católica) do bispo integrista Richard Williamson, que nega o Holocausto. Bento XVI confessa “não ter tomado consciência de quem se tratava”. Na altura, comentou-se que alguém no Vaticano teria omitido informação ao Papa sobre Williamson, pois o negacionismo do bispo era conhecido.
A primeira grande polémica, após o discurso de Ratisbona sobre a violência, em que Bento XVI citou uma frase que se referia a Maomé, foi originada por um discurso “mais académico que político”, afirma agora Ratzinger. Ao contrário do que as manifestações dessa altura evidenciaram, católicos e muçulmanos estão “comprometidos hoje numa luta comum, a defesa dos valores religiosos”.Também a propósito do islão, acrescenta: “É importante que permaneçamos intensamente em contacto com todas as forças muçulmanas abertas ao diálogo, para que se possam produzir mudanças onde o islão liga verdade e violência.”
Outras afirmações do livro trazem novas polémicas no bico: as afirmações sobre Pio XII, o seu antecessor que governou a Igreja no tempo da II Guerra Mundial, provocaram a reacção de organizações judaicas. Pio XII foi “um dos grandes justos, que salvou os judeus mais do que ninguém”, afirma Bento XVI no livro. “Naturalmente, podemos perguntar sempre: ‘Por que é que ele não protestou com mais vigor?’ Creio que ele viu as consequências que poderia ter havido com um protesto público”.
Vários responsáveis judaicos protestaram. Entre eles, o rabino David Rosen, do Comité Judaico Americano, que respondeu à AFP: “Há certamente muitos argumentos para rejeitar as acusações de imobilismo de Pio XII enquanto a vida dos judeus e de outros estava em perigo. Mas não só Pio XII nunca interpelou directamente o regime nazi sobre a questão do extermínio dos judeus, como, mais grave, nunca exprimiu publicamente a condenação, nem mesmo o lamento, após o fim da II Guerra Mundial.”
In público, por António Marujo a 23 de Novembro de 2010
http://www.publico.pt/Sociedade/confissoes-e-medos-do-papa-num-livro-que-ja-e-sensacao_1467777
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Em país muçulmano: polémica com saída do armário no Youtube
![]() |
| John Dugdale |
Um homem de 32 anos de idade gerou polémica ao ter a ousadia de se afirmar como homossexual no YouTube.
O vídeo teve mais de 100.000 visualizações e quase 3.000 comentários desde quarta-feira, a votação vai em mais de 500 que "não gostam" e 150 que "gostam".
São pouco mais de dois minutos onde Azwan Ismail, afima "tenho 32 anos de idade. Levei muito tempo para me conhecer, reconhecer em mim um gay e, finalmente, ousar afirmar que sou um gay para outras pessoas", e onde fala dos muitos problemas que encontrou até poder chegar a este ponto, focando-se especificamente sobre as questões religiosas e culturais do país. Mas a mensagem final é de esperança: as coisas podem melhorar e vão melhorar, no espírito da campanha "It Gets Better" lançada em inglês no YouTube há uns meses atrás.
Quem não achou piada foram as autoridades religiosas do país (6 em cada 10 malaios são Islâmicos), como o Mufti (estudioso da lei islâmica) do estado de Perak, Datuk Seri Harussani Zakaria, que afirmou "Dado que ele se identificou como sendo Muçulmano e Malaio, ele não deveria ter feito tal declaração. Na realidade ele envergonhou-se a si próprio e ao Islão em geral".
Veja o vídeo (com legendagem em inglês)
http://www.youtube.com/watch?v=SJLSteQIcms&feature=player_embedded
in PortugalGay.PT
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Mundial 2022 sem sexo para os homossexuais
O presidente da FIFA Sepp Blatter diz que os adeptos gays e lésbicas não devem ter relações sexuais durante o Mundial 2022 de Futebol no Qatar, país onde a homossexualidade é proibida.
A afirmação foi feita mais ou menos a brincar por Blatter quando foi questionado se os gays e as lésbicas se devem preocupar por causa da atitude hostil do país do Médio Oriente em relação à homossexualidade. No entanto Blatter espera que haja a "abertura" da cultura islâmica para o Mundial.
"É uma outra cultura e outra religião, mas no futebol não temos limites", disse Blatter a partir da Soccer City em Johannesburgo, África do Sul durante a noite do encerramento oficial do Mundial 2010.
"Estamos abertos a todo o mundo e acho que não deve haver qualquer discriminação contra qualquer ser humano (...)."
"O futebol é um jogo que não afecta qualquer tipo de discriminação. Pode ter a certeza ... se as pessoas quiserem assistir a um jogo no Qatar em 2022, serão admitidos para os jogos."
O Qatar pune os actos sexuais consentidos entre adultos do mesmo sexo com uma pena até cinco anos de prisão.
in PortugalGay.PT
http://portugalgay.pt/news/141210A/qatar:_presidente_da_fifa_sugere_que_gays_e_lesbicas_nao_devem_fazer_sexo_se_forem_ao_mundial
domingo, 21 de novembro de 2010
"A vida não pode ser infectada, a vida não pode ser assassinada", diz o bispo
![]() |
| Tony Gentile/Reuters |
D. Januário Torgal Ferreira, bispo das Forças Armadas, considerou um "volte-face" que o Papa Bento XVI tenha admitido o uso do preservativo "em certos casos", para reduzir os riscos de contaminação pelo vírus da sida.
“Se me pergunta se é um estrondo, sem cairmos em excessos, nem em exageros, é indiscutível que é. É indiscutível que é um volte-face, com o qual rejubilo”, disse D. Januário Torgal Ferreira em declarações à Lusa, reconhecendo que a prática dos cristãos há muito assumiu essa opção em nome da responsabilidade e de princípios éticos e morais.
O bispo das Forças Armadas mostrou-se “muito satisfeito” com as palavras do Papa diante de dramas e dificuldades “tão reais”, em que se “joga a vida” e em que estão em causa “princípios éticos”, designadamente de que “a vida tem de ser defendida”.
“A vida não pode ser infectada, a vida não pode ser assassinada”, realçou D. Januário Torgal Ferreira, observando que a “verdade pode aparecer um pouco alongada no tempo”, mas que “quando é dita tem sempre lugar marcado”.
O bispo fez votos para que dentro de dias não apareça uma “contracorrente” a dizer que Bento XVI foi mal interpretado no que disse ou uma qualquer outra rectificação, observando que equívocos desses já ocorreram. Manifestou contudo confiança que o jornalista que transmitiu a palavra do Papa o fez com rigor.
Pela primeira vez, um Papa admitiu a utilização do preservativo “em certos casos”, desde que “para reduzir os riscos de contaminação do vírus da sida”. A declaração é de Bento XVI e, segundo a AFP, consta num livro a ser publicado na quarta-feira.
“Em certos casos, quando a intenção é reduzir o risco de contaminação, este pode mesmo ser um primeiro passo para abrir caminho a uma sexualidade mais humana, de outra forma vazia”, afirma Bento XVI.
O livro, intitulado “A luz do mundo”, foi escrito por um jornalista alemão e aborda vários temas polémicos, como a pedofilia, o celibato dos padres, a ordenação das mulheres e a relação com o Islão.
Até hoje, o Vaticano sempre baniu toda e qualquer forma de contracepção, excepto a abstinência sexual, mesmo relativamente à prevenção das doenças sexualmente transmissíveis.
por Lusa in público a 21 de Novembro de 2010
http://www.publico.pt/Mundo/posicao-de-bento-xvi-sobre-uso-do-preservativo-e-um-volteface_1467326
Ler no blogue
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/anuncio-do-papa-sobre-preservativos-e.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/ecos-em-portugal-as-palavras-de-bento.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/papa-admite-excepcoes-no-uso.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/3-reaccoes-abertura-de-bento-xvi-ao-uso.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/as-novas-declaracoes-do-papa-em-relacao.html
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Um outro olhar sobre um mesmo filme
Tem um belo título, “Dos Homens e dos Deuses”. Grande Prémio do Júri de Cannes 2010. O seu [Xavier Beauvois, realizador] maior êxito comercial até à data (mais de dois milhões de entradas em França). O filme que representará a França na candidatura ao ‘Óscar dos estrangeiros’. Nada disto quer dizer grande coisa... mas, enfim, a distribuição abriu os olhos.
Deuses e homens, altos e baixos, o céu e a terra – sempre os houve no cinema de Beauvois. As suas personagens deterministas sempre estiveram entre uns e outros. Foi assim com a desintegração familiar do pialatiano “Nord”, com o negro romantismo de “N’Oublie Pas Que Tu Vas Mourir”, com o idealismo do jovem recruta da polícia de “Le Petit Lieutenant”.
Beauvois adensou mais o mistério entre estas duas fronteiras metafísicas ao interessar-se por um certo mosteiro perdido nas montanhas do Magrebe em que decorre “Dos Homens e dos Deuses”. Estamos nos anos 90. Oito monges franceses cristãos vivem em harmonia com o povo muçulmano – mas essa harmonia vai terminar. O filme inspira-se num facto real: as últimas semanas de vida dos monges cistercienses do mosteiro de Thibirine, na Argélia, raptados e degolados em 1996 por extremistas muçulmanos, em condições que permanecem ainda misteriosas.
Nas suas horas de filme, sentimos a violência crescer, pouco a pouco, passo a passo, até ao insustentável. E perguntamo-nos, tal como pergunta Beauvois: porque esperaram pela morte aqueles monges?, o que levou os irmãos Christian, Luc ou Christophe, homens de fé (abandonados por Deus?), a cerrarem ainda mais as fileiras, mantendo-se unidos perante a escalada do terror.
Beauvois nada vai acrescentar ao fait-divers de uma história que, todos sabem à partida, tem final terrível. O que lhe interessa não é o aspeto trivial e jornalístico do episódio, nem sequer aquilo que, para muitos, será o tema fundamental do filme: o extremismo religioso (e, para escavar mais fundo, o terrorismo). Além disso, temos ‘más notícias’ a dar; Beauvois não é, nunca foi um ‘cineasta de temas’. Será por isso que aqueles monges, a partir de certo ponto, se olham entre si como quem olha sereno para a luz de um vitral? Quanto mais apela ao divino (ou à falta dele), mais este filme se torna humano.
Acontece que as personagens de Beauvois, numa direção de actores irrepreensível, se ‘elevam’ religiosa e moralmente, ao encontro de outras criaturas (místicas) da história. Blasfémia? Não: Beauvois guarda uma distância que dá provas da sua modéstia. Não se trata aqui de imitar o que fizeram Dreyer, Rossellini ou Bresson. Apenas de tentar manter um tom de humildade que, essencialmente, documenta gestos do quotidiano, procurando ficar à altura daqueles que estão à nossa frente.
As personagens, por outro lado, são o maior segredo do filme. Consagrados à vida monástica, os monges de Beauvois manter-se-ão fiéis a uma forma de resistência que os condena a ficar – e vão até ao fim do sacrifício. Até que aquele receio de morrer se transforme numa certeza pacificadora, fraternal, que se sabe pronta para o que vai receber. Nesta transformação está a profissão de fé de um filme torturado, controverso, que desafia a nossa consciência.
Francisco Ferreira
In Expresso, 13.11.2010
ler mais sobre o filme neste blogue:
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/vida-ate-morte.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/dos-homens-e-dos-deuses-ode-fe-ao-amor.html
trailer:
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/estreia-esta-semana.html
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Vida até à morte
Ao longo do filme vai-nos sendo caracterizada a comunidade de cristãos, padres e monges, que vive na cordilheira dos Atlas, Argélia - África do Norte - e no coração de conflitos entre rebeldes e exército, lutas de poder, corrupção e violência gratuita.
Estes homens são consagrados a Deus e ao serviço aos seus próximos. E os seus próximos são a população muçulmana de uma aldeia que cresceu em volta do mosteiro, que os estima e que acorre ao mosteiro como quem vai buscar água à fonte. É uma comunidade composta por homens que, como todos, vacilam, hesitam, têm crises de fé e duvidam.
É uma bela parábola, e ainda mais bela por retratar factos verídicos. E é um filme incrível no seu realismo, traçado por uma atenção meticulosa aos pequenos detalhes, por um cenário que não aparece como cenário, mas como palco verdadeiro de uma vida monástica, por uma respiração verdadeiramente espiritual em que entramos como quem vai passar uns dias de retiro num mosteiro habitado e vivo. Os actores que personificam os irmãos, juraríamos que são realmente homens de fé consagrados. A vida comunitária aparece retratada fielmente, tanto na parte visível que as comunidades religiosas mostram a quem as visita, como também na sua vida mais íntima de cumplicidade, fraternidade, espiritualidade, partilha, oração e questões ligadas ao funcionamento, organização e separação de tarefas.
E para além disto, como se fosse pouco, o filme fala-nos de coisas tão importantes como o medo, a confiança, o desespero, o abandono, a vocação, a entrega, o limite e o cerne das religiões. Apresenta-nos o Islão que tantas pessoas vivem, mas que é muito menos mediatizado do que o Islão fundamentalista, violento e intransigente. E mostra-nos o Cristianismo que lança pontes, o da prática diária do serviço e do amor ao próximo, da comunhão e da verdadeira busca e conhecimento do outro e das suas necessidades. O Cristianismo radical no sentido de entrega, e não nos fundamentalismos vazios baseados na palavra que foi inscrita em pedra (e por isso se resume a uma lista de princípios e teorias mais ou menos moralizantes, elitistas e exclusivistas) e anda longe do coração e da carne.
Ver este filme dá anos de crescimento espiritual e humano. Mesmo quem não tem fé, acredite: não vai ficar indiferente!
E para que conste no blogue, o realizador deste filme (Xavier Beauvois) é gay.
ver o trailer na mensagem:
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/estreia-esta-semana.html
ler mais em
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/dos-homens-e-dos-deuses-ode-fe-ao-amor.html
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Dos homens e dos deuses: ode à fé, ao amor ao próximo e ao serviço
A obra, reconhecida com o Grande Prémio do Festival de Cannes e merecedora da forte e comovida chuva de aplausos que encheram o Palais des Festivals na noite do passado 23 de maio, é uma extraordinária ode à fé, ao amor ao próximo e ao espírito de serviço que cumpre, em estilo e estrutura narrativa, o despojamento do seu sujeito.
Com efeito, é-nos dado comungar a forma abnegada como uma comunidade de homens lida com uma realidade adversa para a qual não contribui senão com a sua vocação de amor e dádiva. Uma vocação reafirmada ao arrepio das pressões externas para abandonarem a aldeia que servem à sua sorte.
Sem ceder a tentações sensacionalistas, Beauvois desvenda aos nossos olhos o dia-a-dia daquele pequeno mosteiro de Tibhirine, dos seus sete habitantes e da pacata população da aldeia local, induzindo progressivamente o adensar do contexto violento que involuntariamente envolve uns e outros.
Simples e acessível, a linguagem fílmica pretere o horror dos acontecimentos, trágicos, e da crescente violência, ao espírito com que aquela irmandade os enfrenta. Um espírito sustentado na sua extraordinária força e revitalizado na dúvida e fraqueza pela oração, pelo permanente desejo de união e comunhão, pelo tempo e oportunidade concedidos ao discernimento.
Mais que um nefasto episódio da história política ou religiosa, estamos perante uma obra que nos propõe um caminho, pela busca do verdadeiro sentido da vida: o que os sete monges sacrificados, na sua fé cristã, encontraram, e que Xavier Beauvois tão bem percorre, alumiando-o para crentes e não crentes.
in © SNPC 10.11.10
http://www.snpcultura.org/vol_dos_homens_e_dos_deuses_fe_despojamento_amor_ao_proximo.html
terça-feira, 21 de setembro de 2010
O Homossexual emancipado nasceu do Cristianismo
O homossexual contemporâneo, quer se confesse crente quer se declare agnóstico ou se proclame ateu, é uma figura que emerge no espaço culturalmente inaugurado pelo Cristianismo. Não foi o Judaísmo, e muito menos o Islamismo, que possibilitou o aparecimento da figura do homossexual dos nossos dias, emancipado da condenação e do preconceito da sociedade.In O casamento sempre foi gay e nunca triste, de José António Almeida
Ver também:
sábado, 11 de setembro de 2010
11 de Setembro
Num dia que relembra a sombra do ano 2001, gostaria de partilhar convosco esta música pungente do compositor da Estónia Arvo Pärt: Magnificat.
E gostaria também de comentar as notícias recentes das indignações pela localização de uma mesquita ou de um centro de estudos islâmicos na bairro do Ground Zero em Nova Iorque. Não me parece que a intolerância seja um caminho válido para o que quer que seja. E a ignorância é sempre a porta para a descriminação e para o ódio. Não se pode confundir o terrorismo com o Islão. Não se pode reduzir de forma simplista a religião a uma aparência - mesmo que tenha grande visibilidade - de uma fracção minoritária e extremista.
O Islão também é uma religião da Misericórdia de Deus. O Islão é rico em sábios e místicos que nada têm a ver com um lado bélico, violento e político e fértil em crentes pacíficos com corações transbordantes de bondade e generosidade. Não se pode falar sem se conhecer, baseado em preconceitos e nas ideias manipuladas pela política e pelo medo.
Contudo defendo que a religião e o poder político não devem andar de mãos dadas. Deus não aparece no reverso da moeda de César!
Porque estou aqui
Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.
Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.
Este blogue também é teu
Envia o link do blogue a quem achas que poderá gostar e/ou precisar.
Se não te revês neste blogue, se estás em desacordo com tudo o que nele encontras, não és obrigado a lê-lo e eu não sou obrigado a publicar os teus comentários. Haverá certamente muitos outros sítios onde poderás fazê-lo.
Queres falar?
rioazur@gmail.com
ou para
laioecrisipo@gmail.com (psicologia)
Nota: por vezes pode demorar algum tempo a responder ao teu mail: peço-te compreensão e paciência. A resposta chegará.
Os textos e as imagens
As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.
As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.
Contribuidores
Amigos do blogue
Outras moradas
- Changing Attitude: Internacional; Anglicana
- Changing Attitude: Reino Unido; Anglicana
- Communauté du Christ Libérateur (CCL): Bélgica; Protestante
- Courage: Reino Unido; Evangélica
- Cristianos Gays: Espanha
- David & Jonathan: França; Ecuménica
- Dignity USA: EUA; Católica
- Diversidade Católica: Brasil
- Gay Católico: Brasil
- Gays Catolicos: Brasil
- Global Network of Rainbow Catholics
- Jesus in Love
- La Fonte: Itália
- Muro Pequeno
- New Ways Ministry
- Retorno (G - A - Y): Brasil
- Riacho: Portugal
- Rumos Novos: Portugal
- World Organization of Homossexual Catholics
Moradas do espírito
- Agência Ecclesia: informação
- Aquele que habita os céus sorri
- Catholics for Choice
- Centro de Reflexão Cristã
- Comunidade de Taizé
- CUPAV
- Essejota: juventude
- Evangelho quotidiano: palavra
- Fundação Betânia
- Fundação Evangelização e Culturas
- Igreja do Convento de São Domingos
- JuFra: Juventude Franciscana
- Juventude Hospitaleira
- Juventude Operária Católica
- Juventude: Patriarcado de Lisboa
- Lugar Sagrado
- Metanoia
- Monjas Dominicanas do Lumiar
- Nós Somos Igreja
- Patriarcado de Lisboa
- Pax Christi
- Pray-as-you-go|Passo-a-rezar
- Religion on line: Cultura Notícias Religião
- Religion Today Festival Cinema
- Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura
- Toques de Deus: blogue
- Trento na Língua: blogue ecuménico
Moradas LGBT
- 19: notícias e cultura
- adolescente gay
- advocate: notícias
- AMPLOS: associação de mães e pais pela liberdade de orientação sexual
- as aventuras de mark
- direitos fundamentais LGBT
- film festival world
- gay load: filmes
- gay rights
- gay1: notícias
- homofobia já era: blogue brasileiro
- homomento: notícias
- ILGA
- leslie lohman: museum of gay and lesbian art
- LGBTQ Nation
- mas tu és tudo e tivesse eu casa passarias à minha porta
- não te prives
- portugal gay: notícias
- rede ex aequo
- um deus caído do olimpo
- uma outra face
Moradas do mundo
Moradas adultas
Mensagens mais visitadas nesta semana
-
O fotógrafo Konrad Helbig (1917-1986), depois da II Guerra Mundial (onde foi feito prisioneiro na antiga URSS) começa a estudar em particula...
-
Além da novidade dos Censos 2011 contarem uniões homossexuais (uniões de facto e casamentos entre pessoas do mesmo sexo), haverá contratação...
-
Estou aqui junto a ti. Sou a tua vida, sou o teu tempo, sou a escuridão da tua vida quotidiana... Choro as tuas lágrimas, chora-me as tuas...
-
O Papa Bento XVI a confessar-se em público. Pelos primeiros comentários de quem já leu " Luz do Mundo – o Papa, a Igreja e os Sinais do...
-
No campo das artes - da literatura à poesia, do cinema ao teatro, da pintura à escultura, da dança à música - muitos foram os homossexuais q...
-
Adaptação de mensagem publicada no blogue Direitos fundamentais LGBT A explícita condenação de apedrejamento de homossexuais no Irão e as n...
-
Flauta de Rão Kyao interpreta liturgia católica Rão Kyao associou-se aos 75 anos do Seminário de São Paulo de Almada (inaugurado em Outub...
-
Johnny Weir Além do moradasdedeus ter entrado no Facebook, com um perfil, um grupo privado de amigos e uma página , também no blogue têm...
-
Reutilização e reciclagem de óculos Óculos com nova vida, óculos para quem precisa Tens óculos que já não utilizas? Graduados ou de Sol? En...
-
Os jovens amantes dos deuses e dos heróis mitológicos parte IV Amores entre os soldados gregos Na Grécia antiga, a homossexualida...








