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A diversidade na Igreja
"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.
A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.
A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.
Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?
A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.
A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.
Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?
Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja
Porquê este blogue?
Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!
Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.
Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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Documentos em destaque no blogue
- Eles são católicos, homossexuais e praticam: testemunhos na Pública
- Viver como cristãos a condição homossexual
- Carta sobre o atendimento pastoral das pessoas homossexuais
- O Caminho das pedras: artigo do Expresso sobre hom...
- Deus bem-me-quer
- "Eu posso crer no amanhã" Discurso em Ética da Reciprocidade: Líderes Religiosos LGBTI em diálogo na ONU | "We can face tomorrow" Speech on Ethics of Reciprocity: UN Dialogue of LGBTI Religious Leaders
- Carta ao Sínodo da Organização Mundial das Associações Homossexuais Católicas
- Rumos da discussão eclesial sobre a questão gay, p...
- Considerações sobre os projectos de Reconhecimento Legal das Uniões entre pessoas homossexuais: um documento de 2003 (Congregação para a Doutrina da Fé, Vaticano)
- Entrevista Exclusiva do Papa Francisco às revistas dos Jesuítas por P. Antonio Spadaro S.J.
- Um estudo da realidade da Homossexualidade em Portugal
- Glossário LGBTI de A a Z
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domingo, 26 de outubro de 2014
Artigo do Expresso sobre os homossexuais católicos em Portugal
Foi publicado no moradasdedeus o artigo que saiu recentemente no Expresso sobre os homossexuais católicos em Portugal. O artigo saiu antes da realização do Sínodo dos bispos sobre a Família. Encontra-se na íntegra na secção dos documentos em destaque no blogue. Para ler directamente, clicar neste link
quinta-feira, 31 de março de 2011
ROM: ricochete do artigo homofóbico
Em Janeiro foi noticiado o artigo homofóbico publicado pela Revista da Ordem dos Médicos (lê-lo inteiro aqui). Parece que este gerou respostas na própria ROM. Para ler mais reacções no blogue, ler a opinião do bastonário da ordem dos médicos, reacção de cristãos homossexuais, comentário de um leitor e a primeira reacção do autor do moradasdedeus.
Artigo homofóbico na Revista da Ordem dos Médicos gera reacções na própria revista
Na edição de Janeiro da Ordem dos Médicos foi publicado um artigo que classificava as pessoas homossexuais de forma errónea tendo em conta os critérios científicos actualmente aceites. A revista de Fevereiro vem corrigir a situação com dois artigos em sentido contrário que criticam não só o artigo propriamente dito como a sua publicação na revista da Ordem dos Médicos.
O primeiro artigo é de João Ribeiro que manifesta a sua "profunda indignação" com a publicação do artigo de Janeiro. E esclarece que o artigo anterior "não se trata de um artigo de opinião mas de um artigo de discriminação dirigido a gays e lésbicas e cujos únicos conteúdos são comentários bárbaros, ignorantes, arbitrários e sem qualquer fundamento científico ou sequer argumentação racional".
O médico João Ribeiro refere também que tal artigo é "impublicável" na referida revista, justificando que é preciso distinguir entre a "liberdade de opinião" e a "ofensa insultuosa".
O artigo continua com exemplos de secções do artigo de Janeiro e esclarecendo a posição sobre os mesmos e termina com um lamento que "tantos leitores tenham sido expostos a estas páginas na vossa edição de Janeiro".
Por outro lado Ana Matos Pires enviou um artigo à direcção da revista com o título "A ignorância também ofende". Em primeiro lugar manifesta a sua perplexidade por alguém levar a sério em termos científicos um artigo que começa por referir o "sexto sentido feminino".
Depois Ana Matos Pires questiona a Ordem dos Médicos sobre a razão da publicação do artigo que é supostamente de opinião, o que, na opinião da autora, não pode ser feito sem ser com base em factos.
E Ana Matos Pires indica que "não há ao longo do referido 'artigo', um único facto sustentado no que à homossexualidade diz respeito".
A autora também refere que há no texto ofensas a terceiros contrariando assim as declarações do assessor de imprensa da Ordem dos Médicos ao jornal Público de 22 de Fevereiro. E continua com exemplos de práticas que não faria sentido colocar na revista por serem, objectivamente, contra toda as "responsabilidades clínicas e científicas" da Ordem dos Médicos.
In portugalgay
sexta-feira, 11 de março de 2011
Opinião do bastonário da Ordem dos Médicos sobre artigo homofóbico na ROM
Bastonário dos médicos acha "normal" texto contra homossexuais, em nome da liberdade de opinião
O bastonário da Ordem dos Médicos considera "normal" a publicação na Revista da Ordem de um artigo de opinião que trata os homossexuais como "anormais" e "defeituosos", considerando tratar-se de um direito que não pode ser censurado em democracia.
A Rede Ex-aequo - associação de jovens lésbicas, gays, bissexuais, transgéneros e simpatizantes - escreveu na quarta-feira uma carta aberta ao bastonário da Ordem dos Médicos e à Direcção da Revista da Ordem dos Médicos pedindo a condenação do artigo "O sentido do sexo", da autoria de William H. Clode, director do Instituto Português de Oncologia, publicado na edição de Janeiro.
Em declarações à agência Lusa, o bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, recusou-se a dar uma opinião pessoal sobre o artigo, no qual os homossexuais são classificados como "doentes", "defeituosos", "anormais", "portadores de taras", com "condutas repugnantes", "higiene degradante" e que requerem "correcção".
"A minha opinião é irrelevante para esta situação", disse o bastonário, lembrando que a Revista da Ordem "é plural e livre" e que "os artigos de opinião são da responsabilidade dos seus autores".
O artigo assinado pelo director do Instituto Português de Oncologia insinua que a homossexualidade acarreta doenças e desvios e que, portanto, estas pessoas não têm sequer direito à dignidade nos seus afectos. No texto pode ainda ler-se que existem alguns comportamentos estereotipados - "gestos, fala, indumentária, gostos e manifestações subtis" - pelos quais, segundo o autor, é possível identificar os homossexuais.
"Não há censura na Revista da Ordem dos Médicos, nem ninguém na Revista usa as suas opiniões pessoais para censurar a opinião dos outros. Isso não seria estar a viver em democracia", defendeu o bastonário, que considera que tudo foi feito de "forma transparente, democrática e normal".
No entanto, o Código Penal prevê no artigo 240 a punição de crimes de "discriminação racial, religiosa ou sexual". De acordo com o Código Penal, "quem, em reunião pública, por escrito destinado a divulgação ou através de qualquer meio de comunicação social ou sistema informático destinado à divulgação (...) difamar ou injuriar pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, cor, origem étnica ou nacional, religião, sexo ou orientação sexual (...) é punido com pena de prisão de seis meses a cinco anos".
No entanto, para o bastonário, a publicação oficial da Ordem "vai continuar a ser uma Revista democrática, transparente, plural e aberta às opiniões dos autores dos artigos de opinião". Caso contrário, defende, "se nós usássemos a nossa opinião pessoal para decidir quais os artigos que eram ou não publicados estávamos a regressar a um esquema de censura que nos recorda um passado não muito distante que não é desejável nem recomendável".
Em declarações à agência Lusa, o bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, recusou-se a dar uma opinião pessoal sobre o artigo, no qual os homossexuais são classificados como "doentes", "defeituosos", "anormais", "portadores de taras", com "condutas repugnantes", "higiene degradante" e que requerem "correcção".
"A minha opinião é irrelevante para esta situação", disse o bastonário, lembrando que a Revista da Ordem "é plural e livre" e que "os artigos de opinião são da responsabilidade dos seus autores".
O artigo assinado pelo director do Instituto Português de Oncologia insinua que a homossexualidade acarreta doenças e desvios e que, portanto, estas pessoas não têm sequer direito à dignidade nos seus afectos. No texto pode ainda ler-se que existem alguns comportamentos estereotipados - "gestos, fala, indumentária, gostos e manifestações subtis" - pelos quais, segundo o autor, é possível identificar os homossexuais.
"Não há censura na Revista da Ordem dos Médicos, nem ninguém na Revista usa as suas opiniões pessoais para censurar a opinião dos outros. Isso não seria estar a viver em democracia", defendeu o bastonário, que considera que tudo foi feito de "forma transparente, democrática e normal".
No entanto, o Código Penal prevê no artigo 240 a punição de crimes de "discriminação racial, religiosa ou sexual". De acordo com o Código Penal, "quem, em reunião pública, por escrito destinado a divulgação ou através de qualquer meio de comunicação social ou sistema informático destinado à divulgação (...) difamar ou injuriar pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, cor, origem étnica ou nacional, religião, sexo ou orientação sexual (...) é punido com pena de prisão de seis meses a cinco anos".
No entanto, para o bastonário, a publicação oficial da Ordem "vai continuar a ser uma Revista democrática, transparente, plural e aberta às opiniões dos autores dos artigos de opinião". Caso contrário, defende, "se nós usássemos a nossa opinião pessoal para decidir quais os artigos que eram ou não publicados estávamos a regressar a um esquema de censura que nos recorda um passado não muito distante que não é desejável nem recomendável".
In Lusa
Ler o artigo na origem da polémica
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
A pertinência da inutilidade
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| Escher |
Porque é que o inútil é importante?
Sei os riscos que corro ao propor um tema como este: o elogio da inutilidade. Por um lado, estamos claramente perante um termo ambíguo. A inutilidade parece à primeira vista um valor negativo ou um contravalor. Quando é que a inutilidade é boa e libertadora? Por outro lado, a nossa cultura, que idolatra a produção e o consumo, assumiu o útil como um dos critérios máximos para avaliar as nossas vidas. Se é útil, é bom. Quando nos sabemos úteis, sentimo-nos compensados. A vida tornou-se uma espécie de grande maratona da utilidade. Contudo, o termómetro que assinala a nossa vitalidade interior não pode dispensar a pergunta pelo lugar que saudavelmente damos ao inútil.
Porque é que o inútil é importante? Porque o inútil subtrai-nos à ditadura das finalidades que acabam por ser desviantes em relação a um viver autêntico. Condicionados por esta finalidade, e aquela, e aquela acabamos simplesmente por não viver, por perder o sentido da gratuidade, a disponibilidade para o espanto e para a fruição. Recorrendo a uma expressão do teólogo Dietrich Bonhoeffer, a inutilidade é que nos dá o acesso à “polifonia da vida”, na sua variedade, nos seus contrastes, e na sua realidade escondida e densa. E a polifonia da vida outra coisa não é que a sua inteireza, tantas vezes sacrificada à prevalência contínua do que nos é vendido por útil.
Neste sentido, Jesus de Nazaré é verdadeiramente o Mestre do inútil! Quando lemos os Evangelhos a partir desta chave, encontramos esta preocupação contínua nas palavras de Jesus: a recondução de cada um, não àquelas finalidades subjetivas que se interpõem como obstáculos, mesmo que a gente as veja como grandes oportunidades, mas à abertura fundamental a uma vida segundo o próprio ser. A isso Jesus desafia os discípulos: “Não vos preocupeis quanto à vossa vida, com o que haveis de comer, nem quanto ao vosso corpo como que haveis de vestir, pois a vida é mais que o alimento, e o corpo é mais que o vestuário. Reparai nos corvos… Reparai nos lírios, como crescem. Não trabalham nem fiam… Pois eu digo-vos: nem Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles” (Lc 12, 22).
Num tempo de aperto, em que o útil nos constringe ao máximo empenho, é importante não esquecer o lugar que, precisamente nestes dias difíceis, temos de conceder ao inútil.
José Tolentino Mendonça
Curiosidade: A mostra EXPERIMENTADESIGN deste ano será dedicada ao Useless, isto é, ao inútil.
In Página 1, publicado em SNPC
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Casamento homossexual de um político português: PSD dá o primeiro passo
Europa política perde tabu gay
O casamento homossexual do social-democrata Jorge Nuno Sá, realizado no domingo em Lisboa, é o primeiro em Portugal a envolver um político. Apesar de os casamentos homossexuais serem permitidos em vários países, são poucos os que ocupam cargos públicos e que se assumem como gays.
A Islândia, por exemplo, é liderada pela social-democrata Johanna Sigurdardottir, a primeira-ministra que casou com Jónína Leósdóttir em 2010.
Nos principais países da Europa, há muito que os políticos não escondem aos eleitores as escolhas sexuais [1]. Um dos exemplos é Bertrand Delanoë, presidente da Câmara de Paris (França), que, em 1998, assumiu a sua homossexualidade numa entrevista a um canal de televisão.
No governo da chanceler alemã, Angela Merkel, o ministro dos Negócios Estrangeiros e vice-chanceler Guido Westerwelle revelou ser homossexual, em 2004. Actualmente vive em união com o companheiro. Em Espanha, após uma batalha pela defesa dos direitos do movimento Lésbico, Gay, Bissexual e Transgénero, Pedro Zerolo celebrou o seu casamento em 2005. É uma das figuras do Partido Socialista espanhol.
[1] nota do moderador: nos media, continua a aparecer com frequência o termo escolha sexual, que, não é justo nem corresponde a nenhuma verdade, dado que a orientação sexual é uma condição, e não uma livre escolha.
por André Pereira, in Correio da Manhã on-line
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/politica/europa-politica-perde-tabu-gay
domingo, 23 de janeiro de 2011
Batata ou cebola? Viagem ao centro da alma e a atenção ao silêncio
A atenção
Comecemos talvez de um modo desajeitado, perguntando: o nosso mundo interior é uma cebola ou uma batata? A pergunta faz-nos sorrir, é um bocado cómica, mas, se quisermos, acaba por colocar-nos perante a nossa realidade de uma forma bastante profunda. A pergunta pode ser feita numa cozinha, por uma criança que está a descobrir o mundo, pode ser proferida por filósofos nos seus tratados ou pode ser formulada por um mestre espiritual.
O nosso mundo interior é uma cebola ou uma batata? Nietzsche, por exemplo, dizia que «tudo é interpretação», isto é, não há um núcleo de Ser a sustentar a nossa experiência de vida, tudo são cascas de cebola, modos de ver, perspetivas, interpretações. Para lá disso não há mais nada. Uma visão espiritual do mundo, por outro lado, está certamente do lado da batata, pois considera que mesmo escondida por uma crosta ou por um véu persiste uma realidade que é substanciosa e vital.
A verdade é que mesmo sabendo que a vida é uma batata, nós vivêmo-la muitas vezes como se fosse uma cebola. Vivemos de opiniões, de verdades parciais e provisórias, de paixões, vivemos aparências e modas como se a vida fosse isso. Esgotamo-nos a desfilar cascas e camadas, sem um centro que nos dê realmente acesso ao pleno sentido. Há uma escritora contemporânea, Susan Sontag, que diz que a nossa existência como que fica sequestrada neste sem fim de interpretações que nos distraem da viagem essencial. Não habitamos em nós próprios, levados por ideias, pontos de vistas, cascas e mais cascas. Segundo ela, o mais urgente seria apurar e aprofundar os nossos sentidos, aprendendo a ver melhor, a sentir melhor, a escutar melhor.
Na vida espiritual também é isso o mais importante. Simone Weil escrevia que ela é fundamentalmente feita de atenção: «é a orientação para Deus de toda a atenção de que a alma é capaz». Da qualidade da atenção depende em muito a qualidade da vida espiritual.
Possamos dizer a verdade do poema de Sophia de Mello Breyner Andresen:
«Deixai-me limpo
O ar dos quartos
E liso
O branco das paredes
Deixai-me com as coisas
Fundadas no silêncio.»
Os sentidos espirituais abrem-se e maturam no silêncio. Se mergulhamos neles, tornam-se trilhos para o nosso caminho. É esse o conselho que os mestres unanimemente fazem para passarmos da cebola à substanciosa e vital batata. O conselho de Arsénio, um dos Padres do Deserto (eremitas cristãs que fundaram a espiritualidade monacal) soava assim - «Foge. Cala-te. Permanece no recolhimento». Poemen garantia - «Se fores realmente silencioso, em qualquer lugar onde estiveres encontrarás repouso». João Clímaco, na primeira metade do século VII, escreveu: «o amigo do silêncio aproxima-se de Deus, e encontrando-se com Ele em segredo, recebe a sua luz». Isaac de Nínive prescrevia aos que o procuravam: «Ama o silêncio acima de todas as coisas; ele concede-te um fruto que à língua é impossível descrever… Dentro do nosso silêncio nasce alguma coisa que nos atrai ao silêncio. Que Deus te conceda perceber aquilo que nasce do teu silêncio.»
José Tolentino Mendonça
In Diário de Notícias - Madeira, a 16 de Janeiro de 2011
publicado por SNPC
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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Bancos de esperma e de ovócitos
Lei portuguesa garante a confidencialidade dos dadores. Só os tribunais podem decidir a divulgação da identidade.
Nic e Jules são um casal de lésbicas do Sul da Califórnia. Ambas tiveram filhos com o recurso a um dador de esperma. Quando Joni, a mais velha, faz 18 anos, o irmão, Lazer, convence-a a encontrarem o pai biológico de ambos. Um quinto elemento que acaba por desestabilizar a família. É o argumento de Os Miúdos Estão bem, filme que hoje se estreia [atenção que a notícia é do mês de Novembro e o filme já passou pelas salas portuguesas]. E em Portugal? É garantido o anonimato dos dadores, o que só poderá ser revelado por decisão do tribunal.
A lei portuguesa estabelece como regra a confidencialidade do dador ou dadora. Só em situações excepcionais, por exemplo, que envolvam um casamento, é que o jovem pode pedir ao Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida (CNPMA) para que seja fornecida a identidade genética. E só em tribunal se coloca a hipótese de informar a identidade civil.
"A lei diz que poderá haver a divulgação da identidade civil na sequência de um pedido do jovem em tribunal. É uma norma em branco, porque não é possível definir à partida que situações podem levar a esse tipo de decisão. Mas espero que avaliem bem o que a divulgação significa para os dadores", sublinha Eurico Reis, presidente do CNPMA. E acrescenta que a consequência imediata seria a diminuição de dadores.
A diminuição de dadores é, também, salientada como um dos obstáculos à divulgação do nome por Carlos Plancha, embriologista do Centro Médico de Assistência à Reprodução, em Lisboa. E diz que esta não é uma questão colocada pelos casais que recorrem a tratamentos de infertilidade.
Na maioria dos Estados membros, é garantida a confidencialidade dos dadores, mas no Reino Unido e nos países nórdicos há a possibilidade de divulgar o nome quando a criança atinge a maioridade. É o que também acontece nos Estados Unidos, desde que o dador autorize. E, se não autorizar, os jovens sempre podem recorrer aos tribunais.
"No Reino Unido e na Suécia houve diminuição de dadores e, agora, têm de recorrer a Espanha", diz Eurico Reis, que explica que o padrão médio dos dadores nos EUA são jovens universitários que vêem na doação de espermatozóides uma hipótese de aumentar o orçamento. Com os ovócitos o processo é mais complexo.
Rita Paulos, da Rede Ex-Aequo, associação de lésbicas, bissexuais, transgéneros e simpatizantes, entende que a questão é complicada, mas aceita a possibilidade de o nome dos dadores ser divulgado quando o jovem atinge a maioridade. "Talvez seja legítimo conceder esse conhecimento, já que é uma informação importante para a história da criança, desde que sejam respeitados os direitos legais das figuras parentais. As leis acabam por colocar a questão da confidencialidade para proteger sobretudo os dadores", defende.
Afonso Barros é pioneiro na procriação medicamente assistida (PMA) e sempre defendeu o sigilo. "É a única forma de proteger as pessoas, seja o dador, o casal ou o indivíduo". E, quanto ao direito de a criança saber quem doou o esperma, argumenta: "É uma célula e não tem a importância que lhe é atribuída no sentido de pôr em causa a confidencialidade."
Em Portugal, só as pessoas casadas ou que vivam em união de facto têm acesso à PMA. As lésbicas portuguesas acabam por, em regra, recorrer aos bancos espanhóis, onde a confidencialidade também é protegida. Apenas os centros privados fazem recolha de espermatozóides e ovócitos, esperando-se a abertura do primeiro banco público, já autorizado.
por Céu Neves, in diário de notícias online a 18 de Novembro de 2010
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1713710
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terça-feira, 4 de janeiro de 2011
No Uganda gays combatem a homofobia
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| esta imagem corresponde à condenação à morte de dois homossexuais no Irão |
Gays ganham processo em tribunal
O movimento LGBT no Uganda tem razões para comemorar: os tribunais decidiram a seu favor num processo contra um jornal que incitava os leitores a enforcarem os gays e lésbicas.
Em outubro de 2010, o jornal Rolling Stone apresentou uma lista de supostos homossexuais e na primeira página tinha um destaque com a frase "Enforquem-nos". O artigo, além de nomes e fotos, também tinha indicações sobre os locais onde viviam.
Segundo os testemunhos apresentados alguns dos visados foram alvos de ataques homofóbicos devido ao artigo do jornal.
Além de dar razão aos queixosos o tribunal também emitiu uma ordem que proíbe o jornal de publicar fotos e endereços de pessoas homossexuais no futuro.
O Uganda também foi notícia por em Outubro de 2009 ter sido apresentada uma proposta de lei que pedia a pena de morte para gays em algumas situações. A legislação também criminalizava pais e autoridades escolares que não divulgassem a homossexualidade de crianças.
A proposta foi duramente criticada pela comunidade internacional que ameaçou cortar a ajuda financeira de que o país africano depende.
Mesmo sem aplicação da proposta, os actos sexuais consentidos entre adultos do mesmo sexo já são criminalizados no Uganda, podendo ser aplicada a prisão perpétua.
In PortugalGay.PT
http://portugalgay.pt/news/030111A/uganda:_gays_ganham_processo_em_tribunal
domingo, 19 de dezembro de 2010
Um esboço: o amor da Amizade
A Amizade
«Mas quem é que caminha a teu lado?». Quando me reencontro com esta pergunta, trazida por um verso de T.S. Eliot, penso quase sempre nos amigos. Um amigo, por definição, é alguém que caminha a nosso lado, mesmo se separado por milhares de quilómetros ou por dezenas de anos. O longe e a distância são completamente relativizados pela prática da amizade. De igual maneira o silêncio e a palavra. Um amigo reúne estas condições que parecem paradoxais: ele é ao mesmo tempo a pessoa a quem podemos contar tudo e é aquela junto de quem podemos estar longamente em silêncio, sem sentir por isso qualquer constrangimento. Tenho amigos dos dois tipos. Com alguns, sei que a nossa amizade se cimenta na capacidade de fazer circular o relato da vida, a partilha das pequenas histórias, a nomeação verbal do lume mais íntimo que nos alumia. Com outros, percebo que a amizade é fundamentalmente uma grande disponibilidade para a escuta, como se aquilo que dizemos fosse sempre apenas a ponta visível de um maravilhoso mundo interior e escondido, que não serão as palavras a expressar.
O modo como uma grande amizade começa é misterioso. Podemos descrevê-lo como um movimento de empatia que se efetiva, um laço de afeição ou de estima que se estreita, mas não sabemos explicar como é que ele se desencadeia. Irrompe em silêncio a amizade. Na maior parte das vezes quando reconhecemos alguém como amigo, isso quer dizer que já nos ligava um património de amizade, que nos dias anteriores, nos meses anteriores, como escreveu Maurice Blanchot, «éramos amigos e não sabíamos».
Aquilo de que uma amizade vive também dá que pensar. É impressionante constatar como ela acende em nós gratas marcas tão profundas com uma desconcertante simplicidade de meios: um encontro dos olhares (mas que sentimos como uma saudação trocada entre as nossas almas), uma qualidade de escuta, o compartilhar mais breve ou demorado de uma mesa ou de uma conversa, um compromisso comum num projeto, uma qualquer ingénua alegria…A linguagem da amizade é discreta e ténue. E ao mesmo tempo é inesquecível e impressiva.
Há aquele ditado que diz: «viver sem amigos é morrer sem testemunhas». A diferença entre os conhecidos e os amigos é a mesma que distingue um ocasional espetador daquele que está habilitado a testemunhar. Este último disponibiliza-se realmente a ser presença. Se tivesse de resumir a sua natureza, apetecia-me dizer: um amigo é alguém que foi capaz de olhar, mesmo que por um segundo apenas, o fundo da nossa alma e transporta depois consigo esse segredo, da forma mais gratuita e inocente. E nós retribuímos o mesmo. Em dois ou três poemas de Adília Lopes sublinhei, há tempos, isso. No idioma da poesia de Adília, a amizade era descrita assim: «busquei o amor sem ironia». A amizade, mesmo quando nos fartamos de rir e de alegrar com os outros, é esse transparente amor.
Tenho por uma grande verdade aquilo que escreveu o filósofo Paul Ricoeur: «para ser amigo de si próprio é necessário ter já vivido uma relação de amizade com alguém».
José Tolentino Mendonça
In Diário Notícias (Madeira), publicado a 21 de Novembro de 2010
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Bispos gays SIM, se forem celibatários!
A mesma notícia do que a da mensagem anterior, um ponto de vista diferente.
A Igreja católica terá algo a aprender com a sua irmã anglicana. Enquanto o celibato for a norma vigente na Igreja católica, deveria haver a erradicação da discriminação dos candidatos ao sacerdócio pelo simples facto de serem homossexuais. Se estes querem viver em celibato, o que os distingue dos heterosexuais?
Mas sublinho a curiosidade de o Arcebispo de Cantuária, que agora "defende" os bispos gays, ter sido o mesmo que em 2003 barrou a nomeação de um bispo homossexual. As voltas que o mundo dá...
O arcebispo de Cantuária disse ontem que não se opõe a que homossexuais sejam nomeados bispos da Igreja de Inglaterra, desde que se mantenham celibatários - uma afirmação que ameaça dividir ainda mais a comunhão anglicana sobre a ordenação de gays.
"Para ser muito claro, não tenho qualquer problema que um gay seja bispo. Tem apenas a ver com o facto de que, tradicional e historicamente, há padrões que se espera que o clero respeite", disse Rowan Williams ao jornal Times.
Na entrevista, onde abordou mais explicitamente do que nunca o tema, o arcebispo admitiu que um dos períodos mais difíceis do seu mandato ocorreu em 2003 quando, após intensa polémica, bloqueou a nomeação de Jeffrey John, um reverendo que mantinha uma relação homossexual.
Williams admitiu que as divergências sobre o tema têm sido "uma ferida" no seu mandato, mas explicou que se sentiu sempre obrigado a alinhar com o sector mais conservador porque a aceitação incondicional da ordenação de homossexuais "tem ainda um custo demasiado grande para o conjunto da Igreja anglicana".
As declarações do arcebispo foram de imediato condenadas pelos defensores dos direitos dos homossexuais, que o acusam de discriminação, por exigir aos gays o celibato que não é obrigatório para os heterossexuais. "Para ele, a unidade da Igreja é mais importante do que o respeito pelos direitos humanos de gays e lésbicas." Mas a entrevista promete também indignar os mais conservadores, que acusam Williams de ignorar a doutrina da Igreja ao aceitar a ordenação de homossexuais.
Este é um dos temas que mais dividem os anglicanos em todo o mundo - uma comunhão que integra mais de 80 milhões de pessoas em 160 países. Desde 2003, várias congregações mais conservadoras anunciaram a sua cisão, depois de a Igreja Episcopal, o ramo da comunhão nos EUA, ter nomeado dois bispos homossexuais.
No ano passado, o Vaticano contribuiu para a polémica ao pôr em prática medidas destinadas a acolher na Igreja Católica os anglicanos mais tradicionalistas, descontentes com a ordenação de mulheres ou de homossexuais.
in público por Ana Fonseca Pereira a 26 de Setembro de 2010
http://www.publico.pt/Sociedade/bispos-anglicanos-gays-so-se-forem-celibatarios_1457967
A Igreja católica terá algo a aprender com a sua irmã anglicana. Enquanto o celibato for a norma vigente na Igreja católica, deveria haver a erradicação da discriminação dos candidatos ao sacerdócio pelo simples facto de serem homossexuais. Se estes querem viver em celibato, o que os distingue dos heterosexuais?
Mas sublinho a curiosidade de o Arcebispo de Cantuária, que agora "defende" os bispos gays, ter sido o mesmo que em 2003 barrou a nomeação de um bispo homossexual. As voltas que o mundo dá...
Bispos anglicanos gays só se forem celibatários
O arcebispo de Cantuária disse ontem que não se opõe a que homossexuais sejam nomeados bispos da Igreja de Inglaterra, desde que se mantenham celibatários - uma afirmação que ameaça dividir ainda mais a comunhão anglicana sobre a ordenação de gays.
"Para ser muito claro, não tenho qualquer problema que um gay seja bispo. Tem apenas a ver com o facto de que, tradicional e historicamente, há padrões que se espera que o clero respeite", disse Rowan Williams ao jornal Times.
Na entrevista, onde abordou mais explicitamente do que nunca o tema, o arcebispo admitiu que um dos períodos mais difíceis do seu mandato ocorreu em 2003 quando, após intensa polémica, bloqueou a nomeação de Jeffrey John, um reverendo que mantinha uma relação homossexual.
Williams admitiu que as divergências sobre o tema têm sido "uma ferida" no seu mandato, mas explicou que se sentiu sempre obrigado a alinhar com o sector mais conservador porque a aceitação incondicional da ordenação de homossexuais "tem ainda um custo demasiado grande para o conjunto da Igreja anglicana".
As declarações do arcebispo foram de imediato condenadas pelos defensores dos direitos dos homossexuais, que o acusam de discriminação, por exigir aos gays o celibato que não é obrigatório para os heterossexuais. "Para ele, a unidade da Igreja é mais importante do que o respeito pelos direitos humanos de gays e lésbicas." Mas a entrevista promete também indignar os mais conservadores, que acusam Williams de ignorar a doutrina da Igreja ao aceitar a ordenação de homossexuais.
Este é um dos temas que mais dividem os anglicanos em todo o mundo - uma comunhão que integra mais de 80 milhões de pessoas em 160 países. Desde 2003, várias congregações mais conservadoras anunciaram a sua cisão, depois de a Igreja Episcopal, o ramo da comunhão nos EUA, ter nomeado dois bispos homossexuais.
No ano passado, o Vaticano contribuiu para a polémica ao pôr em prática medidas destinadas a acolher na Igreja Católica os anglicanos mais tradicionalistas, descontentes com a ordenação de mulheres ou de homossexuais.
in público por Ana Fonseca Pereira a 26 de Setembro de 2010
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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
A bandeira toda nos calções
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| Bobby Yip/Reuters |
Qualquer equipamento desportivo numa grande competição desportiva entre nações tem sempre as cores do país. É o que acontece com a equipa de pólo aquático de Singapura que compete nos jogos asiáticos na China. O vermelho e o branco está lá e o crescente com cinco estrelas, mas o uso deste símbolo do país nos justos calções dos atletas está a chocar as mentes mais conservadoras desta cidade-estado asiática.
O governo de Singapura, que controla todos os usos da bandeira nacional, diz que não sancionou o uso deste símbolo nacional nos calções, que têm o crescente e as estrelas na parte da frente. "Nojento" foi um dos adjectivos usados por um leitor do jornal "Straits Times". "O crescente devia ter ficado mais ao lado", lamentou um membro da federação de natação de Singapura. Para já, acrescenta, vão continuar a usar os mesmos calções, porque não têm outros.
in publico.pt
A equipa de pólo aquático de Singapura pediu desculpas pelos calções de banho que usou nos Jogos Asiáticos. É que a meia lua da bandeira situava-se numa zona dos calções considerada pouco apropriada.
O governo considerou o episódio “lamentável”, justificando que “os elementos da bandeira têm de ser tratados com dignidade”. “Lamentamos profundamente se ofendemos alguém. Não era nossa intenção insultar o país”, referiu o responsável da equipa Samuel Wong.
A meia lua da bandeira é uma referência à nação jovem e próspera e não tem qualquer ligação com a fé islâmica, já que a cidade-Estado é, maioritariamente, budista.
in dezanove.pt
http://dezanove.pt/2010/11/30/uns-calcoes-de-banho-muito-pouco-apropriados-5695
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Será que os homossexuais portugueses se querem casar?
E para quem não acreditava que existissem casais homossexuais "estáveis", aqui vão alguns números:
221 casamentos entre pessoas do mesmo sexo em seis meses
Em seis meses realizaram-se, em Portugal, 221 casamentos entre pessoas do mesmo sexo, segundo dados do Ministério da Justiça, divulgados à agência Lusa. De acordo com a mesma fonte governamental, dos 221 casamentos homossexuais realizados desde 7 de junho, 156 foram entre homens e 65 entre mulheres.
A juntar a estes somam-se os 202 casamentos realizados fora do país em que um cônjuge é cidadão português. Destes, 139 foram contraídos entre homens e 63 entre mulheres.
Nos consulados portugueses espalhados pelo mundo, em seis meses, realizaram-se 19 uniões homossexuais: 17 entre o sexo masculino e dois entre o sexo feminino.
A lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo entrou em vigor a 31 de Maio último, tendo-se realizado o primeiro casamento a 7 de junho, entre Teresa Pires e Helena Paixão, que lutaram para que a união homossexual fosse possível em Portugal.
O polémico diploma só foi promulgado pelo Presidente da República a 17 de Maio, no penúltimo dia do prazo e após o fim da visita do Papa a Portugal.
Depois de ter submetido o diploma à fiscalização preventiva do Tribunal Constitucional - que o considerou constitucional -, Cavaco Silva acabaria por promulgar o diploma no Dia Mundial Contra a Homofobia, mas não se livrou de forte contesttação por parte de sectores conservadores. O mal-estar neste sectores gerou mesmo movimentações no sentido de apresentar um candidato alternativo às próximas eleições presidenciais.
Este diploma teve origem numa proposta do Governo e foi aprovado pelo Parlamento, com os votos favoráveis de PS, BE, PCP e PEV e contra do CDS-PP e do PSD, mas seis deputados sociais-democratas abstiveram-se.
PÚBLICO/Lusa
http://jornal.publico.pt/noticia/05-12-2010/221-casamentos-entre-pessoas-do-mesmo-sexo-em-seis-meses-20764686.htm
sábado, 27 de novembro de 2010
Transfobia na Ucrânia
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| severance |
TDOR marcado por transfobia
Em Kiev, na Ucrânia, no passados dia 20 de Novembro, no Transgender Day of Remembrance (TDOR - dia de homenagem a quem foi morto devido à transfobia), desconhecidos atacaram a reunião pacífica organizada pela ONG "Insight" e Visual Culture Center - "Response to violence against transgender people" (Resposta à violência contra pessoas transexuais e transgénero).
A organização tinha organizado uma projecção do filme "Boys Don't Cry", seguido de debate e de uma pequena vigília com velas.
Cerca de dez homens mascarados invadiram o Visual Culture Center enquanto o filme estava a ser exibido. Obviamente, os atacantes tinham planeado invadir a sala, onde se encontravam mais de trinta espectadores, e atacá-los com gás lacrimogéneo. No entanto, devido à rápida reacção dos organizadores e ativistas, os atacantes foram detidos na entrada e mantidos fora da sala.
Um dos organizadores e coordenador da parte transgénero da ONG "Insight", Timur Lysenko, que foi o primeiro a confrontar os bandidos bloqueando-lhes o acesso à sala, foi espancado. Ele e a sua colega Anastasia Medco da ONG "Fulcrum", que também resistiu, foram fortemente envenenados pelo gás lacrimogéneo. Os agressores, entretanto, fugiram do local.
Timur foi diagnosticado com lesões internas e queimaduras químicas faciais. Todos os espectadores presentes na sala durante o ataque sofreram efeitos do gás lacrimogéneo.
Quando a polícia chegou classificou o ataque como "vandalismo". No entanto, a táctica dos atacantes indica claramente pré-planeamento e intenção: os atacantes usavam máscaras, tinham armas, as suas acções foram coerentes e deliberadas, e fugiram do local todos ao mesmo tempo. O evento dedicado ao Transgender Day of Remembrance foi anunciado antecipadamente, o que permitia planear e organizar o ataque. A acção terá sido feita por transfobia. (...)
Até ao momento várias queixas foram apresentados à polícia pelos participantes lesados no evento. Os organizadores insistem que as autoridades reconheçam o ataque como crime de ódio.
In PortugalGay.pt
http://portugalgay.pt/news/Y221110A/ucrania:_tdor_marcado_por_transfobia
Um passo importante para as pessoas transexuais
De acordo com o JN, foi hoje aprovada na Assembleia a proposta de alteração de nome e género na documentação legal das pessoas transexuais.
Esta proposta resulta da junção das propostas formalizadas e aprovadas pelo BE e Governo, que depois de terem sido aprovadas a 1 de Outubro último baixaram a uma comissão de especialidade, onde foram reunidas numa proposta única.
A proposta foi aprovada com os votos favoráveis do PS (menos as deputadas Maria do Rosário Carneiro e Teresa Venda que votaram contra), BE, PCP, e PEV, tendo obtido também os votos favoráveis de 12 deputados do PSD.
Além dos doze deputados do PSD que votaram favoravelmente, houve ainda 9 abstenções, tendo a restante bancada votado contra. O CDS-PP votou contra.
Esta legislação permitirá a alteração de nome e género às pessoas transexuais, sem necessidade de se interpor um processo judicial contra o Estado, acabando também com a obrigatoriedade de se submeter a uma cirurgia de redesignação de sexo para o efeito.
A legislação segue agora para as mãos do Presidente da República, Cavaco Silva, que terá de promulgar ou vetar a legislação a mês e meio das eleições presidenciais.
In PortugalGay.pt
http://portugalgay.pt/news/Y261110A/portugal:_proposta_conjunta_de_alteracao_de_nome_e_genero_aprovada
Lituânia ainda não aprovou a homofobia...
Custa a acreditar que estamos no terceiro milénio e na União Europeia...
Lituânia: Lei contra promoção da homossexualidade falha a primeira votação
O Parlamento da Lituânia rejeitou no dia 17 de novembro por uma margem mínima um projeto que teria proibido a promoção pública das relações homossexuais.
A votação foi uma "primeira leitura", a segunda leitura, ou próxima votação deverá ocorrer em Dezembro.
De acordo com o grupo Lithuanian Gay League, a lei teria como resultado a aplicação de multas ou prisão para quem "promovesse as relações homossexuais em locais públicos" ou o "financiamento da promoção em lugares públicos".
"Se essas alterações forem aprovadas, em última análise, o governo lituano terá a autoridade para processar uma variedade extremamente ampla de acções e actividades", disse LGL. "Essas acções incluem, mas não se limitados a, fazer campanha em questões de direitos humanos relacionados com orientação sexual e identidade de género, fornecer informações sobre saúde sexual para as pessoas LGBT, organização de festivais de cinema gay e organização e/ou participação em eventos de pride."
A Amnistia Internacional tem denunciado as propostas legislativas, afirmando que: "é difícil acreditar que um membro da União Europeia seja capaz de considerar a adopção de tal legislação."
No ano passado, a Lituânia promulgou a "Lei sobre a protecção dos menores contra os efeitos prejudiciais da informação pública."
A lei proíbe informação que promova as relações sexuais, "denigra os valores da família" ou incentive um conceito não heterossexual de casamento e família em qualquer tipo de local onde tais informações possam ser acedidas por um menor.
Por Rex Wockner (EUA) para PortugalGay.PT, a 22 de Novembro de 2010
http://portugalgay.pt/news/221110A/lituania:_lei_contra_promocao_da_homossexualidade_falha_a_primeira_votacao
Alegre pouco gay em questões de adopção
Candidato Presidencial partilha sua posição sobre adopção LGBT
Em entrevista ao jornal Sol, Manuel Alegre revela que não se sente muito à vontade com a adopção por casais do mesmo sexo.
Quando questionado sobre a adopção por casais do mesmo sexo, Manuel Alegre partilhou que considerava "inevitável" este passo legislativo após a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo "independentemente da opinião pessoal" que teria sobre o assunto.
Revela também que sempre viu a adopção por casais do mesmo sexo com "mais problemas, mais engulhos do que o resto". Para o candidato presidencial as crianças são "muito cruéis" afirmando que não tem preconceito.
Concluindo que "seja como for" é pela eliminação das discriminações e pelas liberdades.
O ex-deputado do PS, com 74 anos irá concorrer em 23 de Janeiro de 2011 nas eleições presidenciais na tentativa de vencer o actual presidente Cavaco Silva eleito em 2006. Cavaco Silva promulgou a lei de abertura do casamento civil a casais do mesmo sexo fazendo um duro discurso contra a mesma e revelando que apenas o fez porque não teria, na prática, capacidade para vetar a lei se a mesma fosse novamente aprovada na assembleia, o que era previsível.
Se as eleições fosse hoje Cavaco Silva seria reeleito à primeira volta segundo as últimas sondagens.
In PortugalGay.PT, 26 de Novembro de 2010
http://portugalgay.pt/news/261110A/portugal:_candidato_presidencial_partilha_sua_posicao_sobre_adopcao_lgbt
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Vidas Consagradas podem ser premiadas
| in calendario romano |
Não é comum que trabalhos com esta temática sejam candidatos a prémios...
Reportagem "Vidas Consagradas" candidata a prémio de vídeojornalismo
A série de reportagens “Vida Consagradas”, coordenada por Filipe d’Avillez, jornalista da Renascença e membro da equipa de trabalho e do site do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, é uma das quatro candidatas ao prémio de videojornalismo online do Observatório do Ciberjornalismo.
O trabalho, realizado durante o Ano Sacerdotal (junho 2009 a junho de 2010) acompanhou o percurso de doze padres a viver em Portugal. Todas as reportagens produzidas pela Renascença foram reproduzidas no site da Pastoral da Cultura (ver ligações no fim da página).
A votação – apenas uma vez a partir de cada computador – pode ser feita através da página da Pastoral da Cultura (categoria “Videojornalismo on-line”).
In © SNPC a 23 de Novembro de 2010
Ver reportagens
Ser padre é ser totalmente de Deus http://www.snpcultura.org/id_pe_nuno_fernandes.html
Ser padre é ser educador http://www.snpcultura.org/id_pe_jose_lopes.html
Ser padre é ir para a guerra http://www.snpcultura.org/id_pe_constancio_gusmao.html
Ser padre é seguir Cristo http://www.snpcultura.org/id_pe_ivan_hudz.html
Ser padre é orar e trabalhar http://www.snpcultura.org/id_pe_lino_moreira.html
Ser padre é ser missionário http://www.snpcultura.org/id_pe_luis_guevara.html
Ser padre é formar novos padres http://www.snpcultura.org/id_pe_ricardo_neves.html
Ser padre é estar presente http://www.snpcultura.org/id_pe_albino_reis.html
Ser padre é ser bom padre, bom marido e bom pai http://www.snpcultura.org/id_pe_saul_sousa.html
Ser padre é ser profundamente livre http://www.snpcultura.org/id_pe_joao_eleuterio.html
Ser padre é maravilhoso. É tudo http://www.snpcultura.org/id_pe_damaso_lambers.html
Para votar
domingo, 21 de novembro de 2010
A opinião dos médicos sobre a tomada de posição de Bento XVI
Impacto da declaração deixa médicos divididos
Lino Rosado fala em passo "extremamente interessante". Maymone Martins defende que a Igreja sempre pensou assim
Os médicos ouvidos pelo DN tiveram reacções muitos distintas às declarações de BentoXVI, dividindo-se entre o entusiasmo assumido e a defesa de que o Sumo Pontífice nada disse que não fosse já assumido pelo Vaticano.
Para Maymone Martins, cardiologista pediátrico e antigo presidente da Associação dos Médicos Católicos Portugueses, a admissão de Bento XVI não representa qualquer mudança de pensamento na Igreja Católica.
Já Lino Rosado, pediatra que há muitos anos acompanha crianças seropositivas, acredita que estamos perante um passo "extremamente interessante".
Maymone Martins defende que a Igreja nunca combateu o uso do preservativo para prevenir doenças sexualmente transmissíveis, apenas apontando outros caminhos: "O que tenho visto a Igreja defender são relações sexuais integradas na vida conjugal e uma vida conjugal fiel", argumenta. "No contexto de uma vida com vários parceiros sexuais, compreende-se que o preservativo seja usado. O que a Igreja defende é que essa não é a sexualidade que as pessoas devem procurar."
Já Lino Rosado considera que a atitude do Papa demonstra "uma abertura muito grande para a realidade" que, além de "extremamente interessante" e "muito louvável" vai "naturalmente influenciar muitos católicos".
Isto, apesar de o pediatra não concordar com o carácter de excepção que o Papa atribuiu ao uso de contraceptivos nem com a defesa, pelo Sumo Pontífice, de que este "não é o modo verdadeiro e próprio de vencer o VIH".
"É certamente um caminho", contrapõe o clínico, para quem a concepção católica do que deve ser a sexualidade até poder ser "a ideal", mas não reflecte os factos.
O clínico lembra "o aumento significativo de casos de VIH entre heterossexuais", e cita um estudo recente, português, em que os adolescentes "demonstravam conhecimento em relação às doenças sexualmente transmissíveis e, ainda assim, a grande maioria tinha tido relações desprotegidas. O uso do preservativo em relações sexuais, especiais e não especiais, é muito importante", alerta.
por P.S.T. in diário de notícias a 21 de Novembro de 2010
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Uma voz da Igreja que já tinha defendido o uso do preservativo
No ano passado, o bispo de Viseu agitou a Igreja Católica ao defender "o uso do preservativo por doentes com sida". Uma medida "aconselhável e obrigatória".
Na altura, muitos foram os que censuraram a posição de D. Ilídio Leandro, mas, 20 meses depois de prometida, as declarações do Papa vêm no mesmo sentido. Afinal, lembram os sacerdotes, o direito não se sobrepõe à moral.
À época, Dom Ilídio Leandro, que se encontra a recuperar de um AVC e com quem o DN não conseguiu falar, lembrou que a posição não contrariava as orientações do Papa Bento XVI, que numa visita a África afirmou que "o uso do preservativo não é solução para o problema da sida".
por A.A. in diário de notícias a 21 de Novembro de 2010
Ler no blogue
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"A vida não pode ser infectada, a vida não pode ser assassinada", diz o bispo
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| Tony Gentile/Reuters |
Posição de Bento XVI sobre uso do preservativo é um "volte-face"
D. Januário Torgal Ferreira, bispo das Forças Armadas, considerou um "volte-face" que o Papa Bento XVI tenha admitido o uso do preservativo "em certos casos", para reduzir os riscos de contaminação pelo vírus da sida.
“Se me pergunta se é um estrondo, sem cairmos em excessos, nem em exageros, é indiscutível que é. É indiscutível que é um volte-face, com o qual rejubilo”, disse D. Januário Torgal Ferreira em declarações à Lusa, reconhecendo que a prática dos cristãos há muito assumiu essa opção em nome da responsabilidade e de princípios éticos e morais.
O bispo das Forças Armadas mostrou-se “muito satisfeito” com as palavras do Papa diante de dramas e dificuldades “tão reais”, em que se “joga a vida” e em que estão em causa “princípios éticos”, designadamente de que “a vida tem de ser defendida”.
“A vida não pode ser infectada, a vida não pode ser assassinada”, realçou D. Januário Torgal Ferreira, observando que a “verdade pode aparecer um pouco alongada no tempo”, mas que “quando é dita tem sempre lugar marcado”.
Bispo espera que não apareça uma “contracorrente”
O bispo fez votos para que dentro de dias não apareça uma “contracorrente” a dizer que Bento XVI foi mal interpretado no que disse ou uma qualquer outra rectificação, observando que equívocos desses já ocorreram. Manifestou contudo confiança que o jornalista que transmitiu a palavra do Papa o fez com rigor.
Pela primeira vez, um Papa admitiu a utilização do preservativo “em certos casos”, desde que “para reduzir os riscos de contaminação do vírus da sida”. A declaração é de Bento XVI e, segundo a AFP, consta num livro a ser publicado na quarta-feira.
“Em certos casos, quando a intenção é reduzir o risco de contaminação, este pode mesmo ser um primeiro passo para abrir caminho a uma sexualidade mais humana, de outra forma vazia”, afirma Bento XVI.
O livro, intitulado “A luz do mundo”, foi escrito por um jornalista alemão e aborda vários temas polémicos, como a pedofilia, o celibato dos padres, a ordenação das mulheres e a relação com o Islão.
Até hoje, o Vaticano sempre baniu toda e qualquer forma de contracepção, excepto a abstinência sexual, mesmo relativamente à prevenção das doenças sexualmente transmissíveis.
por Lusa in público a 21 de Novembro de 2010
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Porque estou aqui
Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.
Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.
Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.
Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.
Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.
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