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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

O tabu da morte

A morte é tabu cultural que tende para a abstração, neutralidade e interdito

A morte tornou-se um «tabu cultural», sobre o qual as convenções «interditam de conversar abertamente e de pensar mais de dois segundos», defende o P. Tolentino Mendonça no mais recente artigo de opinião publicado no semanário "Expresso".

«Torturamos a linguagem para que ela alcance um grau de abstração e arredondamento tais que a morte desliza para uma neutralidade anónima, sem direitos de reconhecimento nem de expressão», sublinha no texto intitulado "Funeral em vida".

Publicado na véspera da solenidade católica de Todos os Santos (1 de novembro) e da evocação dos "Fiéis Defuntos" (dia 2), o artigo lamenta o «interdito teleológico» que priva o ser humano da «consumação, isto é, da realização plena» do «mistério de vida e morte» inerente à humanidade.

A morte é hoje «tacitamente ocultada», à exceção da que a «vertigem mediática» elege como «espetáculo», estando a perder-se as «palavras, imagens ou sabedoria» para a viver «não apenas como um incomunicável evento privado, mas como um destino comum e partilhado».

«A tendência atual (e que é bem mais do que uma tendência comercial) é a de assumir uma remoção completa» da morte, sustenta Tolentino Mendonça ao questionar as agências funerárias que propõem preparar antecipadamente as exéquias de cada pessoa com um pacote de serviços, a que deram o nome de «funeral em vida».

A sociedade, prossegue o texto, afasta-se da prece de Rainer Maria Rilke: «Dá, Senhor, a cada um a sua própria morte,/ uma morte nascida da sua própria vida,/ que lhe deu amor, sentido e aflição».

«No dia em que o mandamento de «sepultar dignamente os mortos» for removido dos deveres dos filhos, dos companheiros, dos irmãos, dos amigos, e antecipado para as obrigações que cada um deve prever em relação a si mesmo, a nossa humanidade ficará irremediavelmente mais pobre», acentua.

Edição: Rui Jorge Martins publicado em SNPC

domingo, 20 de outubro de 2013

O artista usa a ferida

Do texto do catálogo da exposição de Rui Chafes: Inferno (A minha fraqueza é muito forte), assinado por Paulo Pires do Vale:

«O que fere aquele que desenha?

O livro do Eclesiastes, na sua sabedoria prática, afirma: “Quem cava um buraco, nele cairá. Quem escava um muro, uma cobra o morderá. O que transporta pedras, aleija-se nelas. O que racha lenha, fere-se nas lascas” (Ecl 10, 9). Aquele que desenha também não pode deixar de se ferir com o que trabalha: a sua própria ferida. O que assalta aquele que desenha, o objeto que se transforma em arma virada contra si, é o si-mesmo. Não o eu (ego), mas um si (ipse) por vir. E isso há de feri-lo até que venha.

O artista aleija-se nessa violência que é a origem da obra - e que lhe é íntima, transporta-a em si. Em vez de esconder essa violência, usa-a. Mesmo que não a exponha. Ele sabe dar um bom uso à morte (1). E nisso há uma dimensão profética. Aquilo que outros não querem ver, ele não pode recusar. Afinal, aquilo onde cada um de nós se pode ferir é sempre na própria ferida. Flor que nunca fecha. No seu modo próprio e radical de abertura ao mundo. Esta ferida, como a metáfora indica, não é fechamento solipsista, mas abertura que conduz ao exterior, para fora de si - “talvez para fora de tudo”, julgava Blanchot (2). Essa forma de êxtase é modo de tocar o caos, a obscuridade, a violência, a noite.

O artista tem de perder a luta contra o anjo, tem de sentir o nada (3), para que, então, a sua fraqueza seja muito forte. Para que possa vencer. O artista tem de assumir e alimentar a sua vulnerabilidade, ser capaz de se ferir, de se abrir: como dar atenção de outro modo? É dessa fraqueza que receberá a força. A fragilidade é a sua verdade – e por isso é a única força que o pode libertar. Simone Weil dizia que “quando um aprendiz se fere ou se queixa de cansaço, os operários, os camponeses, têm estas belas palavras: “É o ofício que entra no corpo”. De cada vez que suportamos uma dor, podemos dizer-nos, com verdade, que é o universo, a ordem do mundo, a beleza do mundo, a obediência da criação a Deus que nos entram no corpo” (4). A fragilidade é o nosso modo de abertura à verdade do mundo. As feridas são um dom. É delas que surge a obra, porque é delas que se alimenta o artista. Desse perigo, que é também oportunidade de se elevar do mais baixo para o mais alto.

O que faz o artista senão procurar no débil e fragmentário a força do máximo? Nos seus gestos e obras não quer acrescentar mais objetos ao mundo, mas abrir nele fissuras. A arte surge então como objeto sub specie aeternitatis (Wittgenstein). Essa sombra da eternidade sobre o tempo, permitirá o olhar do estrangeiro. A estranheza necessária à revolução. Coloca-nos no deserto, faz-nos atravessar as chamas. O que faz o artista senão oferecer uma nova forma de presença do mundo? Uma vertigem inesperada.

Nesta ontologia quebrada, sustento frágil, quer do homem, quer das suas obras, que poder tem o desenho?

O “pequeno intervalo” que é a vida de cada um, encontra um eco estranho nesse “pequeno intervalo” que é a obra de arte no mundo. O que a distingue das outras coisas é o estremecimento que pode causar por ser excecional. É o seu caráter de exceção (5), de estrangeira ao mundo mortal, que obriga a projetar um olhar novo sobre todos os outros intervalos. É a exceção injustificada que, no abalo que cria, justifica a regra, o geral, o mundo, a repetição mortal. Como poderia ser exceção se não assegurasse o geral? Mas fá-lo em luta. A exceção examina e interroga o geral, ao mesmo tempo que se pensa a si própria (6), mas o geral, o mundo, não quer ser posto em causa. Por isso, como as exceções, a obra tem de fracassar. Não seria uma exceção se não falhasse. Não salvará o mundo, mas pode mostrar-lhe o que ele é.

Há na obra de arte a potência de um inferno incendiário: o poder destruidor do fogo e dos líquidos corrosivos. É essa inquietação corrosiva que devemos esperar deste Desenho. Ele deita fogo ao que somos. É o ordálio que nos põe à prova. E aquele que atravessar este deserto com chuva de fogo sem se magoar, não está já vivo. É preciso amar o deserto, a ausência, a ferida, para manter o amor à vida. Cuidar da escuridão, para poder ver os mais brilhantes clarões. As altas estrelas, desejadas por Dante, só se veem de noite. O sofrimento aparece ao lado da beleza. Ele é o intensificador, que predispõe a olhar a vida com outros olhos. E por isso alegra-se e rejubila, como Constantin Constantius, pseudónimo de Kierkegaard: “viva o movimento das vagas que me atiram no abismo, viva o movimento das vagas que me projetam até às estrelas!” (7).

Quando olhamos para este Desenho de Rui Chafes, encontramo-nos a nós próprios, como estranhos, no inferno. E espantados, nesse estremecimento, sem armadura que nos proteja das feridas, chamamos por nós, como Dante ao ver incrédulo o filósofo e mestre amado que lhe ensinou “como o homem se eterna” (8):

“Vós aqui, Senhor Brunneto?”» (9).


(1) A morte, como ensinou Weil, “é o que de mais precioso foi dado ao homem. É por isso que a impiedade suprema é usa-la mal.” (Weil, La pesanteur..., p.101).
(2) Blanchot, O livro por vir. Lisboa: Relógio d´Água – 1984, p.118
(3) Kierkegaard, La reprise. Paris: Flammarion - 1990, p.173-174
(4) Weil, Espera de Deus, p.120
(5) Sobre a noção de exceção, no sentido aqui pretendido cfr Kierkegaard, La reprise. Paris: Flammarion, 1990, p.171ss
(6) Kierkegaard, La reprise, p.171
(7) Kierkegaard, La reprise, p.166. – Constantius, Kierkegaard, que de si dizia que pertencia à ideia, e que quando a ideia o chamava, abandonava tudo, escreveu: “viva a descolagem do pensamento, viva o perigo de morte ao serviço da ideia, viva o perigo do combate, viva a jubilação solene da vitória, viva a dança no turbilhão do infinito (...)”
(8) Inferno XV, 85 – Brunnetto Latini, ilustre intelectual florentino, mestre de Dante. Nietzsche, utiliza esta referência para, aparentemente, se referir ao seu proprio trabalho:
“Para terminar/Como conclusão: “ter sido um professor de”
come l’uom s’eterna...
(Inf. XV, 85)” Fragmento póstumo de 1886/1887 9[4] (KSA 13, p. 341– trad. de Maria João Branco).
(9) Inferno XV, 30

Paulo Pires do Vale
27.09.11
in SNPC

sábado, 15 de dezembro de 2012

Até que a morte nos separe

Um filme a não perder, que certamente não deixará ninguém indiferente. Passo a publicar a crítica de Margarida Ataíde.

"Amor": incómodo e imensamente belo


Três anos após conquistar uma vasta gama de prémios pelo seu “O Laço Branco”, profunda e perturbante meditação sobre a condição humana, Michael Haneke voltou a arrebatar a mente e o coração de júris, crítica e público com o seu mais recente filme: "Amor".

Georges e Anne Laurent, casal octogenário, vivem confortavelmente a sua reforma na cidade de Paris, na sequência de uma vida dedicada à música. O carinho que nutrem um pelo outro é notório. Um dia, são surpreendidos pela doença de Anne. Um grave problema de natureza vascular, evidenciado por um súbito estado de ausência, limitará, num brevíssimo espaço de tempo, a sua mobilidade. Primeiro confinada a uma cadeira de rodas e mais tarde a uma cama, o estado de Anne agrava-se de dia para dia.

Ao longo deste processo Georges não hesita em assumir, com recurso mínimo à ajuda de terceiros, os cuidados necessários a Anne, sejam de ordem física ou afetiva. Indiferente à sua própria debilidade física e relegando para segundo plano a dor provocada pela degradação humana da mulher da sua vida, é o amor que prevalece, a cada dia, ante a perspetiva de uma morte anunciada...

Com a questão da doença e da morte em solidão a afligir uma envelhecida Europa em tempos de crise e de dúvida, entre tantos outros problemas que apelam à reflexão e à ‘inflexão’ urgente de modelo social e afetivo, “Amor” é uma muito pertinente meditação sobre nós. Todos nós.

Magnificamente interpretado por Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva, os dois atores que em tempos atraíram uma geração às salas de cinema pela sua sedutora vitalidade física e emocional, emprestam os mesmíssimos dons artísticos à encarnação de duas personagens no final das suas vidas.

Incómodo e imensamente belo, eis um filme que trata, de modo igualmente notável e delicado, a questão do amor e da morte, em intimíssima relação e definindo claramente o que na nossa natureza prevalece.

Mais uma meditação que Haneke séria e generosamente nos entrega, em que as soluções dificilmente podem ser consideradas ou debatidas sem se olhar aos caminhos que a umas ou outras conduzam...

Margarida Ataíde

Grupo de Cinema do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura
In Agência Ecclesia / SNPC
06.12.12

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Ter a morte por perto ajuda a viver?

A uma certa distância dos nossos corações

Os dias dos seres humanos são como a erva: brota como a flor do campo, mas quando sopra o vento sobre ela, deixa de existir e não se conhece mais o seu lugar. Salmo 103 (102), 15-16

Mesmo ao lado do convento há um grande cemitério. Gosto muito de me passear ali. É sempre muito tranquilo. Às vezes pode ler-se nas sepulturas a história de uma vida: com que idade partiu? Ela tinha marido? Eles tinham filhos? Por vezes inteiramo-nos mesmo da situação social do defunto. O epitáfio também nos fala. A sepultura está cuidada? Vêm visitá-la? Por vezes, como se fosse adolescente, começo a brincar contando a minha idade e quanto me resta ainda para viver.

O sol resplandece neste cemitério e eu começo a sentir progressivamente que o meu espírito e a minha maneira de pensar se tornam cada vez mais equilibrados. Estou inquieto com o que verdadeiramente conta? Vivo plenamente este momento? Consigo amar aquele que me é próximo? Ao fim e ao cabo, não sabeis o dia nem a hora…

Hoje, os cemitérios estão cada vez mais longe de nós. À margem das nossas cidades, a uma certa distância dos nossos corações. Quando eu era adolescente, mais pessoas passeavam nos cemitérios. Hoje, eles estão desertos. É pena, não?

Frère Bernardas Verbickas - Convento de Lille

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Homenagem ao Frei José Augusto Mourão, op

Morreu esta manhã o Frei José Augusto Mourão, da Ordem dos Dominicanos, um nome tão incontornável como pouco reconhecido da Igreja e da Cultura portuguesa. Vai ser celebrada uma missa no Convento dos Dominicanos (Alto dos Moinhos) hoje (dia 5 de Maio) às 21h.
Cito um texto do Pe. José Tolentino Mendonça como homenagem a este homem:


O VAZIO VERDE
  
Um dia, quando se fizer a história do catolicismo português que nos é agora contemporâneo, há-de ver-se, em toda a clareza, que um dos seus actores magistrais foi, afinal, um frade e poeta, quase clandestino, que morreu esta manhã em Lisboa. Chamava-se José Augusto Mourão, e pertencia à Ordem dos Dominicanos. Nasceu em Vila Real em 1947, e construiu uma inscrição absolutamente invulgar na universidade e na cultura portuguesas. Foi professor na Universidade Nova de Lisboa, especializando-se no campo da semiótica, e prestando uma contínua atenção a expressões de vanguarda que transformam os próprios dispositivos da criação (por exemplo, as mutações da literatura na época de cibernética ou as diversas formas de hipertextualidade ou de hiperficção que a nossa alta modernidade tem gerado). Aí deixa uma obra que, sob muitos aspectos, se pode considerar seminal e profética.

Mas ele transportou também o mesmo espírito de profecia para aquela que é a opera magna da sua existência: a impressionante ponte (apetece escrever a “impossível ponte”) que ele, quase marginalmente, desenha entre o campo da fé e o da razão, entre a liturgia e a poética, entre a regra e o desejo. Por alguma razão, ele nunca foi um criador confortável, nem para o campo católico, nem para os parâmetros da cultura dominante. Os ouvidos crentes só a custo se abriam, porque ele operava com uma gramática inusual e exigente, buscava metáforas vivas, que é como quem diz, novas metáforas. Do mesmo modo, ele nunca obteve a visibilidade que certamente merece da parte da cultura. A sua poesia é, por exemplo, litúrgica, coisa que, em Portugal, é imediatamente catalogada de género menor. E alguns dos seus textos mais fundamentais são homilias: ora, as últimas homilias que a cultura portuguesa ouviu foram as do Padre António Vieira! Talvez um dia se reconheça a originalidade e a marca deste homem e se possa então valorizar o que ele hoje nos deixa em herança. Para já sentimos o grande vazio que a sua morte representa, que, como aponta o título do seu primeiro livro de poemas, somos desafiados a viver como um “Vazio Verde”.

                                                           José Tolentino Mendonça

sexta-feira, 22 de abril de 2011

O tempo da morte

Porque a morte tem o seu tempo
A ruína soma ruína, à cabeça
Equilibra a existência desmoronada e inteira.
Tu és o que edifica
Tu constróis mil vezes.
Porque o raio tem o seu tempo.
És o clarão, a lâmpada, a estrela
Somas luz à luz.
Não és a luz, és mais que a luz
Porque a noite tem o seu tempo.

Daniel Faria

sábado, 19 de março de 2011

Judas ou o outro morto

Caravaggio

Teatro da Cornucópia apresenta "Morte de Judas", de Paul Claudel
O Teatro da Cornucópia vai levar à cena numa muito curta série de espetáculos um texto de Paul Claudel que, como acontece com toda a obra do autor toca em importantes temas de natureza teológica: o monólogo “Morte de Judas”, na tradução de Regina Guimarães.

Ao lado da cruz, imagem simbólica de uma História feita à luz da ideia de um Deus que se fez carne, num curto monólogo, Claudel mostra outro dos mortos daquela Páscoa, mostra outro madeiro, a figueira, onde Judas, o Apóstolo para sempre associado ao Mal, à Traição e ao Demónio, depois de trair Cristo, se enforcou. Inventa a fala do enforcado, faz o exercício de lhe dar voz, de, em oposição aos textos sagrados, contar a Morte de Cristo pelo ponto de vista de quem desencadeou toda a Paixão.

Ao contrário dos Evangelhos que mistificam a narrativa dos acontecimentos, Judas fala do lugar do Homem, e resgata a sua própria condenação moral com um ponto de vista exemplarmente dialético em que demonstra como a sua traição serviu Deus.

A figueira, árvore viva e de ramos em todas as direções torna-se no símbolo da crítica, da lucidez, do materialismo, do próprio "livre arbítrio", do próprio Homem, e opõe-se para sempre à cruz, madeira já morta, indicadora do caminho da salvação.

O resultado é um estranho e incómodo "objeto", o monumento a que o Mal não tem direito. Essa estátua ali fica para sempre e afirma, por outras palavras a frase popular: "Deus escreve direito por linhas tortas". E que é o Homem quem trabalha para Deus. Trata-se, no fundo, de uma resposta aos Evangelhos, sobretudo aos capítulos 26 e 27 de Mateus (cuja leitura integramos no espetáculo), trata-se de uma reflexão sobre a relação do Homem com o Deus do Cristianismo.

É o ator Dinarte Branco quem interpretará essa fala do enforcado. Trabalhou o monólogo em diálogo com Luis Miguel Cintra e Cristina Reis. E apesar de se tratar de um espetáculo para qualquer público, julgamos que tem especial interesse para um público católico e para quem assume responsabilidades dentro da Igreja. Sem que propositadamente para isso fosse preparado, não podia ser criado em melhor momento que o tempo litúrgico da Quaresma e ao mesmo tempo que o Papa publica novo livro sobre Jesus.

Os espetáculos, com a duração de 55 minutos, realizam-se nos dias 24, 25, 26, 27 e 31 de março e 1, 2 e 3 de abril, de quinta a sábado às 21h30h, e ao domingo às 16h00, no Teatro do Bairro Alto, em Lisboa.

in SNPC

sábado, 5 de março de 2011

Dois filmes à margem dos Óscares

Venho recomendar dois filmes que não estiveram sob os holofotes de Hollywood. E, por não terem estado, arriscam-se a sair das salas sem que os tenhamos visto.

O primeiro é um filme cru, em que por trás da fealdade e da dureza da vida se vislumbram reflexos de beleza. Fala-nos da decadência, imigração, droga, mercado negro, fragilidade da família, decadência, amor, corrupção, delinquência, fracasso, violência, crime, culpa, luta, pequenas vitórias, efémero e provisório, dos laços afectivos, da bondade, doença, sobrevivência, justiça e oportunidades, expectativas, espiritualidade, vida e morte. É o Biutiful, de Alejandro González Iñarritu, com a extraordinária interpretação de Javier Bardem - um Drama para maiores de 16 anos.

"A odisseia de Uxbal (Javier Bardem), um pai solteiro entre conflitos, que se perde e encontra pelos labirintos do submundo de Barcelona, e que, acima de tudo, tudo fará para salvar os seus filhos e reconciliar-se com um amor perdido enquanto a sua morte parece cada vez mais próxima. Amor e espiritualidade, crime e culpa, conjugam-se para levar Uxbal, com negócios escuros na exploração de imigrantes ilegais e uma suposta capacidade de comunicar com os morto, até ao seu destino de herói trágico... "É um requiem", resume o realizador Alejandro González Iñárritu ("Babel", "21 Gramas", "Amor Cão). O filme, nomeado nos EUA para um Globo de Ouro para melhor filme estrangeiro, valeu ao oscarizado Bardem o prémio para melhor actor no festival de Cannes."
in Público


O segundo é de Clint Eastwood (do qual não sou um fã incondicional). Em Hereafter - outra vida, a morte nunca anda longe. É um filme tocante pelas vidas das personagens que o habitam - um homem nos Estados Unidos da América, uma mulher em França e uma criança em Inglaterra. Também há um lado de sofrimento e de luta que marca cada uma destas experiências: alguém que tenta levar uma vida normal evitando o seu dom natural, outro que tenta viver depois de ter estado às portas da morte, e um que tenta sobreviver à perda da pessoa que lhe era mais próxima, seu cúmplice, segurança e estabilidade e uma parte de si mesmo. É um filme que fala sobretudo do amor para lá da morte e das ligações humanas que nos vão construindo enquanto indivíduos e seres humanos. O filme já está em pouquíssimas salas e não tem sido aclamado por toda a crítica... mas eu não consegui ficar indiferente.
 
"Três pessoas, distantes entre si, estão unidas pela morte. Nos EUA, George (Matt Damon) vive atormentado pelas capacidades paranormais que revela desde muito jovem. Do outro lado do Atlântico, em França, a jornalista Marie (Cécile de France) tenta lidar com o trauma de ter sobrevivido ao tsunami de 2004 no Sudeste asiático. Enquanto isso, em Inglaterra, o pequeno Marcus (George e Frankie McLaren) não consegue lidar com a trágica morte do irmão gémeo. Apesar das suas vidas tão distantes, os seus caminhos cruzar-se-ão... O novo filme do actor e realizador Clint Eastwood baseia-se num argumento original do escritor inglês Peter Morgan, autor de "A Rainha" e "Frost/Nixon"."
in Público

sexta-feira, 4 de março de 2011

Pacifista assassinado: mais um ataque à liberdade religiosa no Paquistão

Ministro que criticou «lei da blasfémia» assassinado em Islamabad
Vaticano lamenta a morte do político católico e fala em «urgência da defesa da liberdade religiosa»

O ministro paquistanês para as Minorias Étnicas foi hoje assassinado na capital Islamabad, um evento que o Vaticano já classificou como mais um atentado à liberdade religiosa.

(...)
Shabbaz Bhatti, de 42 anos, foi o primeiro católico a ocupar um cargo político desta relevância, no Paquistão, uma nação maioritariamente muçulmana. Grande defensor de um compromisso em favor da convivência pacífica, entre as comunidades religiosas do seu país, ficou célebre por se opôr à “lei da blasfémia”, decreto presente no Código Penal paquistanês, e que prevê a pena de morte para actos que enxovalhem o profeta Maomé.

Foi agora morto a tiro à porta de casa, por quatro desconhecidos, apenas a alguns quilómetros de distância do local onde, há dois meses atrás, já tinha sido assassinado o governador Salmaan Tasser, outro forte opositor àquela lei.

“À oração pela vítima, à condenação de tão inqualificável acto de violência, se une um lamento para que todos se dêem conta da urgência da defesa da liberdade religiosa” realçou Federico Lombardi, que reforçou ainda a proximidade do Vaticano com todos os cristãos paquistaneses.

fonte: Agência Ecclesia

terça-feira, 1 de março de 2011

O Louvor é o motor da Poesia

Foto: AP
Paul Claudel: a poética de Deus
Vida e obra


Sobre a inspiração poética disse Paul Claudel: «o talento poético, a inspiração poética, é como a profecia, uma graça». Para este poeta, diplomata e dramaturgo do século XX, o grande motor da poesia, dado pela religião a par com o «significado» e a «dramática», é o «louvor», uma vez que ele representa a «mais profunda necessidade da alma, a voz da alegria e da vida».

Nascido em França a 6 de julho de 1868 em Villeneuve-sur-Fère, numa família de agricultores e funcionários do governo, o pai de Paul Claudel, Louis-Prosper, dedicava-se a hipotecas e transações bancárias. Enquanto que a sua mãe, Louise Cerceaux trabalhava na agricultura, pois era oriunda de uma família católica de agricultores de Champagne, existindo até sacerdotes católicos na família. Paul Louis Charles Marie Claudel seria batizado no dia 11 de outubro de 1868. Todavia, os pais de Claudel, segundo o testemunho do próprio, eram indiferentes em matéria religiosa.

Claudel passou os primeiros anos da sua vida em Champagne, onde morava. A princípio foi instruído por um professor particular, tendo passado depois para o liceu de Bar-le-Duc e para o liceu Louis-le-Grande em 1881, quando os seus pais se mudaram para a Paris. É na escola da “Cidade das Luzes” que perde a fé, pois considerava-se um naturalista, um monista e um materialista influenciado pelos pensadores da época, inclusive pela leitura da “Vida de Jesus” de Renan. O sofrimento e a morte do avô, que sofria de cancro, serão vividos pelo jovem Paul com dramatismo e angústia, ganhando pavor da morte.

O «primeiro brilho da verdade», como dirá, veio-lhe da leitura de um grande poeta de época de seu nome Artur Rimbaud, nomeadamente, a leitura de dois textos:“Illuminations” e “Une saison en Enfer”.

Aos 18 anos, angustiado e desesperado, a 25 de dezembro de 1886, entra na catedral de Notre-Dame de Paris, onde toma parte na missa cantada, com moderada alegria. Voltando à sé ao final da tarde para as Vésperas de Natal, entra quando começa o cântico evangélico do ‘Magnificat’, cantado por meninos do coro e jovens seminaristas. E nesse momento dá-se uma conversão súbita e «fulminante». Dirá Paul Claudel no ano de 1913 em “A Minha Conversão”: «Ali se deu o acontecimento que domina toda a minha vida. Num momento, o meu coração sentiu-se tocado, e tive fé (…) não ficava margem para nenhuma espécie de dúvida».

A verdade é que aconteceu na vida deste “poeta de Deus e do homem” aquela experiência dramática, de significado e de louvor que parece conter a poética de Deus e que ele próprio tão bem soube expressar.

Paul Claudel estudará em Paris, no Instituto de Estudos Políticos, embora tenha pensado entrar para os Beneditinos. Em 1893 começa a sua carreira diplomática, que continua até 1936.

A 15 de março de 1906 casa-se com Reine Sainte-Marie Perrin. Depois de ser cônsul em vários pontos do globo, Claudel terminará a sua carreira em Bruxelas. Durante o tempo da magistratura diplomática, revela-se um grande dramaturgo e poeta cristão. Assim, utilizou o cristianismo, na sua confissão católica, como base do seu pensamento e da sua escrita poética e dramática.

A tetralogia “Le Soulier de Satin” (composta entre 1914 e 1924 e estreada em 1943) é uma obra de arte que integra texto, música e dança. Na peça “L´Échange”(1910), Claudel problematiza pela primeira vez o conflito de uma mulher que se debate entre amor e casamento.

Além de romances, peças teatrais e ensaios, compôs também poemas que foram buscar inspiração à poesia bíblica. Em 1946 foi escolhido como membro da Academia Francesa. Morre a 23 de fevereiro de 1955, deixando uma obra de prosa, poética e dramática enorme, cuja influência depressa se fez sentir.

L. Oliveira Marques
In SNPC

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Activista do Uganda: espancado até à morte por defender direitos humanos

Publico uma mensagem em inglês, que nos dá conta das atrocidades que se continuam a cometer neste planeta. Morto com um martelo por ter tomado uma posição, num país onde a liberdade é uma miragem, onde os direitos universais do Homem são só para alguns, onde se confunde religião com poder, e opiniões humanas com justiça divina...

Por Jeffrey Gettleman para The New York Times

Ugandan Who Spoke Up for Gays Is Beaten to Death
As the most outspoken gay rights advocate in Uganda, a country where homophobia is so severe that Parliament is considering a bill to execute gay people, he had received a stream of death threats, his friends said. A few months ago, a Ugandan newspaper ran an anti-gay diatribe with Mr. Kato’s picture on the front page under a banner urging, “Hang Them.”

On Wednesday afternoon, Mr. Kato was beaten to death with a hammer in his rough and tumble neighborhood. Police officials were quick to chalk up the motive to robbery, but the small and increasingly besieged gay community in Uganda suspects otherwise.

“David’s death is a result of the hatred planted in Uganda by U.S Evangelicals in 2009,” said Val Kalende, the chairperson of one of Uganda’s gay rights groups, in a statement. “The Ugandan Government and the so-called U.S Evangelicals must take responsibility for David’s blood.”

Mrs. Kalende was referring to visits in March 2009 by a group of American evangelicals, who held rallies and workshops in Uganda discussing how to make gay people straight, how gay men sodomized teenage boys and how “the gay movement is an evil institution” intended to “defeat the marriage-based society.”

The Americans involved said they had no intention of stoking a violent reaction. But the anti-gay bill came shortly thereafter. Some of the Ugandan politicians and preachers who wrote it had attended those sessions and said that they had discussed the legislation with the Americans.

After growing international pressure and threats from a few European countries to cut assistance — Uganda relies on hundreds of millions of dollars of aid — Uganda’s president, Yoweri Museveni, indicated that the bill would be scrapped.

But more than a year later, that has not happened and the legislation remains a simmering issue in Parliament. Some observers think the bill could be passed in the coming months, after a general election in February that is expected to return Mr. Museveni, who has been in office for 25 years, to power.
On Thursday, Don Schmierer, one of the American evangelicals who visited in Uganda in 2009, said Mr. Kato’s death was “horrible.”

“Naturally, I don’t want anyone killed but I don’t feel I had anything to do with that,” said Mr. Schmierer, who added that in Uganda he had focused on parenting skills. He also said that he had been a target of threats himself, recently receiving more than 600 hate mails related to his visit.

“I spoke to help people,” he said, “and I’m getting bludgeoned from one end to the other.”

Many Africans view homosexuality as an immoral Western import, and the continent is full of harsh homophobic laws. In northern Nigeria, gay men can face death by stoning. In Kenya, which is considered one of the more Westernized African nations, gay people can be sentenced to years in prison.

But Uganda seems to be on the front lines of this battle. Conservative Christian groups that espouse anti-gay beliefs have made great headway in this country and wield considerable influence. Uganda’s minister of ethics and integrity, James Nsaba Buturo, a devout Christian, has said “Homosexuals can forget about human rights.”

At the same time, American organizations that defend gay rights have also poured money into Uganda to help the beleaguered gay community.

In October, a Ugandan newspaper called Rolling Stone (with a circulation of roughly 2,000 and no connection to the American music magazine) published a story that included photos and whereabouts of gay people, including several well-known activists like Mr. Kato.

The paper said gay people were raiding schools and recruiting children, a belief that is quite widespread in Uganda and has helped drive the homophobia.

Mr. Kato and a few other gay activists sued the paper and won. This month, Uganda’s High Court ordered Rolling Stone to pay hundreds of dollars in damages and to cease publishing the names of people it said were gay.

But the danger remained.
“I had to move houses,” said Stosh Mugisha, a woman who is going through a transition to become a man. “People tried to stone me. It’s so scary. And it’s getting worse.”

On Thursday, Giles Muhame, Rolling Stone’s managing editor, said he did not think Mr. Kato’s killing had anything to do with what his paper had published.

“There is no need for anxiety or for hype,” he said. “We should not overblow the death of one.”
That one man was considered a founding father of Uganda’s nascent gay rights movement. In an interview in 2009, Mr. Kato shared his life story, how he was raised in a conservative family where “we grew up brainwashed that it was wrong to be in love with a man.”

He was a high school teacher who had graduated from some of Uganda’s best schools and he moved to South Africa in the mid 1990s, where he came out. A few years ago, he organized what he claimed was Uganda’s first gay rights news conference in Kampala, Uganda’s capital, and said he was punched in the face and cracked in the nose by policemen soon afterwards.

Friends said that Mr. Kato had recently put an alarm system in his house and was killed by an acquaintance, someone who had been inside several times before and was seen by neighbors on Wednesday. Mr. Kato’s neighborhood on the outskirts of Kampala is known as a rough one, where several people have recently been beaten to death with iron bars.

Judith Nabakooba, a police spokeswoman, said Mr. Kato’s death does not appear to be a hate crime, though the investigation has just started. “It looks like theft, as some things were stolen,” Mrs. Nabakooba said.

But Nikki Mawanda, a friend, who was born female and lives as a man, said: “This is a clear signal. You don’t know who’s going to do it to you.”

Mr. Kato was in his mid 40s, his friends said. He was a fast talker, fidgety, bespectacled, slightly built and constantly checking over his shoulder, even in the envelope of darkness of an empty lot near a disco, where he was interviewed in 2009.

He said he wanted to be a “good human rights defender, not a dead one, but an alive one.”

domingo, 23 de janeiro de 2011

Crimes transfóbicos na América Central

"Transcausto" nas Honduras

Sensivelmente no espaço de um mês foram seis as mulheres trans assassinadas neste pequeno país da América Central.

Desde o golpe de estado de 28 de Junho de 2009 já somam 34 as mortes na comunidade LGBTTI, sendo que a maior parte delas pertencem à comunidade trans.

Em Dezembro, Lorenza Hernández, jovem mulher transexual de 23 anos, é violada, apedrejada mortalmente e o seu corpo queimado por elementos de um gangue. No mesmo mês, Cheo, mulher trans trabalhadora sexual, é encontrada morta por esfaqueamento. Também em Dezembro, Lady Oscar Martínez Salgado, mulher transgénero de 45 anos é esfaqueada mortalmente inúmeras vezes em sua casa e o seu corpo queimado, supostamente por dois desconhecidos.

Já este mês, Cheo, jovem mulher transgénero é esfaqueada mortalmente numa rua de Tegucigalpa, Génesis, mulher trans entre 23 e 27 anos, é estrangulada por desconhecidos. E uma jovem mulher transexual não identificada é assassinada com múltiplos tiros.

A ministra da Justiça e Direitos Humanos, Ana Pineda, condenou estes crimes de ódio contra a comunidade LGBTTI hondurenha.

Os principais dirigentes da comunidade LGBTTI exigiram ao governo o esclarecimento destes crimes.

Por sua vez, a embaixada dos EUA nas Honduras mostrou-se preocupada com estes seis crimes contra a comunidade transexual/transgénero, recordando que as leis hondurenhas garantem protecção a todos os seus cidadãos, independentemente da sua orientação sexual, pedindo às forças policiais hondurenhas para investigarem vigorosamente estes crimes, levar os culpados à justiça e que tomem todas as medidas necessárias para garantirem a protecção desta comunidade.
 
In PortugalGay.pt
http://portugalgay.pt/news/Y210111A/honduras:_transcausto_nas_honduras

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Mais um apedrejamento a dois homossexuais no Irão. Eu também sou iraniano!

Adaptação de mensagem publicada no blogue Direitos fundamentais LGBT

A explícita condenação de apedrejamento de homossexuais no Irão e as nossas próprias pedras de cada dia


Ontem foi publicado no Jornal O Globo a notícia que na próxima sexta-feira, dia 21, Ayub, de 20 anos, e Mosleh, de 21, que vivem na cidade de Piranshahr, serão executados em decorrência de uma sentença da Justiça do Irão que os condenou à morte por apedrejamento, acusados de homossexualidade.


Isso mesmo, dois gays serão barbaramente apedrejados até à morte no Irão. (...)

A organização Campanha Internacional pelos Direitos Humanos no Irão (ICHR) tentou mobilizar entidades internacionais para tentar reverter o apedrejamento.

A presidente Dilma Rousseff pronunciou-se oficialmente contra o apedrejamento de uma mulher iraniana, Sakineh Mohammadi Ashtiani, a qual foi poupada da pena de morte. O governo brasileiro agirá com a mesma sensibilidade e igualdade de tratamento em relação a estes dois homossexuais?

Não há sequer sinal que isto possa ocorrer.

Apesar da comparação figurativa, se pararmos para pensar, vamos constatar que aqui no Brasil os homossexuais e transgéneros não recebem tratamento tão diferente assim dos gays do Irão.

As pedras são outras

O Governo também não as atira, mas abstém-se e deixa que outro o faça.

As pedras que atingem aos LGBTs são desde a perda da vida, até agressões físicas e morais, com maltratos, humilhações e tratamento diferenciado dos demais cidadãos, sem reconhecimento de direitos civis iguais e da proteção legal contra a homofobia.

O Governo, por sua vez, faz moeda de troca com os nossos direitos na política, assiste o arquivamento de projectos de leis e não faz que a sua bancada actue pelo reconhecimento da igualdade.

As consequências são os números a cada ano maiores de assassinatos homofóbicos, lâmpadas na cara de homossexuais, discriminação crescente e a perda da dignidade do LGBT nacional. (...)

O Irão também é aqui!

É claro que fico perplexo com a barbárie praticada de forma descarada pelo governo iraniano e uno-me ao grito contra a total desumanidade.

A vida é o maior bem de um ser humano. Mas não se esqueçam que aqui também muitas se perdem.

Não se espantem se muitos que aqui ajudam a atirar “pedras” às bichas, sapatas, travestis e transexuais falem com indignação sobre as pedras de lá.

Sim, temos de exigir uma posição oficial do governo brasileiro contra essa barbaridade do Irão praticada contra os gays ou que tenha por alvo qualquer ser humano, mas não podemos deixar de cobrar dele que retire as inúmeras pedras das mãos dos que aqui nos atingem, a começar pela própria política do Estado.

Carlos Alexandre Neves Lima
http://carlosalexlima.blogspot.com/2011/01/explicita-condenacao-de-apedrejamento.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+DireitosFundamentaisLgbt+%28Direitos+Fundamentais+LGBT%29

sábado, 8 de janeiro de 2011

Estou aqui

Estou aqui junto a ti.
Sou a tua vida, sou o teu tempo, sou a escuridão da tua vida quotidiana...
Choro as tuas lágrimas, chora-me as tuas...
Estou no teu medo, estou nas tuas quedas mais profundas, estou na tua morte...
Sou o término dos teus caminhos.

Karl Rahner

ONU vota protecção dos direitos LGBT

Os activistas dos direitos homossexuais garantem que estes ainda são alvo de violência por causa da sua orientação sexual

Protecção dos direitos gays em votação na ONU


A Assembleia Geral das Nações Unidas [votou no dia 21 de Dezembro] a proposta de protecção especial a gays, lésbicas, bissexuais e transgéneros, como mais uma das minorias cuja vida está sob ameaça.
 
Deverão os gays ter a mesma proteção que têm outras minorias cujas vidas estão sob ameaça? O tema está a gerar polémica dentro das Nações Unidas (ONU), com os Estados Unidos e associações defensoras dos direitos homossexuais a criticarem a exclusão do tema "orientação sexual" da proposta que hoje vai a votação.
A Assembleia Geral da ONU vota hoje a inclusão da protecção de lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros em execuções extrajudiciais e assassinatos. Protecção essa que já é específica para crimes raciais, nacionais, étnicos, por motivos religiosos ou linguísticos, incluindo refugiados, indígenas e outros grupos. A proposta da inclusão da homossexualidade visa que todos os membros da ONU "investiguem pronta e aprofundadamente todos os assassinatos cometidos por motivações relativas à orientação sexual".

Contudo, na semana passada, um pedido de alteração da mesma, promovido por países árabes e africanos e aprovado pela ONU, levou à substituição da alínea referente à "orientação sexual" pela expressão "razões discriminatórias sem qualquer base". Esta alteração não agradou nem aos Estados Unidos nem aos defensores dos direitos homossexuais, que já expressaram a sua indignação: "Mesmo que estes países não apoiem os direitos gays, pelo menos deviam defender o nosso direito a não sermos mortos", afirmou a norte-americana Jessica Stern, da Comissão de Direitos Humanos Internacional Gay e Lésbica, sediada em Nova Iorque.

Gays alvo de violência discriminatória

Na entrevista ao jornal "The Guardian", a defensora dos direitos homossexuais deixou claro que "gays de todo o mundo continuam a ser alvos frequentes de violência devido à sua orientação sexual". Jessica Stern lembra ainda que tanto o Uganda, como os outros restantes 76 países que criminalizam a homossexualidade, estão a debater a hipótese de se juntarem às cinco nações que já a consideram um crime capital.

Na segunda parte da votação, que se realiza hoje, os países membros podem anular a decisão anterior que teve 79 votos pela exclusão da alínea "orientação sexual", contra apenas 70 votos contrários à retirada do termo. Os 43 Estados que ainda não votaram podem hoje ajudar a manter o tema da homossexualidade no documento oficial que deverá depois ser seguido em todo o mundo.

Os activistas lembram que só conseguiram obter a "atenção mínima" da ONU há uma década, não estando para já dispostos a prescindir dela.

In expresso, a 21 de Dezembro de 2010
http://aeiou.expresso.pt/proteccao-dos-direitos-gays-em-votacao-na-onu=f622238

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O que a Morte tem para nos dizer

William Adolphe Bouguereau
Dante and Virgil in Hell (1850)
Todos sabemos que morremos... nem todos o aceitamos.
Ouvir falar da morte não é comum, muito menos popular. Divulgo uma série de conferências que me parecem interessantes, em que a história, as crenças e os mitos se cruzam e em que se traça o percurso de como se viveu e entendeu a morte... até aos dias de hoje.

Da lei da morte libertando...


A Culturgest, em Lisboa, realiza em janeiro o ciclo “Da lei da morte libertando”, conjunto de conferências proferidas por Paulo Mendes Pinto, diretor da Licenciatura e do Mestrado em Ciência das Religiões na Universidade Lusófona.

«Possivelmente, há já alguns milhares de anos que somos o que hoje temos à nossa frente. Fisicamente, esta forma com que nos gostamos de designar enquanto duplamente sábios, sapiens sapiens, terá uns 200.000 anos. Há uns 40.000 anos que enterramos os mortos com flores. Nos últimos 5.000 anos fomo-nos “da lei da morte libertando”, desenvolvendo um conjunto de mitologias e de raciocínios que nos levou à imortalidade e a todo um grupo de crenças que hoje nos estruturam o pensamento.

Com a passagem ao Neolítico, ganhámos a nostalgia dos tempos anteriores que apelidámos de paradisíacos. O trabalho do cereal possibilitou um crescimento populacional, mas implicou uma “domesticação” que não foi apenas dos animais à nossa volta, também foi de nós próprios.

A partir desse momento, sempre buscámos o inalcançável. Seja nas mitologias da Suméria onde a Condição Humana nos surge quase ao nível do desumano, seja na Babilónia onde se começa a esquiçar uma ecologia em que tudo está interligado e dependente de uma imensamente marcante Criação.

Os mitos multiplicaram-se. As narrativas complexificam-se e os cleros consolidam-se. Inanna, Marduk, Baal, Melkart, Adonai e Javé são alguns dos momentos marcantes na construção das ideias centrais no mundo das religiões do Mediterrâneo. Mais que cultos, nestas realidades temos a construção dos próprios conceitos de divino, de deus, de salvação.

Neste percurso, que nos levará da Pré-História aos séculos em que emerge a nossa Era, os grandes deuses são depurações de ideias que resultam de milhares de anos a contemplar as estrelas à noite. Ao chegar próximo do nascimento dos monoteísmos, um deus já é um legado cultural muito além do que nos permite a leitura imediata das suas narrativas.

Nesse momento, uma divindade já não é ela mesma, é afinação de necessidades, de receios e de medos, mas também de desejos e de sonhos.» (Paulo Mendes Pinto).

Dia 5
A nostalgia do paraíso: o imaginário de um tempo sem trabalho e sem sofrimento

Dia 12
Cleros, hierarquias e reis: o caminho para a sociedade do Bronze

Dia 19
Nacionalismos, ecologia e salvação: o nascimento do indivíduo na Idade do Ferro

Dia 26:
Baal e El, ou Adonai, Eloim e Adonis: a junção eficaz das definições do divino

As sessões realizam-se às 18h30, no Pequeno Auditório. A entrada é gratuita, sujeita ao levantamento de senha de acesso 30 minutos antes do início da sessão, no limite dos lugares disponíveis, num máximo de duas senhas.

in SNPC
http://www.snpcultura.org/breves_da_lei_da_morte_libertando.html

domingo, 19 de dezembro de 2010

O diálogo interreligioso: não há Verdade abstracta

Getty images
Religião e diálogo inter-religioso


O livro de Anselmo Borges “Religião e Diálogo Inter-Religioso” é uma obra-prima que honra a coleção Estado da Arte da Imprensa da Universidade de Coimbra, onde foi editado.

É uma síntese rigorosa e acessível sobre as temáticas que nele são discutidas, um livro de bolso para todos os que se preocupam em saber do que falam, quando falam de religião.

(...)
O livro é uma síntese de reflexões sobre o fenómeno religioso que não esconde o contributo de obras de referência de autores como A. Comte-Sponville, A. Torres Queiroga, Hans Küng, Johann Figl, Juan Tamayo, J.Martin Velasco, J.de Sahagún Lucas, mas é também um ensaio original, particularmente, no que se refere à “definição” de religião.

É um trabalho de um padre da Sociedade Missionária Portuguesa que estudou teologia, filosofia, ciências sociais, com muito mundo, muitas leituras e sobretudo muita e sábia reflexão.

Antes de sermos religiosos ou não religiosos somos todos seres humanos confrontados com os desafios da vida, com a relação com os outros, com a nossa contingência radical, com a morte, que nos interroga e provoca, já que como diz um verso de Jorge de Sena “de morte natural nunca ninguém morreu”.

Para o homem religioso, como afirma Anselmo Borges “a realidade não se esgota na sua imediatidade empírica; para a sua compreensão adequada, a realidade mesma aparece-lhe como incluindo uma Presença que não se vê em si mesma, mas implicada no que se vê.”

Na religião devemos distinguir um pólo objetivo e um pólo subjetivo. Anselmo Borges considera: “Não é ousado afirmar que todo o ser humano é religioso, na medida em que é confrontado com a pergunta pela ultimidade. Só poderíamos falar de não religiosidade no caso de alguém se contentar com a imediatidade empírica, recusando todo e qualquer movimento de transcendimento”. Isto não significa que todos os que se confrontam com a pergunta sobre a ultimidade sejam crentes. Neste sentido pode-se ser simultaneamente religioso e ateu, como é o caso de A. Comte-Sponville.

O Sagrado pode ter também diversas configurações. A mera existência de diversas confissões religiosas testemunha a diversidade de aproximações e experiências religiosas.

Como refere, Anselmo Borges: “É preciso entender que não há verdade abstrata. Por um lado Deus revela-se na história. Por outro, a pessoa religiosa relaciona-se com o Divino pela mediação histórico-concreta de uma tradição religiosa particular: a sua”.

O diálogo inter-religioso é um contributo incontornável para que seja possível a paz no mundo, incluindo os agnósticos e ateus, mas é também uma exigência moral para qualquer homem ou mulher religiosos que pensem que Deus é sempre maior do que a imagem que dEle construímos ou da experiência que dele temos, que não somos nós que possuímos Deus, mas é Deus que nos possui.

Deixo-vos com estas modestas notas, tentando apenas despertar-vos para a leitura deste livro, que tem a ver com toda a nossa vida do dia a dia.

Termino, adotando as palavras de Hans Küng, citadas por Anselmo Borges: “para mim como cristão crente” - só há uma única religião verdadeira: a minha; a atitude ecuménica significa ao mesmo tempo “firmeza e disposição para o diálogo”: “para mim pessoalmente manter-me fiel à causa cristã, mas numa abertura sem limites aos outros”.

José Leitão

In http://inclusaoecidadania.blogspot.com/

publicado por © SNPC a 21 de Novembro de 2010
http://www.snpcultura.org/vol_religiao_e_dialogo_inter_religioso.html

sábado, 18 de dezembro de 2010

Duas notícias LGBT da América Latina

México

Seis casais de mulheres casaram na prisão da cidade do México.

Brasil

Uma estatística que faz pensar: 198 homossexuais foram assassinados no país do Samba.

traduzido de http://flash-news.over-blog.com/ por rioazur

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Vida até à morte

Fui ver o filme "Dos homens e dos deuses" e, como tinha prometido, aqui fica a minha opinião. É provavelmente o melhor filme que vi em 2010.

Ao longo do filme vai-nos sendo caracterizada a comunidade de cristãos, padres e monges, que vive na cordilheira dos Atlas, Argélia - África do Norte - e no coração de conflitos entre rebeldes e exército, lutas de poder, corrupção e violência gratuita.

Estes homens são consagrados a Deus e ao serviço aos seus próximos. E os seus próximos são a população muçulmana de uma aldeia que cresceu em volta do mosteiro, que os estima e que acorre ao mosteiro como quem vai buscar água à fonte. É uma comunidade composta por homens que, como todos, vacilam, hesitam, têm crises de fé e duvidam.

É uma bela parábola, e ainda mais bela por retratar factos verídicos. E é um filme incrível no seu realismo, traçado por uma atenção meticulosa aos pequenos detalhes, por um cenário que não aparece como cenário, mas como palco verdadeiro de uma vida monástica, por uma respiração verdadeiramente espiritual em que entramos como quem vai passar uns dias de retiro num mosteiro habitado e vivo. Os actores que personificam os irmãos, juraríamos que são realmente homens de fé consagrados. A vida comunitária aparece retratada fielmente, tanto na parte visível que as comunidades religiosas mostram a quem as visita, como também na sua vida mais íntima de cumplicidade, fraternidade, espiritualidade, partilha, oração e questões ligadas ao funcionamento, organização e separação de tarefas.

E para além disto, como se fosse pouco, o filme fala-nos de coisas tão importantes como o medo, a confiança, o desespero, o abandono, a vocação, a entrega, o limite e o cerne das religiões. Apresenta-nos o Islão que tantas pessoas vivem, mas que é muito menos mediatizado do que o Islão fundamentalista, violento e intransigente. E mostra-nos o Cristianismo que lança pontes, o da prática diária do serviço e do amor ao próximo, da comunhão e da verdadeira busca e conhecimento do outro e das suas necessidades. O Cristianismo radical no sentido de entrega, e não nos fundamentalismos vazios baseados na palavra que foi inscrita em pedra (e por isso se resume a uma lista de princípios e teorias mais ou menos moralizantes, elitistas e exclusivistas) e anda longe do coração e da carne.

Ver este filme dá anos de crescimento espiritual e humano. Mesmo quem não tem fé, acredite: não vai ficar indiferente!

E para que conste no blogue, o realizador deste filme (Xavier Beauvois) é gay.
ver o trailer na mensagem:
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/estreia-esta-semana.html
ler mais em
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/dos-homens-e-dos-deuses-ode-fe-ao-amor.html

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O homem que dizia adeus

Primeiro em Picoas, depois no Saldanha... também o vi no Restelo. A figura deste homem - o Sr. João - ajudava-me a lembrar que a cidade não é só constução de betão e vidro: ela faz sentido na medida em que congrega pessoas. E as pessoas relacionam-se. O senhor João era uma réstia de humanidade entre o alcatrão e os passeios.

Passava os seus serões de pé, numa zona em que os carros passam velozes. Os condutores que já o conheciam apitavam e ele acenava. Os lisboetas sabiam onde estava, muitos não sabiam como se chamava. De cabelo branco e com uns óculos escuros estava ali, fielmente, à noite:

Morreu ontem. Era uma figura mítica da cidade de Lisboa. E com ele morreu ontem mais um bocadinho da história deste cidade.

"Essa senhora [solidão] é uma malvada, que me persegue por entre as paredes vazias da casa. Para lhe escapar, venho para aqui. Acenar é a minha forma de comunicar, de sentir gente"

João Manuel Serra assumiu por várias vezes nunca ter tido de trabalhar. Vinha de uma família abastada que o deixou com rendimentos fartos e lhe permitiu escolher uma «profissão» diferente. Acenava a quem passava pela zona do Saldanha apenas porque acreditava que, dessa forma, fazia os lisboetas mais felizes.

Presto homenagem ao João Serra, conhecido por "Senhor do Adeus" (1930 -2010). Gostava que ele ficasse na memória não como alguém que dizia adeus, porque não era isso que ele fazia: ele não se estava a despedir de ninguém! Ele acenava para cumprimentar, para saudar: era o "Senhor do Olá". Independentemente de qualquer juízo mais condescendente em relação ao seu estado de saúde mental, aqui fica um obrigado a ele e a tantos que poderiam ficar fechados no conforto das suas vidas, mas que escolhem que ela faz sentido na medida em que a comunicam ao próximo... mesmo que o próximo passe veloz.

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

Este blogue também é teu

São benvindos os comentários, as perguntas, a partilha de reflexões e conhecimento, as ideias.

Envia o link do blogue a quem achas que poderá gostar e/ou precisar.

Se não te revês neste blogue, se estás em desacordo com tudo o que nele encontras, não és obrigado a lê-lo e eu não sou obrigado a publicar os teus comentários. Haverá certamente muitos outros sítios onde poderás fazê-lo.

Queres falar?

Podes escrever-me directamente para

rioazur@gmail.com

ou para

laioecrisipo@gmail.com (psicologia)


Nota: por vezes pode demorar algum tempo a responder ao teu mail: peço-te compreensão e paciência. A resposta chegará.

Os textos e as imagens

Os textos das mensagens deste blogue têm várias fontes. Alguns são resultados de pesquisas em sites, blogues ou páginas de informação na Internet. Outros são artigos de opinião do autor do blogue ou de algum dos seus colaboradores. Há ainda textos que são publicados por terem sido indicados por amigos ou por leitores do blogue. Muitos dos textos que servem de base às mensagens foram traduzidos, tendo por vezes sofrido cortes. Outros textos são adaptados, e a indicação dessa adaptação fará parte do corpo da mensagem. A maioria dos textos não está escrita segundo o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pelo facto do autor do blogue não o conhecer de forma aprofundada.

As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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