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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

As periferias do mundo gay: carta ao Papa

Apesar de não me identificar plenamente com a postura de Eliseo, transcrevo a sua carta ao Papa, por poder aproximar-se à sensibilidade de alguns leitores. Adaptei a tradução para português de Portugal:

Carta de um gay ao Papa Francisco
É preciso ir às periferias do mundo gay

"Quando o Papa Francisco falou no avião sobre o lobby gay, suas palavras foram acolhidas com polêmica por alguns e com alegria por outros. Mas nesse coro de vozes faltava uma voz... a dos homossexuais. Encontramos no blog italiano “Eliseo do deserto” esta voz, que oferecemos traduzida para português (…).

Queridíssimo Papa Francisco,
Chamo-me Eliseo e escrevo-lhe para dizer quanto o aprecio! Devo admitir que até ao momento da sua chegada, o meu coração continuava ligado a João Paulo II: a sua história falava à minha história. Quando o via e escutava, algo se movia dentro de mim. A sua mensagem em Roma no ano 2000 aos jovens ainda ressoa forte no meu peito. Porque é verdade! A nossa sede de amor, de beleza, de verdade... É a Ele a quem buscamos!

Papa Francisco, com a sua simpatia, roubou-nos o coração. Estava debaixo do balcão (da Basílica de São Pedro) no momento da sua eleição, vivemos o Pentecostes nessa noite, no silêncio, nas orações que recitámos juntos, em cada palavra sua.

Eu sou um jovem, mas um homem adulto, e sofro impulsos homossexuais. Estou surpreendido porque nas notícias dos jornais falam apenas do que falou ou não sobre os gays, esquecendo as belíssimas palavras pronunciadas por si no Rio.

Mas eu quero recordá-las! Impulsionou os jovens a ir! Também às periferias da existência, ali onde frequentemente enviou os sacerdotes, convidando-os a ter o cheiro das ovelhas. Falou desses jovens que pressionam para ser protagonistas da mudança e citou a Madre Teresa, que dizia para começar por mim e por ti a mudar o mundo.

Papa Francisco, quero falar-lhe das periferias da homossexualidade; eu descobri três.

A primeira é a de quem se descobre homossexual. É a periferia da solidão. Recordo que quando me reconheci homossexual, por um momento a minha vista escureceu. Perguntei-me porque estava isso a  acontecer comigo, recordo que na altura estava a ir à missa diariamente. O jovem que admite ser homossexual sente-se um monstro e não sabe com quem falar sobre isso. Os pais? Para quê dar-lhes um sofrimento tão grande? Os amigos? Gozariam comigo. Os padres? Diriam que é pecado. Quando falei com Deus, encontrei na Bíblia estas palavras: “Mas aqueles que contam com o Senhor renovam as suas forças; ele dá-lhes asas de águia. Correm sem se cansar, vão para a frente sem se fatigar”. É Isaías. Na imagem da força eu li uma promessa. Porque eu pensava que não era homem porque não era forte como os da minha idade. Depois encontrei a coragem para falar disso com um padre e, com o tempo, a amigos de confiança.

A segunda periferia é a homossexualidade de quem é crente. Sim, há também muitos homossexuais que crêem em Jesus, mas que não aceitam o que a Igreja diz sobre a homossexualidade e sobre a sexualidade em geral. Não penso neles, mas sim naqueles que, em contrapartida, amam a Igreja e gostariam de seguir os seus ensinamentos. A homossexualidade tem um problema fundamental, que leva frequentemente a viver uma sexualidade desordenada e excessiva: as pessoas homossexuais sentem pulsões compulsivas fortíssimas dentro de si, além disso, às vezes podem nascer inclusive sentimentos reais. A proposta da castidade ou do celibato pode parecer um acto de heroísmo, um martírio que só poucos podem enfrentar. Estes homens cada vez são menos, porque o conceito de castidade é cada vez menos compreensível na nossa sociedade, também no contexto católico. E se não bastasse isso, há também os ataques da própria militância gay, porque os considerarem uma espécie de traidores.

A terceira periferia são os infernos da homossexualidade. Onde o homossexual perde a dignidade de pessoa humana. São os websites de contatos, uma espécie de escape onde exibir pedaços do próprio corpo para encontrar quem te compre, ainda que seja barato. Não se trata sempre de dinheiro, mas do preço da própria dignidade. São as ruas onde de noite se procuram encontros com outros homens que possam preencher os próprios vazios. São os sítios gay, como as discotecas ou ainda esses novos bordéis que se ocultam como círculos culturais, onde se pratica todo tipo de depravação. São as manifestações em que se pede dignidade para a própria condição e, em contrapartida, perde-se.

Pede-nos para ir às periferias e que o façamos juntos. Eu ainda sou muito frágil, mas peço-lhe que reze para ter força. Quero estar junto de quem está sozinho, para dizer-lhe que não perca a esperança em Deus, e acredite que é precioso aos seus olhos.

A mudança começa por mim e por ti, dizia Madre Teresa. Papa Francisco, tenho esta imagem sua descendo também a essas periferias tão incómodas da existência. Agradeço pela delicadeza com que sempre enfrentou a questão. Você nunca levantou o dedo para dividir a humanidade segundo os seus instintos sexuais. Você sabe que o ser humano é algo de muito mais complexo e rico.

Reze por mim e por todos aqueles que talvez lendo esta carta decidam cruzar o umbral dessas periferias para levar a Boa Nova de Jesus.

Eu rezarei por si, como filho.
Um abraço."

domingo, 20 de outubro de 2013

Os Gays administram o Vaticano?

Na minha opinião, só seres castrados ou aberrações podem ditar a "castração" de um gay (homossexual), pois isto nada tem de gay (divertido)!

Pope admits ‘gay lobby’ in Vatican administration: report

VATICAN CITY (AFP)

Pope Francis has admitted the existence of a “gay lobby” inside the Vatican’s secretive administration, the Roman Curia, allegedly exposed during a leaks scandal, according to a Latin American Catholic website.

Back in February Italian media claimed that a secret report by cardinals investigating the leaks included allegations of corruption and blackmail attempts against gay Vatican clergymen, and on the other hand, favouritism based on gay relationships.

“In the Curia, there are truly some saints, but there is also a current of corruption,” the pope is quoted as having said during an audience last week with CLAR (the Latin American and Caribbean Confederation of Religious Men and Women).

“There is talk of a ‘gay lobby’ and it’s true, it exists. We have to see what can be done,” the 76-year-old pontiff is quoted as saying on the Reflection and Liberation website, which was flagged up by religious news agencies on Tuesday.

Vatican spokesman Federico Lombardi told AFP: “It was a private meeting, I have no comment to make.”

The secret report compiled by a committee of three cardinals for the pope’s eyes only was the result of a broad inquiry into leaks of secret Vatican papers last year — a scandal known as “Vatileaks”.

The cardinals questioned dozens of Vatican officials and presented the pope with their final report in December 2012.

Just days before pope Benedict XVI’s resignation in February, the Panorama news weekly and the Repubblica daily said that the report contained allegations of blackmail attempts and gay favouritism — though Lombardi insisted at the time they were “conjectures, fictions and opinions.”

The Argentine pope has made reforming the Roman Curia — the heavily criticised and intrigue-filled administration of the Roman Catholic Church — a priority of his papacy, but said it would be “difficult”.

“I cannot carry out the reforms myself,” he said, because “I am very disorganised”.

The task will be handled by a commission of eight cardinals from around the world whom Francis appointed in April to help him govern the Catholic Church, set to meet for the first time in October.

“Pray for me, for me to make as few errors as possible,” the pope said.
Signature : AFP
Copyright : © 2013 AFP

Haverá um Gay Lobby no Vaticano?

Um artigo de opinião no NY Times de um jornalista que viveu em Roma:

The Pope’s Gay Panic

By Frank Bruni Published: June 15, 2013

I HAVE many questions for and about the “gay lobby” in the Vatican, but I’ll start with this: How can you be so spectacularly ineffective?

You wouldn’t last a minute on K Street; the Karl Roves of the capital would have you for lunch. Despite your presence in, and presumed influence on, the upper reaches of the Roman Catholic hierarchy, church teaching still holds that homosexuality is disordered, and many church leaders still send the preposterously mixed message that while gay and lesbian people shouldn’t be admonished for, or ashamed about, their same-sex attractions, they should nonetheless elect cold showers over warm embraces. Look but don’t touch. Dream but don’t diddle.

“It’s like saying, ‘You’re a bird, but you can’t fly,’ ” cracked Sister Jeannine Gramick, an American nun who has long challenged the church on this issue, when we chatted recently.

“That’s not original,” she quickly confessed, referring to her analogy. “It’s been around awhile.”

I called her after the news reports last week that Pope Francis, in a private meeting with a Latin American religious group, had wrung his hands about a network of gay clerics at Catholicism’s command central. “Gay lobby” was the phrase he used, according to the group’s notes, but it wasn’t clear whether he meant a political faction per se.

What was clearer was his acknowledgment — rare for a pope, and thus remarkable — of the church’s worst-kept secret: a priesthood populous with gay men, even at the zenith. And that underscored anew the mystery and madness of the church’s attitude about homosexuality.

If homosexuality is no bar to serving as one of God’s emissaries and interpreters, if it’s no obstacle to being promoted to the upper rungs of the church’s hierarchy, how can it be so wrong? It doesn’t add up. There’s an error in the holy arithmetic.

The answer that many church leaders now give is that homosexuality isn’t in fact sinful, not in and of itself, not if it’s paired with chastity, which Roman Catholic priests of any persuasion are supposed to practice. Church leaders also stress that they don’t mean to disparage gay people or deny them full human dignity.

“The first thing I’d say to them is: I love you, too,” Cardinal Timothy Dolan, the archbishop of New York, told ABC News earlier this year. “And God loves you. And you are made in God’s image and likeness. And we want your happiness.”

“You’re entitled to friendship,” he went on, laying out the ground rules for same-sex longings and pairings. As for sexual love, he added, “that is intended only for a man and woman in marriage, where children can come about naturally.”

Let’s leave aside the legions of straight people, Catholic and otherwise, who aren’t tucking their sex lives into a box that tidy, tiny and fecundity-minded.

Let’s focus on something else. There’s no way for a gay or lesbian person not to hear Dolan’s appraisal as something of a condemnation, no matter how lavishly it’s dressed in loving language. It assigns homosexuals a status separate from, and unequal to, the one accorded heterosexuals: you’re O.K., but you’re really not O.K. Upon you there is a special restriction, and for you there is a fundamental dimension of the human experience that is off-limits, a no-fly zone of the heart.

It’s two-tiered thinking, which is present as well in American political life, where many people who say that they have no problem with gays and lesbians and no intent to discriminate against us also say that we shouldn’t be allowed to marry, because, well, that’s the tradition, and marriage is an accommodation too far.

The Supreme Court is poised to weigh in on the matter in the next two weeks, and while the smart money is on a toppling of the Defense of Marriage Act, which forbids the federal government from recognizing same-sex marriages performed in any of the 12 states that have legalized it, there’s little sign that the court will compel all the other states to get with the program.

And so we gay and lesbian people will be told: you’re O.K., but it’s up to states to decide just how O.K. There’s an asterisk to your supposed equality, a margin of difference between what others deserve and what you do.

That’s not really acceptance, and that may explain some of the findings of a Pew Research Center poll of gay, lesbian, bisexual and transgender Americans that was released last week. About one-third of the respondents said that they’d not told their mothers the truth of their lives, and an even greater fraction had not told their fathers. In other words, fear and secrecy — not to mention the potential psychological damage associated with each — persist. And you can’t divorce that from marriage inequality’s insinuation that gays and lesbians have less honorable relationships, and are lesser creatures all in all.

Nor can you divorce it from the Catholic Church’s wildly contradictory signals. Although the church doesn’t deem homosexuality paired with chastity to be sinful, the Vatican decreed in 2005 that men with “deep-seated homosexual tendencies” shouldn’t be ordained as priests.

AND yet many such men have been ordained. The Rev. James Martin, a Jesuit and an editor at large at the Catholic magazine America, told me that he’s seen thoughtful though not scientifically rigorous estimates that anywhere from 25 to 50 percent of Catholic priests are gay. His own best guess is 30 percent. That’s thousands and thousands of gay priests, some of whom must indeed be in the “deep-seated” end of the tendency pool.

Martin believes that the vast majority of gay priests aren’t sexually active. But some are, and Rome is certainly one of the many theaters where the conflict between the church’s ethereal ideals and the real world play out.

I lived there for nearly two years, covering the Vatican for The Times, and while I got no real sense of any “gay lobby,” I was given my own lesson in the hypocrisy of clerics who preach one set of morals and practice another.

Every so often, I’d have lunch or dinner with the Rev. Thomas Williams, who was the dean of theology at a pontifical university and belonged to the Legion of Christ, a conservative order. He liked to expose secular news organizations to the order’s philosophy, and over time his classic, square-jawed good looks — he resembled some ecclesiastical man of steel, ready to star in “Superman Genuflects” — led to television time as a Vatican analyst.

Last year he took a leave from ministry, amid accusations of affairs with several women. He admitted to one of them, and to fathering a child.

The friends with whom I’ve shared that story invariably ask: “Doesn’t that make you angry?”

No. Just really, really sad.


I invite you to visit my blog, follow me on Twitter at twitter.com/frankbruni and join me on Facebook.

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

Este blogue também é teu

São benvindos os comentários, as perguntas, a partilha de reflexões e conhecimento, as ideias.

Envia o link do blogue a quem achas que poderá gostar e/ou precisar.

Se não te revês neste blogue, se estás em desacordo com tudo o que nele encontras, não és obrigado a lê-lo e eu não sou obrigado a publicar os teus comentários. Haverá certamente muitos outros sítios onde poderás fazê-lo.

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Os textos e as imagens

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As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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