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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Casamento entre homossexuais: uma década de história

Primeiro casamento gay foi há dez anos

Casamentos celebrados no Museu Histórico, uma exposição de fotografia e festas à noite. A cidade de Amesterdão celebrou ontem [dia 1 de Abril] o 10.º aniversário da legalização dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, autorizado pela primeira vez na Holanda, no dia 1 de Abril de 2001. Desde então, mais oito países legalizaram os casamentos gays: Bélgica, Espanha, Canadá, África do Sul, Suécia, Portugal, Islândia e Argentina.

"A vossa festa pessoal inscreve-se num contexto maior", disse ontem o presidente da Câmara de Amesterdão, Eberhart van der Laan, aos noivos, Jan van Breda e Thijs Timmermans. Mal se ouviu o "declaro-vos unidos pelos laços do matrimónio", caiu uma chuva de balões cor-de-rosa em forma de coração.

Os noivos vestiram roupa escura - camisa lilás para um, T-shirt preta para o outro - e chegaram ao museu a pé. Thijs Timmermans disse: "Este é um dia simbólico e especial. A Holanda foi o primeiro país e, claro, fiquei feliz por isso, mas [o casamento] deveria ser uma coisa normal porque não se trata de sermos homossexuais ou não, trata-se de amor". As celebrações prosseguiram com a inauguração de uma exposição de fotografia dedicada ao tema "casamento gay" e com festas marcadas para a noite.

Entre 1 de Abril de 2001 e 31 de Dezembro de 2010 casaram na Holanda 14.813 casais gays. Em Portugal, onde a lei entrou em vigor em Junho do ano passado, casaram 301 casais (dois divorciaram-se).

in Público

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Onde se pode aprender Música?

O Governo português tem tomado medidas que afirma serem no sentido de tornar a aprendizagem e o ensino da música menos elitista: multiplicou as actividades extra-curriculares (pois o que interessa é apresentar números) mas, efectivamente, controla pouco a qualidade do ensino da música. Em todas as áreas artísticas, é sabido, que não é o facilitismo que forma um bom artista. É o mérito que vai talhando o percurso artístico, é a capacidade e a vontade individual. É normal que se formem menos músicos do que aqueles que começaram os estudos de música. O aumento do grau de exigência e de dedicação ao estudo é eliminatório, e a isso não se pode chamar descriminação mas selecção natural. É normal e é saudável que assim seja, pois quem segue este caminho terá de estar ao nível dos seus pares.

O Governo também desinvestiu nas escolas artísticas especializadas em música, desincentiva a frequência paralela de dois cursos e tornou o ensino artístico da música nos conservatórios exclusivo para os alunos regulares, em idade correspondente aos graus do instrumento. Mas o que é certo é que muitos dos grandes artistas descobriram tardiamente a sua vocação, e nestes âmbitos, não se pode estandardizar o que não é estandardizável. Com a crise financeira, a instabilidade laboral e as incertezas ligadas a uma vida artística, não haverá muitos pais dispostos a limitar a aprendizagem dos seus filhos a uma área tão específica quanto a música.

Mas o que é certo é que, devido ao facto de até há pouco tempo se poder estudar música nos Conservatórios com idade não correspondente à idade escolar, há uma geração de novos músicos em Portugal bem preparada e realmente apaixonada pelo seu ofício. E é esta geração - que não terá uma sua sucedânea - que está activamente a formar novos músicos que não entram nos estereótipos imaginados pela classe política nacional.

Lady Gaga
Queres ter aulas de Música?

Há muitas escolas ou academias locais que proporcionam o estudo da música, tentando colmatar a falha no ensino e no investimento público. E há também pessoas preparadas para o efeito que o fazem particularmente. Não há melhor forma de aprender do que ter uma aula construída à medida das necessidades específicas do aluno.

Para quem quer "aprender a cantar", tem vontade de aprofundar/desenvolver/adquirir conhecimentos musicais, deixo aqui uma sugestão:

 A Paula Rosado voltou para Portugal depois de um período de seis anos de formação na Holanda e veio para partilhar a sua paixão pela música. Dá aulas em casa, na Portela, um bairro às portas de Lisboa (perto dos Olivais).

As possibilidades que a Paula propõe são:
  • Iniciação Musical
  • Iniciação ao Piano
  • Canto (todos os níveis)
"O ensino da música, tal como em todas as formas de arte, é uma partilha de experiências entre professor e aluno em que ambos aprendem. Por essa razão, a primeira aula é gratuita para que ambos possamos determinar se gostaríamos de trabalhar juntos.
As aulas são adaptadas ao/à alun@ e ao estilo de música que quer aprender (clássico, jazz/ligeiro, pop)."
Paula Rosado

Contactos
telemóvel: 966 746 153;
e-mail: psvrosado@yahoo.com

Informações sobre Paula Rosado
www.linkedin.com/in/psvrosado
www.myspace.com/psvrosado

domingo, 12 de dezembro de 2010

Universidades holandesas corrigem diplomas de transexuais

Van Gogh
Transexuais Holandeses ganham direito a diplomas novos


As pessoas transexuais holandesas conquistaram o direito de receberem novos diplomas escolares e universitários reflectindo o nome e género correctos.


Esta alteração resultou de um processo legal contra a universidade de Amesterdão pelo activista transexual Justus Eisfeld da Global Action for Trans Equality.

Justus Eisfeld tem 37 anos e é adepto da campanha STOP Trans Pathologization 2012. Quando completou os seus estudos em 2001 ainda era considerado mulher, tendo o diploma sido emitido dessa maneira. Em 2008 submeteu-se à CRS, tendo passado a ser legalmente homem. E teve de alterar toda a sua documentação legal (passaporte, carta de condução, etc.), só restando alterar o seu diploma, o que lhe provocou alguns dissabores.

“Bem, a discriminação no mercado laboral é, lamentavelmente, um problema que afecta muitos transexuais.” explica Eisfeld, “Senti-a na pele quando quis trabalhar como professor de alemão. Numa altura em que havia grande escassez de docentes com esta qualificação e em que se contratava qualquer pessoa com poucos conhecimentos da lingua, apresentei a minha candidatura a dois institutos. Ambos responderam: Considerando a sua situação - e não podiam referirem-se a outra coisa que a minha transexualidade - não estamos dispostos sequer a conceder-lhe uma entrevista.”

Na sua luta para obter um novo diploma, Eisfeld teve uma ajuda inesperada. Quando se iniciou o ano lectivo, o presidente da Junta Directiva da Universidade, Karel Van Der Toom, abriu o ano lectivo com um espectáculo com o comediante Freek de Jong, e este fez uma alusão espontânea ao caso: “Queria propor, já que estamos a passar tão bem esta tarde, que dêem a ela um novo diploma, ou a ele, onde apareça o seu novo nome com um desses bonitos selos. Assim evitavam-se problemas. Seria um bom começo do novo ano.”

Apesar das pressões, a universidade recusava-se a cooperar, alegando que um diploma só se entrega uma vez, tal como estipulado na lei. Nada satisfeito com a situação, Justus dirige-se então à Comissão Holandesa para Oportunidades Iguais.

A Comissão Holandesa para Oportunidades Iguais decretou que a universidade cometeu uma ilegalidade por discriminação sexual indirecta contra Eisfeld, que se encontrava em luta legal com a universidade desde 2004.

“Parece-me um exemplo clássico de discriminação indirecta.” sustem Eisfeld. Quero dizer, uma medida política que tem como objectivo a igualdade entre os cidadãos, acaba por tornar-se negativa para um determinado grupo populacional, acabando em discriminação.”

A Ministra da Educação Marja Van Bijsterveldt instruiu todas as instituições legais para agirem de acordo com esta sentença.

“Estou muito contente não só por causa do meu diploma, mas especialmente pela possibilidade de toda a população trans poder alterar os seus diplomas na Holanda.”, afirmou Justus, “Espero que a ilegalidade da discriminação contra trans nos estados membros da União Europeia receba mais atenção. O conhecimento é o primeiro passo para uma mudança de atitudes.”
 
in PortugalGay.PT
http://portugalgay.pt/news/Y101210A/holanda:_transexuais_holandeses_ganham_direito_a_diplomas_novos

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O suicídio entre os jovens homossexuais europeus

Instituto holandês alerta para aumento de suicídios entre jovens gays na Europa

Resumo do estudo “Increasingly normal; never the norm. Acceptance of homosexuality in the Netherlands” por Saskia Keuzenkamp em 24 de Junho de 2010. (in Opera Mundi e ILGA-Portugal)
"Metade dos jovens gays e lésbicas ouvidos numa investigação realizado pelo governo da Holanda já pensaram em cometer suicídio. Quase um em cada dez rapazes e uma em cada oito raparigas afirma ter tentado matar-se, uma atitude que menos de metade dos homossexuais em geral disse já ter tentado. A tendência é maior entre os mais jovens. É a primeira vez que esses dados são divulgados na Holanda, considerado o país de maior aceitação da homossexualidade na Europa, e geraram um alerta para o tema noutros países do continente.

Em Portugal, tentar suicídio foi um dos sentimentos relatados por vítimas de agressão (verbal ou física) que se queixaram ao Observatório da Educação da Rede Ex Aequo – associação de jovens homossexuais, bissexuais e transgéneros e simpatizantes.

A situação é considerada “preocupante” pelo relatório Just Different, That’s All, divulgado no dia 13 de Junho pelo Instituto Holandês de Pesquisa Social (SCP), que pede a atenção do Sistema de Saúde do país para a situação psicológica dos jovens.

“Hoje, as políticas do governo estão voltadas para [a prevenção de] espancamentos de gays. Mas o risco de suicídio tornar-se-á definitivamente numa preocupação”, diz Saskia Keuzenkamp, coordenadora da pesquisa, em entrevista ao Opera Mundi. “São dados relativamente novos. Algumas ONG tinham notado e pedido ao governo para fazer alguma coisa”. No entanto, a coordenadora da pesquisa aponta que nenhuma medida foi tomada pelas autoridades.

O estudo foi feito com base em questionários destinados a cerca de 1,6 mil jovens entre os 16 e 25 anos e em 30 entrevistas. O SCP considera o universo da amostra representativo, apesar de não haver uma estatística formal que classifique os indivíduos de acordo com a orientação sexual. Os dados sobre o suicídio entre heterossexuais foram obtidos noutras pesquisas sobre o tema.

Identidade
De acordo com o relatório, o risco de suicídio cresce quando o homossexual vive em um ambiente hostil. Um em cada quatro jovens (ou 25%) que disseram ser alvo de reacções negativas semanalmente afirma ter tentado acabar com a própria vida. No geral, a taxa ronda uma em cada oito lésbicas e quase um em cada dez gays.

Os ataques dificultam a auto-aceitação num período que coincide justamente com a formação da identidade do indivíduo e levam também a uma maior ocorrência de depressão. Os gays que regularmente são alvo de rejeição têm três vezes mais surtos depressivos do que os que são aceites, segundo os entrevistados no estudo. As lésbicas mais masculinizadas tendem a ser mais deprimidas do que as demais e o mesmo fenómeno acontece entre os gays afeminados, embora a diferença não seja tão grande.

A Holanda tem uma tradição histórica de aceitação da homossexualidade. No país, desde o início do século passado, a prática sexual entre pessoas do mesmo sexo não é proibida – algo que foi considerado crime em Portugal até a década de 1980, por exemplo. O país foi o primeiro do mundo a aprovar o casamento homossexual com direito a adopção, em Abril de 2001 – a lei portuguesa foi aprovada em Maio e retira expressamente esse direito dos casais.

Noutro estudo do SCP, divulgado em Março passado, à pergunta se seria inaceitável ter um filho gay ou lésbica, 87% dos entrevistados disseram que não. Entre os jovens ouvidos no relatório mais recente, 7% disseram ser rejeitados pelos pais – o que acontece principalmente em famílias religiosas.

Educação
Mesmo nesse contexto, o sentimento homofóbico ainda causa alarme, também porque o que se diz não é, necessariamente, o que se faz. O relatório holandês afirma haver sinais de um aumento da discriminação recentemente, citando registos de ataques físicos – como espancamentos ocorridos na rua. No caso dos jovens, a atenção é voltada para a escola. Quase um em cada cinco diz não ser totalmente aceite no ambiente de ensino.

“O ensino secundário não é um lugar seguro para jovens gays e bissexuais. Os jovens impõem normas sexuais e de género rígidas uns aos outros. O escárnio e o bullying são a norma”, aponta o documento. A mesma situação é relatada pelo Observatório da Educação da Rede Ex Aequo em Portugal. “É evidente que, para muitos alunos e alunas, a fase em que descobrem e assumem a sua homossexualidade é muito complicada, frequentemente feita no seio do preconceito e do insulto, num ambiente claramente hostil”, diz Isabel Advirta, da direcção da ONG ILGA-Portugal, de apoio à causa homossexual, ao Opera Mundi. “As escolas portuguesas não são, portanto, um território amigável para os e as jovens LGBT.”

Os dados do Observatório da Educação da Rede Ex Aequo, de Portugal, permitem ter um olhar de relance de como essa hostilidade se constitui. Entre 2006 e 2008, foram recebidas no órgão 92 queixas informais de pessoas que foram vítimas ou presenciaram agressões baseadas na orientação sexual. Desse total, 76 são alunos e a maioria dos agressores também são estudantes. Um dos relatos, do relatório de 2008, é da discussão entre professores sobre baixar a nota de um aluno após a descoberta de sua homossexualidade. Há situações em que a violência vem de outro homossexual, o que pode ser uma estratégia para reprimir a própria orientação.

Para Vera Bergkamp, presidente da COC Netherlands – ONG que se diz a mais antiga entidade de defesa dos direitos dos homossexuais no mundo e que tem a juventude como um de seus principais focos de atenção –, a questão da homossexualidade deve ser incluída no conteúdo ensinado em aula. Ela defende, por exemplo, que os professores indiquem a orientação sexual de figuras históricas.

“A escola é um dos locais onde há maiores problemas. Se não lemos sobre alguém que foi gay, se isso não é comentado, é fácil achar que um problema em nós”, diz a activista. A Rede Ex Aequo aponta a mesma falha: evita-se a menção à homossexualidade de figuras históricas importantes, o que não contribui para uma visão mais positiva da opção tanto por quem a fez como por quem não a fez, diz o relatório de 2008 do Observatório da associação.

Outros países
Além de serem alvo de rejeição fora de casa de forma mais comum do que os adultos, os jovens tendem a ser mais sensíveis a esses ataques, na opinião de Saskia. Por isso, a alta taxa de aceitação pelos pais, identificada na pesquisa, convive com também altos níveis de depressão e pensamento suicida.

“Para os jovens os pais são importantes, mas os amigos são igualmente importantes. Na adolescência é muito importante o que os seus colegas pensam de nós”, diz a investigadora.

Em 2008, foi perguntado aos europeus se concordavam com a frase “os gays e as lésbicas devem ser livres para viver como quiserem”. Aproximadamente 5% dos holandeses afirmaram discordar; em Portugal – a meio da tabela – o índice foi de 15%; já na Rússia – o maior dos 21 países estudados – o índice foi de quase 50%.

“Os índices de suicídio entre jovens em geral é muito alto na Rússia. Eu suspeito que a juventude LGBT não seja excepção”, diz Polina Savtchenko, coordenadora de projectos do Coming Out e do The Russian LGBT Network. “Nas escolas, não há ajuda disponível para a juventude homossexual. Os psicólogos não estão preparados ou educados para lidar com a orientação sexual adequadamente”, afirma.

Um dos principais lobbies da organização, afirma Polina, é classificar como crime de ódio o ataque contra homossexuais. “Não há protecção contra a discriminação baseada na orientação sexual. Pode-se ser discriminado na escola, no trabalho.” Sem uma política central nesse sentido, o tratamento nas escolas depende da posição dos profissionais da educação em relação à homossexualidade e à homofobia, diz ela.

“Se é claro que nalgumas escolas a orientação curricular e a formação pessoal dos educadores ajudam a um ambiente amigável e acolhedor das diferenças, sejam elas quais forem, também é verdade que noutras escolas acontece o contrário”, diz Isabel Advirta, da ILGA-Portugal.”

http://amplosbo.wordpress.com/2010/09/01/instituto-holandes-alerta-para-aumento-de-suicidios-entre-jovens-gays-na-europa/
resumo do estudo em inglês
http://www.scp.nl/english/dsresource?objectid=25608&type=org

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Aumento de casos de sida entre jovens casais homossexuais em Portugal: um quinto do total de infecções, o dobro dos números relativos a 2005

Números preocupantes para a população homossexual portuguesa

Por Andrea Cunha Freitas
Estudo francês reforça receios sobre os comportamentos de risco entre homens que têm sexo com outros homens.

Os jovens casais de homossexuais vão constituir um capítulo "fundamental" do próximo Programa Nacional de Prevenção e Controlo da Infecção pelo VIH/sida. O coordenador nacional, Henrique Barros, considera que o aumento de casos de VIH registado nos últimos anos em Portugal é "preocupante" e merece ser encarado como uma prioridade. Os dados mais recentes mostram que o número de casos diagnosticados nesta população praticamente duplicou desde 2005.

O alerta surge na sequência de um estudo francês, divulgado no final da semana passada, que concluiu que o alastrar da epidemia da sida está "fora de controlo" entre os homossexuais franceses, revelando que cerca de metade dos infectados neste país em 2008 pertence a este grupo, o que mostra uma incidência 200 vezes superior à encontrada na população heterossexual.

A tendência de aumento dos casos de HIV entre os jovens casais de homossexuais, contrariando a queda nos números de outros grupos afectados, já foi antes motivo de alerta em vários países europeus. Portugal não foi excepção. Porém, um trabalho de investigadores do Instituto Nacional de Vigilância de Saúde Pública francês, divulgado no The Lancet Infectious Diseases, veio reacender a inquietação com esta realidade. "Não é nada que eu já não tenha dito", reage Henrique Barros, notando que este "fenómeno aparentemente cultural" já se registou na Holanda, na Alemanha, está a notar-se em Espanha. No Reino Unido, por exemplo, os dados dos novos sistemas para a detecção de infecções pelo VIH no país mostraram no mês passado que, um em cada seis homens homossexuais foram infectados nos últimos meses, enquanto entre os heterossexuais foram só um em cada 16.

"Estamos a assistir a uma coisa que se chama fadiga da prevenção. As pessoas estão cansadas de ouvir falar nisto e ouvem que a sida se está a tornar uma doença crónica. Por isso, estão a baixar as guardas", justifica Henrique Barros.

Lembrando que não existem grupos de risco, mas apenas comportamentos de risco, o epidemiologista confirma que os números mostram que os "jovens rapazes" estão a assumir mais riscos e que também existe aqui mais probabilidade de contágio. O que fazer? Reforçar a rede para detectar as pessoas infectadas, manter a pressão do uso do preservativo, fazer prevenção activa, e também intervir nas escolas. "Os adolescentes não são todos iguais. Alguns estão mais desarmados e precisam de ajuda."

Os dados divulgados pela Comissão de Coordenação Nacional para a Infecção VIH/sida mostram a curva ascendente deste grupo nos gráficos sobre os casos tanto em estádios de sida, como em portadores sintomáticos não-sida ou portadores assintomáticos.

No que se refere ao número total de casos notificados durante 2009, os homossexuais são 19,7 por cento do total, com os heterossexuais a registar 61,2 por cento e os toxicodependentes 14,8 por cento. Mas o que mais é motivo para apreensão é a leitura dos dados relativos à tendência temporal que coloca a nu esta tendência no grupo dos homossexuais. Entre 2005 e 2009, os casos diagnosticados nesta população aumentaram de 7,9 por cento para 13,1 por cento. Em portadores assintomáticos a transmissão sexual homossexual aumentou de 14,2 por cento em 2005 para 21,2 por cento em 2009 (em 2000 eram 7,5 por cento).

Os números oficiais relativos a Portugal que preocupam Henrique Barros foram divulgados no final de 2009. Depois disso, a comissão lançou apenas duas campanhas nos media para promover o uso do preservativo. As duas tinham como alvo os homens que têm sexo com homens, em relações estáveis ou ocasionais. Não foi por acaso.

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

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