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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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terça-feira, 10 de abril de 2018

Figura e papel do pai

Papa Francisco fala da ausência da figura paterna na sociedade ocidental

O papa Francisco alertou hoje, no Vaticano, para os danos profundos que a ausência do pai pode causar na infância e adolescência dos filhos, e chamou a atenção para os perigos de se negligenciar a educação dos mais novos através do exemplo, das palavras e da transmissão de valores.

«Quero dizer a toda a comunidade cristã que devemos estar muito mais atentos: a ausência da figura paterna na vida das crianças e dos jovens produz lacunas e feridas que podem ser também muito graves», afirmou na audiência geral semanal.

Prosseguindo as catequeses dedicadas à família, Francisco sublinhou que os comportamentos desviantes na infância e juventude podem «em boa parte» ser referidos à «falta de exemplos e de guias autorizados» na vida diária.

A palavra “pai” ‘indica uma relação fundamental» que é «tão antiga como a história do homem», mas hoje chega-se ao ponto de afirmar que se está numa «sociedade sem pais»: «Em particular na cultura ocidental, a figura do pai estaria simbolicamente ausente, desaparecida, eliminada».

«Num primeiro momento, isso foi percecionado como uma libertação» do pai enquanto chefe, ou «representante da lei que se impõe do exterior», ou, ainda, «do pai como censor da felicidade dos filhos e obstáculo à emancipação e à autonomia dos jovens», apontou.

Por vezes, prosseguiu Francisco, «reinava no passado o autoritarismo», com os pais «que tratavam os filhos como criados, não respeitando as exigências pessoais do seu crescimento» e que «não os ajudavam a empreender o seu caminho com liberdade, a assumir as próprias responsabilidades para construir o seu futuro e do da sociedade».

Hoje, a situação inverteu-se: «Como acontece frequentemente, passámos de um extremo ao outro. O problema dos nossos dias parece ter deixado de ser a presença invasora dos pais, mas sobretudo a sua ausência».

«Os pais estão por vezes tão concentrados sobre si mesmos e sobre o próprio trabalho, e sobre a sua própria realização individual, que esquecem até a família. E deixam sós as crianças e os jovens. Já quando era bispo de Buenos Aires me apercebia do sentido de orfandade que vivem hoje os jovens», assinalou.

Os filhos são órfãos porque, segundo Francisco, «os pais estão muitas vezes ausentes de casa, mesmo fisicamente, mas sobretudo porque quando lá estão não se comportam como pais, não cumprem a sua tarefa educativa, não dão aos filhos, com o seu exemplo acompanhado por palavras, aqueles princípios, aqueles valores, aquelas regras de vida de que precisam como pão».

«A qualidade educativa da presença paterna é tanto mais necessária quanto mais o pai é obrigado, pelo trabalho, a estar longe de casa. Às vezes parece que os pais não sabem bem que lugar ocupar na família e como educar os filhos. E então, na dúvida, abstêm-se, retiram-se e negligenciam as suas responsabilidades», referiu.

A tarefa de acompanhar o crescimento não pertence exclusivamente à família, acentuou o papa: «Também a comunidade civil, com as suas instituições, tem uma responsabilidade – podemos dizer paterna – com os jovens, uma responsabilidade que às vezes ignora ou exercita mal».

«Os jovens permanecem, assim, órfãos de caminhos seguros a percorrer, órfãos de mestres em quem se confiar, órfãos de ideais que aquecem o coração, órfãos de valores e de esperanças que os sustenham quotidianamente», apontou.

Este desamparo implica consequências na vida dos jovens, que «estão provavelmente repletos de ídolos mas rouba-se-lhes o coração; são levados a sonhar divertimentos e prazeres mas não se lhes dá o trabalho; são iludidos com o deus dinheiro e negam-se-lhes as verdadeiras riquezas».

«Fará bem a todos, aos pais e aos filhos, tornar a escutar a promessa que Jesus fez aos seus discípulos: “Não vos deixarei órfãos”. É Ele, com efeito, o caminho a percorrer, o mestre a escutar, a esperança de que o mundo pode mudar, que o amor vence o ódio, que pode haver um futuro de fraternidade e de paz para todos», disse Francisco.

Na audiência geral da próxima quarta-feira o papa destacará «a beleza da paternidade e da maternidade, a beleza de ser pais».
(...)

texto de Rui Jorge Martins, publicado em 28 de janeiro de 2015 in SNPC

sexta-feira, 23 de março de 2018

Deus não nos quer submissos

No amor não há submissão

A igreja estava calorosa e acolhedora na festa da Sagrada Família, no passado mês de dezembro. Antes que a missa começasse, ofereci a minha oração habitual para estar aberta às graças da liturgia. Logo depois o meu coração fechou-se abruptamente quando ouvi a leitura da epístola. Depois de proclamar a instrução de S. Paulo para nos revestirmos «de sentimentos de misericórdia, de bondade, humildade, mansidão e paciência» na sua carta aos Colossenses, o leitor leu: «Esposas, sede submissas aos vossos maridos, como convém no Senhor» (Colossenses 3, 18).

Há anos que ouço essas palavras proclamadas numa igreja. Desta vez, a mensagem pareceu ainda mais ofensiva do que no passado. Durante meses, ouvimos uma série de mulheres a falar sobre assédio sexual, abuso e condutas impróprias às mãos de homens poderosos. Também ouvimos as mulheres a dizer «acabou o tempo», o que significa que chegou o momento em que esses comportamentos já não são tolerados e as mulheres deixaram de ficar em silêncio.

Ouvir uma leitura das Escrituras que apoia a submissão das mulheres neste contexto parecia seriamente errado.

O dicionário define «submeter» como «pôr debaixo de», «tornar dependente», «sujeitar; obrigar; subjugar». Instruir as esposas a serem submissas aos seus maridos perpetua a ideia de que as mulheres devem ser obedientes aos homens e contribui para uma cultura do domínio masculino. Este tipo de pensamento abre uma caixa de Pandora para a subjugação das mulheres numa escala mais ampla. Com efeito, se as mulheres são consideradas inferiores ao seu parceiro no casamento, certamente serão tratadas como inferiores na sociedade em geral.

As palavras de S. Paulo foram escritas num tempo em que as mulheres eram consideradas inferiores aos homens. Mas os tempos mudaram. Porque é que, hoje em dia, a Igreja católica ainda proclama leituras das Escrituras que suportam um entendimento das mulheres como submissas? (…)

Se se ler todo o terceiro capítulo da carta aos Colossenses, observar-se-á que contém instruções para os escravos, dizendo: «Escravos, obedeçam em tudo aos vossos mestres humanos» (3, 22). Não ouvimos esta parte proclamada no ambão porque não está incluída no lecionário. Se a ouvíssemos, reconheceríamos que a leitura está desatualizada. Poderíamos objetar ao percebermos que a Igreja estaria a aceitar a escravidão quando se proclamasse um trecho da Escritura que diz aos escravos como se hão de comportar.

Então por que é que o lecionário inclui partes das Escrituras sobre esposas que também estão desatualizadas e são objetáveis?

A submissão das mulheres no contexto do casamento é inconsistente com o ensino da Igreja e a prática pastoral. O Catecismo da Igreja católica refere-se ao casamento como uma parceria entre um homem e uma mulher e fala de amor mútuo (1602, 1604). A bênção nupcial lida durante o sacramento do Matrimónio reza: «Confie nela o coração do seu marido, honrando-a como companheira igual em dignidade».

O papa Francisco desenvolve ainda mais esta mensagem de amor mútuo. Na sua exortação apostólica Amoris laetitia refere-se ao amor conjugal como «uma união que tem todas as características duma boa amizade: busca do bem do outro, reciprocidade, intimidade, ternura, estabilidade e uma semelhança entre os amigos que se vai construindo com a vida partilhada». No casamento «partilha-se tudo (…) sempre no mútuo respeito».

Expandindo até à noção de amor matrimonial, escreve Francisco: «O amor confia, deixa em liberdade, renuncia a controlar tudo, a possuir, a dominar. Esta liberdade, que possibilita espaços de autonomia, (…) consente que a relação se enriqueça».

Neste género de amor não há lugar para a submissão.

A compreensão que o papa tem do amor como uma força que não controla, possui ou domina é uma mensagem extremamente necessária na Igreja e na sociedade hoje. Este género de amor no contexto do casamento apoia a igualdade entre os cônjuges e encoraja o crescimento individualmente e em conjunto. Este género de amor que enriquece e expande os relacionamentos promove a cura e assegura o poder de transformar.

Temos um longo caminho a percorrer para mudar a nossa cultura de uma onde em que a má conduta sexual contra as mulheres é generalizada e tolerada para uma cultura em que as mulheres são tratadas com dignidade e respeito. A Igreja tem um papel importante a desempenhar na realização desta transformação. Podemos dar um passo simples e no entanto substancial nessa direção ao não proclamar textos da Escritura que submetem as mulheres. Melhor ainda, vamos remover completamente esses textos dos nossos lecionários.

Acabou o tempo.

Nancy Small In National Catholic Reporter
Tradução e edição: SNPC

domingo, 3 de dezembro de 2017

A nudez do pai

Robert Sherer
A Bíblia, uma história de família

"Noé, cultivador da terra, começou a plantar uma vinha. Tendo bebido o vinho, embriagou-se e despiu-se dentro da tenda. Evocamos esta passagem do capítulo 9 do Génesis não tanto pelo tema, difundido em todas as culturas mediterrânicas, do vinho, elemento que por natureza é ambíguo, capaz de «alegrar o coração do homem» (Salmo 104, 15), mas também causa de degeneração (leia-se o irónico excerto de Provérbios 23, 29-35).

Em vez disso, fixaremos a atenção na continuidade da narração. Observa-se que «Cam [um dos três filhos de Noé: Sem, Cam, Iafet], o pai de Canaã, ao ver a nudez do pai, saiu a contar o sucedido aos seus dois irmãos», que estavam fora da tenda onde o pai embriagado jazia nu (9, 22). Provavelmente quer-se condenar a falta de respeito de Cam ao chefe da família. O Génesis já mostrou, até este ponto, a rutura, devida ao pecado, das relações entre homem e mulher no casal, entre irmão e irmão (Caim e Abel) entre o homem e Deus.

Agora é atingida outra relação, entre filho e pai, que é fundamental no interior da estrutura social, tanto mais que é protegida inclusivamente por um mandamento do Decálogo, acompanhado de uma bênção: «Honra o teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias sobre a terra que o Senhor, teu Deus, te dá» (Êxodo 20, 12).

A relação intergeracional é um tema vivo nas culturas de todos os tempos. Pensemos nos muitos conselhos do livro dos Provérbios, onde entra em cena o pai-mestre na relação com o filho-discípulo. É um argumento que está também na origem de êxitos literários modernos, como, por exemplo, o romance "Pais e filhos" (1862), do escritor russo Ivan S. Turgenev, em que se representa toda a complexidade e dramatismo de uma relação que não é meramente genética, mas também social, psicológica, espiritual.

É também esta relação que esteve em foco na psicanálise, com os vários "complexos" freudianos; e na memória de muitos está presente o livro parcialmente autobiográfico de Gavino Ledda, "Padre padrone" (1975), transformado em incisivo filme pelos irmãos Taviani em 1977. Nele se delineia uma questão delicada e complexa, que se agudizou nos nossos dias na denominada «geração sem pais» e na geração de filhos rebeldes. A tudo isto se une a situação do idoso, da sua crise física, do seu isolamento social, da sua devastação espiritual, à semelhança do que acontece na cena de Noé e dos seus filhos.

A este propósito, concluamos com um dado: Sem e Iafet comportam-se de maneira diferente, recobrindo o pai sem olhar para a sua nudez, respeitando assim a sua pessoa, não obstante a degradação a que tinha chegado. Cam é o único a ser condenado, sobretudo através de Canaã, seu filho: aos olhos dos judeus, Canaã era a população autóctone da Terra Santa a eles hostil. Por isso não estamos apenas perante um juízo moral, mas também diante de um elemento de autodefesa e de polémica religiosa contra a idolatria praticada por aquele povo."

Card. Gianfranco Ravasi, Biblista, presidente do Pontifício Conselho da Cultura In "Famiglia cristiana"
Tradução e edição de Rui Jorge Martins publicada pelo SNPC a 14 de janeiro de 2015

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Falando de família...

Excerto da homilia do Pe Tolentino no dia de abertura do Sínodo dos Bispos

(...)
Nós sabemos como este Sínodo é uma segunda etapa deste acontecimento que o Papa Francisco quis promover para aprofundar a teologia da família, o significado da família no mundo contemporâneo, e para pensar no interior da Igreja o que é a beleza da missão da própria família, ao mesmo tempo meditando sobre o modo como a Igreja há de exercer o seu ministério da misericórdia sobre as feridas, as vulnerabilidades, as fragilidades da própria família.

Ainda ontem o Santo Padre, na vigília na Praça de S. Pedro, dizia precisamente isso: “Este Sínodo é, por um lado, para todos termos mais claro a beleza da família. O que significa a família, a sua importância na história de cada um de nós, no futuro da Humanidade. A família é um laboratório do nosso futuro. Por isso a família tem de ser redescoberta, a família tem de ser celebrada na sua vocação e na sua missão. E ao mesmo tempo, termos uma atenção misericordiosa para com as fragilidades da família, as vulnerabilidades da família.”


(...) É preciso ir ao encontro das vidas feridas, é preciso ir ao encontro com misericórdia. Nós sabemos que hoje a realidade, o fenómeno, a experiência, a condição da homossexualidade feminina e masculina ganhou nas nossas sociedades uma visibilidade que nós não podemos ignorar. As pessoas têm de viver e temos de escutar a voz das pessoas, temos de escutar o que elas vivem e temos de aprender, temos de acolher e temos de aprender, fazer um caminho com as pessoas. Porque, no fundo, nós muitas vezes pomos o dedo: “Este é este, aquela é aquela.” E nós ignoramos tanto da vida dos outros, do sofrimento dos outros… A verdade é que muitas vezes impomos cargas aos ombros dos outros que nós nem com um dedo as levamos.

Nesse sentido, temos de fazer silêncio e escutar. A Igreja também precisa de escutar, também precisa de ouvir a voz daqueles que muitas vezes não têm voz no meio de nós, e encontrar formas de diálogo, de acompanhamento. Isso é tão importante.

Aqui, na nossa comunidade, há uma experiência de cristãos homossexuais que se reúnem para rezar uma vez por mês na nossa capela. É tão importante dar esse espaço para que as pessoas rezem as suas vidas, para que as pessoas se confrontem com a palavra de Deus de uma forma que não seja para as julgar, para as condenar à partida. Mas, pelo contrário, para dizer que os homossexuais são nossos filhos, são nossos irmãos, são nossos amigos, são nossos companheiros de trabalho, são cristãos como nós, estão na nossa comunidade. Nós temos de encontrar um modelo pastoral, porque também é disso que se trata. Temos de encontrar um modelo pastoral onde a integração seja uma realidade mais vivida, e este ministério da compaixão que Jesus Cristo confia à Igreja seja um ministério praticado por todos nós.

Vamos por isso rezar ao Senhor, é uma hora muito importante da vida da Igreja este mês de outubro, não é um mês qualquer, é um mês importante, jogam-se coisas decisivas. O Santo Padre pediu aos bispos para falarem com liberdade. A palavra grega é uma palavra que vem muito no Cristianismo, que é “parrésia”. “Falem com parrésia”, isto é, falem com desassombro, falem com abertura, falem com verdade, digam o que pensam. Foi isso que o Santo Padre pediu aos bispos, aqueles 270 que estão ali, e pede à Igreja. Falemos com esta abertura, com esta simplicidade, com esta verdade para encontrarmos um caminho comum que tem de ser o caminho da comunhão.

Pe José Tolentino Mendonça

Excerto da homilia do papa Francisco, missa de abertura do sínodo dos bispos 2015

Igreja: chamada a não apontar o dedo para julgar

O papa afirmou hoje, no Vaticano, que a Igreja é chamada a viver a sua missão na caridade que não aponta o dedo para julgar os outros, mas, fiel à sua natureza de mãe, sente-se no dever de procurar e cuidar dos casais feridos com o óleo da aceitação e da misericórdia».

Na missa de inauguração do Sínodo dos Bispos, dedicado à família, que decorre no Vaticano até 25 de outubro, Francisco vincou que a Igreja deve ser «capaz de tirar da solidão, sem esquecer a sua missão de bom samaritano da humanidade ferida», e tendo sempre presente que «o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado».

Na homilia, perante os cardeais, bispos, padres e leigos que participarão no Sínodo, Francisco citou o papa S. João Paulo II, para quem «o erro e o mal devem sempre ser condenados e combatidos, mas o homem que cai ou que erra deve ser compreendido e amado».

«Uma Igreja com as portas fechadas atraiçoa-se a si mesma e à sua missão e, em vez de ser ponte, torna-se uma barreira», assinalou Francisco.


por Rui Jorge Martins a 4 de Outubro de 2015 in SNPC

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Conclusões preliminares do Sínodo dos bispos sobre a Família (parte 2)

A tradução para português já se encontra disponível no site do Vaticano. Passo a citar os pontos referentes aos homossexuais:

Acolher as pessoas homossexuais

50. As pessoas homossexuais têm dotes e qualidades para oferecer à comunidade cristã: somos capazes de acolher estas pessoas, garantindo-lhes um espaço de fraternidade nas nossas comunidades? Muitas vezes elas desejam encontrar uma Igreja que seja casa acolhedora. As nossas comunidades são capazes de o ser, aceitando e avaliando a sua orientação sexual, sem comprometer a doutrina católica acerca de família e matrimónio?

51. A questão homossexual interpela-nos a uma séria reflexão acerca do modo como elaborar caminhos realistas de crescimento afectivo e de maturidade humana e evangélica, integrando a dimensão sexual: apresenta-se portanto como um desafio educativo importante. No entanto, a Igreja afirma que as uniões entre pessoas do mesmo sexo não podem ser equiparadas ao matrimónio entre homem e mulher. Nem sequer é aceitável que se queiram exercer pressões sobre a atitude dos pastores ou que organismos internacionais condicionem ajudas financeiras para a introdução de normativas inspiradas na ideologia do gender.


52. Sem negar as problemáticas morais ligadas às uniões homossexuais, tomamos consciência de que há casos nos quais o apoio recíproco até ao sacrifício constitui um apoio precioso para a vida dos parceiros. Além disso, a Igreja dedica atenção especial às crianças que vivem com casais do mesmo sexo, reafirmando que devem ser sempre postas em primeiro lugar as exigências e os direitos dos filhos.

(Ler na íntegra aqui)


Alguns comentários a estas conclusões

As conclusões preliminares referentes à primeira parte do Sínodo dos bispos, realizado no Vaticano no passado mês de Outubro e a continuar no próximo ano, trouxeram algumas novidades e abordagens diferentes em vários temas relacionados com a sociedade e a família. Muitas dioceses em todo o mundo, incluindo o patriarcado de Lisboa, vão realizar sínodos locais, onde estes mesmos temas serão abordados, discutidos e aprofundados nas paróquias, movimentos e grupos, para que os bispos locais se inteirem das reflexões dos fiéis (leigos e consagrados) e possam, de alguma forma, serem seus porta-vozes no Sínodo a realizar em Roma.

Parece-me que esta é uma oportunidade rara e histórica para a Igreja. Desejo que esta possibilidade de escuta e de um maior conhecimento das realidades tão plurais da Igreja não seja desperdiçada.

No que diz respeito aos homossexuais, o relatório contém um curto capítulo, a que dá o nome de: Acolher as pessoas homossexuais. O número 50 é efectivamente inesperado – nele encontramos alguns aspectos nunca antes referidos em nenhum documento oficial da Igreja. Perante a afirmação “As pessoas homossexuais têm dotes e qualidades para oferecer à comunidade cristã”, coloca-se a questão: “somos capazes de acolher estas pessoas, garantindo-lhes um espaço de fraternidade nas nossas comunidades?”  O documento continua: “Muitas vezes elas desejam encontrar uma Igreja que seja casa acolhedora. As nossas comunidades são capazes de o ser, aceitando e avaliando a sua orientação sexual, sem comprometer a doutrina católica acerca de família e matrimónio?”

É realmente espantoso ver esta nova abordagem que fala em aceitar a orientação sexual. Acredito que a vontade do Papa Francisco seria em não haver tantos “Mas” e “Ses”, no entanto, temo que haja ainda demasiados bispos ordenados por João Paulo II ou por Bento XVI que não irão na mesma linha de pensamento. O meu receio prende-se a pequenos aspectos que teimam em aparecer no texto, como se fossem almas penadas: o que se entende por “avaliar a sua orientação sexual” e o que quer dizer exactamente “sem comprometer a doutrina católica acerca de família e matrimónio”?

O número seguinte começa por outra afirmação surpreendente “A questão homossexual interpela-nos a uma séria reflexão acerca do modo como elaborar caminhos realistas de crescimento afectivo e de maturidade humana e evangélica, integrando a dimensão sexual: apresenta-se portanto como um desafio educativo importante”. E tão surpreendente é esta parte do parágrafo, quanto o contraste absoluto com o que vem depois: “No entanto, a Igreja afirma que as uniões entre pessoas do mesmo sexo não podem ser equiparadas ao matrimónio entre homem e mulher.” Fica-me a questão: porque houve a necessidade de voltar ao velho discurso, qual criança caprichosa que já não sabe porque teima?

Igualmente incompreensível é a sequência de ideias que se segue, que parece não ter qualquer cabimento na lógica do discurso e que, de tão abstracta, não é inteligível qualquer ligação com o mundo real: “Nem sequer é aceitável que se queiram exercer pressões sobre a atitude dos pastores ou que organismos internacionais condicionem ajudas financeiras para a introdução de normativas inspiradas na ideologia do gender.” Será que é uma tentativa de denúncia do lobby-gay no Vaticano? Mas, se for este o caso, o ataque teria de se dirigir ao ambiente propício à homofobia, à misoginia e à omissão de qualquer acompanhamento sério psicológico (não digo espiritual) vigente em muitos dos seminários diocesanos.

O último ponto volta a começar por um tom mais positivo: “Sem negar as problemáticas morais ligadas às uniões homossexuais, tomamos consciência de que há casos nos quais o apoio recíproco até ao sacrifício constitui um apoio precioso para a vida dos parceiros.” E continua: “Além disso, a Igreja dedica atenção especial às crianças que vivem com casais do mesmo sexo, reafirmando que devem ser sempre postas em primeiro lugar as exigências e os direitos dos filhos.” E é aqui que volta a minha desconfiança: é verdade que a Igreja não soube, durante muito tempo, o que fazer com essas crianças cujos pais “viviam em pecado”. Assim, por um lado, nota-se aqui uma directiva que promove a integração das crianças na comunidade paroquial.

Mas necessitam estas crianças de uma atenção “especial”? Parece-me que deviam receber a mesma atenção (chamemos-lhe especial) que qualquer ser humano tem o direito de receber. E qualquer filho tem o direito de viver com os seus pais, mães, pai e/ou mãe sem que outros lhe andem a chatear o juízo... E, já agora, só faltava manipular e interferir nas exigências dos filhos? (que exigências???)

Carta aos bispos

No passado mês de Novembro, várias associações homossexuais católicas reuniram num 1º Congresso Mundial que ocorreu no Algarve. Fruto deste congresso surgiu uma carta/documento que procura formular algumas reflexões que ajudem os bispos a abordar certos temas ligados aos católicos homossexuais, tanto ao longo deste ano, como no Sínodo dedicado ao tema da Família - que ocorrerá novamente em Outubro do próximo ano.
Partilho com os leitores do blog o conteúdo da carta, que se encontra igualmente nos documentos em destaque do moradasdedeus (logo abaixo do cabeçalho)

Para ler a Carta, clicar no link abaixo:
Carta ao Sínodo dos bispos (Organização Mundial das Associações Homossexuais Católicas)

Para ler mais sobre o assunto:
conclusões preliminares do sinodo dos bispos

domingo, 26 de outubro de 2014

Conclusões preliminares do Sínodo dos bispos sobre a família

Não invalidando a leitura do documento na íntegra, aqui seguem os itens que dizem especificamente respeito ao acolhimento (ou falta de) dos homossexuais na Igreja. É minha impressão ou é uma no cravo a outra na ferradura? A amarelo sublinhei o que me parecem ser novas abordagens...


Providing for homosexual persons
   
50. Homosexuals have gifts and qualities to offer to the Christian community. Are we capable of providing for these people, guaranteeing [...] them [...] a place of fellowship in our communities? Oftentimes, they want to encounter a Church which offers them a welcoming home. Are our communities capable of this, accepting and valuing their sexual orientation, without compromising Catholic doctrine on the family and matrimony?

51. The question of homosexuality requires serious reflection on how to devise realistic approaches to affective growth, human development and maturation in the Gospel, while integrating the sexual aspect, all of which constitute an important educative challenge. Moreover, the Church affirms that unions between people of the same sex cannot be considered on the same level as marriage between man and woman. Nor is it acceptable that the pastor’s outlook be pressured or that international bodies make financial aid dependent on the introduction of regulations based on gender ideology.

52. Without denying the moral problems associated with homosexual unions, there are instances where mutual assistance to the point of sacrifice is a valuable support in the life of these persons. Furthermore, the Church pays special attention to [...] children who live with same-sex couples and stresses that the needs and rights of the little ones must always be given priority.

Ler mais sobre o assunto:
verão portuguesa e comentário em conclusões preliminares do sinodo dos bispos (parte 2)
documento integral em português em sínodo 2014

domingo, 24 de novembro de 2013

Inquérito sobre questões ligadas à família

Queridos leitores do moradasdedeus,

Como preparação para o Sínodo da Família de 5 a 19 de Outubro de 2014, o Papa pediu que se fizesse um inquérito aos católicos de todo o mundo sobre questões relacionadas com a Família. Evidentemente, não é uma votação: é uma consulta importante. 

Parece-me que vivemos algo de verdadeiramente único na história da Igreja e parace-me igualmente essencial que todos contribuamos e não deleguemos esta responsabilidade aos outros, porque também somos Igreja e porque somos cristãos que sentimos na pele e na primeira pessoa espinhos e sofrimentos ligados a estas reflexões e a outras.

Esta é uma iniciativa inédita, na linha de uma Igreja mais participativa. Responde-se online no seguinte link: http://familia.patriarcado-lisboa.pt/sinodofamilia.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

O Papa quer conhecer a opinião dos fiéis: uma sondagem inédita

esta notícia foi retirada do jornal da diocese de Angra, nos Açores, por esta razão há algumas questões abordadas que têm a ver com a região em causa:

O Vaticano faz uma sondagem alargada sobre as principais questões ligadas à família e casamento: divórcio, casais do mesmo sexo… - opinião de uma diocese dos Açores

A consulta alargada às comunidades católicas dos cinco continentes, sobre as principais questões ligadas à família e ao casamento, com vista à preparação do Sínodo sobre a Família, em Outubro do próximo ano, vai merecer “um grande acolhimento e empenhamento” por parte da Diocese de Angra .

Em declarações ao Portal da Diocese, o responsável diocesano pela Pastoral da Família assegura que se trata de um momento “muito importante” no qual a Igreja revela “uma vez mais a sua atenção às problemáticas da sociedade” e que “está disponível para procurar novas soluções pastorais para novos problemas”.

José Constância diz que o documento preparatório enviado pelo Vaticano “é muito abrangente, inédito e atual” ao abordar questões como as uniões de facto, as uniões entre pessoas do mesmo sexo e a educação de crianças no seio de famílias desavindas , entre outras, mas é igualmente “inovador” na forma como a Santa Sé está a organizar este Sínodo em dois andamentos: primeiro uma Assembleia Geral e extraordinária em 2014, destinada a especificar “o estado da questão” e depois, em 2015, uma segunda Assembleia Geral, desta vez ordinária, com vista à definição de linhas de ação concretas da Pastoral da Pessoa e da Família.

“Isto mostra que a Igreja foi célere na identificação do problema mas quer ser prudente e abrangente no discernimento para fazer opções seguras” afirma José Constância para quem o questionário enviado é “muito pertinente”, revela “um enorme sentido pedagógico” e requer “respostas muito concretas à luz da doutrina da Igreja”.

No fundo, conclui, “trata-se de um questionário para ajudar a definir as linhas pastorais que possam ir de encontro às novas realidades da famíli , integrando-as na pastoral, sem desvirtuamento daquilo que é a doutrina da Igreja”, sempre numa perspetiva de “inclusão”.

Para levar por diante o processo de consulta foi dirigido um convite às dioceses para que “difundam o documento [preparatório] nos decanatos [divisões eclesiásticas das Igrejas de tradição oriental] e nas paróquias”, como adiantou esta manhã em conferência de imprensa, o responsável pela preparação do Sínodo de 2014, que vai ser dedicado aos ‘desafios pastorais da família no contexto da evangelização’.

A Secretaria Geral do Sínodo pediu que as respostas ao inquérito sejam enviadas à Santa Sé até ao final de janeiro de 2014, altura em que serão analisadas a fim de se elaborar o “instrumento de trabalho” da 3ª assembleia sinodal extraordinária.

D. Lorenzo Baldisseri destacou que a “crise social e espiritual” do mundo atual tem impacto sobre as famílias e provoca uma “verdadeira urgência pastoral”.

No encontro com os jornalistas, o relator geral do próximo Sínodo extraordinário dos Bispos, cardeal Péter Erdo, aludiu aos desafios levantados pelo “individualismo” que colocam em causa “a solidariedade entre as gerações”.

“A família surge como instituição fundamental da sociedade humana, ligada com a própria ordem da criação”, declarou o arcebispo de Budapeste (Hungria) e presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa.

Segundo este responsável, não se pode “recusar” o matrimónio na Igreja, por causa de “pouca religiosidade” ou falta de “fé religiosa”, aos noivos católicos que o desejem celebrar.

O relator geral destacou o aumento dos casais que vivem sem matrimónio religioso ou civil, explicando ainda que as questões colocadas no final do documento de preparação do Sínodo de 2014 procuram “abrir o horizonte para o reconhecimento do facto de que a família é um verdadeiro dom do Criador à humanidade”.

D. Bruno Forte, arcebispo de Chieti-Vasto (Itália), secretário especial da próxima assembleia sinodal, destacou por sua vez a intenção manifestada pelo Papa Francisco de “valorizar a colegialidade episcopal”, visível na participação pessoal nos trabalhos do último conselho ordinário do Sínodo, a 7 e 8 de outubro.

Para o prelado, o Papa quer promover uma “escuta ampla e profunda da vida da Igreja”, para chegar junto das “famílias laceradas e de quantos vivem em situações irregulares, do ponto de vista moral e canónico”, com “atenção, acolhimento e misericórdia”.

O Sínodo dos Bispos pode ser definido, em termos gerais, como uma assembleia consultiva de representantes dos episcopados católicos de todo o mundo, a que se juntam peritos e outros convidados, com a tarefa de ajudar o Papa no governo da Igreja.

por Carmo Rodeia/Ecclesia

domingo, 27 de outubro de 2013

Carta a um leitor anónimo e solitário

No ano passado recebi um e-mail de um leitor que terá criado uma conta com nome fictício para se sentir mais confortável e mais protegido. Demorei algumas semanas a responder e, quando o fiz, o mail nunca foi entregue - provavelmente a conta foi fechada. Mas como penso que a história contada (fictícia mas com muitos traços de realidade) e a resposta dada possa ser útil a algum leitor, tomo a liberdade de as transcrever para o corpo desta mensagem de moradasdedeus:

Mensagem recebida de um leitor gay católico não assumido

Olá! Estive a fazer umas pesquisas na internet e descobri o teu blogue, que me chamou a atenção.

Confesso que não li muitos posts (até porque eram grandes) mas o que me me fez escrever este e-mail foi a vontade de ouvir e ter contacto com alguém que vai perceber o sofrimento enorme que tenho sentido!

Eu também sou gay (não assumido) e católico. Tenho 25 anos e sou formado em Direito.
Nasci numa família extremamente conservadora (de quem gosto muito) e a maior parte dos meus amigos - ou pelo menos aqueles com quem tenho amizades mais profundas - também são católicos activos e empenhados. 

A minha experiência de fé está muito ligada à espiritualidade Inaciana (aos Jesuítas) que, dentro da Igreja, acabam por ser bastante abertos. Ainda assim, e apesar de me ter sentido sempre acolhido pelos padres com quem falei, estou numa tristeza enorme por ser gay. Sinto-me completamente inferiorizado, tenho pena de ser assim e, no fundo, adorava ter uma família e filhos.

Ultimamente, por sugestão do meu orientador espiritual, tenho procurado, em oração contemplar o olhar amoroso de Deus para mim, gay... E não consigo. Sinto que este é um ponto na minha vida que correu mal. Que deu para o torto. E Deus, que me ama no todo, não ama especificamente essa minha vertente. Eu sei que isto não faz muito sentido. O padre que me orienta até se esforça por me convencer que não existe qualquer fundamento para isso mas eu não consigo avançar na oração.

Também em casa e entre os amigos me sinto sempre inferior. Fico completamente destruído pelas piadas homofóbicas e fico de rastos com a possibilidade de haver suspeitas de que eu sou gay. Este ano especificamente, em que muitos dos meus amigos se vão casar, cada vez que os vejo juntos e felizes fico ainda mais triste com a minha solidão (embora fique feliz por eles).

Por outro lado, não me identifico nada com o mundo gay... as paradas e desfiles, as noites de engate, as bichas histéricas, etc. "A minha cena" é diferente. Acredito em compromisso, em relações profundas e difíceis. Acredito no verdadeiro amor, no que dá trabalho, no que pede investimento e entrega.

Ponto de situação - sinto-me completamente só! Parece que tenho um ácido que me vai destruindo. Tenho imensa pena de não ter uma doença grave, que me faça durar pouco. Ou então de não ter coragem (e pouco respeito pela vida) para me poder suicidar.

Enfim...
Não sei muito bem porque é que te estou a escrever. A verdade é que dificilmente me poderás ajudar, tanto mais que nem me conheces. De qualquer maneira, se tiveres tempo e vontade responde.
Um abraço.

P.S. - Desculpa mas toda a minha identificação é fictícia. Criei este e-mail para poder expressar livremente a minha condição.

Resposta ao leitor

Olá!
Aproveito estes momentos mais tranquilos para responder calmamente ao teu mail.

Antes de mais quero dizer-te que fico muito feliz por teres chegado ao blogue e ainda mais feliz por teres encontrado a coragem de escrever a mensagem. Sinto-me muito privilegiado quando vejo que, de alguma forma, o blogue vai cumprindo a sua primeira vocação: o ser útil a alguém e fazer com que esse alguém compreenda que não está só e não é um caso isolado. E, por essa razão, quero reafirmar-te a minha disponibilidade para te escutar e, se quiseres, para partilhar contigo a minha experiência pessoal e a minha experiência enquanto pessoa que já conheceu muita gente que vive um conflito interior entre a sua condição (homossexual) e a sua fé ou educação, que é muito doloroso e até pode ser muito destrutivo.

O blogue já tem algum tempo, e comecei-o depois de aceitar plenamente a minha homossexualidade e de ter falado com os meus pais e algumas pessoas que me eram mais próximas. Tenho a sorte de ter uma fé bem alicerçada e de ter trabalhado com relativa facilidade o possível conflito entre a minha orientação sexual e a religião. Outras questões foram bem mais morosas e difíceis. Mas não me quero desviar do teu mail. Estava a falar-te do blogue. É verdade que alguns posts são grandes, e não te aconselho a ler o blogue de fio a pavio. Mas quando tiveres questões ou assuntos que te interessem de um modo particular, no fim da primeira página tens uma série de palavras-chave, que te podem conduzir mais directamente ao tema do teu interesse. Outra forma é ires ao historial do blogue e escolheres pelos títulos.

Adiante.
Falaste-me da tua família, dos teus amigos, da espiritualidade com que te identificas mais. Deixa-me dizer-te que tens sorte por teres uma família que amas, e nada disso vai mudar, independentemente do futuro. E tens sorte também por te identificares com a espiritualidade inaciana, que é uma lufada de ar fresco no mofo da Igreja em Portugal (ainda muito conservadora e hierarquizada). Os Jesuítas são homens muito abertos à sociedade onde vivem. São pessoas habituadas a escutar e a ir ao encontro das pessoas e são pessoas normalmente inteligentes e com espírito crítico, sem grandes preconceitos e sem medos (o conhecimento normalmente afasta o receio cego). Tens um director espiritual que te escuta, e isso é extraordinário. É frequente haver directores espirituais que são um pouco manipuladores, e o teu não parece ser. Escolheste ter um director espiritual: se estás contente com o "trabalho" que estão a fazer em conjunto, aconselho-te vivamente a confiares nele.

Quanto à tua tristeza, posso compreendê-la perfeitamente: quem não desejaria ser heterossexual, quem não desejaria ter uma vida mais fácil, uma relação mais socialmente integrada e aceite? Sobretudo quando se deseja ter uma família e filhos...

Também eu passei anos a negar, a querer construir algo que no meu íntimo sabia não ser capaz de construir... Mas sabes, agora já não me sinto tão triste. Não pelo facto de ser gay; às vezes sim pela dificuldade de encontrar alguém com quem possa construir uma relação duradoira. Ou até pela dificuldade de encontrar alguém de uma forma natural e de me apaixonar assim (apesar de não ter nada contra quem conheça pessoas pela net, continuo a acreditar que prefiro apaixonar-me por alguém que conheça na minha vida quotidiana).

Quanto ao descobrires o olhar amoroso de Deus, a mim também me parece fundamental. Achas que se Deus não te quisesse como és, tinha-te feito gay? Acreditas mesmo que Deus se anda a enganar ou a fazer experiências falhadas? Não, a tua vida não deu para o torto, nem vai dar! A vida é uma coisa maravilhosa e incompreensível, e também difícil e tortuosa, mas não teria piada nenhuma se não o fosse... Seria tépida e enjoativa e ninguém construiria nada com as suas vidas. Não haveria artistas, nem santos, nem ninguém lutaria por construir um mundo melhor - porque não acreditariam que fosse possível. Deus ama-te inteirinho. Deus até ama as coisas que nos parecem menos boas. Mas. acredita, ser gay não entra na categoria dos "defeitos" (até ao século passado achava-se que ser canhoto era defeito, assim como ser mulher). Se não fosses gay serias certamente menos sensível, menos atento ao sofrimento alheio. E daqui a uns tempos, quando te conseguires amar e aceitar inteiramente, verás que serás uma pessoa muito melhor e um ser humano mais completo - provavelmente, se não fosses gay, nunca terias de trabalhar isso.

Se em oração não consegues acreditar nesse olhar amoroso que Deus tem para ti, pede-lhe simplesmente perdão pela dificuldade de acolher esse Amor. Oferece-lhe a tua pobreza, o teu medo, a tua insegurança e a falta de amor (a ti mesmo). E podes oferecer-lhe mesmo isso, pois Deus está cheio de tudo de bom o que tens para dar. O que Ele quer mesmo é a tua fraqueza, pois isso Ele não tem, mas pode certamente transformar.

Quanto ao sentimento de seres inferior... Não és, e sabes disso! Ninguém é inferior a ninguém. Somos todos seres humanos. Jesus viveu com homens e mulheres pecadores, seres "inferiores". Não achas que Ele o fez por alguma razão? Achas que o facto de Ele ter morrido e ressuscitado por ti, não mudou nada na tua vida? Na minha mudou!

E os medos das suspeitas. É normal que os tenhas: tu ainda não trabalhaste em ti a aceitação. Como não ter receio que os outros não aceitem? Essa é uma fase seguinte: primeiro tens de acreditar (cabeça) e aceitar (coração) que o G (nome fictício do leitor) é homossexual, e que não há qualquer problema nisso. Depois, aos poucos, vais ficando menos tenso e menos na defensiva, e deixas de ter medo das "suspeitas".

Conheço um rapaz homossexual, que dizia saber desde sempre que era homossexual. Ele não queria nada parecê-lo, e tentava sempre manter uma postura impecável mas muito rígida e inflexível. Uma vez disse-lhe que sempre soube que ele era gay. Ele ficou espantado, perguntou-me se se notava (com receio que algum trejeito o tivesse revelado). Eu disse-lhe para ele não ter receio, pois não era disso que se tratava: era a sua rigidez e constante tensão. Como vês, às vezes o feitiço pode-se virar contra o feiticeiro. E outra coisa que te quero chamar a atenção - pois neste caso isso acontecia -, tens de prestar atenção se esse medo das suspeitas e a tua sensação quando contam piadas homofóbicas não tem a ver com a tua própria homofobia. Sim, podes crer que há muitos gays homofóbicos. E isso é um mecanismo natural de defesa (porque desejavas ser heterossexual, porque tens dificuldade em aceitares-te como és). Não te estou a acusar de nada - não te conheço -, nem te quero ofender, quero somente alertar-te para as "manhas" da nossa cabeça e para a complexidade de todo o processo da aceitação da nossa sexualidade.

A solidão é de facto um fardo pesado a carregar. Não se aplica somente aos homosexuais, mas a todo o ser humano. Mas não podemos confundir o estar sozinho com o estar só. Ao longo da minha vida tenho trabalhado essa questão. Gosto muito quando não estou sozinho, e desejo ter um companheiro de vida, mas acho que aprendi a nunca estar só. Há fases na minha vida em que estou sozinho - por exemplo agora - mas sinto que é importante aprender a estar bem sozinho. Só se está bem acompanhado se se sabe estar bem sozinho. Claro que isso parece um chavão mas, acredita, nos meus 35 anos de vida tem sido uma descoberta. Mas digo-te que também eu, por vezes, sinto a solidão.

O mundo gay com que não te identificas, também eu e a maioria dos gays que conheço não se identifica com ele. A tua "cena" é diferente da "cena cultural gay" mediatizada, mas é a mesma da maioria dos gays. Só que a sociedade faz com que andemos às escondidas, daí não ser fácil ter referências que consideres positivas, construtivas, com as quais te identifiques. Mas elas existem, e cabe-nos construí-las.

Ponto da situação: não estás só! Eu estou aqui, e há muita gente que não conheces que anda por aí. Não deixes que o teu coração escolha o caminho fácil (o do desespero, o de desejar morrer, o do suicidio). Também eu sonhei e pensei muitas vezes nisso. Mas amo demais a vida, e já "morri" uma vez. Aguento o sofrimento, sei disso. E tu também. O ser humano tem uma energia vital e uma capacidade de reconstrução espantosa. Tens uma vida para construir, do que estás à espera? Espero não te assustar com tantas palavras e - aparentemente - tantas certezas. Não o quero fazer, só te quero dar força e dizer-te que estou aqui. E dizer-te também que se quiseres falar de tudo isto estarei cá.

Abraço-te calorosamente, e estou mesmo aqui, para o que for preciso neste processo.
Rioazur

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Petição pública para a Legislação da Parentalidade por Casais do Mesmo Sexo em Portugal

Por que é importante legislar sobre a parentalidade por casais do mesmo sexo?

Em Portugal, se um dos cônjuges num casal do mesmo sexo - casado ou unido de facto - tiver adotado previamente uma criança ou, inclusive no seio da relação, recorrido à procriação medicamente assistida (PMA) no estrangeiro, o outro elemento não vê reconhecidos os seus direitos e deveres parentais, embora partilhe o projeto de parentalidade.

Esta desproteção das crianças criadas por casais do mesmo sexo decorre também de uma postura refletida nas leis em vigor, que procuram impedir a parentalidade por estes casais proibindo o recurso à PMA ou à adoção.

Esta situação discriminatória fere princípios constitucionais da República Portuguesa, nomeadamente o Princípio da Igualdade (art. 13º.) e o Direito a Constituir Família (art. 36º.). Urge por isso alterar a legislação em proteção destas crianças e debelar esta desigualdade na lei.
(...)

Para conhecer melhor e assinar esta petição, clique aqui

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

Este blogue também é teu

São benvindos os comentários, as perguntas, a partilha de reflexões e conhecimento, as ideias.

Envia o link do blogue a quem achas que poderá gostar e/ou precisar.

Se não te revês neste blogue, se estás em desacordo com tudo o que nele encontras, não és obrigado a lê-lo e eu não sou obrigado a publicar os teus comentários. Haverá certamente muitos outros sítios onde poderás fazê-lo.

Queres falar?

Podes escrever-me directamente para

rioazur@gmail.com

ou para

laioecrisipo@gmail.com (psicologia)


Nota: por vezes pode demorar algum tempo a responder ao teu mail: peço-te compreensão e paciência. A resposta chegará.

Os textos e as imagens

Os textos das mensagens deste blogue têm várias fontes. Alguns são resultados de pesquisas em sites, blogues ou páginas de informação na Internet. Outros são artigos de opinião do autor do blogue ou de algum dos seus colaboradores. Há ainda textos que são publicados por terem sido indicados por amigos ou por leitores do blogue. Muitos dos textos que servem de base às mensagens foram traduzidos, tendo por vezes sofrido cortes. Outros textos são adaptados, e a indicação dessa adaptação fará parte do corpo da mensagem. A maioria dos textos não está escrita segundo o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pelo facto do autor do blogue não o conhecer de forma aprofundada.

As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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