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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Um novo mapa no Vaticano

Papa Francisco revoluciona a geografia: Terceiro Mundo passou a ser o Primeiro

Com a lista dos novos cardeais divulgada este domingo (os primeiros do seu pontificado) e com o discurso ao Corpo Diplomático desta segunda-feira (também este pela primeira vez), o papa Francisco confirmou a sua maneira de entender a geografia.

Aquele que, com efeito, é comummente designado "Terceiro Mundo" é o primeiro nas suas atenções. E aquilo que para os outros é "periferia", encontra-se na realidade no centro do seu interesse pastoral, político (no sentido nobre da palavra) e humano.

Esta revolução geográfica é patente quer nas escolhas relativas ao Colégio Cardinalício, quer nas situações evidenciadas diante dos embaixadores de todo o mundo acreditados no Vaticano.

Assim, mesmo através destes atos que poderiam manifestar-se como institucionais, Francisco fala a linguagem que lhes é mais própria. Coloca diante dos olhos do mundo as situações mais frágeis e mais dolorosas, para que quem pode e deve ocupar-se delas, o faça verdadeiramente a todos os níveis.

Num certo sentido podemos dizer que o papa - ele que, como João Paulo II e Bento XVI, é profundamente mariano - recitou o seu pessoalíssimo Magnificat, especialmente no verso que diz «[Deus] exaltou os humildes».

Só assim se compreende a escolha de bispos de dioceses do Terceiro Mundo que nos seus países (como o Haiti e as Filipinas, por exemplo) nem sequer são aquelas consideradas mais importantes.

E só assim se compreende também o acento colocado, no discurso ao Corpo Diplomático, em temas basilares do magistério de Bergolgio, como a recusa da cultura do descartável, a defesa das crianças de pragas como o aborto, o tráfico ou o alistamento à força, ou a atenção sobre a necessário contribuição no interior da sociedade por parte dos jovens e idosos.

Dos discursos desta segunda-feira podemos igualmente extrair uma espécie de regra de ouro do pensamento do papa Francisco. Uma regra que vale tanto nas relações interpessoais como entre os Estados, e que o próprio pontífice formula nestes termos: a geografia do primeiro papa latino-americano da história é precisamente a geografia de quem não cessa de caminhar em direção ao outro, sobretudo se habita na periferia.

Quer seja a periferia de uma grande cidade, de uma nação ou de um continente (vejam-se, a este propósito, as análises dos focos de guerra e de miséria sobretudo em África, contidas no discurso aos embaixadores), isso para o papa não faz diferença.

O que Francisco leva mais a peito é que em toda à parte, graças à cultura do encontro, regresse a paz, da Síria à Coreia, do Egito aos Grandes Lagos. Paz não só como ausência de guerra, mas como autêntica fraternidade no interior da grande família humana. O único elemento verdadeiramente indispensável para repensar o cenário do mundo.

In Avvenire | Com SNPC
© SNPC (trad.) | 13.01.14

quarta-feira, 16 de março de 2011

Homossexualidade existia antes dos colonizadores

A homossexualidade é natural, diz ancião Maori (Nova Zelândia)

Para acabar de vez com as queixas de alguns Maori conservadores e religiosos que defendem que a homossexualidade não existia na Aotearoa / Nova Zelândia antes dos colonizadores, um ancião revela que o amor gay e lésbico sempre foi uma parte inata da vida Maori.

Falando em Maori, Piri Sciascia, que é vice-chanceler (maori), da Victoria University e um respeitado ancião, disse à multidão reunida para a abertura oficial dos segundos Out Games da região Ásia-Pacífico, que
o amor e dedicação ao próximo, quer entre homens, quer entre mulheres, e todas as outras variantes pelo meio sempre fizeram parte da vida Maori, desde Rangi - a mãe terra - e Papa - o pai do céu ".



Piri Sciascia reforçou no seu discurso que a parte mais importante é o "aroha", ou seja o amor. Segundo a organização dos Out Games é importante que todos os que não são Maori também ouçam esta mensagem. A história e tradição Maori não fazem nenhum julgamento de quem alguém deve ou não amar.

Os Maori são o povo nativo da Nova Zelândia conhecidos além das suas muitas tradições guerreiras, pelas visualmente inultrapassáveis tatuagens. Como muitos outros povos nativos, sofreram dramaticamente com a colonização europeia após o século XVIII.



Os Out Games de Wellington 2011 juntam representantes de 26 países em 16 modalidades e acontecem de 12 a 19 de Março. Além de actividades desportivas também há uma conferência de direitos humanos em paralelo e um diversificado programa cultural.


In  Portugalgay

Tornar audível o anúncio de Jesus Cristo: a Cultura é o novo templo e terra de missão

Cristianismo é «decisão» e diálogo cultural uma «imensa prioridade»
O cristianismo corre o risco de se reduzir «a uma dimensão ornamental» e «puramente sociológica», considera o padre José Tolentino Mendonça, acrescentando que o seguimento de Cristo «tem de ser fermento e vida, uma decisão e um caminho».

Em entrevista à Ecclesia, o diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura defende que o diálogo cultural é uma «imensa prioridade para a Igreja», que precisa de “tornar Jesus pertinente” para a sociedade atual.
«Há o perigo de termos uma coisa extraordinária, uma boa-nova para anunciar, mas ninguém nos querer ouvir. E nós próprios perdermos a capacidade de tornar o anúncio, audível», afirma.

«A cultura – prossegue – é o novo templo, é o novo espaço da missão, é o novo lugar do anúncio» por ser «tudo aquilo que torna a vida humana decisiva» e por constituir «o horizonte de felicidade que cada tempo procura».
À abundância de culturas e à pluralidade de leituras sobre Cristo, acrescenta-se a particularidade de cada pessoa, que vive «uma história única no seguimento de Jesus», motivo pelo qual a teologia tem vindo a valorizar a «biografia crente», ou seja, «a história de vida, o capital de experiência cristã» que cada fiel constrói e transporta.

Entre os itinerários de fé a que a Igreja é chamada a dar atenção encontram-se os dos «não praticantes», que devem ser olhados «não como um peso mas como um desafio»: «Os cristãos desativados não deixam de ser cristãos”, sublinha.

Depois de frisar que “o discipulado é a base de toda a procura cristã”, o biblista realça que o crescimento espiritual cristão implica “luta”, “resistência” e “desprendimento”, cuja exigência deve ser entendida dentro de uma perspetiva de “ternura” e “esperança”.

A Igreja à procura de Jesus
Para Tolentino Mendonça, a Igreja católica oferece uma imagem de Jesus que não é «imposta» mas «tateada», e «só a mística, a oração e o ambiente litúrgico da fé» são «capazes de a tocar».

O sacerdote madeirense salienta a variedade de representações cristãs existentes dentro desta procura: «A força e a autenticidade do cristianismo passam muito por uma diversidade de abordagens e perspetivas que se complementam».

«Há linhas permanentes na diversidade do modo como o cristianismo é vivido», o que, «antes de tudo», se deve traduzir em «colocar Jesus no centro», assinala o professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica, para quem é possível «falar de uma espiritualidade cristã, sabendo que ela é plural».

O responsável pelo diálogo da Igreja católica portuguesa com a cultura lembra que Jesus viveu no Oriente e que «o cristianismo é sempre uma realidade aberta», mesmo tendo em conta o «impacto» mundial da teologia concebida na Europa. O pensamento tradicional do Velho Continente «é muito positivista», «racional» e «limitado», pelo que é preciso aprender «outras modalidades de abordagem do mistério cristão», por exemplo através da observação da «vitalidade de algumas Igrejas na Ásia» e da leitura de «teólogos do continente africano e americano».

Tolentino Mendonça constata o «regresso à beleza e à estética para falar de Deus» e recorda as liturgias de África, em que as missas não estão limitadas a uma hora de duração e onde os ritos incluem o «gesto» e a «corporeidade», não se limitando a uma «celebração mental».

Rui Martins
In Agência Ecclesia / SNPC

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Relatório LGBT na Ásia que salvaguarda a diferença nas realidades culturais e sociais

Relatório inovador analisa realidade de LGBTs no Camboja

O Centro Cambojano de Direitos Humanos divulgou um relatório inovador no dia 9 de dezembro intitulado "Sair do armário no Reino: Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais no Camboja".

O relatório conclui que os cambojanos LGBT enfrentam desafios únicos, incluindo o ostracismo das suas famílias e comunidades, que muitas vezes leva a dificuldades económicas, bem como à discriminação por parte dos empregadores e autoridades.

O relatório argumenta que o conceito de homossexualidade do "Ocidente" não pode ser transferido directamente para o Camboja.

"A compreensão da sexualidade do Camboja vem do conceito de género, de caráter e de personalidade", diz. "O enfoque nesses traços de carácter e características visíveis exteriormente, em vez da orientação sexual, leva a que muitos cambojanos que são homossexuais não se identifiquem como tal."

Segundo o relatório o Budismo geralmente tolera a homossexualidade

"A homossexualidade, mesmo se vista como uma excentricidade, não atrai o tipo de reação agressiva como pode ser visto nas culturas cristã ou muçulmana", afirma. "O budismo em si não realça o valor do casamento ou da procriação. O casamento e a procriação são considerados positivos, se são baseados no amor e no respeito, mas podem ser considerados negativos se causam dor ou conflitos. Contudo, no Camboja, as pressões culturais, sociais e económicas ultrapassam os ensinamentos budistas sobre o casamento - os valores familiares são muito importantes e a pressão é enorme sobre os filhos e filhas para casarem e terem filhos".

"O comportamento sexual entre os jovens do sexo masculino é visto como experimentação inofensiva, desde que as mulheres permaneçam 'puras' até o casamento", afirma o relatório. "Uma indiscrição na juventude pode ser esquecida ou pode passar despercebida. É esperado que, eventualmente, os homens se casem e tenham filhos. Dado os papéis tradicionais de género, as mulheres têm menos capacidade de procurar relacionamentos com o mesmo género, comparadas aos homens homossexuais, seja em privado ou publicamente".

"O risco do ostracismo por uma rede de familiares próximos e as dificuldades económicas decorrentes da vida fora da rede familiar pode fazer com que as pessoas LGBT não vivam a vida que desejariam ou tenham de gerir as suas relações homossexuais em segredo", concluem os investigadores.

Um sentido de comunidade LGBT

No entanto, uma comunidade LGBT está a surgir no país. A celebração do "orgulho", que inclui workshops, filmes, exposições de arte e encontros sociais, começou em 2003. Quatrocentas pessoas participaram nos eventos em 2009.

Os organizadores do Orgulho formaram uma organização chamada RoCK para apoiar as pessoas LGBT e sensibilizar os cambojanos não-gay. A "cena" gay tem-se desenvolvido em Phnom Penh e Siem Reap.

E a "Internet tem permitido à população gay cambojana contacto com outros gays, aumentando assim sensibilização de uma comunidade LGBT mais abrangente, global e a possibilidade de interacção", pode ler-se no relatório.

A investigação, financiada pela Associação Sueca para Educação Sexual, pode ser descarregada em Inglês e em Khmer em http://www.cchrcambodia.org/.

por Rex Wockner, publicado em PortugalGay.PT, adaptação de rioazur
http://portugalgay.pt/news/211210A/cambodja:_relatorio_inovador_analisa_realidade_de_lgbts

Em país muçulmano: polémica com saída do armário no Youtube

John Dugdale
Homem assume-se gay no YouTube e gera controvérsia na Malásia

Um homem de 32 anos de idade gerou polémica ao ter a ousadia de se afirmar como homossexual no YouTube.

O vídeo teve mais de 100.000 visualizações e quase 3.000 comentários desde quarta-feira, a votação vai em mais de 500 que "não gostam" e 150 que "gostam".

São pouco mais de dois minutos onde Azwan Ismail, afima "tenho 32 anos de idade. Levei muito tempo para me conhecer, reconhecer em mim um gay e, finalmente, ousar afirmar que sou um gay para outras pessoas", e onde fala dos muitos problemas que encontrou até poder chegar a este ponto, focando-se especificamente sobre as questões religiosas e culturais do país. Mas a mensagem final é de esperança: as coisas podem melhorar e vão melhorar, no espírito da campanha "It Gets Better" lançada em inglês no YouTube há uns meses atrás.

Quem não achou piada foram as autoridades religiosas do país (6 em cada 10 malaios são Islâmicos), como o Mufti (estudioso da lei islâmica) do estado de Perak, Datuk Seri Harussani Zakaria, que afirmou "Dado que ele se identificou como sendo Muçulmano e Malaio, ele não deveria ter feito tal declaração. Na realidade ele envergonhou-se a si próprio e ao Islão em geral".

Veja o vídeo (com legendagem em inglês)
http://www.youtube.com/watch?v=SJLSteQIcms&feature=player_embedded

in PortugalGay.PT

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A bandeira toda nos calções

Bobby Yip/Reuters
Duas notícias aparentemente contraditórias, uma mesma polémica: o Crescente nos calções dos atletas de Singapura

Qualquer equipamento desportivo numa grande competição desportiva entre nações tem sempre as cores do país. É o que acontece com a equipa de pólo aquático de Singapura que compete nos jogos asiáticos na China. O vermelho e o branco está lá e o crescente com cinco estrelas, mas o uso deste símbolo do país nos justos calções dos atletas está a chocar as mentes mais conservadoras desta cidade-estado asiática.


O governo de Singapura, que controla todos os usos da bandeira nacional, diz que não sancionou o uso deste símbolo nacional nos calções, que têm o crescente e as estrelas na parte da frente. "Nojento" foi um dos adjectivos usados por um leitor do jornal "Straits Times". "O crescente devia ter ficado mais ao lado", lamentou um membro da federação de natação de Singapura. Para já, acrescenta, vão continuar a usar os mesmos calções, porque não têm outros.
 
in publico.pt
 
 
A equipa de pólo aquático de Singapura pediu desculpas pelos calções de banho que usou nos Jogos Asiáticos. É que a meia lua da bandeira situava-se numa zona dos calções considerada pouco apropriada.
 
O governo considerou o episódio “lamentável”, justificando que “os elementos da bandeira têm de ser tratados com dignidade”. “Lamentamos profundamente se ofendemos alguém. Não era nossa intenção insultar o país”, referiu o responsável da equipa Samuel Wong.
 
A meia lua da bandeira é uma referência à nação jovem e próspera e não tem qualquer ligação com a fé islâmica, já que a cidade-Estado é, maioritariamente, budista.
 
in dezanove.pt
http://dezanove.pt/2010/11/30/uns-calcoes-de-banho-muito-pouco-apropriados-5695

Prevenção difícil para os gays: não se pode acabar com a Sida sem acabar com a homofobia

Estudo revela que os gays não têm fácil acesso a preservativos, lubrificantes, testes e aconselhamento

Um novo estudo internacional com mais de 5.000 homens que têm sexo com homens (HSH) constatou que a maioria acha difícil ou impossível o acesso a testes de VIH e aconselhamento, preservativos e lubrificantes gratuitos.

A pesquisa - realizada pelo Fórum Global sobre HSH e HIV (MSMGF) e professor Patrick Wilson, da Universidade de Columbia Mailman School of Public Health, e paga pela Fundação Bill & Melinda Gates Foundation - sugere que menos da metade dos HSH em todo o mundo tem acesso à prevenção e serviços básicos.

Apenas 39 por cento relataram fácil acesso a preservativos gratuitos e apenas um em cada quatro relataram o acesso fácil ao lubrificante grátis. Um quarto disse que lubrificante grátis estava completamente indisponível.

Uma grande percentagem dos homens relataram que era difícil ou impossível o acesso a testes de VIH/SIDA (57 por cento), material de educação VIH (66 por cento) e tratamento de VIH (70 por cento).

A pesquisa foi realizada on-line em Chinês, Inglês, francês, russo e espanhol e distribuída através de redes globais de MSMGF e de Fridae.

"Desde o início da epidemia, tem sido amplamente reconhecido que os preservativos, lubrificantes, testes e tratamento, quando combinados com a mudança de comportamento de lideranças comunitárias e programas de apoio, são as ferramentas mais fiáveis na luta contra o VIH entre HSH", disse Ayala George, Director Executivo da MSMGF. "Passados 25 anos, é imperdoável que os HSH de todo o mundo continuem a ter acesso restrito a esses recursos básicos que salvam vidas."

O estudo também descobriu que os homens na África, Ásia, Caraíbas, Europa Oriental e América Latina apresentam níveis mais elevados e mais duras formas de estigma e discriminação homofóbica do que os homens na América do Norte, Europa Ocidental e Austrália.

"O estigma e a discriminação comprometem o acesso a programas de prevenção e tratamento, forçando os HSH à clandestinidade e longe dos serviços que necessitem", disse o co-presidente da MSMGF, Othman Mellouk. "Sem resolver o maior problema da homofobia, nós não teremos nenhuma esperança de acabar com o VIH/SIDA."

Rex Wockner para PortugalGay.PT
http://portugalgay.pt/news/131210B/sida:_estudo_conclui_que_os_gays_nao_conseguem_encontrar_preservativos_e_lubrificantes

domingo, 21 de novembro de 2010

Números da Sida no mundo

Flagelo em toda a África e a crescer no Leste e na Ásia

ONU diz que a situação está a estabilizar, mas número de infectados aumenta de forma descontrolada no continente africano e no Leste europeu e na Ásia Central


Anualmente mais de 2,7 milhões de pessoas são infectadas com o vírus da sida, sobretudo na África subsariana. Mas a epidemia está a estabilizar à escala global. Esta é uma das conclusões do último relatório publicado pela Organização Mundial de Saúde em conjunto com o programa de luta contra a sida das Nações Unidas. Quem combate o VIH em África acredita que uma maior abertura da Igreja quanto ao uso do preservativo pode fazer a diferença.

Segundo as Nações Unidas, políticas como o apoio a diferentes programas de sensibilização, o reforço de programas de tratamento, que aumentaram dez vezes nos últimos cinco anos, levaram a uma baixa da mortalidade em 18 por cento. Por outro lado, uma maior acessibilidade aos novos medicamentos prolonga a longevidade a cada vez mais infectados. Contudo, o impacto da crise económica está a prejudicar os programas de prevenção e de tratamento, pelo menos em 22 países de África, Caraíbas, Europa, Ásia e Pacífico.

Estima-se que na actualidade o número de pessoas com VIH esteja próximo dos 40 milhões. Uma em cada dez pessoas infectadas sabe que o está. Um de cada 100 adultos de idades entre os 15 e os 40 anos contraiu o vírus.

Desde o princípio da epidemia, 3,8 milhões de menores de 15 anos de idade terão ficado infectados pelo HIV e que 2,7 milhões já morreram com a doença. Mais de 90 por cento desses jovens contraíram o vírus através das mães seropositivas, antes ou durante o parto ou através do aleitamento materno. Mais de oito milhões de crianças perderam a sua mãe por causa da sida antes de cumprir os 15 anos, e muitos deles também perderam o pai. Este número quase se triplicará este ano.

A África do Sul é líder em portadores do vírus VIH no mundo, com 11,6% (5,7 milhões) da população (de 49 milhões) atingida. Em África a população atingida é de 22,4 milhões.

O padre Almiro Mendes esteve um ano na Guiné-Bissau e jamais esquecerá a tragédia que presenciou. "Em certas localidades 70 por cento da população está infectada", afirmou ao DN, acrescentando que as campanhas de sensibilização têm dado pouco resultado. Só no Hospital de Cumurra, de uma missão italiana, nesse ano, morreram 200 pessoas. "Agradado com a posição do Papa" acha no entanto que as campanhas têm poucos resultados devido a uma cultura que encara de forma diferente a sexualidade.

Para além de África, a preocupação das autoridades mundiais de saúde estão viradas para o Leste Europeu e para a Ásia Central, regiões do mundo onde o número de novas infecções com o vírus dispararam.

por Alfredo Teixeira in diário de notícias a 21 de Novembro de 2010
 
Ler no blogue
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/vida-nao-pode-ser-infectada-vida-nao.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/anuncio-do-papa-sobre-preservativos-e.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/papa-admite-excepcoes-no-uso.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/3-reaccoes-abertura-de-bento-xvi-ao-uso.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/as-novas-declaracoes-do-papa-em-relacao.html

sábado, 4 de setembro de 2010

Os números do preconceito

Em todo o mundo, centenas de pessoas são mortas todos os anos por causa da sua orientação sexual, apesar dos progressos feitos nalguns países, para eliminar o preconceito.

Um amplo estudo dos direitos mundiais de lésbicas, bissexuais e gays, divulgado pelo The Independent on Sunday [IoS, edição dominical do jornal The Independent], revela o preço enorme – e, em muitos casos, fatal – que as pessoas pagam em todo o mundo por causa da sua sexualidade. A pesquisa, realizada pela ILGA, mostra que 76 países ainda perseguem as pessoas com base em sua orientação sexual – sete dos quais punem os actos homossexuais com a morte.

Numa escala global, as nações que estão a fazer algo de positivo pelos direitos dos gays parecem poucas comparando com aquelas que se comportam negativamente. Enquanto 75 países irão prendê-lo se for gay, apenas 53 têm leis antidiscriminação que são aplicadas à sexualidade. Apenas 26 países reconhecem as uniões de mesmo sexo.

O Primeiro-Ministro britânico diz: "Sim, o Reino Unido é um líder mundial em igualdade de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros, mas não podemos ser complacentes. Enquanto houver pessoas lá fora se sentindo marginalizadas e ameaçadas, temos que continuar a combater o preconceito."

De acordo com o Stonewall, quase dois terços das jovens lésbicas, gays e bissexuais experimentam bullying homofóbico nas escolas da Grã-Bretanha.

O estudo da ILGA dos direitos mundiais dos homossexuais mostra que, noutros lugares, admitir ser gay ainda é uma questão de vida ou morte. Mais de 50% dos Estados africanos tomaram medidas para criminalizar a homossexualidade, e a homofobia religiosa é abundante. O quadro não é muito melhor na Ásia, onde 23 países tornaram o facto de ser gay um crime. A América Latina e as Caraíbas também acolhem muitos governos com uma visão semelhante. Na Jamaica, o sexo com outro homem é descrito no livro estatutário como um "crime abominável".

Widney Brown, da Amnistia Internacional, lista a África subsaariana, o Médio Oriente e a Europa oriental como as regiões que lhe dão as maiores preocupações em relação aos direitos dos homossexuais.

John Bosco Nyombi, de 39 anos, fugiu para o Reino Unido em 2001, porque ser gay no Uganda pode resultar em prisão perpétua. Mais de um gay preso foi morto enquanto cumpria pena nas prisões do Uganda.

Brown também alertou contra o facto das nações ocidentais se estarem a tornar complacentes. "Os EUA são o único país da NATO com uma proibição de se ser abertamente gay nas Forças Armadas".

Baseado na reportagem de Emily Dugan, traduzida por Moisés Sbardelotto.

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

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Os textos das mensagens deste blogue têm várias fontes. Alguns são resultados de pesquisas em sites, blogues ou páginas de informação na Internet. Outros são artigos de opinião do autor do blogue ou de algum dos seus colaboradores. Há ainda textos que são publicados por terem sido indicados por amigos ou por leitores do blogue. Muitos dos textos que servem de base às mensagens foram traduzidos, tendo por vezes sofrido cortes. Outros textos são adaptados, e a indicação dessa adaptação fará parte do corpo da mensagem. A maioria dos textos não está escrita segundo o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pelo facto do autor do blogue não o conhecer de forma aprofundada.

As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

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