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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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segunda-feira, 19 de março de 2018

Apolo e Ciparisso. Jacinto e Zéfiro

Os jovens amantes dos deuses e dos heróis mitológicos
parte V

Os Amores de Apolo

Apolo tornou-se o deus mais popular de toda a Grécia antiga. Era o deus protetor da arte, da luz, da medicina, entre várias designações. Era tido como o deus da beleza perfeita e ideal perseguida pelos gregos. A prática de desportos era uma tradição na Grécia antiga, tendo Apolo como o deus protetor. Nos ginásios desportivos, os atletas praticavam exercícios totalmente nus. Era na prática da ginástica que muitos romances nasciam entre homens.

O mito de Apolo descreve intensamente a prática da ginástica com os seus amantes, mostrando uma virilidade que se buscava nos corpos nus dos ginásios. Um dos famosos amores homossexuais do deus foi Ciparisso, filho de Telefo e Jacinta. Apolo venerava a beleza do seu amado, fazendo-se terno e apaixonado. Juntos praticavam a corrida e o arremesso de dardos. Os corpos nus e perfeitos dos amantes corriam ao sol por entre os bosques. Um dia Apolo presenteou o jovem amante com um cervo. Ciparisso apegou-se àquele animal, fazendo-o sagrado. Certa vez, ao jogar os dardos com Apolo, feriu, por acidente, mortalmente o cervo. Ciparisso ficou inconsolável, sendo acometido de uma tristeza profunda. Derramava lágrimas intensas pelo animal sagrado. Na sua infinita dor, pediu ao amante que permitisse as suas lágrimas para sempre, sem jamais esgotar o fluxo. Não podendo negar um pedido ao amante, Apolo transformou-o em uma árvore cuja resina formava gotículas de lágrimas no tronco, nascia o cipreste.

O amor homossexual mais famoso de Apolo foi o belo Jacinto. O deus disputou o amor do jovem com Zéfiro, o vento oeste. O deus do vento jamais aceitou ser preterido por Apolo. O deus da arte e o amante costumavam praticar ginásticas e outros jogos. O arremesso de disco era um dos jogos preferidos dos amantes. Numa dessas práticas, Apolo arremessava o disco aos céus com perfeição, sendo observado pelo amado. Quando Jacinto arremessou o disco, Zéfiro, em sinal de vingança, soprou-o na direção do jovem, atingindo-o no rosto, fazendo com que caísse morto sobre a relva, coberto de sangue. Ao ver a fatalidade que acontecera ao amado, Apolo ainda tentou ressuscitá-lo, mas já era tarde, Jacinto fora arrebatado ao hades. O seu belo rosto tinha sido destruído pela tragédia. Desesperado com a morte do amado, Apolo fez nascer do sangue derramado de Jacinto, uma flor púrpura, com cálice em forma de lírio. Em Esparta, cidade de Jacinto, foi instituída uma festa e jogos em seu louvor, as Jacintas, que se realizavam todos os anos.

Belas, muitas vezes trágicas, outras vezes felizes, as lendas dos amores homossexuais da mitologia grega, tinham alguns pontos em comum; o objeto da paixão de um deus ou herói era de uma beleza rara, na maioria das vezes na idade adolescente. Normalmente a tradição grega permitia que, a partir dos doze anos, os jovens tivessem um homem mais velho como amante. Nas lendas, eles são, com poucas exceções, extremamente novos, mas, essencialmente adolescentes, já com a maturidade sexual do corpo latente, cravada na puberdade, longe da pedofilia. É preciso ter em mente que a fase da adolescência não existia para as culturas antigas, ao rapaz, ao transformar o corpo, ao nascer-lhe os pêlos pubianos e aflorar o órgão genital, era considerado um jovem adulto, assim como as mulheres, transformadas em adultas na primeira menstruação. Atingida esta fase, o jovem adulto era preciso ser iniciado na vida sexual e intelectual da sua cidade. E as lendas legitimavam este costume, só encerrado pela cristianização da civilização helênica.

In GEOCAZ
Ler parte I em moradasdedeus
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Zeus e Ganímedes

Os jovens amantes dos deuses e dos heróis mitológicos
parte I

A mitologia grega traz relatos de lendas que contam o amor entre homens, um costume comum e cultural daquela civilização. Ao contrário dos ensinamentos judaico-cristãos que viam nas relações entre duas pessoas do mesmo sexo um crime contra a natureza e a religiosidade da sua sociedade, a iniciação sexual na Grécia antiga através da pederastia era uma forma de elevação social, onde homens aristocratas mais velhos passavam os seus conhecimentos culturais, militares e religiosos aos mais jovens, usando para esse fim o amor através do sexo.

Amar um jovem adolescente constituía para a sociedade grega a representação do sentimento puro, sendo ele preparado para o amor à virtude, aos ideais helénicos e para a vida, inclusive a sexual. A passagem do adolescente pelas mãos de um homem mais velho era breve, encerrando-se tão longo ele entrasse na idade adulta e viril e que se casasse, assumindo as obrigações cívicas.

O jovem adolescente que não estabelecesse laços de amizade e de amor com um homem mais velho era menosprezado pela sociedade, visto que não tinha quem o ensinasse a sabedoria da vida e da filosofia, a arte da guerra e as virtudes de ser um bom cidadão. Não ser honrado com o amor de um homem mais velho era não cumprir com os costumes e deveres cívicos.

Para que estes costumes fossem legitimados, eram transmitidos através de exemplos da religião politeísta pelos deuses e heróis. Não são todos os deuses ou todos os heróis mitológicos que trazem lendas do amor viril entre homens, sendo uma honra apenas dos mais poderosos e populares. Zeus (Júpiter), o senhor dos deuses, o mais poderoso do Olimpo, considerado o pai dos deuses e dos heróis de toda a Grécia, deixa a sua função procriadora para amar o jovem e belo Ganímedes. Poseidon (Neptuno), o senhor dos mares, apaixona-se perdidamente pelo renascido Pélope, filho de Tântalo. Apolo, o mais popular e cultuado dos deuses, tem o maior número de amantes homens de toda a mitologia, sendo o amor disputado com Zéfiro, o vento das brisas suaves, por Jacinto, o mais famoso. Héracles (Hércules), o mais famoso e poderoso dos heróis gregos, também traz uma lista de lendas em que se apaixona por vários jovens do mesmo sexo. Teseu, o maior herói de Atenas, vive uma amizade viril com o amigo Pirítoo. Aquiles, o mais bravo guerreiro grego da famosa Guerra de Tróia, não esconde os seus amores por Pátroclo ou por Troilo. Finalmente Laio, pai de Édipo, o mais humano dos mitos gregos, ao raptar o príncipe Crisipo, levando-o à paixão e ao suicídio, desperta para si a maldição que teria feito sucumbir todas as gerações dos seus descendentes através da tragédia. Assim, deuses olímpicos, reis gregos, heróis militares, todos eles, principais representantes da hierarquia aristocrática grega, justificam com as suas lendas, o costume da pederastia e amor entre homens como a erudição do sentimento perfeito e puro da iniciação sexual e da vida social dos seus cidadãos.

O Rapto de Ganímedes

Um jovem quando muito belo, despertava a paixão e o desejo de homens maduros. Ser raptado por um homem mais velho era comum em sociedades como a cretense, sendo autorizado pela lei, estabelecendo um prazo de convivência entre raptor e raptado, que cessava com a volta do jovem trazendo presentes que a lei da cidade especificava, como um boi para ser sacrificado a Zeus, em uma festa que o jovem dava, declarando publicamente se havia concordado ou não com o rapto e com o relacionamento que estabelecera com o amante. Se ao ser raptado, o jovem noivo não concordasse com o amante, ele poderia, no momento do sacrifício do boi e da festa, exigir uma reparação e desligar-se da relação. Dificilmente este facto acontecia, visto que era uma desgraça social um jovem bonito e de família abastada não possuir amante em consequência da sua má conduta para com quem o raptasse. Os que eram raptados tornavam-se companheiros dos seus amantes, usufruindo privilégios especiais, como usar roupas da melhor qualidade; ocupar os lugares de honra nas corridas e danças, indicando que eram especiais para os seus amantes.

A lenda do rapto de Ganímedes por Zeus, o senhor do Olimpo, legitimava o ato de raptar adolescentes, dando ao costume a ritualização religiosa necessária. Zeus, pai absoluto dos deuses e dos heróis, tem as suas lendas voltadas para os amores impetuosos que sempre teve e que o levaram a raptar e amar diversas mulheres, com as quais sempre teve filhos. Para que as suas conquistas não fossem descobertas por sua colérica e ciumenta esposa Hera (Juno), Zeus usava os mais complexos disfarces para atrair as amantes: metamorfoseou-se de touro para atrair Europa ou de Cisne para amar a bela Leda. Fugindo da função dos amores fugazes e procriadores, surge a lenda de Ganímedes, um príncipe troiano que arrebatou o coração do mais poderoso dos deuses do Olimpo, fazendo-o por um momento, amante do amor que sublimava o belo, esquecendo-se da função milenar da procriação.

Ganímedes era um príncipe troiano, que, ao despertar a puberdade no corpo e na alma, trazia uma beleza rara. Seus traços de homem-menino reluziam pelos campos aos arredores da cidade de Tróia, onde cuidava dos rebanhos do pai. Foi numa tarde de primavera, que a beleza maliciosa de Ganímedes chamou a atenção de Zeus. O senhor do Olimpo, ao avistar beleza tão sublime, foi fulminado pela paixão. Impossível resistir à graciosidade do rapaz, ao rosto ainda imberbe, a transitar entre a juventude e à idade viril. Enlouquecido pelo desejo e pela paixão, Zeus transformou-se numa águia, indo pousar junto ao jovem. Encantado pela beleza omnipotente da ave, Ganímedes aproxima-se, acariciando-lhe a plumagem. Imediatamente Zeus envolve o rapaz, tomando-o pelas garras, levando-o consigo para as alturas. Cego de paixão, o senhor do Olimpo possui o jovem ali mesmo, em pleno vôo. Ganímedes após ter sido ludicamente amado por Zeus, foi levado para o Olimpo.

Ao contrário das lendas das amantes de Zeus, que após o idílio do amor, eram perseguidas pelos ciúmes de Hera ou pela ira dos pais, sofrendo até o momento do parto do filho do deus, Ganímedes, apesar da fúria de Hera, chega ao Olimpo intacto, onde é recebido com honras, assumindo o posto privilegiado de servir o néctar da imortalidade aos deuses, substituindo Hebe na função. Após servir aos deuses, Ganímedes derramava os restos sobre a terra, servindo também aos homens.

A lenda legitima os privilégios que os jovens raptados tinham ao lado dos amantes. Evita-se o castigo, comum às amantes de Zeus, mostrando que o amor de um homem mais velho com um jovem era lícito, puro e honroso. Ganímedes é hoje um dos satélites do planeta Júpiter, uma homenagem ao mito.

In GEOCAZ

A apóstola dos apóstolos

As mil manipulações de Maria Madalena

Historiadora que há décadas estuda a realidade feminina em relação com a tradição cristã, e diretora de “donne chiesa mondo”, o suplemento mensal do jornal do Vaticano, “L’Osservatore Romano”, de que é editora e consultora, Lucetta Scaraffia explica em entrevista à edição mais recente de “Le Monde de la Bible” como ao longo dos séculos a Igreja eliminou pouco a pouco o papel de apóstola de Maria Madalena, sobrepondo-lhe o rosto de pecadora arrependida.

Maria Madalena é mais a pecadora ou a apóstola?
Gostava de começar com uma recordação pessoal. Quando era jovem, em Milão, depois do Maio de 1968, muitas mulheres nos ambientes feministas italianos chamavam as suas filhas de Madalena. Para elas era claramente em antítese de Maria: tratava-se de contrapor à figura da mulher obediente a da dona livre e pecadora. Foi então que comecei a interessar-me por Maria Madalena, que penso ter sido uma das figuras mais manipuladas da história. Da parte quer da Igreja quer das feministas, entre outros.

Porquê este olhar dúplice sobre Maria Madalena?
Maria Madalena é uma figura forte desde os inícios do cristianismo. Mas, numa sociedade patriarcal, que Jesus ressuscitado tenha aparecido em primeiro lugar a uma mulher, confiando-lhe a missão de anunciar aos apóstolos a sua ressurreição – a mais alta missão possível! –, foi um problema para os homens do seu tempo.

Isto traduziu-se de várias formas. Por exemplo, no gnosticismo, a primeira heresia cristã, que tinha grande interesse por Madalena: os gnósticos pensavam que Cristo tinha transmitido um ensinamento secreto, recolhido na “Pìstis sophìa”. Madalena aparece como uma apóstola de pleno direito, que chega a opor-se a Pedro, ao ponto de o vencer depois de se ter tornado num homem, ou melhor, uma espécie de ser andrógino.

Com Maria Madalena coloca-se a pergunta sobre a sexualidade de Jesus, verdadeiro filão de toda uma série de autores que apreciam o escândalo, a começar por Dan Brown…
Se Jesus tivesse tido relações sexuais com mulheres ter-se-ia sabido! Nos Evangelhos ouvem-se as críticas dos fariseus porque comia e bebia juntamente com publicanos e pecadores (cf. Mateus 9, 11), pelo que se pode muito bem imaginar que se tivesse tido uma mulher, saber-se-ia. Todavia não penso que para Ele a ausência de uma mulher exprimisse antes de tudo uma recusa radical da sexualidade. Havia, porém, o risco de uma família hereditária. Se tivesse tido uma criança, a identidade de Filho de Deus seria posta em perigo e isto teria marcado o fim do cristianismo. De resto, são conhecidas as dificuldades, no seio da Igreja primitiva, entre quantos vinham do paganismo e os judeo-cristãos agrupados em torno da família natural de Jesus. Não, realmente, se Jesus tivesse tido filhos, ter-se-ia sabido!

A questão das relações familiares é em todo o caso importante porque o facto de Jesus, após a sua ressurreição, ter escolhido aparecer a Madalena em primeiro lugar, e não à sua mãe, está efetivamente em contraste com as tradições familiares da época. Daí nasceu toda uma série de lendas segundo as quais Jesus teria aparecido antecipadamente e em segredo a Maria e só depois a Madalena; era uma forma de salvaguardar as relações familiares tradicionais. Mas essas narrativas não estão reportadas nos textos canónicos. Quando penso que se os Evangelhos, escritos por homens – e por homens daquele tempo, em que a mulher era considerada como tendo uma dignidade inferior – conservaram a tradição da aparição de Jesus a Madalena em primeiro lugar, é verdadeiramente porque não podiam fazer de outra forma!

Porque é que então se impôs a imagem de Maria Madalena como pecadora?
Começou a assimilar-se a figura de Madalena à de outras duas Marias presentes no Evangelho: a irmã de Marta (cf. Lucas 10, 38-41) e a prostituta que lhe lavou os pés com as suas lágrimas (Lucas 7, 36-50). Maria de Betânia, irmã de Marta, é também irmã de Lázaro, o amigo de Jesus (cf. João 11, 1-45); é, por isso, uma figura quase de família que permite tornar menos perigosa e menos inquietante a sua proximidade a Jesus. Quanto à prostituta, é fácil lançar sobre ela um véu de suspeição e permitir assim a Maria Madalena estar menos em competição com a figura de Maria.

Por outro lado deve sublinhar-se que as tradições do Oriente e do Ocidente sobre este ponto entram em oposição: o Oriente cristão festeja separadamente Maria de Betânia e Maria de Magdala, enquanto que o Ocidente, a partir do século IV, acomunou-a com a prostituta na figura de Maria Madalena. Esta escamoteação transformou Maria Madalena em mulher arrependida que chora pelos seus pecados e por isso deixa de ser a missionária encarregada de anunciar a notícia da ressurreição.

Porquê esta escamoteação?
Escolher a imagem da pecadora arrependida permite ocultar a ligação de Jesus às mulheres, de quem, ao contrário, Ele gostava muito. Mesmo aquelas com uma vida “irregular” são sempre muito importantes em todos os Evangelhos. Jesus vê que as mulheres amam mais que os homens, que compreendem melhor do que os homens o amor. Assim é a samaritana, a primeira pessoa à qual anuncia que é o Messias (cf. João 4, 26). Mesmo se ela teve uma vida desregrada – o Evangelho refere-nos que teve cinco maridos e aquele que agora tem não o é, diz-lhe Jesus –, é uma mulher que procura amor e para Jesus esta é a coisa mais importante.

Dizer que Madalena é uma prostituta é portanto uma maneira de a diminuir, mas mostra também a proximidade de Jesus a estas mulheres à procura de amor, mulheres que Ele muito amou que são muitas vezes apagadas no Evangelho, significando o lugar que Jesus lhes dava. De resto, não se pode excluir que Jesus tenha tido outros relacionamentos com mulheres não reportados pelos Evangelhos. Mas teria sido realmente impossível esconder Maria Madalena a partir do momento em que foi uma figura central na vida de Jesus. Assim, transformá-la em pecadora permitiu eliminar o seu papel de apóstola durante dois mil anos e bloquear o papel das mulheres na Igreja.

Esta eliminação foi completa na Igreja?
Sim. À exceção, talvez, da França, onde uma tradição popular se apropriou da figura de Maria Madalena, confundindo-a, possivelmente, com a figura de Maria Egiziaca, a santa da Palestina que vive na luxúria antes de se retirar para uma gruta no deserto. Uma tradição refere que Maria Madalena teria chegado às costas da Gália e começado a evangelizá-la, antes de terminar os seus dias numa gruta no deserto, em Sainte-Baume. Fazer de Maria Madalena a evangelizadora da Gália permitia à Igreja em França reivindicar uma origem apostólica a par com Roma (Pedro), Bizâncio (André) ou Espanha (Tiago), ainda que aqui se trate de uma mulher. É assim que a tradição popular a acolheu como apóstola, enquanto a Igreja a constrangia ao seu papel de pecadora.

Na prática, como se expressou esse papel?
Um exemplo é o dos numerosos institutos criados ao longo da história e destinados às pecadoras, às prostitutas, às jovens que tinham “pecado” e que, mais ou menos obrigadas, escolhiam arrepender-se numa vida de género religioso. Quase todas essas casas, que as convertiam numa boa vida de família, estavam sob a proteção de Maria Madalena, incluindo aquelas para as viúvas, por seu lado suspeitas porque conheciam o sexo. As virgens, ao contrário, iam para outras instituições, a maior parte sob a proteção de Maria.

Vem à mente o filme “Madalena” [2001] sobre a terrível condição das jovens nesses institutos do século XX na Irlanda…
Felizmente não havia só esses. Havia também muitos conventos em que as coisas funcionavam bem. Em Itália, em muitos deles, ensinava-se um ofício às mulheres ou até se lhes dava um dote para que se casassem. Só havia a preocupação de lhes oferecer uma vida familiar honesta e regular.

Outro exemplo do desenvolvimento da figura de Maria Madalena como pecadora está na pintura. Ainda que a maior parte das modelos dos pintores eram prostitutas, em Roma era proibido representá-las. Não se podia de facto admitir que houvesse prostitutas na cidade do papa! Pintavam-se por isso prostitutas “venezianas” ou Maria Madalena como pecadora arrependida. Era igualmente uma maneira para os pintores fazerem passar conteúdos eróticos, com amplos decotes e copas vermelhas, sinal da paixão sexual.

Porque é que a figura de Maria Madalena como apóstola voltou ao primeiro plano?
Nestes últimos anos muitas mulheres exegetas releram os Evangelhos e começaram a protestar. O seu trabalho permitiu compreender melhor as relações de Jesus com as mulheres, ver melhor o lugar dos vários personagens que compõem a figura atual de Maria Madalena e redescobrir o seu papel de apóstola. Restabelecer a verdade.

Mas o mesmo vale para Maria: fez-se dela um exemplo de obediência de humildade que todas as mulheres deviam seguir. Mas Maria é antes de tudo um exemplo de coragem! Esta jovem aceita ficar grávida ainda antes de se casar, mesmo sabendo que arriscava a lapidação; precisou de uma coragem incrível. Mas, durante séculos, ninguém sublinhou este aspeto.

A 10 de junho de 2016 o Vaticano elevou a memória litúrgica de Santa Maria Madalena a festa litúrgica e publicou um novo prefácio [da oração eucarística] para ela que é agora «a apóstola dos apóstolos». Porque é que esta decisão é importante?
Trata-se de uma decisão do papa Francisco. Que tenha dado a Maria Madalena o título de «apóstola dos apóstolos» é fundamental! Para mim, colocar Madalena no mesmo plano dos apóstolos é ainda mais importante que ordenar mulheres sacerdotes, porque atribui às mulheres uma igualdade ainda mais profunda no âmbito da evangelização. Retenho que é uma decisão tão importante como a de Paulo VI que, em 1970, atribuiu a Teresa de Ávila e Catarina de Sena o título de doutoras da Igreja. Creio que é uma decisão litúrgica e teológica que não será possível eliminar e a partir da qual se poderá chegar à plena igualdade em cada âmbito.

In L'Osservatore Romano, 8.3.2018
Tradução de SNPC a 7 de março de 2018

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Diaconisas na Igreja

Diaconisa Febe / D.R.
Diaconado feminino na história

«Se se quer valorizar a figura da mulher na Igreja católica e dar-lhe um papel mais central, como aconteceu noutras confissões cristãs, a via do diaconado pode representar um caminho que se pode percorrer tranquilamente porque se trata de uma instituição que se prolonga até ao século XI. Exemplos dos quais voltar a partir? Certamente os testemunhos que nos chegam da Igreja dos primeiros séculos.»

É o primeiro comentário que chega de Emanuela Prinzivalli, docente de História do Cristianismo na universidade “La Sapienza”, de Roma, à luz do anúncio feito pelo papa Francisco de querer pensar em instituir uma comissão de estudo sobre o diaconado feminino na Igreja primitiva.

A professora elenca os «casos mais antigos» de diaconado a que foram chamados as mulheres, confirmados também por vários passos do Novo Testamento, colocando sobretudo em evidência a diferença entre a Igreja das origens, «sobretudo nos três primeiros séculos», e a atual. «Muito provavelmente o título de diácono da Igreja antiga pensado para as mulheres» - argumenta a investigadora - «corresponde a um serviço dado pela comunidade que nós não sabemos bem definir em relação à sua evolução».

A historiadora recorda algumas fontes que manifestam uma clara referência à figura da mulher destinada a revestir o ministério. «Vem-me à ideia o passo da Carta aos Romanos [16,1-2] em que S. Paulo fala de uma mulher, Febe, a “diáconos”, da comunidade de Cêncreas, por ele descrita como “protetora”».

Mas há mais: «Outro caso em que é mais evidente um aceno ao “diaconado feminino” encontra-se no capítulo terceiro da Primeira Carta a Timóteo. Nesse passo fala-se e indicam-se mulheres – no interior de uma hierarquia da Igreja que já estava estruturada verticalmente – chamadas a aproximarem-se das mesmas virtudes praticadas pelos diáconos homens, e portanto ao mesmo papel. Trata-se de figuras descritas como “dignas, não maldizentes, sóbrias, fiéis em tudo”. São, em resumo, mulheres chamadas a revestir as mesmas virtudes cristãs prescritas aos diáconos».

A professora refere depois outro precedente que poderia ser examinado pela possível comissão sobre o diaconado feminino pensada por Francisco. «Um testemunho sobre o papel ativo das mulheres no interior da Igreja chega-nos de Plínio, “o Jovem”, então governador da Bitínia nos inícios do século II, em que ele se refere à tortura de duas escravas definidas como “ministrae”. Esta declinação no feminino em latim ajuda-nos a perceber que estas mulheres tinham um papel relevante e não marginal na Igreja de Bitínia».

Ainda outro caso: «Os casos evidentes de “mulheres diácono” manifestam-se claramente no fim do século IV – pense-se na Igreja de Constantinopla -, como Olímpia, amiga de João Crisóstomo, que é ordenada com a imposição das mãos dele. Eram dedicadas à liturgia e ao cuidado pastoral da parte feminina da Igreja daquele tempo».

«Outro exemplo? Chega-nos da “Didascalia apostolorum”, na Síria do século III: nesse texto, de género canónico [legislativo], afirma-se que as mulheres não podem ser padres mas há a afirmação precisa de “mulheres diácono” onde até a diaconisa é imagem do Espírito Santo. Os espaços do diaconado feminino de então, especialmente na Igreja do Ocidente, restringem-se progressivamente. Mas os casos de estudo de onde partir são inúmeros», conclui a historiadora de cristianismo.

Filippo Rizzi in "Avvenire", 14.5.2016
Tradução de Rui Jorge Martins para SNPC

As origens do Natal

Natal na sua origem

"Durante séculos os primeiros cristãos festejaram como festa das festas a Páscoa da ressurreição de Jesus o primeiro dia da semana judaica, para eles tornado “dia do Senhor”, e não sabemos se em algumas comunidades do Mediterrâneo se recordava o nascimento de Jesus com uma festa particular.

No século IV, após o edito de Constantino e a liberdade de culto concedida aos crentes em Cristo, ocorre a cristianização de uma festa pagã introduzida pouco antes pelo imperador Aureliano (c. 270) e celebrada em Roma como festa do “Sol invictus”, do “Sol vencedor”, que nesse dia começa a alongar o seu tempo de luz sobre a Terra.

Para os cristãos, Jesus o Senhor era «o Sol de Justiça» cantado por Malaquias, era «a Luz do Mundo» proclamada pelo Evangelho. Eis então que no ocidente o renascimento do “Sol invictus” pagão foi cristianizado mediante a festa do Natal, da Natividade de Jesus Cristo. Paralelamente, no oriente (Egito e Síria), onde o solstício de inverno se assinalava a 6 de janeiro, assume-se essa data para celebrar a Epifania como festa da manifestação da vinda do Filho de Deus à nossa humanidade.

Esta é a origem da nossa festa, que desde sempre teve no seu centro o Evangelho do nascimento de Jesus segundo Lucas (2, 1-14). Na missa da noite, celebrada no coração das trevas, refulge uma grande luz: Jesus, dado à luz por Maria em Belém.

Esta narrativa não é uma fábula, ainda que pareça escrita para as crianças, que significativamente a recordam para toda a vida, mas é uma página do Evangelho, uma noa notícia. Por isso Lucas quer antes de mais situar esse acontecimento na grande história do Mediterrâneo, marcada pelo domínio do Império Romano.

César Augusto decide contar os habitantes de todas as terras conquistadas por Roma: para tal ordena um recenseamento, executado na terra de Israel por Quirínio, governador da Síria. José obedece a esta ordem e, juntamente com a mulher, Maria, deixa a sua cidade de Nazaré para se dirigir a Belém, na Judeia, no sul da Terra Santa, onde tinha tido origem a casa e a descendência de David, o Messias, o ungido do Senhor, o rei de Israel.

Enquanto este casal se encontra em Belém, numa condição precária e de pobreza, não tendo encontrado lugar na estalagem, numa pequena construção, somente um abrigo no campo, Maria, que está grávida, dá à luz o seu filho primogénito, a ela anunciado por revelação como gerado pelo Espírito de Deus, um Filho que só Deus podia dar a toda a humanidade.

Aqui já está uma forte contraposição, que caraterizará toda a vida deste recém-nascido. Quem domina o mundo é Augusto – chamado “Divus”, “Deus”; “Sotér”, “Salvador”; “Kýrios”, “Senhor” –, mas o verdadeiro Salvador e Senhor é um seu súbdito, um bebé nascido numa situação pobre, para o qual desde logo parece não haver lugar neste mundo.

Conhecemos todos bem o ícone da Natividade: uma cabana ou uma gruta, e Maria que deita o seu filho numa manjedoura, com José ao lado, testemunha e guardador daquele mistério no qual é envolvido e ao qual presta pontualmente obediência. Tudo acontece na noite, no silêncio, na condição humaníssima de uma mãe que dá à luz um filho. Ninguém conhece aquele casal, ninguém o acolhe, ninguém se dá conta de nada.

Mas eis que Deus envia um seu mensageiro aos pastores que se encontram nas colinas que circundam Belém, para levantar o véu sobre aquele acontecimento: «Um anjo do Senhor apresentou-se a eles e a Glória do Senhor envolveu-os em luz». Os pastores são gente desprezada, marginalizada, que nem sequer são considerados dignos de ir ao templo para encontrar o Senhor. Mas é precisamente a estes últimos da sociedade da Judeia que é dirigido o anúncio, a boa notícia por excelência, que é alegria para todo o Israel, para todo o povo de Deus. Pela sua condição de pobres e últimos, os pastores são os primeiros destinatários por direito desta boa notícia:

«Hoje, na cidade de David, do Messias, nasceu para vós um Salvador, que é o Messias, Senhor».

Neste anúncio colhemos como que uma antecipação da boa notícia pascal: Jesus é o “Kýrios”, o Salvador. Não Augusto, que se vangloriava desse título, mas um menino recém-nascido recebe esse mesmo título da parte de Deus. Assim acontece a revelação aos pequenos, aos últimos, da qual são excluídos quantos acreditavam ser destinatários de direito: sacerdotes, peritos da Lei, crentes militantes convencidos de serem só eles os verdadeiros filhos de Abraão.

Aos pastores é dado também um sinal, uma indicação para que possam ver e compreender: nada de extraordinário ou de divino mas, de novo, uma realidade humaníssimas: «Encontrareis um recém-nascido envolvido em faixas, deitado numa manjedoura». Realidade simples e humilde, sem ornamentos, sem “extraordinário”.

E todavia este anúncio é dado por um coro incontável de criaturas invisíveis, numa espécie de liturgia cósmica, essa liturgia do céu que não conseguimos ver nem escutar mas que enche o universo e canta a santidade e a glória de Deus, isto é, proclama quem e como Deus ama. Com efeito, o que nesse canto coral é revelado é a vontade de Deus: «Deus tem peso (“kabod”, glória), Deus age no mundo mesmo sendo Santo e está no mais alto dos céus, Deus dá a paz à humanidade que Ele ama».

Eis a boa notícia do Natal: Deus ama-nos de tal modo que quis ser um de nós, entre nós, igual a nós, um homem como nós."

Enzo Bianchi in Monastero di Bose
Tradução de Rui Jorge Martins para SNPC

sábado, 26 de abril de 2014

Cuidar da democracia

Rui Aleixo
(detalhe de pintura colectiva no 30º aniversário do 25 de Abril de 1974)
O Espírito da Democracia

Ao fazer quarenta anos, o 25 de Abril quis celebrar com grande festa. Tem havido um sem-número de iniciativas: publicaram-se volumes de história contemporânea com enorme interesse; a música de intervenção voltou a ser escutada nas rádios; organizaram-se colóquios; rebuscou-se imagens e protagonistas no fundo silencioso dos arquivos. A par disso, desencadearam-se polémicas, algumas que parecem ainda inevitáveis, outras talvez nem por isso. Mas tudo cabe numa festa.

O 25 de Abril de 74 constitui efectivamente um marco. Trouxe-nos o regime democrático e o que ele representa em termos de cidadania e de cultura; operou a descolonização, conseguindo uma saída pacífica e digna para conflitos que pareciam insolúveis; recolocou Portugal no desígnio europeu, ajudando a vencer um persistente isolacionismo. O 25 de Abril qualifica-nos assim com uma herança imensa. E, sem dúvida que, como sociedade e nação, precisamos de reencontrar-nos com essa memória, envolvendo nela as novas gerações.

Mas o que o 25 de Abril nos legou não é propriamente uma obra acabada, que nos cabe apenas conservar. Pensemos na democracia. Claro que a instauração do regime representa um extraordinário momento histórico. Mas a democracia não está feita. É em cada dia, em cada ciclo que ela se constrói e reinventa para poder cumprir-se. A democracia tem muitas ameaças, que mesmo não sendo ameaças ao sistema, são ofensas ao espírito da democracia: e elas provêm sobretudo da pobreza, do desemprego, da exclusão e da injustiça.

Cabe-nos a todos, mas de forma particular aos que democraticamente nos representam, zelar pela saúde da democracia. Quarenta anos depois da revolução de Abril, o pior que nos podia acontecer era contentarmo-nos por vivermos formalmente num estado democrático e abandonarmos as inquietações do espírito da democracia, que nos obriga a fazer festa, é verdade, mas também a arregaçar as mangas. Como dizia Sophia de Mello Breyner Andresen, o 25 de Abril é o «dia inicial».

José Tolentino Mendonça
In Agência Ecclesia / Com SNPC
© SNPC | 25.04.14

terça-feira, 29 de outubro de 2013

A eutanásia cultural e laboral

Papa alerta para a exclusão dos  jovens e dos mais velhos

O papa afirmou esta quinta-feira no Rio de Janeiro que o «culto» ao «deus dinheiro» está a excluir «os dois polos da vida que são as promessas dos povos»: os mais velhos e os mais novos.

Os idosos são vítimas de uma «espécie de eutanásia escondida», porque não são devidamente acompanhados, e também de uma «eutanásia cultural», porque são impedidos de «falar» e «atuar», disse Francisco num encontro com compatriotas argentinos.

Esta «filosofia» de vida também ataca a juventude: «A percentagem de jovens sem trabalho, sem emprego, é muito alta. E é uma geração que não tem a experiência da dignidade adquirida pelo trabalho. Ou seja, esta civilização levou-nos a excluir os dois extremos que são o nosso futuro».

Francisco pediu «de coração» aos anciãos argentinos que «não claudiquem de ser a reserva cultural» do povo, «que transmite a justiça, que transmite a história, que transmite a memória».

«E vós - pediu o papa dirigindo-se aos jovens - por favor, não se ponham contra os velhos. Deixem-nos falar, escutem-nos e sigam em frente. Mas saibam, saibam que neste momento, vós, os jovens e os anciãos, estão condenados ao mesmo destino: exclusão. Não se deixem excluir».

Na intervenção improvisada que ocorreu na catedral do Rio de Janeiro, Francisco sublinhou a urgência de os católicos não se fecharem entre quatro paredes. «Quero que a Igreja saia para a rua. Quero que nos defendamos de tudo o que seja mundanidade, do que seja instalação, do que seja comodidade, do que seja clericalismo, do que seja estar encerrados em nós mesmos», vincou. A cruz de Cristo «continua a ser um escândalo, mas é o único caminho seguro», acentuou Francisco, que encorajou os compatriotas a lerem as bem-aventuranças e o capítulo 25 do evangelho segundo S. Mateus.

in SNPC

domingo, 20 de outubro de 2013

Efeminação e virilidade na Grécia Antiga

Deixo-vos aqui um link para um ensaio muito interessante sobre efeminação e virilidade na Grécia Antiga. Parece-me bem fundamentado e documentado e relevante para quem se interessa por esta temática. Leiam aqui o artigo de Fábio Cerqueira.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O sexo para procriar: breve sumário da condenação da homossexualidade

Desde quando é que o sexo só serve para procriar?

O judaísmo já pregava que as relações sexuais tinham como único fim a máxima exigida por Deus: “Crescei e multiplicai-vos”. Até o início do século IV, essa ideia, porém, ficou restrita à comunidade judaica e aos poucos cristãos que existiam. Nessa época, o imperador romano Constantino converteu-se à fé cristã – e, na seqüência, o cristianismo tornou-se obrigatório no maior império do mundo. Como o sexo passou a ser encarado apenas como forma de gerar filhos, a homossexualidade virou algo antinatural. Data de 390, do reinado de Teodósio, o Grande, o primeiro registro de um castigo corporal aplicado em gays.


O primeiro texto de lei proibindo sem reservas a homossexualidade foi promulgado mais tarde, em 533, pelo imperador cristão Justiniano. Ele vinculou todas as relações homossexuais ao adultério – para o qual se previa a pena de morte. Mais tarde, em 538 e 544, outras leis obrigavam os homossexuais a arrepender-se de seus pecados e fazer penitência. O nascimento e a expansão do Islamismo, a partir do século VII, juntamente com a força cristã, reforçaram a teoria do sexo para procriação.

No entanto, durante muito tempo - até meados do século 14 - embora a fé condenasse os prazeres da carne, na prática os costumes permaneciam os mesmos. A Igreja viu-se, a partir daí, diante de uma série de crises. Os católicos assistiram horrorizados à conversão ao protestantismo de diversas pessoas após a Reforma de Lutero. E, com o humanismo renascentista, os valores clássicos – e, assim, o gosto dos antigos pela forma masculina – voltaram à tona. Pintores, escritores, dramaturgos e poetas celebravam o amor entre homens. Além disso, entre a nobreza, que costumava ditar moda, a homossexualidade sempre correu solta. E, o mais importante, sem censura alguma – ficaram notórios os casos homossexuais de monarcas como o inglês Ricardo Coração de Leão (1157-1199).

No curto intervalo entre 1347 e 1351, a peste negra assolou a Europa e matou 25 milhões de pessoas. Como ninguém sabia a causa da doença, a especulação ultrapassava os limites da saúde pública e alcançava os costumes. O “pecado” em que viviam os homens passou a ser apontado como a causa dela e de diversas outras catástrofes, como fomes e guerras. Judeus, hereges e sodomitas tornaram-se a causa dos males da sociedade. Não havia outra solução a não ser a erradicação desses grupos. Medidas enérgicas foram tomadas. Em Florença, por exemplo, a sodomia foi proibida em 1432, com a criação dos Ufficiali di Notte (agentes da noite). O resultado? Setenta anos de perseguição aos homens que mantinham relações com outros. Entre 1432 e 1502, mais de 17 mil foram incriminados e 3 mil condenados por sodomia, numa população de 40 mil habitantes.

Leis duras foram estabelecidas noutros países europeus. Em Inglaterra, o século XIX começou com o enforcamento de vários cidadãos acusados de sodomia. E, entre 1800 e 1834, 80 homens foram mortos. Apenas em 1861 o país aboliu a pena de morte para os atos de sodomia, substituindo-a por uma pena de dez anos de trabalhos forçados.
 
in gays católicos com fé

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Quem foi S. Valentim?

São Valentim, mártir e protetor dos namorados

A informação mais antiga de São Valentim (175-273) está num documento oficial da Igreja dos séculos VI-VII onde aparece o aniversário da sua morte. No século VIII um outro documento narra alguns detalhes do martírio: a tortura, a decapitação noturna, e a sepultura.

Outros textos do século VI referem que São Valentim, cidadão e primeiro bispo da cidade italiana de Terni, tornado célebre pela santidade da sua vida, caridade e humildade, pelo apostolado zeloso e pelos milagres, foi convidado a ir a Roma por Cratone, orador grego e latino, para que curasse o filho doente há alguns anos. Curado o jovem, converteu-o ao cristianismo juntamente com a família e o filho do prefeito.

Preso sob o imperador Aureliano foi morto a 14 de fevereiro de 273. O seu corpo foi enterrado à pressa num cemitério a céu aberto a pouca distância de Roma para evitar sublevações por parte dos cristãos. Três discípulos exumaram o corpo poucas noites após a execução e levaram-no para Terni, então denominada Interamna, 100 km a norte de Roma e deram-lhe sepultura digna da veneração que lhe era dedicada pelos cristãos.

A festa do bispo e mártir Valentim liga-se aos antigos festejos gregos, itálicos e romanos que ocorriam a 15 de fevereiro em honra de deuses pagãos. Estas celebrações relacionavam-se com a purificação dos campos e os ritos de fecundidade. Tendo-se tornado demasiado licenciosas, foram proibidas pelo imperador Augusto e mais tarde suprimidas por Gelásio em 494.

A Igreja cristianizou os ritos pagãos da fecundidade, antecipando-os para 14 de fevereiro e atribuiu ao mártir a capacidade de proteger os noivos e namorados que se destinavam ao matrimónio e às uniões com filhos. Uma das lendas associadas ao bispo diz que São Valentim oferecia rosas aos pares de noivos para lhes desejar uma união feliz.

Em Terni a Fundação São Valentim programa em fevereiro várias iniciativas de fé, cultura, arte e ciência, com espetáculos e divertimentos. A diocese promove a entrega do Prémio São Valentim, que em 2012 foi para o arcebispo de Saravejo, cardeal Vinko Puljíc.

Durante a guerra da Bósnia distinguiu-se pela «defesa dos direitos inalienáveis da pessoa humana, arriscando ainda a vida», refere o site da diocese, acrescentando que ficou detido durante 12 horas por militares sérvios.

Nas missas solenes celebradas na basílica de Terni nos domingos de 19 e 26 de fevereiro vão ser abençoados os casais que em 2012 assinalam respetivamente 25 e 50 anos de casamento.

Diocese de Terni Narni Amelia
in SNPC

sábado, 11 de junho de 2011

Religiosidade na Música

Música e religião


É catolicamente tradicional a crença na música como forma de expressão mais capaz de traduzir a atividade do sentimento religioso. Para alguns místicos - por exemplo para a religiosa francesa do século XVII Margarida Romanet - o sentido por excelência da via unitiva seria pois o ouvido. Diz ela: «Pode ser-se fiel sem olhos, sem olfato, sem paladar e sem tato... Basta ouvir; o ouvido é o único sentido indispensável à .Esposa para agradar ao seu Esposo...» (...)



Mais humanamente claro, pois escrevia um tratado de música, foi o nosso teórico também seiscentista - o Padre Manuel Nunes da Silva - quando na sua Arte Mínima (1685) sustenta que a música compreende todas as ciências e que bastava Deus tê-la infundido ao primeiro homem para de todas as ciências o fazer conhecedor. A tese de moral geral do nosso compatriota é fácil de resumir: Sendo a música uma ordem, melhor a boa ordem, ela destrói toda a desordem...
(...)

A própria dança se rege pelos números: «...se procuras a causa motriz dos membros do próprio artista verás que está no número, visto que se movem calculadamente. E se lhe tiras das mãos a obra e do espírito a intenção de o fazer por forma a que a atividade dos seus membros não tenha outro fim senão o prazer ou a distração, tal atividade toma então o nome de dança. Se então queres saber o que agrada na dança responder-te-á o número: Eis-me» (Santo Agostinho).
(...)

Muitos degraus tem a escada da via unitiva. Não é a música por si só que produz, cria ou desenvolve o sentido religioso. Não é o «número» dos filósofos antigos ou dos cientistas modernos a sua causa. O matemático de Leibniz (“dum Deus calculai fit mundus”) -do mesmo Leibniz que considerava a arquitetura «música, cristalizada» - é outra reduçãode uma realidade que nos transcende.

Por essa razão, como o notou Henri Davenson numa extraordinária obra concebida na lição de Santo Agostinho, «porque não exigiríamos um Deus músico»?. Não longe desta ideia andava o nosso compatriota acima citado, pelo seu amor à arte dos sons...

No admirável livro de Davenson o princípio da moral cristã da música, quanto à sua prática, está em não esquecer que a música se situa na ordem dos valores humanos - eu diria, generalizando, na ordem dos valores naturais.

Trata-se sempre de colocar os valores na sua devida ordem da escala permanentemente ascendente se a queremos usada utilmente. É o que diz S. João Clímaco no seu tratado “Scala Paradisi”resumido por Davenson: «Para as almas puras que amam verdadeiramente a Deus, toda a música, tanto a profana como a sagrada, condu-las naturalmente para a alegria interior, para o amor divino e para as santas lágrimas; quanto aos que amam a voluptuosidade carnal, será precisamente o contrário. Tudo é puro para os puros; o mesmo é válido para a música e para toda a espécie de beleza: o próprio da alma que se tornou perfeita é, logo ao ascender para o Criador, tirar dessa perfeição proveito para cantar a glória de Deus... Se alguém se tornou capaz de tal e constante inclinação de espírito, podem dizer que desde logo está ressuscitado incorruptível sem esperar a Ressurreição Geral.»

O difícil é distinguir a «religiosidade» pura, da paixão ou até do sensualismo. O terreno é delicado e talvez não possível de distinções extremes, visto sobre a terra não podermos adquirir os corpos gloriosos que nos são destinados na bem-aventurança eterna. Não antecipemos pois...

É, por exemplo, pela própria etimologia dos termos quando despida de sentidos analógicos, inteiramente o contrário de cristãmente -místico este pensamento de Nietzsche que define a música como única arte «capaz de dar ideia do que se deve entender por justificação do mundo enquanto fenómeno estético.» Análogas observações, apesar da aparência, se podiam fazer a propósito de Schopenhauer que pretende ser a música a única arte que fala do ser, ao passo que as outras apenas dele exprimem a sombra... Para ele o mundo tanto poderia ser «música materializada» como «vontade materializada».
Estamos bem longe das conceções antigas...

Por certo alguns antigos Padres recearam a música, mas apenas a música sensual. (...)

A escrupulosidade exagerada não é obviamente um atributo da perfeição mas com certeza impede a demasiada «elasticidade» de costumes. Periodicamente a Igreja nos vem lembrar que o seu canto litúrgico tradicional é o chamado canto gregoriano.

É lendário o caso da música polifónica religiosa, prestes a ser banida da Igreja por exageros de simplicidade, modéstia ou ascetismo, ter sido salva por Giovanni Pierluigi da Palestrina (1524-1594) com a sua missa dedicada ao efémero Papa Marcello; mas as lendas fazem-se à custa da História, quantas vezes iluminando-a e tirando dela a lição lapidar que convém fixar.

Assim sempre foi necessário acrisolar, purificar a tradição, compilá-la e fixá-la, ainda que sempre provisoriamente, por isso que a tradição é coisa vivente e portanto mutável.

Foi o que fez Santo Ambrósio em Milão (339-397) - daí o «canto anbrosiano» - e mais tarde S. Gregório Magno (papa de 590 a 604) - donde o «canto gregoriano» - cuja apologia da música religiosa - a que nos liga a Deus - Se pode ler em “Enerratio in Psalmos Davidicos”.

Toda a história bíblica está cheia de cânticos e danças. O canto dos Salmos tudo supera pois «o salmo é o louvor de Deus vez da Igreja, musical profissão de fé. O Apóstolo proibiu as mulheres de falar na Igreja, mas não de cantar... Que é pois o salmo senão o órgão das virtudes que pulsado pelo venerável profeta com o plectro do Espírito Santo espargiu na terra a doçura dos seus celestiais sons?»

Mais rigorista é S. Cirilo de Alexandria que proscreve da Igreja a música instrumental. O salmista menciona liras, cistros e Outros instrumentos, porque tais instrumentos, como os sacrifícios cruentos, se admitiam na Antiga Lei mas, aos que foram reformados peio Espírito, se lhes manda cantar um cântico novo «Cantare domino canticum novum...»

S. Bernardo de Claraval (1090-1153) definiu cabalmente o que se pede ao canto religioso: «O canto deve ser cheio de gravidade; não será nem mundanal, nem demasiado rude e pobre. Deve ser suave, mas não efeminado e, ao mesmo tempo que agrada ao ouvido, deve mover os corações. Há de aliviar a tristeza, moderar a ira. Não contrariará o sentido das palavras, mas relevá-lo-á, pois não há pequena perda de graça espiritual em sermos distraídos do proveito do sentido pela beleza de canto, e em sermos levados a atentar na mera exibição vocal quando deveríamos pensar no que se canta.»

Mas o nosso propósito não é fazer a história da música religiosa nem sequer o da música litúrgica. O mais despretensiosamente que nos fosse possível quereríamos dar uma ideia de que seja a verdadeira religiosidade na música; a sua serventia e a sua grandeza, enquanto meio -entre material e espiritual, atuante na via unitiva, o caminho místico que nos deve conduzir a Deus.

Repito com S. João Clímaco: «para os puros tudo é puro»; e comento ou acrescento que, para eles, o próprio mal é meio de exercer a virtude e que a graça tem ínvios caminhos que nos não é dado prescrutar. Que o menos puro possa purificar também ou ser um degrau da tal escada do Paraíso que dá o título à obra de que citámos o passo imediatamente atrás, é o que nos não repugna a aceitar. Será o «pão partido em pequeninos» um rápido fugidio raio de luz, mas não bastará por mercê de Deus para salvar alguém? Mesmo essa música menos pura pode bem ser o rumo que a Deus nos leve... (...)

Para rapidamente me desempenhar de parte da primeira, das minhas intenções vou arrimar-me à autoridade de Henri Davenson no livro de que já me socorri e que leva a sua excelência e bondade ao ponto de fornecer um resumo «sob forma de esquema geométrico» de tido o seu riquíssimo conteúdo.

«Como servirmo-nos da música?» Já o dissemos: Para o saber fazer «é preciso situar a música na ordem dos valores humanos». Dois erros fundamentais se nos apresentam no decorrer da história. O primeiro é o erro a que Davenson chama «romântico e gnóstico»: a música, é tomada como revelação do Absoluto, é equivalente da experiência mística. Tal erro repugna à consciência cristã, e baseia-se na ilusória confusão entre o silêncio do espírito e o «éon Silêncio, o Abismo da mitologia gnóstica.»

Outro erro é o do formalismo (como já o fora do Islamismo): toma-se a música como jogo vão, mera frivolidade, eco da beleza do mundo perecível. Quer a nossa experiência quer a realidade musical se encarregam de o refutar. Corresponde à definição setecentista da música como arte de combinar os sons por forma a agradarem ao ouvido...

Em contrapartida o augustianismo franciscano, explicitado pelos monges de Santa Catarina do Sinai, S. João Clímaco e S. Francisco de Assis, acolhe a música não se limitando a tolerá-la mas concebendo-a como meio de oração e caminho para, de dentro de nós próprios, caminharmos para Deus.

Como técnica auxiliar da vida espiritual a música, segundo Davenson, apropria-se do homem, fixa a sua atenção, liberta a consciência do seu conteúdo sensível, o que constitui o seu papel de aspeto dionisíaco - função aliás provisória e inferior. Aprofundando-se conduz a alma ao silêncio do espírito, se formos capazes de levar a experiência até às suas últimas consequências. Assim conduz a um recolhimento e a uma paz que dão à alma espiritual a possibilidade de receber uma primeira imagem da Beleza infinita. Esta aplicação da música «variará em fecundidade conforme a vocação de cada um; sob a sua forma mais elevada será uma imitação do estado angélico.»

Em quatro «exercícios de aplicação» Henri Davenson dá-nos excelentes exemplos de aplicação da teoria.
O primeiro refere-se ao «paradoxo da música ligeira»; lícita e útil para os lazeres do auditor, mas «séria» mesmo quando «ligeira», porque sempre será «imaterial» e «espiritual». Não é «triste» nem «alegre» por sua natureza: situar-se para além do alegre ou do triste.

Outro caso «resolvido» é o da «antinomia da música pura». A questão tem feito e fará correr rios de tinta. Para Davenson, o conceito é útil ao filósofo, mas a música pura por essência não deve servir para esquecer a finalidade humana da arte: Há que criar «música humana, plenamente humana que nem por sê-lo deixe de ser menos música». A conclusão agradará no que lhes é permitido... - aos mais esturrados materialistas...

A ética do compositor expõe-se no terceiro «exercício». O artista não é, como mais ou menos pretendiam os românticos, nem um deus criador nem um profeta. Artesão e operário, mas homem e não ave canora. Nunca se deverá esquecer que é sua obrigação salvaguardar a sua dignidade humana e a finalidade da sua arte.

Finalmente, como «prolegómenos a um tratado da Forma», Davenson afirma que «forma musical não deve confundir-se com o sistema de fórmulas e esquemas sonoros que não passam de meio secundário - elemento contingente e convencional da músicas.» A forma é «mais para além disso, inseparável do sentido que a obra reveste para a alma e reside na unidade interior e orgânica dessa obra». Para alguns contemporâneos qualquer obra «moderna» não pode ter sentido religioso mesmo quando a intenção do autor tivesse sido insuflá-lo na obra.
(...)

Na linha da doutrina que propusemos insere-se evidentemente - descontando o exclusivismo  «profissional» — o que escreveu  Beethoven a Bettina von Brentano (...): «A música é a única introdutora no mundo superior a este mundo que abraça o homem mas o homem não consegue abraçar». Com certeza tresvaria quando considera a música, em si,como «uma revelação mais alta que toda a sabedoria e toda a filosofia». Poderíamos tentar uma apologia ortodoxa do pensamento de Beethoven, mas cremos que seria forçado exercício sofístico. No entanto quero deixar honestamente a questão em aberto, citando outra vez o grande artista da “Missa Solene”que também não esqueceu “Cristo no Jardim das Oliveiras”:«Tudo o que Deus criou era puro e sem mácula. Se, mais tarde, cego pela paixão, naufraguei no mal, depois de longa expiação e de me ter purificado, voltei à fonte original pura, nobre, à Divindade e à minha arte.»


Se não podemos fazer de Beethoven um modelo de católico, no entanto, se isto não é religiosidade, então não sei o que o seja! Podemos quanto o quisermos - mas certamente  sem nenhuma caridade cristã - duvidar de certas expressões, mesmo musicais, do misticismo de Liszt mas creio que não nos é lícito duvidar da sinceridade do autor da “Missa de Grau” e de “Santa Isabel Rainha da Hungria”, quando em janeiro de 1864 escrevia a um desconhecido correspondente (talvez Jules Janin, seu amigo íntimo) o seguinte: «Segui o vosso bom exemplo aproveitando também de um piedoso retiro. Durante a novena da Circuncisão, no primeiro domingo da Epifania, dois reverendos Padres Dominicanos de grande mérito fizeram uma missão na igreja paroquial da “Madona dei Rosário”contígua ao meu domicílio como sabe. Assisti regularmente às suas pregações quotidianas, e no último domingo foi-me concedida a inefável felicidade da Comunhão. - Depois de tal começo de ano, desejo apenas que no resto dos meus dias no exílio terrestre me aproxime cada vez mais da nossa verdadeira pátria. (...)

Neste ponto da nossa exposição apenas queríamos deixar um lampejo das provas que poderiam aduzir-se para termos a certeza de que o sentimento religioso nunca andou muito alheio ao espírito da grande maioria dos máximos valores da música.

Não há que confundir, primariamente, os efeitos físicos da música com os seus efeitos espirituais, e menos com os seus efeitos finais no que deles nos interessa agora e aqui. É claro que não se deixará de ter em vista a conexão íntima entre corpo e alma. Os efeitos físicos da música são evidentes a qualquer observador de mínima atenção. Menos estudada a sua aplicação sistemática em medicina - o que não quer dizer que o assunto não tenha já uma vasta bibliografia.

Do Velho Testamento é típico o caso de David acalmando Saul, ao som da sua cítara e da sua voz. Conhecidíssimo o efeito do canto de Farinelli sobre a quase loucura de Filipe V de Espanha. A mesma melancolia depressiva - passe o termo vago que deixo aos neurologistas o trabalho de precisar - herdou-a o filho, Fernando VI, e foi ainda Farinelli que o tratou com o seu canto. Milhões de contemporâneos, conscientemente ou não, diariamente usam e abusam da música, alternadamente como calmante e como excitante. É bem provável que seja o menos contraindicado dos «tranquilizadores» e o mais benéfico dos excitantes.

O que nos interessa apenas é frisar que a música religiosa deve começar por conseguir o mais perfeito dos estados físicos propício à comunicação com Deus, em seu louvor, ou em oração impetrativa. Por isso também não confundamos o real sentido da música com a forma de expressão resultante do temperamento e da originalidade do autor ou, menos ainda, com formalismos que podem ser epocais, regionais ou modismos.
(...) 

A catolicidade da liturgia recomenda-nos vivamente o canto gregoriano. Não podemos entrar em questões técnico-históricas sobre as suas origens, mas esses processos têm evidentemente que se procurar no Médio-Oriente, e isto se nos quisermos ater apenas ao período subsequente ao da Incarnação do Salvador.


É questão musicológica delicada saber se o canto litúrgico primitivo, mas já caracterizadamente cristão, era ou não acompanhado com instrumentos de percussão. Dom Jeannin era da opinião que sim. O bispo Theodoreio informa-nos que em Mileto, na Ásia Menor, «o canto dos hinos era acompanhado de palmas, movimentos rítmicos e toques de campainhas...; as intenções mais tardias... provam pelo menos a longa tolerância de tais usos. A polémica em volta do ritmo do canto gregoriano apenas fez com que se obscurecesse o sentido dos termos ligados a esta questão».
.
Seria, se o pudéssemos, ocasião agora de dizer duas palavras sobre danças religiosas cristãs. Se nunca no catolicismo houve propriamente danças litúrgicas, sempre houve, e recentemente se procurou renovar, uma tradição perfeitamente lícita de dança religiosa.
(...)


A polifonia de um Machaut (m. 1377) não tem a doçura de contornos da de um Vittoria (1540-1613) o ibérico - além de que estes como informa o teórico Gaffurio (1541-1522) choram a cantar e são amigos do bemol. Compare-se um trecho da “Messe de Notre Dame” de Dufay, com o responsório “Tenebrae facta sunt” de Vittoria. Mas também não nos esqueçamos da diferença de séculos que separa as duas obras-primas. Continuamos a fazer análise - passe o exagero do termo - meramente estética. É natural que a sensibilidade tivesse evoluído, embora a finalidade fosse sempre a mesma.

Não se pede ao compositor de música religiosa ou até ao da música litúrgica - isto é destinada expressamente a atos litúrgicos fundamentais ou tradicionais - que perca a sua personalidade e individualidade ou originalidade de artista; o que é essencial é que elas se não exprimam “solipsisticamente” e procurem de facto a união da comunidade dos fiéis com a Divindade. Devem ter, afinal, as três virtudes teologais: Fé, Esperança e Caridade... A caridade de dar aos outros para estes entregarem a Deus o que d'Ele afinal veio.

O que nunca será critério são de reconhecimento de religiosidade na música é o de esta ser imediatamente agradável ou não ao ouvido. Nunca é demais demonstrar a inanidade da definição hedonística de música, como arte de organizar os sons por forma que satisfaçam o ouvido. Por analogia teríamos como artes irmãs da música (feita para agradar ao ouvido), a culinária (arte de agradar ao paladar), a perfumística (arte de agradar ao olfato) e outra “arte” “inominata”... de agradar ao tato! Não vou discutir o que essas técnicas possam ter de arte nem sequer atormentar os ouvintes com música que eu julgue religiosa, mas não considero mais ou menos imediatamente aceitável ao gosto médio dos que me leem.

Prefiro chegar ao século XVIII e considerar a religiosidade profunda de um trecho do “StabatMater» de Pergolesi, Um passo atrás no tempo e lembremos um trecho da música de Frescobaldi (1538-1643) da “Messa della Madona”.

Outro em frente e escutemos um pouco de Beethoven na sua “Missa Solene” certamente não litúrgica, mas à qual só um extremismo rigorista negará religiosidade. Dos nossos dias oiçamos um pouco do místico teatro trágico da “Jeanne d'Arc au Bûcher” de Claudel e Honneger.

E religiosidade perfeitamente litúrgica se encontra no “Padre-nosso” e na “Ave Maria” que vos quero lembrar para terminar esta descosida exposição. Talvez não seja fácil adivinhar o século a que pertence quem compôs essas páginas de ática elegância, economia de meios e... religiosidade. É um contemporâneo. Ainda vivo. Dado algum dia por o maior revolucionário musical do nosso século... Sim. Devem-se a Igor Stravinsky. Numa dialética perfeita negou Stravinsky que fosse um revolucionário. Pelo contrário: odiaria todo o “revolucionarismo”. Confessa-o na sua estupenda “Poética Musical”, em que recolheu as lições professadas pelo mestre na sua cadeira de Poética, instituída por Charles Eliot Norton na Universidade de Harvard. E será Stravinsky... religioso? Quanto à economia de meios cita ele S. Dionísio Aeropagita ou, se o quiserem, o Pseudo-Dionísio, para quem a dignidade dos anjos é também maior na hierarquia celeste quanto menor é o número de palavras de que dispõe a sua linguagem. Quanto à obra em si, diz Stiravinsky que uma vez realizada se espalha para se comunicar, e reflui para o seu princípio. «O ciclo fecha-se então. E assim se nos apresenta a música como elemento de comunhão com o próximo - e com o ser».Ora o ser, em boa metafísica é, no caso sujeito, Deus.

Não vejo mal de maior que Beethoven, por exemplo, pensasse na humanidade ao escrever música religiosa. Não nos esqueçamos que o homem é ao mesmo tempo corpo e alma; não olvidemos que os exageros de pureza têm conduzido às piores aberrações - «qui veut faire l’ange fait la bête” disse lapidarmente Pascal.

E não nos esqueçamos, sobretudo, da caridade. O grande Apóstolo nos deixou a palavra de advertência: — «Como dizeis amar a Deus invisível se não amais o próximo como Sua imagem visível?»

Esta transcrição omite as notas de rodapé.

José Blanc de Portugal
In Brotéria (1960)

O texto na íntegra está publicado in SNPC

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Casamento entre homossexuais: uma década de história

Primeiro casamento gay foi há dez anos

Casamentos celebrados no Museu Histórico, uma exposição de fotografia e festas à noite. A cidade de Amesterdão celebrou ontem [dia 1 de Abril] o 10.º aniversário da legalização dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, autorizado pela primeira vez na Holanda, no dia 1 de Abril de 2001. Desde então, mais oito países legalizaram os casamentos gays: Bélgica, Espanha, Canadá, África do Sul, Suécia, Portugal, Islândia e Argentina.

"A vossa festa pessoal inscreve-se num contexto maior", disse ontem o presidente da Câmara de Amesterdão, Eberhart van der Laan, aos noivos, Jan van Breda e Thijs Timmermans. Mal se ouviu o "declaro-vos unidos pelos laços do matrimónio", caiu uma chuva de balões cor-de-rosa em forma de coração.

Os noivos vestiram roupa escura - camisa lilás para um, T-shirt preta para o outro - e chegaram ao museu a pé. Thijs Timmermans disse: "Este é um dia simbólico e especial. A Holanda foi o primeiro país e, claro, fiquei feliz por isso, mas [o casamento] deveria ser uma coisa normal porque não se trata de sermos homossexuais ou não, trata-se de amor". As celebrações prosseguiram com a inauguração de uma exposição de fotografia dedicada ao tema "casamento gay" e com festas marcadas para a noite.

Entre 1 de Abril de 2001 e 31 de Dezembro de 2010 casaram na Holanda 14.813 casais gays. Em Portugal, onde a lei entrou em vigor em Junho do ano passado, casaram 301 casais (dois divorciaram-se).

in Público

domingo, 27 de março de 2011

Moradas de Deus cumpre o primeiro aniversário

Queridos amigos, há precisamente um ano, na noite do primeiro dia de entrevista com Alexandra Lucas Coelho para a sua reportagem sobre homossexuais cristãos (ver aqui), tomei a decisão de começar este blogue.

Senti uma espécie de comichão, uma urgência em contribuir de alguma forma para a luta contra o isolamento, o silêncio, a incompreensão e o abandono que tantos homossexuais cristãos experimentam na sua vida: creio que a isto se pode também chamar Vocação. Uma vontade de deixar aberta a porta atrás de mim, para quem quiser entrar.

Considero que o meu trabalho neste blogue tem sido muito enriquecedor, e sinto-me feliz e grato por poder realizá-lo. Muito obrigado a ti, leitor e leitora, quer me acompanhes com regularidade, quer tenhas chegado por mera casualidade, quer leias o blogue de forma mais exporádica. Espero que este blogue te traga algo e que encontres nele algum alimento. E desejo profundamente que encontres um caminho de realização pessoal e social, de densidade espiritual e afectiva e de liberdade e de fé amadurecida. Que te deixes guiar pelo amor evangélico e que te integres por inteiro na tua vida.

Um excelente ano para tod@s

quarta-feira, 23 de março de 2011

A caridade cristã é para todos os seres humanos: mais um retrato de um perito do Vaticano II

Jean Daniélou: Um regresso às fontes
No ano de 1967 dizia Jean Daniélou em “Evangelho e Mundo Moderno”, ao falar do amor, que «a caridade cristã abrange todo o homem, mas precisamente porque o abrange totalmente, vê-o à luz do que lhe dá a plenitude, a sua vocação de eternidade». O padre Daniélou sabia do que falava, pois sendo filho de um anticlerical podia entrever de perto no que poderia consistir a ausência desta vocação para o eterno. Seu pai, Charles Daniélou fora deputado e ministro da 3.ª República francesa. Sua mãe, Madeleine Daniélou, era uma mulher cristã que fundou o Instituto de Santa Maria e uma universidade feminina gratuita. 

Jean Daniélou nasceu no dia 14 de maio de 1905 em Neuilly-sur-Seine, França. Realizou os seus estudos primários e secundários na sua cidade natal, para os continuar na Sorbonne onde termina a licenciatura em Letras e faz a agregação em Gramática no ano de 1927, tornando-se professor associado da mesma disciplina. E no ano de 1929 entra na Companhia de Jesus em Laval, onde fará os seus votos a 21 de novembro de 1931.

Após os estudos de teologia na Universidade Católica de Lyon, é ordenado sacerdote a 24 de agosto de 1938 e no ano de 1941, em plena 2.ª Guerra Mundial, volta a Paris para dar início ao seu doutoramento no Instituto Católico da capital francesa.

Durante este tempo é simultaneamente capelão do Grupo Católico de Letras e da Escola Superior Feminina de Sèvres. No ano de 1942 publica um pequeno livro intitulado “Le Signe du Temple ou de la Présence de Dieu”. Dado que o seu interesse intelectual e académico versava sobre os Padres da Igreja, Daniélou dá início em 1941, com o padre Henri de Lubac, à coleção “Sources chrétiennes, cujo primeiro volume foi “La vie de Moïs”, de São Gregório de Nissa, publicado em 1943. Em 1944 termina o seu doutoramento com uma tese sobre a espiritualidade daquele santo, tornando-se nesse mesmo ano professor de História das Origens do Cristianismo, no Instituto Católico de Paris.

Em 1961 o padre Daniélou torna-se decano da Faculdade de Teologia daquele Instituto e no ano seguinte, quando tem início o 2.º Concílio Ecuménico do Vaticano, é chamado a participar como “perito”, tendo trabalhado no documento “Gaudium et Spes”, sobre a relação da Igreja no mundo. Quatro anos após terminar o Concílio é ordenado bispo em Paris, no dia 21 de abril de 1969, sendo nomeado cardeal pelo Papa Paulo VI sete dias depois da ordenação episcopal. No ano de 1972, a 9 de novembro, o cardeal Daniélou é eleito membro da Academia Francesa, tendo sido oficialmente recebido na mesma no dia 22 de novembro de 1973, um ano antes da sua morte.

O cardeal Daniélou foi autor de numerosas obras no campo da História da Igreja no que diz respeito às suas fontes (“Origéne” [1948]; “Histoire des doctrines chrétiennes avant Nicée” em 3 volumes [1958]; “Les origines du christianisme latin”; “L’être et le temps chez Grégoire de Nysse” [1970]), contribuindo assim para um regresso às fontes histórico-patrísticas do cristianismo, do qual ainda hoje somos devedores e beneficiários, pelas preciosas e rigorosas edições das “Sources chrétiennes”.

Por L. Oliveira Marques in SNPC

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

Este blogue também é teu

São benvindos os comentários, as perguntas, a partilha de reflexões e conhecimento, as ideias.

Envia o link do blogue a quem achas que poderá gostar e/ou precisar.

Se não te revês neste blogue, se estás em desacordo com tudo o que nele encontras, não és obrigado a lê-lo e eu não sou obrigado a publicar os teus comentários. Haverá certamente muitos outros sítios onde poderás fazê-lo.

Queres falar?

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rioazur@gmail.com

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laioecrisipo@gmail.com (psicologia)


Nota: por vezes pode demorar algum tempo a responder ao teu mail: peço-te compreensão e paciência. A resposta chegará.

Os textos e as imagens

Os textos das mensagens deste blogue têm várias fontes. Alguns são resultados de pesquisas em sites, blogues ou páginas de informação na Internet. Outros são artigos de opinião do autor do blogue ou de algum dos seus colaboradores. Há ainda textos que são publicados por terem sido indicados por amigos ou por leitores do blogue. Muitos dos textos que servem de base às mensagens foram traduzidos, tendo por vezes sofrido cortes. Outros textos são adaptados, e a indicação dessa adaptação fará parte do corpo da mensagem. A maioria dos textos não está escrita segundo o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pelo facto do autor do blogue não o conhecer de forma aprofundada.

As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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