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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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terça-feira, 3 de abril de 2018

O túmulo vazio

Domingo de Páscoa, ou o Túmulo Vazio

Há quase dois mil anos, numa madrugada de domingo em Jerusalém, três mulheres iam a caminho de um sepulcro recentemente talhado na rocha. Estavam muito preocupadas: como remover a enorme pedra que fora utilizada para fechar a sepultura? Já nascera o sol e elas levavam consigo perfumes que tinham comprado para embalsamar o morto. Esta etapa do rito fúnebre estava deslocada da ordem correta, pois o que teria sido normal era que tivessem embalsamado o morto antes de fecharem a sepultura com a pedra. Mas não aconteceu assim. O sepultado tinha morrido (e de morte bem cruel) quando estava para começar o sábado judaico. Não houvera tempo para tratar o seu corpo com perfumes.

Ao chegarem ao túmulo, as mulheres viram, com espanto, que alguém já removera a pedra. Entraram dentro do túmulo: e foi aí que ficaram apavoradas. O morto tinha desaparecido. Lá dentro, estava sentado um jovem, vestido de branco, que elas não conheciam. O jovem diz às três mulheres: “é Jesus, o Nazareno, que procurais, o crucificado? Ressuscitou. Não está aqui” (Marcos 16:6). O jovem recomenda às três mulheres que vão dizer a Pedro e aos outros discípulos que Jesus foi à frente, rumo à Galileia: na Galileia é que eles o verão. As mulheres fogem do sepulcro, dominadas por um misto de tremor e de tresloucamento (a palavra grega é “ékstasis”, donde vem a nossa palavra êxtase). Só que elas não obedeceram às instruções dadas pelo jovem. Na verdade, aquelas mulheres “nada disseram a ninguém. Tinham medo, pois” (Marcos 16:8).

É nestes termos que o mais antigo relato da ressurreição de Jesus nos descreve o momento arrepiante em que Maria Madalena, Maria (mãe de Tiago) e Salomé depararam com o túmulo vazio. O Evangelho de Marcos termina assim, no ar, como que (musicalmente falando) em cadência interrompida. É sabido que, posteriormente, cristãos anónimos, insatisfeitos com este final abrupto, trataram de escrever mais umas frases em jeito de continuação, também para que o final do Evangelho de Marcos condissesse com o final dos outros três Evangelhos canónicos, em que os discípulos têm “experiências imediatas” de Jesus ressuscitado, nas quais Jesus conversa (e até come) com eles.

As palavras proferidas por Jesus ressuscitado e as circunstâncias em que essas palavras são ditas (que desmentem, no caso de Lucas, o que o jovem vestido de branco diz às mulheres no Evangelho de Marcos) apresentam diferenças significativas quando comparamos os Evangelhos. Diferenças que levantam obrigatoriamente perguntas e nos obrigam a pensar.

A pergunta mais imediata é imensamente sugestiva para todos aqueles agnósticos que, como eu, se interessam pela fascinante figura histórica que foi Jesus de Nazaré; e deveria ser basilar para crentes que veem n'Ele o Filho de Deus. E a pergunta é esta: qual é o grau de fidedignidade dos relatos que lemos nestes quatro Evangelhos a respeito da ressurreição de Jesus? Todos eles falam num túmulo vazio. Mas donde lhes veio essa informação? Já mencionámos que Marcos, que redigiu o mais antigo relato que conhecemos sobre o túmulo vazio, nos diz que as supostas testemunhas oculares (as três mulheres) ficaram tão apavoradas que não contaram nada a ninguém.

Ora em nenhum momento do seu Evangelho nos é dito por Marcos que ele, o evangelista, presenciou pessoalmente aquilo que nos está a narrar. O mesmo vale para Mateus e para Lucas. Também é facto que, se os três se arrogassem o estatuto de testemunhas oculares, ainda maiores seriam as nossas dificuldades com estes textos fundadores do Cristianismo. É que os relatos dos evangelistas não são coincidentes. E se há quatro versões distintas, a lógica mais básica impede-nos de aceitar que as quatro possam ser verídicas. Podem estar as quatro erradas. Mas não podem é estar todas certas.

Em Lucas, tal como em Marcos, temos como testemunhas Maria Madalena e Maria (mãe de Tiago); mas Lucas não as faz acompanhar por Salomé, como em Marcos, mas sim por uma tal de Joana. Além destas três mulheres, há outras (não nomeadas) que estão também com elas. Este “coro trágico” de mulheres é exclusivo do Evangelho de Lucas. Em vez de elas verem um jovem sentado dentro do túmulo, estas mulheres descritas por Lucas veem dois homens. Estão vestidos de trajes resplandecentes e dão às mulheres a notícia fulminante de que Jesus ressuscitou. Tal como as mulheres em Marcos, as do Evangelho de Lucas também ficam apavoradas. Mas ao contrário do que fazem as duas Marias e Salomé em Marcos, em Lucas as mesmas Marias e Joana contam tudo aos apóstolos.

No entanto, estes não lhes dão crédito e (de forma bastante machista) acham que elas estão a dizer uma “parvoíce” (Lucas 24:11). Pedro, porém, não deve ter achado as mulheres assim tão parvas: levanta-se e vai a correr até ao sepulcro, para ver o que se passa com os seus próprios olhos. Olha lá para dentro e não vê nada. Só vê, abandonadas, as ligaduras com que o corpo de Jesus tinha sido envolto aquando da sepultura.

Consideremos agora o relato de Mateus: no caso deste Evangelho, são só duas as mulheres que chegam ao túmulo no domingo de manhã. São as nossas já conhecidas Marias (a Madalena e a mãe de Tiago). Unicamente neste Evangelho, dá-se um sismo. As duas Marias veem então um anjo do Senhor “com aspeto de relâmpago” (Mateus 28:3). Os guardas que estão a guardar o túmulo ficam “como mortos” (estes guardas só existem no Evangelho de Mateus; mais nenhum evangelista os refere). O anjo informa as duas mulheres que Jesus ressuscitou. Elas saem depressa, eufóricas de alegria (e não apavoradas, como em Marcos e Lucas).

De repente, acontece uma coisa com que nem Marcos nem Lucas tinham sonhado: aparece-lhes Jesus em pessoa. Diz-lhes “não temais” (embora elas não estivessem com medo) e dá-lhes a incumbência de transmitir aos “irmãos” Dele a mensagem de que devem ir até à Galileia: será na Galileia que o contemplarão. E assim acontece em Mateus e em João (mas não em Lucas). Repare-se que, no Evangelho de Mateus, nenhum discípulo de Jesus (nem sequer Pedro) vai ao túmulo para ver, com os próprios olhos, o que se passou: mas isso sucede (como referimos) em Lucas. E acontece também em João.

É no Evangelho de João que encontramos o relato mais divergente sobre as circunstâncias relativas ao túmulo vazio. A diferença fulcral é que só neste Evangelho nos é dito que o autor do texto viu com os seus próprios olhos aquilo que está a descrever. João afirma categoricamente que viu o túmulo vazio: foi o primeiro a vê-lo, aliás (João 20:8), antes mesmo de Pedro. No Evangelho de João, as três mulheres (que vão ao túmulo em Marcos e Lucas) e as duas mulheres (de Mateus) estão agora reduzidas a uma só: Maria Madalena.
Madalena é o verdadeiro denominador comum dos quatro relatos sobre o túmulo vazio. É ela que chega sozinha ao túmulo no domingo de manhã: ainda estava escuro (contrariamente ao que nos diz Marcos, que afirma explicitamente que já nascera o sol). Ao ver a pedra removida da entrada, Madalena desata a correr. Vai dar logo a notícia a Pedro e ao discípulo “que Jesus amava” (João 20:2), que, por sua vez, se põem também a correr. Vão todos em alvoroço até ao túmulo, mas quem corre mais depressa é o próprio autor do Evangelho, o discípulo amado. É ele que chega primeiro ao túmulo. Espreita lá para dentro e vê os panos depostos. Pedro chega logo de seguida e entra no túmulo. O discípulo amado entra atrás dele. “Viu e acreditou”.

Quando, muitos anos mais tarde, o discípulo amado escreveu o seu Evangelho, comentou a propósito deste momento que nem ele nem Pedro tinham compreendido o que tinham diante dos olhos, pois “ainda não conheciam a passagem da Escritura, segundo a qual Ele tinha de ressuscitar dos mortos” (João 20:9). Nós, leitores modernos, podemos considerar perdoável este alegado desconhecimento da Escritura por parte dos dois discípulos, atendendo ao facto de em nenhuma passagem do Antigo Testamento se encontrar escrita noção semelhante.

Pedro e o evangelista voltam “para junto dos seus” e só Madalena fica sozinha a chorar no exterior do túmulo. Por entre as lágrimas, ela espreita lá para dentro e vê dois anjos sentados. Os anjos (que tinham acabado de descer do céu, ou então eram visíveis apenas para Madalena, já que Pedro e João não os tinham visto) dão-se conta do choro dela e perguntam-lhe porque está a chorar. Madalena responde “porque levaram o meu Senhor e não sei onde o puseram”. Madalena volta-se depois para trás e, nas palavras do evangelista, vê Jesus sem saber que era Jesus. Também Ele lhe pergunta a razão do choro. Julgando estar a falar com o jardineiro, Madalena pergunta-Lhe (num momento de subtil ironia poética digna da tragédia grega) se foi Ele que levou o corpo d'Ele. Jesus diz o nome dela: “Maria!”
É nesse momento (supremamente arrepiante mesmo para quem já leu o Evangelho de João centenas de vezes) que Madalena percebe.

A propósito das descrições divergentes do que se passou no túmulo vazio, dissemos acima que, quando temos quatro relatos que não coincidem sobre determinada realidade, somos impedidos pela lógica mais básica de aceitar que os quatro possam ser simultaneamente verídicos. Ou bem que estava um jovem sentado dentro do túmulo vazio (Marcos), ou dois homens (Lucas) ou um anjo (Mateus) ou dois anjos (João). Ou bem que foram três mulheres ao túmulo (Marcos e Lucas), duas mulheres (Mateus) ou só uma mulher (João). Estas personagens não cabem todas dentro e à porta do túmulo ao mesmo tempo. E mesmo que decantássemos a questão de modo a nos focarmos só na oscilação entre uma figura masculina (jovem ou anjo) e duas figuras masculinas (homens ou anjos), mesmo assim não faz sentido admitirmos que ambas as versões possam ter validade equivalente. Aceitando como realidade factual que Jesus foi crucificado numa sexta-feira da década de 30 do século I da nossa era e que, no domingo de manhã, o túmulo, onde tinha sido colocado o cadáver, estava vazio, temos de perguntar: o que aconteceu nessa sexta-feira? O que aconteceu nesse domingo de manhã? Qual será a verdade da ressurreição de Jesus? Qual será a verdade do túmulo vazio?

A resposta do crente é – claro está – a própria crença, território que não me compete pisar. O ateu encontrará talvez uma explicação racional no boato que Mateus pretende combater no final do capítulo 27 do seu Evangelho: os discípulos fizeram desaparecer o corpo de Jesus, de modo a dar a ilusão de que tinha ressuscitado. O túmulo estava vazio porque o corpo fora propositadamente removido.

Para aqueles que, como eu, não são crentes nem ateus, mas que leem de espírito aberto estes textos indispensáveis, constituirá porventura ressurreição suficiente o facto de, neste mundo onde Jesus de Nazaré morreu, podermos afirmar que, bem vistas as coisas, Ele afinal não morreu. Porque a verdade é esta: tanto crentes como não-crentes andaremos às voltas com Jesus nas nossas cabeças, enquanto houver seres humanos na Terra.

Frederico Lourenço, in Facebook

sexta-feira, 30 de março de 2012

terça-feira, 22 de março de 2011

Björk, o minimalismo e a música de Arvo Pärt

Na segunda-feira passada, o Grande auditório da Gulbenkian acolheu Passio, a Paixão de Jesus Cristo segundo João posta em música por Arvo Pärt.

Aparentemente a compositora islandesa Björk é uma admiradora da obra deste compositor nascido na Estónia e residente em Berlim. Em 1997 foi convidada pela BBC para entrevistar Arvo Pärt no programa Modern Minimalism:


Para Björk, a música de Pärt contém tanto espaço que se pode entrar nela e nela viver. Usou também a comparação com a história do Pinóquio: de um lado parece existir uma voz humana a errar, a sofrer e a causar sofrimento, do outro a voz (do grilo) ocupada em consolar. Pärt fica contente com a alusão e acrescenta que uma das vozes é como a condutora de pecados e a outra a remissão (perdão) dos mesmos.

A música de Arvo Pärt é tão espiritual que quase sempre parece entrar na experiência mística. E desde os anos 70 é igualmente uma música que aparenta uma grande simplicidade - para alguns é até simplista. Pärt usa poucos elementos: "uma nota tocada de forma bela ou um momento de silêncio são já suficientes". A tríade (as três notas de um acorde) são a base das suas obras. Tal como um sino fica a ressoar, e não se sabe ao certo quando tocou, assim também as tríades são distribuídas por vozes ou instrumentos que vão entoando em diferentes oitavas estes sons e que se tornam quase imatéricos, incaracterizáveis e irreconhecíveis. 

Em Passio, as vozes  - Jesus (baixo solista), Evangelista (quarteto vocal de solistas), Pilatos (tenor solista) e Multidão e restantes personagens (coro) - são caracterizadas subtilmente: duração de notas (tempo mais lento ou mais rápido), dinâmica (forte ou piano), timbre e tecitura (Jesus tem a voz mais grave) e acorde ou modo que percorrem (cada elemento da narrativa é fiel à harmonia que o caracteriza; a linha melódica não se afasta dela: vai percorrendo-a para cima e para baixo, por nota mantida ou por saltos entre oitavas). O texto em latim é o fio condutor e é trabalhado com o detalhe de quem saboreia cada sílaba.

Com o recurso a poucos elementos, a música contém uma variedade notável, em que a dissonância e a consonância, o silêncio, a alternância de timbre e de registo, de solos, duetos, trios, quartetos ou coro vão construíndo uma textura que nada tem de simples mas que soa a simplicidade. O órgão funciona como pano de fundo a quase toda a obra - parece a folha de papel em que o Evangelho está escrito - e o quarteto de instrumentos dialoga com o quarteto vocal, sendo-lhe complementar ao interpretar aquilo que fica por dizer ou realçar o que é dito .

Eis um comentário à música que tive o prazer de escutar neste princípio de semana, e um desafio para que os nossos leitores descubram esta música incontornável e profundamente espiritual deste compositor que dá sons aos mistérios de Deus.

sábado, 19 de março de 2011

A Paixão em música: Arvo Pärt na Gulbenkian

Na próxima segunda-feira, dia 21 de Março de 2011, às 19h no Grande Auditório da Gulbenkian, poder-se-á ouvir a obra "Passio" do compositor Arvo Pärt (já o referi várias vezes no blogue). Os intérpretes vêm do Porto: Coro Casa da Música e Remix Ensemble e a direcção será de Paul Hillier.


Esta obra é construída a partir dos textos da Paixão do Evangelho de S. João. A não perder!

"Since he left Estonia in 1980, Arvo Pärt concentrated on creating a new musical language and on the composition of works based on religious texts which have been incorporated in the standard repertories of choirs all around the world. Hillier is a dedicated performer of Arvo Pärt’s music and has developed a narrow and extensive cooperation with the composer. Passio is based on St John’s Gospel."

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Um desenho para ler

Antes de me despedir - estarei ausente durante alguns dias - envio o cartão de Natal que a Capela do Rato distribuiu este ano. O  texto é do evangelho segundo S. João, o desenho é de Rui Aleixo (os cartões impressos têm na retaguarda uma oração de José Tolentino Mendonça).

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Condenar a homossexualidade é como voltar a condenar Galileu

O que qualquer cristão deve saber sobre a homossexualidade
"E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará!" (João 8,32)
10/10


A Bíblia é um conjunto de livros muito antigos, repletos de imagens simbólicas, parábolas e figuras de estilo. Interpretar as Escrituras literalmente demonstra ignorância e fanatismo (…).

Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender por agora. Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, há-de guiar-vos para a Verdade completa" (João 16,12-13).

Assim como Galileu nos ensinou a verdade a respeito da Astronomia, corrigindo a visão da Bíblia e opondo-se à crença dos cristãos da sua época, também, na actualidade, todos os ramos da Ciência garantem que a homossexualidade é um comportamento normal, saudável e tão digno moralmente como a orientação sexual da maioria das pessoas. Negar esta evidência científica é repetir a mesma ignorância intolerante do Papa que condenou Galileu.

Não devemos temer a verdade que liberta, pois o próprio Jesus nos indicou o exemplo do "doutor da Lei instruído acerca do Reino do Céu” que “é semelhante a um pai de família, que tira coisas novas e velhas do seu tesouro" (Mateus 13,52).

Mesmo que o Papa ou os pastores continuem a negar os direitos humanos dos gays e lésbicas, mesmo que cristãos ignorantes continuem a repetir as ultrapassadas abominações do Antigo Testamento, para os verdadeiros crentes o que conta é o exemplo do Filho de Deus, Jesus Cristo, que nunca condenou a prática da homossexualidade.

"Conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres" (João 8,32).


Sugestões de Leitura:
  • Homossexualidade: Ciência e Consciência, de Marciano Vidal (Edições Loyola, SP, 1985).
  • A sexualidade humana: novos rumos do pensamento católico americano, de Anthony Kosnik (Editora Vozes de Petrópolis, RJ, 1982).
  • Pastoral com homossexuais, do Padre José Transferetti (Editora Vozes de Petrópolis, RJ, 1999).
Adaptação de uma publicação do blogue http://www.ggb.org.br/cristao.html que está a ser apresentada em várias mensagens.

Ler no blogue:
da rubrica O que qualquer cristão deve saber sobre a homossexualidade http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/biblia-fala-dos-homossexuais.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/o-que-apareceu-primeiro.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/casamento-homossexual-ha-3400-anos-e-as.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/o-hino-de-amor-homossexual-da-biblia.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/antigo-testamento-e-homo-erotismo.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/sodoma-e-gomorra-condenacao-da.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/qual-e-o-verdadeiro-pecado-de-sodoma.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/12/sao-paulo-condena-os-homossexuais.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/12/o-exemplo-de-acolhimento-de-jesus.html
sobre homossexualidade ao longo da história
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/05/homossexualidade-luz-dos-tempos.html

O exemplo de acolhimento de Jesus

O que qualquer cristão deve saber sobre a homossexualidade
"E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará!" (João 8,32)
9/10

O maior argumento para se provar que as Escrituras Sagradas não condenam o amor entre pessoas do mesmo género, é o facto de Jesus Cristo nunca dito nada contra os homossexuais! Se o "homossexualismo" fosse uma coisa tão abominável, certamente o Filho de Deus teria incluído esse tema na sua mensagem.

O que Jesus condenou foi a dureza de coração, a intolerância dos fariseus hipócritas, a crueldade dos que dizem “Senhor, Senhor”, mas esquecem-se da caridade e do respeito pelos outros (Cf. Mateus 7,21). E foi o próprio Messias que deu o exemplo da “tolerância” para com os "desviados", andando e comendo com prostitutas, pecadores e publicanos.


E há mais: Jesus Cristo mostrou-se particularmente aberto à homossexualidade, revelando carinhosa predilecção por João Evangelista, "o discípulo que Jesus amava", que, na última Ceia, esteve ternamente recostado no peito do Divino Mestre. Há teólogos que chegam a sugerir que Jesus seria homossexual pois, além de nunca ter condenado o homo-erotismo, conviveu predominantemente com companheiros do seu próprio género, manifestou particular predilecção pelo adolescente João e nunca se casou, além de revelar muita sensibilidade para com as crianças e pelos lírios do campo, comportamentos muito mais comuns entre homossexuais do que entre “machões”.


O ensinamento do discípulo que Jesus amava não podia ser mais claro: "Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus" (1 João 4,7).


Adaptação de uma publicação do blogue http://www.ggb.org.br/cristao.html que está a ser apresentada em várias mensagens.


Ler no blogue:
da rubrica O que qualquer cristão deve saber sobre a homossexualidade http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/biblia-fala-dos-homossexuais.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/o-que-apareceu-primeiro.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/casamento-homossexual-ha-3400-anos-e-as.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/o-hino-de-amor-homossexual-da-biblia.html
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sobre homossexualidade ao longo da história
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/05/homossexualidade-luz-dos-tempos.html

domingo, 7 de novembro de 2010

... sorri

PROTO-POEMA DE TODOS OS VERSOS

E como setas alvejando um torso mártir
contra ti, raivosos, dirão palavras vis

– todos os tormentos farão por te infligir.
Seta venenosa, rodilha com vinagre,

o cálice de infâmia, todos os suplícios
– até escutarem o teu último gemido.

Na hora mais amarga e triste e desolada
a cabeça, mesmo amarrado, contorcido

no estertor do martírio mantém levantada.
Com dor, a desmaiar de fraqueza, sorri:

lembra-te de João de corpo reclinado
sobre o ombro de Nosso Senhor Jesus Cristo

– e também do amigo de peito de David,
chamado Jónatas, conforme diz a Bíblia.

In O casamento sempre foi gay e nunca triste, de José António Almeida

mais do mesmo livro:
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/10/basta-de-suicidios.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/10/viver-de-cara-descoberta.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/10/luz-sem-ocaso.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/10/ser-bom-cristao.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/09/um-dia-paneleiro-sera-sinonimo-de.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/09/nao-ha-pronto-vestir-gay.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/09/o-homossexual-de-hoje-nasceu-do.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/09/grandeza-do-cristianismo.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/09/o-casamento-sempre-foi-gay-e-nunca.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/09/o-santo-vai-nu.html
ver também:
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/11/o-amigo-de-david.html

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

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São benvindos os comentários, as perguntas, a partilha de reflexões e conhecimento, as ideias.

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Os textos e as imagens

Os textos das mensagens deste blogue têm várias fontes. Alguns são resultados de pesquisas em sites, blogues ou páginas de informação na Internet. Outros são artigos de opinião do autor do blogue ou de algum dos seus colaboradores. Há ainda textos que são publicados por terem sido indicados por amigos ou por leitores do blogue. Muitos dos textos que servem de base às mensagens foram traduzidos, tendo por vezes sofrido cortes. Outros textos são adaptados, e a indicação dessa adaptação fará parte do corpo da mensagem. A maioria dos textos não está escrita segundo o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pelo facto do autor do blogue não o conhecer de forma aprofundada.

As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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