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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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segunda-feira, 25 de março de 2019

O Franciscano à frente do Banco

Pobreza e Poder

Partilho o artigo do Observador, intitulado "De onde vem a influência de Vitor Melícias, o padre "malandreco" que manda no Montepio". Ao contrário do que o título sugere, não se trata de um artigo sensacionalista ou difamatório. Partilho-o com os meus leitores por me parecer interessante e por levantar algumas questões ligadas à presença e acção de um cristão no mundo e, neste caso concreto, a acção pública, social e mediática de um sacerdote e de um religioso em meios políticos, sociais, empresariais e económicos. Demito-me de opiniões e deixo que cada um formule as suas.


quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Sobre o divórcio entre Igreja e Arte moderna e contemporânea

«A arte pode viver sem desconfiança» em relação «ao mundo do espírito»

O escultor Rui Chafes, recentemente distinguido com o Prémio Pessoa, está convicto de que arte e espírito não têm de ser antagónicos, ainda que a contemporaneidade tenha perdido uma das características da Idade Média, o «ir para Deus através da arte».

Em entrevista publicada este sábado no suplemento do semanário "Expresso", Chafes (n. Lisboa, 1966) diz que «tecnicamente» não se considera uma pessoa religiosa, embora pense que o seu trabalho «está muito próximo do sentido religioso das pessoas».

«Por vezes é como se não estivesse a trabalhar por vontade própria mas como alguém que obedece a uma voz que lhe diz "agora vais fazer isto"», voz que «é qualquer coisa imaterial, misteriosa, espiritual e absolutamente irracional», assinala.

Rui Chafes, que também se exprime artisticamente através do desenho, menciona também a «separação da arte da igreja, no mundo ocidental»: «Esse afastamento mútuo está relacionado com o modernismo. Com o facto de a Igreja desconfiar da arte moderna e a arte moderna desconfiar da Igreja».

«Alguma arte tentou consolar as pessoas que ficaram órfãs dessa vida espiritual. E esse consolo é muito curioso porque transforma a arte numa divindade, numa religião. Dá um sentido às coisas. Houve artistas que quiseram ser uma espécie de xamãs para uma humanidade sem religião. E isso é um motivo de esperança e ao mesmo tempo de ceticismo», declara.

A «atração» que sente pela Idade Média funda-se, entre «várias razões», na «proximidade entre as pessoas e a arte, através de uma coisa que elas não sabiam o que era, que era a fé, a espiritualidade».

«Uma catedral era uma imensa instalação que tinha pintura e escultura, era uma obra de arte total, um ir para Deus através da arte. Isso perdeu-se. Creio que hoje já aprendemos a respeitar a arte como uma linguagem possível e partilhável e não ter de ir vê-la ao jardim zoológico», afirma.

A mudança na forma como a arte é vista é feita de passos, como as obras que o próprio Rui Chafes tem em igrejas da Áustria e da Alemanha, ou «quando a catedral de Colónia encomenda um vitral a Gerhard Richter» ou quando uma «igreja em Zurique encomendou vitrais a Sigmar Polke».

Referindo-se à relação da arte com a Igreja, Rui Chafes sustenta que «há uma convergência», e dá como exemplo um projeto que tem em mãos: «Eu vou fazer uma instalação na igreja de São Cristóvão, em Lisboa. Num projeto do Paulo Pires do Vale, que vai dinamizar a igreja com peças de vários artistas».

«O padre [Edgar Clara], que é um homem novo, tem uma visão sem complexos do que pode ser a participação das pessoas na igreja. E isso mostra que a arte pode viver sem desconfiança e sem ressabiamento em relação ao mundo do espírito».

Chafes lembra que «cineastas como Tarkovski, por exemplo, tiveram mil razões para fugir da Rússia, mas o que se passava é que ele tinha uma necessidade imensa dessa espiritualidade e a Rússia dos anos 60 e 70 negava-lhe isso».

Questionado sobre se a sua religião é a arte, o escutor é perentório: «Sim, absolutamente. A minha religião é a arte, a música, a literatura, que é tudo a mesma coisa. E se não houver nem música, nem pintura, nem escultura, se não houver arte, caímos na barbárie, como o Estado Islâmico quer».

«Talvez por isso se pergunte se o Estado Islâmico tem alguma coisa a ver com religião e claro que não tem, tem a ver com terrorismo. Com crime. Com assassinos», acentua.

E será que a arte pode salvar? «É uma boa ideia», mas não é certo que possa acontecer: «Pelo menos a arte não pode salvar uma sociedade, não pode salvar uma política, não pode salvar um sistema social. Mas pode salvar a ética das pessoas, pode dar esperança e nesse sentido pode salvar o mundo».

A «única bandeira política» que considera «realmente válida é o anarquismo» - onde se sente acompanhado por «grandes companheiros, como Jesus Cristo e Friedrich Nietzsche» -, sistema político que seria «civilizado, não violento, feito de e para pessoas responsáveis e que não precisariam de polícias nem de soldados».

«Para mim não existe arte se não houver essa ambição de criar silêncio, de criar um momento onde o tempo é suspenso. E alguma arte contemporânea suspende o tempo», assinala Rui Chafes.

Com o valor de 60 mil euros, o Prémio Pessoa, atribuído pelo "Expresso" com o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos, reconhece a intervenção de uma personalidade portuguesa na vida cultural e científica de Portugal.

Para os autores da entrevista, Alexandra Cabrita e Celso Martins, a atribuição da distinção a Rui Chafes «valoriza a coerência de um programa e a teimosia de uma ética inabalável».

Rui Jorge Martins
Publicado pelo SNPC a 19 de dezembro de 2015

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Primeiro-damo

Durante a manhã, Destenay juntou-se às primeiras-damas numa visita ao Museu Magritte
(Foto de Eric Lalmand/AFP/Getty Images)
O marido do primeiro-ministro luxemburguês

Não é uma notícia nova, mas só agora consegui publicá-la. Partilho-a mas desejaria que não fosse necessário escrever notícias sobre estes assuntos... que o respeito fosse regra em todas as sociedades humanas.

"É a foto de família das primeiras-damas da NATO. Entre nove mulheres, está um homem. É Gauthier Destenay, o marido do primeiro-ministro do Luxemburgo.

***

Já é habitual. As mulheres dos líderes mundiais que se reúnem nas cimeiras da NATO posam para a fotografia oficial das primeiras-damas. A deste ano introduz um pormenor histórico. Pela primeira vez, há um marido de um primeiro-ministro entre as nove mulheres. É Gauthier Destenay, casado com o líder do Luxemburgo.

A fotografia foi tirada na passada quinta-feira durante um jantar no Castelo Real de Laeken, na Bélgica, enquanto os líderes mundiais estavam reunidos. De fato preto e gravata azul, Destenay posou na segunda fila ao lado dos vestidos e saltos altos das primeiras-damas.

Destenay estava atrás da mulher de Donald Trump e de Emine Erdogan, mulher de Tayyip Erdogan, Presidente da Turquia. Brigitte Trogneux, mulher de Emmanuel Macron, Presidente da França, também estava na fotografia.

Gauthier Destenay, de 44 anos, é arquiteto e casou com o atual primeiro-ministro luxemburguês, Xavier Bettel, em 2015, numa cerimónia com cerca de 500 convidados no Cercle Cité no Place d’Armes, no centro da capital, tornando-se o primeiro líder homem a casar com alguém do mesmo sexo durante o seu mandato. Na altura, o casamento foi visto como um sinal de abertura para o Luxemburgo."

In Observador, a 26 de Maio de 2017

O Casamento

"Xavier Bettel, primeiro-ministro do Luxemburgo, casou-se com Gauthier Destenay. Este é o primeiro casamento homossexual de um líder europeu.

***

O primeiro-ministro do Luxemburgo, Xavier Bettel e o seu parceiro Gauthier Destenay chegaram de mão dada à câmara municipal da capital para se casarem.

A cerimónia civil aconteceu durante a tarde de sexta-feira, dia 15 de maio, e juntou a imprensa e cerca de 250 pessoas. Antes de Bettel entrar na câmara municipal com o seu parceiro, o primeiro-ministro luxemburguês desejou que todos os presentes sejam tão felizes como ele esteve durante o dia do seu casamento.

Tal como previa Stéphane Bern, amigo próximo e locutor francês, foi uma cerimónia “rápida mas com um simbolismo muito forte.

Para além de Bern, estavam entre os convidados Félix Braz, ministro da Justiça luxemburguesa e François Bausch, ministro das Infraestruturas. Também esteve presente o especialista em sociedade Pierre Dillenburg, que recentemente celebrou o seu casamento com Roland Hüdsch.

Charles Michel, primeiro-ministro belga, também assistiu ao acontecimento. Em declarações à imprensa, Michel acredita que este casamento é um sinal de abertura luxemburguesa a certos assuntos sociais, numa altura em que a homofobia cresce na Europa.

Xavier Bettel torna-se o primeiro líder europeu a casar com alguém do mesmo sexo. Após a cerimonia, Bettel e Destenay celebraram a união com cerca de 500 convidados no Cercle Cité no Place d’Armes, no centro da capital. As celebrações continuaram amanhã no La Gaichel, o prestigiado restaurante com uma estrela Michelin.”

In Observador, a 15 de Maio de 2017

Vozes de um bispo chegam ao céu

A propósito da recente morte do antigo bispo de Setúbal D. Manuel Martins, partilho um artigo de Setembro passado em modo de homenagem

Morre um bispo, vai morrendo meia Igreja
Marcelo Rebelo de Sousa na análise aos “católicos progressistas”.

Por Paulo Mendes Pinto

"Quando no dia 19 de Abril assisti à apresentação do livro de Joaquim Franco e António Marujo sobre o Papa Francisco (Papa Francisco - A Revolução Imparável, Manuscrito, 2017), não esperava grande reflexão por parte de Marcelo Rebelo de Sousa, que apresentava a obra. A simples presença do Presidente da República na inspiradora igreja do convento dos dominicanos, em Lisboa, era por si só motivo de aglomeração de gentes. Era já um facto inegável e um momento especial. Mas nada me faria prever uma mensagem que fosse além do que seria normal dizer sobre a pastoral de um jesuíta auto transformado em Francisco.

Mas como o melhor da vida são as coisas inesperadas, a apresentação do livro feita pelo Chefe de Estado fez jus ao que de melhor tem o professor Marcelo Rebelo de Sousa. Católico, conhecedor da realidade da sua Igreja, ator e personalidade atenta a esse universo e a toda a sociedade civil, Marcelo rapidamente complementou a sua reflexão sobre o Papa Francisco com uma reflexão sobre os autores, a forma apaixonada como abordaram este Papa e, acima de tudo, o próprio catolicismo nacional.

Teria sido muito bom se muitos bispos tivessem assistido à única e irrepetível aula de Marcelo sobre Cristianismo Contemporâneo e, em especial, sobre catolicismo e sociedade no Portugal contemporâneo. Se todos o sabemos conservador, de direita, o que ele afirmou foi de uma sobriedade, de um esclarecimento, de uma capacidade de entender o tecido social e a sua relação com as instituições, verdadeiramente única.

Que os autores do livro se posicionavam do lado dos que aguardavam do Papa ainda mais reformas, ainda mais posições a favor das questões sociais, das problemáticas que a Igreja tem vindo a adiar, isso era claro para Marcelo, tal o era para todos os que, em sintonia, assistimos à sessão. Mas Marcelo foi mais longe. Ao olhar intelectualmente para os autores, para o Joaquim Franco e para o António Marujo, fazendo a ressalva das suas jovens idades, colocava-os na genealogia dos católicos progressistas da década de sessenta do século passado.

E ao alinhar estes dois jornalistas com essa plêiade de intelectuais católicos, e de esquerda, valorizava de forma clara, explicitando-o, o lugar social da luta de esquerda dentro de uma Igreja que não pode ser monolítica. O ponto alto, para um quase êxtase místico de muitos que não esperavam ouvir isto, foi quando o católico e conservador Presidente da República afirmou que hoje faz falta, à Igreja e à sociedade, o incómodo, a luta desses católicos comprometidos com um discurso político de esquerda. E a Igreja está mais pobre na medida em que esse grupo vindo das décadas de sessenta e de setenta se vai erodindo, vai perdendo gente e espaço social, vai sendo menos influente. Essa via de pensamento e de atitude faz falta à Igreja Católica, afirmava Marcelo Rebelo de Sousa.

E hoje, essa via faz ainda mais falta. Faleceu talvez a voz mais consequente dos chamados católicos de esquerda, o “Bispo Vermelho”. É claro que a vitalidade de pensamento da Igreja Católica em Portugal tem várias outras vozes de consenso com a rutura, que não se preocupam por se aproximarem das margens, por fazerem novo pensamento fora da tradição e do imobilismo que gera o conservadorismo. Podemos ler Frei Bento Domingues, o.p., tal como o fazemos com Anselmo Borges. Podemos ter sempre a voz também incómoda e até irreverente de Januário Torgal Ferreira, bispo emérito das Forças Armadas e de Segurança, ou de Frei Fernando Ventura. Mas retomo Marcelo Rebelo de Sousa na sua ímpar capacidade de analisar a complexidade social.

Se as sociedades são diversas, se as interpretações dos Textos Sagrados são, também elas, diversas, então a unanimidade nunca será saudável em horizonte religioso, qualquer que ele seja. Marcelo Rebelo de Sousa deu-nos duas lições nessa sessão. Por um lado, que faz falta a diversidade, especialmente quando ela funciona como alarme social para nos fazer pensar e agir. Mas, por outro, deu-nos uma segunda lição: que a diversidade é sempre positiva e deve ser valorizada. Quem dera que os católicos de esquerda tivessem hoje mais peso, disse Marcelo.

Hoje têm, de facto, menos peso, numa Igreja que precisa destas vozes que nos estremeçam e nos retirem da letargia. Seja na Igreja Católica ou noutra confissão, seja em casa, na família ou no trabalho.

Ser conformado é a pior das sinas.

Coordenador da área de Ciências das Religiões da Universiade Lusófona"
In Público, 26 de Setembro de 2017

sábado, 26 de abril de 2014

Cuidar da democracia

Rui Aleixo
(detalhe de pintura colectiva no 30º aniversário do 25 de Abril de 1974)
O Espírito da Democracia

Ao fazer quarenta anos, o 25 de Abril quis celebrar com grande festa. Tem havido um sem-número de iniciativas: publicaram-se volumes de história contemporânea com enorme interesse; a música de intervenção voltou a ser escutada nas rádios; organizaram-se colóquios; rebuscou-se imagens e protagonistas no fundo silencioso dos arquivos. A par disso, desencadearam-se polémicas, algumas que parecem ainda inevitáveis, outras talvez nem por isso. Mas tudo cabe numa festa.

O 25 de Abril de 74 constitui efectivamente um marco. Trouxe-nos o regime democrático e o que ele representa em termos de cidadania e de cultura; operou a descolonização, conseguindo uma saída pacífica e digna para conflitos que pareciam insolúveis; recolocou Portugal no desígnio europeu, ajudando a vencer um persistente isolacionismo. O 25 de Abril qualifica-nos assim com uma herança imensa. E, sem dúvida que, como sociedade e nação, precisamos de reencontrar-nos com essa memória, envolvendo nela as novas gerações.

Mas o que o 25 de Abril nos legou não é propriamente uma obra acabada, que nos cabe apenas conservar. Pensemos na democracia. Claro que a instauração do regime representa um extraordinário momento histórico. Mas a democracia não está feita. É em cada dia, em cada ciclo que ela se constrói e reinventa para poder cumprir-se. A democracia tem muitas ameaças, que mesmo não sendo ameaças ao sistema, são ofensas ao espírito da democracia: e elas provêm sobretudo da pobreza, do desemprego, da exclusão e da injustiça.

Cabe-nos a todos, mas de forma particular aos que democraticamente nos representam, zelar pela saúde da democracia. Quarenta anos depois da revolução de Abril, o pior que nos podia acontecer era contentarmo-nos por vivermos formalmente num estado democrático e abandonarmos as inquietações do espírito da democracia, que nos obriga a fazer festa, é verdade, mas também a arregaçar as mangas. Como dizia Sophia de Mello Breyner Andresen, o 25 de Abril é o «dia inicial».

José Tolentino Mendonça
In Agência Ecclesia / Com SNPC
© SNPC | 25.04.14

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Um novo mapa no Vaticano

Papa Francisco revoluciona a geografia: Terceiro Mundo passou a ser o Primeiro

Com a lista dos novos cardeais divulgada este domingo (os primeiros do seu pontificado) e com o discurso ao Corpo Diplomático desta segunda-feira (também este pela primeira vez), o papa Francisco confirmou a sua maneira de entender a geografia.

Aquele que, com efeito, é comummente designado "Terceiro Mundo" é o primeiro nas suas atenções. E aquilo que para os outros é "periferia", encontra-se na realidade no centro do seu interesse pastoral, político (no sentido nobre da palavra) e humano.

Esta revolução geográfica é patente quer nas escolhas relativas ao Colégio Cardinalício, quer nas situações evidenciadas diante dos embaixadores de todo o mundo acreditados no Vaticano.

Assim, mesmo através destes atos que poderiam manifestar-se como institucionais, Francisco fala a linguagem que lhes é mais própria. Coloca diante dos olhos do mundo as situações mais frágeis e mais dolorosas, para que quem pode e deve ocupar-se delas, o faça verdadeiramente a todos os níveis.

Num certo sentido podemos dizer que o papa - ele que, como João Paulo II e Bento XVI, é profundamente mariano - recitou o seu pessoalíssimo Magnificat, especialmente no verso que diz «[Deus] exaltou os humildes».

Só assim se compreende a escolha de bispos de dioceses do Terceiro Mundo que nos seus países (como o Haiti e as Filipinas, por exemplo) nem sequer são aquelas consideradas mais importantes.

E só assim se compreende também o acento colocado, no discurso ao Corpo Diplomático, em temas basilares do magistério de Bergolgio, como a recusa da cultura do descartável, a defesa das crianças de pragas como o aborto, o tráfico ou o alistamento à força, ou a atenção sobre a necessário contribuição no interior da sociedade por parte dos jovens e idosos.

Dos discursos desta segunda-feira podemos igualmente extrair uma espécie de regra de ouro do pensamento do papa Francisco. Uma regra que vale tanto nas relações interpessoais como entre os Estados, e que o próprio pontífice formula nestes termos: a geografia do primeiro papa latino-americano da história é precisamente a geografia de quem não cessa de caminhar em direção ao outro, sobretudo se habita na periferia.

Quer seja a periferia de uma grande cidade, de uma nação ou de um continente (vejam-se, a este propósito, as análises dos focos de guerra e de miséria sobretudo em África, contidas no discurso aos embaixadores), isso para o papa não faz diferença.

O que Francisco leva mais a peito é que em toda à parte, graças à cultura do encontro, regresse a paz, da Síria à Coreia, do Egito aos Grandes Lagos. Paz não só como ausência de guerra, mas como autêntica fraternidade no interior da grande família humana. O único elemento verdadeiramente indispensável para repensar o cenário do mundo.

In Avvenire | Com SNPC
© SNPC (trad.) | 13.01.14

Teresa Forcades, uma freira do nosso tempo

Entrevista a Teresa Forcades. Freira catalã aceita o aborto e o casamento gay

Por Marta F. Reis
publicado em 22 Out 2013

Irmã beneditina é um rosto da luta pela independência catalã e defende abertamente o direito ao aborto e o casamento homossexual. Vem a Portugal em Novembro

Aos 47 anos, a irmã beneditina Teresa Forcades, com formação em medicina e teologia, divide a vida no mosteiro de St. Benet de Montserrat, a uma hora de Barcelona, com uma participação política intensa, como não tem receio de dizer. É uma das caras do movimento de cidadania Procés Constituent, que está criar o modelo para um estado independente e livre do capitalismo na Catalunha. Vem a Portugal em Novembro, para apresentar o seu livro "A Teologia Feminista na História", agora com tradução portuguesa. Não deixa ninguém indiferente: desde Abril, o movimento catalão reuniu 45 mil militantes. Na internet, há uma petição com 4700 assinaturas que pede à Santa Sé para intervir e repor a paz e calma abalada por Teresa, que defende o aborto ou casamento homossexual. Do Vaticano, diz só ter recebido uma carta em 2009, à qual que respondeu invocando o seu direito à opinião.

Em Setembro a BBC chamou-lhe a freira mais radical da Europa. Gosta deste título?
Nunca gostei de rótulos. Gosto que, em vez de me porem um rótulo, que quem fale de mim seja porque me conhece. Agora, a verdade é que acredito que o Evangelho nos pede uma resposta radical perante a injustiça social. Se é por isso que me chamam radical, porque digo que não se pode servir a Deus e ao dinheiro e hoje temos um sistema económico que coloca acima das pessoas o dinheiro, está certo. É o que sou. É isso que procuro denunciar.

Sente-se a fazer política?
Creio que a palavra política é boa. O que não estou a fazer, nomeadamente na Catalunha, é a criar um partido político. Não me sinto a fazer política partidária, política profissional. Também não sinto que esteja a substituir a minha vocação monástica por uma vocação política. Mas, partindo da minha vocação monástica, assim como todas as pessoas que participam no movimento Procés Constituent têm distintas vocações profissionais, percebemos e defendemos que uma democracia pede a participação política de todas as pessoas. Uma coisa é política partidária e outra, o que quero fazer, é participar em assembleias locais, dar a minha opinião e contribuir para que a vida comum o seja de verdade. Este tipo de mudança nunca pode vir de cima. Para mim o mais importante é que se estruture o poder popular, que nos organizemos para viver realmente em democracia. E precisamos de todos: seja igreja ou não igreja, de todos.

Sentiu necessidade pessoal de participar neste movimento ou fê-lo para mostrar que a igreja também faz parte da sociedade civil?
Entrei para o movimento porque me pediram. Como na Catalunha tenho uma certa popularidade, quando se começa um movimento ter caras conhecidas é importante e fui chamada a dar a cara por ele. Pus a minha popularidade ao serviço de uma causa que considero justa. Não pensei em mais nada, foi espontâneo. Agora sim, dei-me conta de que para muita gente foi uma maneira de pensar que na igreja também há margem para participar nos movimentos de mudança e nos processos democráticos.

Em Portugal vemos padres a comentar política, mas não vemos irmãs, parecem mais escondidas. É também um sinal para as mulheres da igreja?
Sim, isso também é importante para mim. Defendo que as mulheres na igreja devem ter um papel de igualdade em todos os sentidos.

Inclusive poderem celebrar uma missa?
Tenho dito que acredito que, teologicamente, não há nada contrário a isso.

Há uma semana tiveram um momento importante para o vosso movimento, uma concentração.
Sim, tivemos aquilo a que chamámos o primeiro acto central do Procés Constituent, movimento que começou a 10 de Abril. Chamámos a estes primeiros seis meses o ou vai ou racha, não sabíamos se teríamos apoio popular suficiente. Agora entrámos numa nova fase onde o mais importante é termos uma estrutura que nos permita tomar decisões e que nos permita ter influência na política do nosso país. Temos de arranjar uma organização que nos permita afirmarmo-nos e abranger todos. Já somos 45 mil pessoas, somos muitos não é?

Estava à espera de tanta adesão?
Neste acto central reunimos 10 mil pessoas, o que já foi bastante. Mas o que importa é que estamos organizados em quase cem comunidades locais por toda a Catalunha. Agora lançámos uma campanha que se intitula Construímos a República Catalã de 99%, o que exclui uma margem de 1% que é o poder corrupto e instalado. No dia 16 de Novembro vamos ter uma jornada nacional de assembleias em simultâneo e, a 30 Novembro, vamos ter acções de desobediência civil, com um potencial importante de maior mobilização.

Deixam-na fazer esse tipo de acções no mosteiro?
Bom, tive de consultá-los antes de começar. Falei com o bispo e com a minha comunidade e, não estando todos de acordo, estão de acordo que se sinto que isto é um chamamento a algo que devo fazer, não me querem impedir.

Mas sente-o como um chamamento?
Quando mo pediram não saiu de mim. O que fiz foi levar esse pedido a oração, como tudo, e através do meu discernimento senti a responsabilidade de dizer que sim. Estou no movimento não como responsável final, mas como alguém empenhado em tornar esta voz cada vez maior.

O bispo deve ser uma pessoa aberta...
O bispo é um homem de paz, uma pessoa que não entende a sua tarefa de pastor como autoritária mas de serviço.

Sente a mesma empatia com o Papa Francisco?
Creio que o Papa Francisco tem dado sinais de esperança mas, ao mesmo tempo, muito conscientes de que há uma estrutura na igreja que é contrária a mudanças no sentido de justiça. Creio que na igreja temos um défice de democracia real, quero dizer, somos muitas pessoas mas as decisões são tomadas por poucas. Estou com os olhos e ouvidos abertos na esperança de que o Papa Francisco consiga avançar. Mas para mim o importante é que, quer na igreja, quer na sociedade, termos mais justiça social nunca será um movimento de cima para baixo. O Papa Francisco só vai poder fazer mudanças se se aliar com as pessoas de baixo que há muitos anos as pedem. O Papa Bom, João XXIII, fez mudanças com o concílio Vaticano II mas não as fez sozinho. Pode fazê-lo porque durante todo o século XX houve muitos movimentos, como o da reforma litúrgica ou da nova teologia, com pessoas que falavam publicamente e pediam uma aproximação da igreja católica à modernidade. Foi essa base que João XXIII impulsionou no seu papel de Papa. Acho que é nessa posição que está Francisco: não será ele a gerar mudanças. Até porque acredito que, de cima para baixo, só vêm más mudanças, como vemos hoje nos cortes sociais que estamos a ter nos nossos países. Francisco se o fizer vai fazê-lo porque há uma base na igreja católica que há anos pede mudanças.

É um apelo silencioso?
Silencioso e muito na oração. Trabalho com as mãos, com o coração e com a mente. Isto a que chamamos oração é um mistério profundo. Quando falo das pessoas que trabalharam nos últimos anos por mudanças, não falo só das que se reuniram em comissões, que produziram textos e fizeram manifestações públicas. Falo muito das pessoas que no seu coração e na oração pedem mudanças.

Como é que a igreja pode mudar no sentido de apoiar mais a sociedade?
Acho que é essencial a reforma intraeclesial. Hoje há muitas pessoas que se emocionam com os evangelhos e têm um respeito profundo pela figura de Cristo. Mas esbarram logo contra estruturas da igreja impossíveis, que não conseguem aceitar. Por isso acho que o primeiro dever da igreja para com a sociedade é oferecer a mensagem de Cristo sem acrescentar coisas supérfluas.

Por exemplo?
Esta estrutura que obriga, por exemplo, a ter de fazer uma liturgia numa sala previamente consagrada. Pode fazer-se uma liturgia num bosque, mas alguns bispos não o permitem. Qualquer limitação que exista nesse sentido não vem no evangelho. Por exemplo, que os sacerdotes não possam celebrar a eucaristia com divorciados e um divorciado não possa comungar. A comunhão e qualquer outro sacramento não deve ser negado nunca a ninguém.

Nem a divorciados, nem a homossexuais?
Era o que faltava, a ninguém e desde que o peçam. Agora, bom, se for o Pinochet, alguém que comete crimes claros e públicos de que não se arrepende, aí veria uma possibilidade de negação. Agora pessoas que pensam de forma distinta, homossexuais, divorciados ou pessoas que abortaram, nunca se lhes deve negar um sacramento.

Defende mesmo o casamento homossexual. Com que fundamento?
O matrimónio é um sacramento que viabiliza o amor fiel e pessoal entre dois. Penso que sempre que um casal se ama de forma sincera e fiel, deve poder celebrar esse amor como sacramento, quero dizer, como sinal de amor de Deus. Se a possibilidade de procriar fosse um requisito para o sacramento, não deveria ser permitido casar mulheres pós-menopáusicas e isso a igreja sempre o permitiu.

A sua posição em relação ao aborto é também controversa.
Penso que não se deve impor a nenhuma mulher que continue a gravidez. Acho que a atitude que respeita a liberdade da mulher é a mais próxima da forma como acredito que Deus nos trata. Agora, insisto, isto não é porque eu acho que o aborto não tenha importância. Para mim tem importância. Agora eu não quero que a mulher que pensa de forma diferente de mim seja obrigada a continuar a gravidez. Não digo que é igual fazer ou não um aborto, acho que é preciso ajudar a mãe a tomar uma decisão em favor da vida mas respeitando a sua última decisão.

Mas como é que esse respeito se concilia com o mandamento da igreja não matarás?
Trata-se de um conflito entre dois direitos fundamentais: o direito à vida e o direito à autodeterminação. Nunca um ser humano deve ser considerado um meio para salvar a vida de outra pessoa ou grupo de pessoas. O ser humano é sempre um fim em si mesmo, nunca um meio. A minha pergunta é: porque é que não se obriga um pai que tenha um rim compatível a doá-lo para salvar a vida do seu filho? Qual é o princípio moral católico que permite que isso não lhe seja imposto? Porque é que esse princípio não é aplicável no caso da mãe?

Tem problemas com o Vaticano com estas posições?
Em 2009 recebi uma carta da Congregação para a Doutrina da Fé e respondi com uma explicação que está publicada num livro "Diálogos com Teresa Forcades". [Pediram-lhe que manifestasse publicamente a sua adesão à doutrina católica e Forcades disse que respeita o magistério da igreja, mas tem direito a manifestar opiniões contrárias.]

Ainda pratica medicina?
Não. No mosteiro fiquei encarregue da enfermaria mas ultimamente tenho feito alguns estudos e estou a escrever sobre a medicalização da sociedade. É uma forma de continuar ligada.

O que é que a preocupa?
Não só o excesso de medicalização a que assistimos nas nossas sociedades mas sobretudo esta ideia de que os problemas das pessoas se tratam com comprimidos. Veja-se o tratamento da hiperactividade das crianças: temos 10% das crianças medicadas, com medicamentos cuja forma de actuação é parecida com a cocaína. Nos EUA temos uma percentagem de 45% dos jovens que já foram diagnosticados, em algum momento da vida, com depressão. E medicados. Aceito que alguns tenham problemas, mas 45% é impossível, seria uma epidemia.

Isto é falta de quê?
De muitas coisas. Antes achava-se que era normal passar pela idade da estupidez na adolescência. A pessoa começa a pensar fora do núcleo familiar, apaixona-se pela primeira vez, desafia os pais. É normal que tenha dias em que está em baixo. Agora uns pais dizem "anima-te, é normal", outros dizem logo que é preciso ir ao psiquiatra. As famílias têm cada vez menos tempo, o estilo de vida cada vez reduz o tempo entre pais e filhos.

Quando era jovem, pensou em ser freira mas rejeitou essa ideia por causa do celibato. Só entraria para o mosteiro depois dos 30. O que mudou?
Na adolescência pensava que não podia ser feliz se não tivesse um companheiro. Hoje aceito que a vida de comunidade também tem as suas compensações. É diferente da vida de casal, mas desde que sou freira não quer dizer que não tenha experiências de enamoramento. Agora de cada vez que me apaixonei, foi uma comoção. A pessoa é apanhada desprevenida, mas tem de trabalhar isso, sempre entendendo que o que Deus quer a felicidade e não a repressão.

Era capaz de viver em clausura?
Eu vivo em clausura, mas na ordem beneditina temos a clausura constitucional, em que podemos sair. Há outro tipo de clausura que nunca vivi que é a clausura papal, instituída em alguns conventos femininos no século XVI e onde tudo é imposto de fora, não podem sair. Não acho bem.

Tem planos para vir a Portugal em breve?
Sim, em Novembro. Vou apresentar o meu livro e participar num congresso sobre teologia feminista, nos dias 14 e 15.

No seu Facebook há muitas críticas à austeridade. Trata de uma mensagem também nesse sentido?
Vejo a austeridade como algo positivo por isso o que desejo é que se mude o nome das medidas impostas pela troika europeia aos países que não cumprem os seus critérios de convergência económica: não são medidas de austeridade, são medidas de criminalidade. Impõem sanções aos cidadãos com rendimentos mais modestos e desviam o dinheiro, via resgates bancários, para os mais ricos.

sábado, 2 de novembro de 2013

A política: forma elevada da caridade

Envolvimento na política «é uma obrigação para um cristão»

«Envolver-se na política é uma obrigação para um cristão», vincou o papa esta sexta-feira, ao responder a perguntas colocadas por algumas das nove mil crianças e jovens de escolas e movimentos Jesuítas com quem se encontrou no Vaticano. Os cristãos não podem «fazer de Pilatos, lavar as mãos»: «Devemos implicar-nos na política, porque a política é uma das formas mais elevadas da caridade, visto que procura o bem comum», frisou Francisco (…). «Os leigos cristãos devem trabalhar na política. Dir-me-ão: não é fácil. Mas também não o é tornar-se padre. A política é demasiado suja, mas é suja porque os cristãos não se implicaram com o espírito evangélico. É fácil atirar culpas... mas eu, que faço? Trabalhar para o bem comum é dever de cristão», apontou.

Francisco pediu aos participantes para se tornarem «homens e mulheres com os outros e para os outros, verdadeiros campeões no serviço aos outros». «Num mundo que tem tanta riqueza e tantos recursos para dar de comer a todos, não se pode compreender como há tantas crianças esfomeadas, tantas crianças sem educação, tantos pobres. A pobreza, hoje, é um grito. Todos nós devemos pensar se nos podemos tornar um pouco mais pobres», assinalou.

O papa sublinhou que «a esperança se encontra em Jesus pobre», e que ele é quem abre «a janela ao horizonte». Francisco afirmou ainda que não quis ser papa e explicou que prefere viver na Casa de Santa Marta, e não no Palácio Apostólico, como os seus antecessores, porque gosta de «estar entre as pessoas».

(…)
O elemento fundamental do ensino é fazer com que os estudantes aprendam a ter «o coração grande» e «grandes ideais», sublinhou Francisco, que não leu o discurso previamente redigido. (…) «Não se pode educar apenas na zona de segurança; isso é impedir que a personalidade cresça. Mas também não se pode educar apenas na zona de risco, que é demasiado perigoso», acrescentou.

Rui Jorge Martins
Com agências
in SNPC (texto) a 07.06.13

Breve retrato da Coreia do Norte

"Haverá pelo menos dez mil católicos a viver a fé em segredo"

«Pelo menos dez mil norte-coreanos continuam a cultivar a fé católica na profundidade do seu coração, mas é difícil crer que possa existir uma Igreja subterrânea» no país, acredita Lee Eun-hyung, padre da Coreia do Sul. As declarações do secretário-geral da Comissão para a Reconciliação do Povo Coreano, organismo criado em 1999 no âmbito do episcopado da Coreia do Sul, foram publicadas esta sexta-feira no site "Vatican Insider".

Numa conversa com a Ajuda à Igreja que Sofre, fundação internacional que a ação pastoral em países onde os católicos são perseguidos ou têm falta de meios financeiros, o sacerdote descreveu as condições da população da Coreia do Norte e recordou as suas três viagens à capital, a última das quais em 2011. «De cada vez que estive em Pyongyang celebrei missa na igreja católica de Jangchung, a única reconhecida pelo regime. Havia sempre muitas pessoas sentadas nos bancos mas não posso dizer se eram católicos, dado que fui severamente proibido de me aproximar e falar com eles», referiu. A comunidade de Jangchung é orientada por um leigo que todos os domingos celebra a Liturgia da Palavra: «Não poderia ser de outra forma porque não me parece que haja algum sacerdote na Coreia do Norte».

O número de católicos no país asiático é praticamente impossível de determinar: «As autoridades falam de três mil fiéis, mas não sabemos se esse dado é credível nem como foi calculado». Os últimos números remontam a 1945, ano da divisão das duas Coreias, quando os católicos no Norte eram mais de 50 mil e Pyongyang era considerada a "Jerusalém do Oriente". «Nesse tempo a obra dos missionários era muito viva e até a mãe de Kim Il-sung, o imperador que morreu em 1994, pertencia a uma família protestante muito devota», assinala o padre Lee. Havia também muitas igrejas cristãs, quase todas destruídas durante a guerra de 1950-53 ou que a seguir ao conflito foram atribuídas pelo regime a outras finalidades.

A Coreia do Norte está hoje entre os países em que a liberdade religiosa é maioritariamente negada, mas apesar dos longos anos de perseguição religiosa o padre Lee acredita que pelo menos dez mil pessoas continuam ativamente ligadas ao catolicismo. Uma tese que parece encontrar confirmação em muitos dos testemunhos de refugiados norte-coreanos, que falam de mulheres idosas sentadas em círculo, passando grãos pela mão como se estivessem a rezar o terço.

«Quando se ultrapassa a "cortina de bambu" tem-se a impressão de voltar no tempo pelo menos 40 ou 50 anos. Além da grave falta de alimentos, a população não tem nada para se aquecer», afirmou o responsável. A enorme necessidade de lenha conduziu ao abate de muitas árvores, com o consequente aumento de deslizamentos de terra e inundações. «Em 2007 demos mais de 300 mil caixas de carvão. A nossa camioneta conseguiu chegar até Kaesong, a poucos quilómetros da fronteira, e apesar de ser severamente proibido, falámos com habitantes da localidade e ouvimos as suas dificuldades», disse.

Há três anos, em 2010, a Coreia do Sul interrompeu a ajuda humanitária ao vizinho do norte: «Todas as nossas atividades de ajuda foram suspensas. AGora esperamos uma mudança de política da parte do presidente Lee Myung-bak. Infelizmente conhecemos perfeitamente as muitas necessidades do lado de lá da fronteira». «Através da associação católica Joseon, a única reconhecida pelo regime de Kim Jong-un, continuam a chegar pedidos de ajuda à Comissão para a Reconciliação do Povo Coreano. E a igreja de Jangchung precisa de obras urgentes», assinalou.

Para o padre Lee, a retoma do diálogo entre os dois países é a única solução possível: «As tensões agravaram as condições da população norte-coreana. E mesmo a nossa economia ressentiu-se. Uma guerra causaria apenas feridas mais profundas. Os acordos e a cooperação são o único caminho de saída desta situação angustiante».

Vatican Insider
publicado in SNPC (trad.) a 07.06.13

domingo, 20 de outubro de 2013

O Papa que compreende o desapontamento com a incoerência na Igreja

Papa compreende os jovens desiludidos com políticos e maus padres


in PÚBLICO a 27/07/2013

Francisco compreende e dá o seu apoio moral aos "numerosos" jovens que não confiam nas instituições políticas e perderam a sua fé devido a escândalos como o da pedofilia que surgiu no seio da Igreja Católica.

Jesus “se une aos numerosos jovens que não confiam nas instituições políticas, porque vêem egoísmo e corrupção”, uma alusão a todos os que, em todas as latitudes, estão desgostosos com a classe política e com as suas falsas promessas. Mas as críticas não vão só para a sociedade. Francisco disse também que se une aos que "perderam a fé na Igreja, e mesmo em Deus, devido à incoerência dos cristãos e dos ministros do Evangelho”.

Estas declarações surgiram, ao final do dia de sexta-feira, depois da encenação da Via Sacra – uma cerimónia que para os católicos descreve a paixão e morte de Jesus –, levada a cabo na 28.ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que decorreu na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, Brasil, com a presença de centenas de milhares de pessoas.

O Papa pediu “coragem” e garantiu aos jovens que o Cristo, com a cruz, percorre as nossas estradas para tomar os nossos medos, os nossos problemas, mesmo os mais profundos”. “Com a cruz, Jesus junta-se ao silêncio das vítimas da violência que não podem gritar, sobretudo aos inocentes e àqueles que estão desamparados”, referiu, acrescentando: “Jesus une-se às famílias que estão em dificuldades, que choram a morte dos seus filhos ou que sofrem, vendo-os presos em paraísos artificiais, como a droga”.

“Jesus une-se também a todas as pessoas que sofrem de fome num mundo que a cada dia joga no lixo toneladas de comida”, afirmou. Com a cruz, acrescentou, “Jesus une-se àqueles que são perseguidos pela sua religião, pelas suas ideias, ou simplesmente pela cor da sua pele”.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Co-adopção SIM, Adopção ainda não

Portugal dá mais um passo

A adopção de crianças por parte de casais do mesmo sexo voltou a ser chumbada no Parlamento esta sexta-feira, com votos contra de deputados do PSD, PS e CDS. As propostas do Bloco de Esquerda e de Os Verdes pretendiam alargar a possibilidade de adopção. Já a proposta de co-adopção conseguiu passar. Desta forma, passa a ser possível estender ao outro elemento do casal ou da união de facto o vínculo de parentalidade que o outro cônjuge já tem em relação à criança.


O que se discutiu
A proposta de co-adopção em casais do mesmo sexo foi apresentada por Isabel Moreira e Pedro Delgado Alves (PS). Esta forma jurídica existe em vários países e permite que “numa situação conjugal ou de união de facto homossexual, havendo uma criança adoptada por um deles, a outra parte possa também ser co-adoptante”, explicou então Isabel Moreira. Esta sexta-feira a deputada socialista considerou que se estava perante “um passo civilizacional”, mas que “chega atrasado para pais e mães e para crianças que muitas vezes na sua inocência desconhecem que o Estado desconsidera um dos seus pais”. Já os projectos-lei do Bloco de Esquerda e de Os Verdes pretendiam pôr fim à discriminação de casais de pessoas do mesmo sexo no acesso à adopção.

Posições e votos
Havia liberdade de voto nas bancadas do PS e do PSD. Estavam presentes 203 deputados. O projecto da co-adopção registou 99 votos a favor, 94 contra e 9 abstenções. A maioria dos votos contra veio das bancadas do PSD e do CDS. António Braga e João Portugal (PS) também votaram contra a possibilidade de co-adopção. Todos os deputados do PCP, BE e Verdes votaram a favor.
O projecto do Bloco de Esquerda que previa a eliminação da impossibilidade de adopção de casais do mesmo sexo recebeu 104 votos contra (maioria dos deputados do PSD, 6 deputados do PS e a bancada do CDS), 77 a favor (Bloco de Esquerda, Os Verdes, maioria do PS e 12 deputados do PSD. A bancada do PCP absteve-se. Já a proposta de Os Verdes registou o mesmo sentido de voto que a proposta do Bloco.De registar que o PCP absteve-se perante a possibilidade de adopção, quando no debate de 2012 tinha votado contra.

Na véspera do debate, a Amnistia Internacional apelou aos grupos parlamentares para votarem favoravelmente a adopção homossexual. Também a Associação para o Planeamento da Família (APF) voltou a manifestar-se a favor. “Hoje em dia há um consenso científico sobre esta matéria da parentalidade homossexual, a qual sempre existiu, embora não tão explícita”, disse Duarte Vilar, secretário-geral da APF.

Mais polémico foi Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, que enviou um parecer negativo à Assembleia da República sobre os diplomas em causa. Marinho Pinto argumentou que “os casais do mesmo sexo têm muitos direitos, muitos dos quais, infelizmente, ainda não estão sequer reconhecidos", mas "não têm, seguramente (nem devem ter), direito a adoptar, porquanto esse pretenso direito colide frontalmente com o direito das crianças a serem adoptadas por uma família natural". Um grupo de advogados demarcou-se desta posição.

In dezanove (com títulos alterados)

Brasil: a Justiça decidiu!

Casamento entre 2 pessoas do mesmo sexo é legal no Brasil

Por 14 votos a 1, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou esta terça-feira uma resolução que obriga todos os cartórios do Brasil a celebrar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Ao contrário do que ocorreu nos outros países onde este direito está estabelecido, coube à justiça e não ao parlamento aprovar o casamento igualitário.

O tema foi proposto ao CNJ pelo presidente, Joaquim Barbosa, que também preside o Supremo Tribunal Federal (STF), instância máxima do sistema judicial brasileiro. O casamento entra em vigor mal seja publicada a deliberação no Diário de Justiça, que deverá ocorrer ainda esta semana.
"É vedada às autoridades competentes [os cartórios] a recusa de habilitação, celebração de casamento civil ou de conversão de união estável em casamento entre pessoas de mesmo sexo", refere a resolução, que apresenta as sanções para os cartórios que decidam não cumprir a norma: "A recusa prevista no artigo 1° implicará a imediata comunicação ao respectivo juiz corregedor para as providências cabíveis".
Em 2011, o STF já tinha reconhecido, por unanimidade, a equiparação da união civil homossexual à heterossexual, permitindo que casais de pessoas do mesmo sexo tivessem direitos como herança e pensões. Neste momento o casamento entre pessoas do mesmo sexo é possível em 14 países. Na América Latina é legal na Argentina e no Uruguai. França e o estado do Minnesota foram os mais recentes territórios a dizer “sim”.

In dezanove

quarta-feira, 15 de maio de 2013

A co-adopção entra no parlamento

Projecto do PS sobre co-adopção por casais do mesmo sexo perto de ser viabilizado
 
Por Agência Lusa publicado em 14 Maio 2013 - 18:29   Membros da direção da bancada do PS, que em Fevereiro de 2012 se abstiveram perante os diplomas do BE e de "Os Verdes", admitem agora votar a favor do projecto socialista O projeto do PS sobre co-adoção de crianças por casais do mesmo sexo tem já amplo apoio na esquerda parlamentar e poderá ser viabilizado se obtiver mais de 20 votos entre deputados da maioria PSD/CDS.
Na sexta-feira, na Assembleia da República, são discutidos e votados em plenário um projeto do PS que pretende consagrar a possibilidade de co-adoção pelo cônjuge ou unido de facto do mesmo sexo, dois diplomas do Bloco de Esquerda que permitem a adoção de crianças por casais do mesmo sexo e um outro do Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) que alarga as famílias com capacidade de adoção.

Se os diplomas do Bloco de Esquerda e de "Os Verdes" constituem reapresentações de projetos já reprovados em fevereiro do ano passado pela maioria dos deputados do PSD e do CDS e por todos os do PCP, já o projeto do PS, por incidir mais numa questão de extensão de direitos de parentalidade e de proteção de menores, poderá ser viabilizado. Na votação de 24 de fevereiro de 2012, nove deputados do PSD votaram já a favor e três abstiveram-se face a um projeto do PEV sobre adoção por casais ou unidos de facto do mesmo sexo, que ainda recolheu no CDS um voto a favor (Adolfo Mesquita Nunes) e uma abstenção (João Rebelo).

Na próxima sexta-feira, perante um projeto do PS com um alcance mais limitado, acredita-se que o número de apoios poderá subir nas bancadas da maioria, sobretudo no PSD, mas também na esquerda parlamentar.

Em declarações à agência Lusa, a deputada independente socialista Isabel Moreira, primeira subscritora do diploma sobre co-adoção, afirmou esperar agora alcançar um muito maior apoio entre os 230 deputados, sobretudo na bancada do PS, que em fevereiro de 2012 registou apenas oito votos contra e cerca de uma dezena de abstenções face ao projeto mais maximalista do Bloco de Esquerda sobre adoção por casais do mesmo sexo. "Está em causa uma questão de direitos humanos, de proteção de menores. Com o nosso projeto, pretende-se evitar que uma criança possa ficar de um momento para o outro duplamente órfã. Em caso de morte do pai biológico ou da mãe biológica, é essencial que esteja garantida do ponto de vista jurídico a parentalidade do outro cônjuge ou unido de facto, impedindo-se por essa via a desproteção total da criança", salientou Isabel Moreira. Isabel Moreira invocou ainda em defesa do seu diploma uma decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, a qual, na sua opinião, forçará "mais tarde ou mais cedo" Portugal a alterar a legislação em matéria de proteção da criança e de adoção por casais ou unidos de facto do mesmo sexo.

Membros da direção da bancada do PS, que em fevereiro de 2012 se abstiveram perante os diplomas do Bloco de Esquerda e de "Os Verdes", admitiram agora à agência Lusa votar a favor do projeto socialista "mais moderado" sobre co-adoção. Por outro lado, vários deputados do PS referiram também a recente posição do Partido Socialista Francês (PSF), que se uniu em torno da defesa da adoção por casais do mesmo sexo.

De acordo com a deputada ecologista Heloísa Apolónia, a recente experiência francesa "foi muito importante, porque ajudou as pessoas a ganharem ainda maior consciência sobre o que está em causa" com a adoção por casais do mesmo sexo. "Estou convencida que a adoção por casais do mesmo sexo será aprovada mais tarde ou mais cedo. Se não for desta vez, com o amadurecimento das ideias, com a reflexão que as pessoas estão a fazer, será na próxima", sustentou a deputada ecologista. "Desde a América do Sul até à Europa, está a haver um progresso muito rápido nestas matérias. Estamos perante um verdadeiro 'boom'", apontou por sua vez Isabel Moreira.
*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico*
Publicado em ionline

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Casamento religioso entre pessoas homossexuais na Dinamarca

Uma nova lei para uma antiga questão

Dinamarca foi o primeiro país do mundo a permitir que casais homossexuais oficializem uniões civis (07 de junho de 1989). Novamente a Dinamarca foi pioneira no mundo. O Parlamento aprovou uma lei permitindo que o casamento (idêntico ao previsto para heterossexuais) ocorra na Igreja Evangélica Luterana (oficial do Estado dinamarquês). A legislação, porém, deixa aos pastores a opção de realizarem a cerimónia ou de pedirem que outro assuma a responsabilidade, caso considerem que a mesma contrarie as suas convicções. No entanto, por imposição da lei, são obrigados a ajudar o casal a encontrar um pastor. Novos rituais foram escritos por dez dos onze bispos da Igreja em espírito de "boa cooperação", disse um deles.


A lei foi apresentada pelo governo de centro-esquerda no início do ano e foi aprovada com 85 votos a favor e 24 contra no dia 07 de junho de 2012, quando completava exatamente 23 anos a lei da parceria civil. O ministro da Igualdade de Género e de Assuntos Eclesiásticos, Manu Sareen, membro do Parlamento, considerou o voto “histórico”. “É muito importante dar a todos os membros da igreja a possibilidade de se casarem. Actualmente apenas os casais heterossexuais têm permissão”, disse, em entrevista ao jornal The Telegraph. O ministro opôs-se ao porta-voz do direitista Partido do Povo Dinamarquês, que afirmou ao mesmo jornal que o “casamento deveria ser entre um homem e uma mulher”.

A nova lei deve entrar em vigor em 15 de junho deste ano.

Actualmente, no continente europeu, são oito os países que aprovaram a completa igualdade no casamento civil - Holanda, Bélgica, Suécia, Noruega, Espanha, Portugal, Islândia e Dinamarca.

Conheça um pouco mais dos direitos LGBTs na Dinamarca:

Anti-discriminação
Discriminação com base na orientação sexual é proibida nas áreas de emprego e prestação de bens e serviços.

Reconhecimento de género legal de pessoas trans
A Dinamarca tem procedimentos administrativos para obter o reconhecimento legal de género após a cirurgia.

Parceria reconhecimento
Na Dinamarca, casais do mesmo sexo podem casar. Para quem não quer casar, o país também fornece o registro de coabitação de casais do mesmo sexo conferindo direitos limitados.

Direitos parentais
Casais do mesmo sexo têm direito a solicitar um conjunto adopção de crianças e cada um dos outros filhos biológicos.
Inseminação medicamente assistida (tratamento de fertilidade) está disponível para casais de lésbicas.

Direito Penal em discurso de ódio / crime
A orientação sexual está incluído na lei sobre o ódio e a violência é reconhecida como factor agravante.

in direitos fundamentais Lgbt
adaptação de rioazur

quinta-feira, 28 de abril de 2011

A crise que se vê

Quando é que começamos mesmo?
Quando estive em Lisboa da última vez, há semanas, avisaram-me que o país estava deprimido. Que isso se via na rua, nos rostos. Foi pouco depois da demissão de José Sócrates e pouco antes de se chegar ao facto de que Portugal terá que pedir emprestados cerca de 90 mil milhões de euros, um futuro que se adivinha mais negro que nunca. Vi, pois, aquilo de que me avisaram: gente a falar de Economia e a manobrar palavras com números como não me lembrava, conversas de café a começarem e acabarem no mesmo ponto, o aperto em que qualquer gesto quotidiano fora do colete de forças orçamental se transformou. E ouvi muita gente falar de uma espécie de política do medo que impera agora nas empresas, onde as chefias intermédias assustam os de baixo para obedecer aos de cima. Chamem-me cínica ou otimista, mas se estas chefias intermédias usassem a sua liderança para serem solidárias com quem precisa, algumas soluções para os problemas sociais, políticos e até mesmo económicos em Portugal poderiam estar mais perto. O problema é que quem chega ao poder não quer arriscar e isso em Portugal é ainda mais endogéneo. Sim, vi depressão mas vi também uma energia e uma vontade de mudança, com gente disposta a falar - mas que depois se cala e eu pergunto porquê? Ou essa energia é agarrada agora, pelas causas certas, ou o momentum passa e lá ficamos mais uma vez a pensar na mudança que nunca fizemos. Quando é que começamos mesmo?  

Este texto integra a próxima edição (n.º 15) do "Observatório da Cultura", publicação semestral do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

Joana Gorjão Henriques
Jornalista
in SNPC

sexta-feira, 25 de março de 2011

Uganda contra todos os maus presságios

Turner
Lei que agravaria penas por homossexualidade é abandonada pelo Governo ugandês

Segundo declarações do Ministro da Informação o governo decidiu acabar com o projecto de forma definitiva. O site Box Turtle Bulletin revela que embora o presidente dos Assuntos Jurídicos e Comissão Parlamentar tenha agendado a lei anti-homossexualidade para debate na comissão o governo interveio e decidiu acabar com o projecto.

O projeto de lei anti-homossexual, se aprovado, iria aplicar a pena de morte aos gays e lésbicas, em determinadas circunstâncias, nomeadamente para "reincidentes" - que seriam aplicáveis ​​a qualquer pessoa que teve mais de um relacionamento. A actual lei de Uganda já prevê 20 anos ou prisão perpétua. A nova lei também teria tornado simples actos como um toque entre pessoas do mesmo sexo uma ofensa criminal. A lei ameaçava professores, médicos, amigos e familiares com prisão de três anos, se não relatassem qualquer suspeito de ser gay à polícia num prazo de 24 horas. Até os próprios advogados de acusados de homossexualidade poderiam ser implicados pela proposta.



Embora o governo tenha tomado a decisão, isto não significa que seja a favor de direitos para gays e lésbicas. E o Ministro Kabakumba foi claro: "Claro que estamos preocupados e não toleramos a homossexualidade em nosso país. Isso deve ser muito, muito, muito claro. Está na Constituição, que não a toleramos."

O governo tem consciência que isto não é apenas uma questão interna, mas com ramificações em todo o mundo, sobretudo na ameaça que representam para a ajuda externa ao país. A ajuda externa representa cerca de um terço do orçamento do Uganda e da economia local.

in portugalgay

Reportagem sobre toda esta recente história no youtube

Homofobia na Moldávia

Lei anti-discriminação sob ataque na Moldávia

Um projeto de lei apoiado pelo governo para proibir a discriminação contra gays e lésbicas, entre outras, está sob ataque no Parlamento da Moldávia, onde está a ser debatida.

De acordo com a ILGA-Europa, um número de deputados pediram a supressão da expressão "orientação sexual" do projeto de lei depois de terem sido encorajados a fazê-lo por "evangélicos americanos de direita."



Em 17 de março, cerca de 150 activistas anti-LGBT organizaram um protesto em frente do Parlamento pedido aos "Homossexuais fiquem em casa."

A ILGA-Europa disse: "retórica agressiva homofóbica por parte de organizações religiosas e parlamentares já resultou em ameaças feitas aos membros do GenderDoc-M, a principal organização de direitos LGBT na Moldávia. Alexei Marcicov, presidente da organização, foi agredido verbalmente e pedras foram atiradas contra ele perto de sua casa. Outros defensores dos direitos humanos que apoiam a lei anti-discriminação foram ameaçados nas ruas e perto de suas casas. "

O co-presidente da ILGA-Europa, Martin K.I. Christensen, afirmou (...) "A Moldávia comprometeu-se a aprovar uma lei anti-discriminação para proteger todas as minorias no âmbito do seu acordo de liberalização de vistos com a União Europeia", disse. "Pedimos à União Europeia que reafirmasse a sua posição perante as autoridades moldavas e responsabilize-as dos seus compromissos."

A ILGA-Europa é a região europeia da ILGA, Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais Transsexuais, Transgéngeros e Intersexo.

Por Rex Wockner in portugalgay

Defense of Marriage Act (DOMA): o novo combate nos EUA

Proposta de revogação da DOMA apresentada no Congresso norte-americano

Foram apresentadas propostas nas duas câmaras do Congresso com vista à revogação da lei que proíbe o reconhecimento federal de casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

As propostas de revogação da Defense of Marriage Act (DOMA) foram apresentadas na passada quarta-feira 16 de março quer na Câmara dos Representantes quer no Senado.

Actualmente a DOMA proíbe o governo federal de reconhecer o casamento entre pessoas do mesmo sexo e dá cobertura aos estados que se recusam a reconhecer os casamentos realizados noutros locais dos EUA.

A proibição de reconhecimento federal foi recentemente considerada inconstitucional pelo presidente Barack Obama e pelo Departamento de Justiça, que parou de a defender numa série de ações judiciais federais em curso.

Na mesma ocasião, o departamento declarou que toda e qualquer discriminação baseada na orientação sexual, tal como acontece com a discriminação baseada em raça ou religião, é inconstitucional automaticamente na ausência de alguma necessidade governamental especial que justifique tratamento diferente de gays e lésbicas.



O projeto de revogação da DOMA, chamada Respect for Marriage Act (algo como "Carta de Respeito pelo Casamento"), poderá não chegar a ser votada em qualquer das câmaras ainda este ano, embora seja provável que avance no Senado, que é controlado pelos democratas.

O projecto foi apresentado na Câmara dos Representantes por Jerry Nadler, John Conyers, Barney Frank, Tammy Baldwin, Jared Polis e David Cicilline, sendo que estes últimos quatro são abertamente homossexuais. Por outro lado foi apresentada no Senado por Dianne Feinstein, Patrick Leahy e Kirsten Gillibrand. Na Câmara, Nancy Pelosi, líder da minoria e Steny Hoyer fiscalizadora da minoria estão entre os mais de 100 patrocinadores da medida. Recorde-se que a Câmara tem 435 votantes, 242 do partido republicano e 193 do partido democrata.

"O debate sobre DOMA não é sobre se é a favor da igualdade do casamento, é sobre se o governo pode selecionar quais os casamentos que gosta, e quais os que não gosta", disse Joe Solmonese, presidente da Human Rights Campaign. "É hora de o governo federal deixa de favoritismos e cria um campo de jogo igual para todas as famílias."

"Em 1996, a DOMA era apenas uma discriminação hipotética porque todos os estados excluíam casais do mesmo sexo no casamento", acrescentou Solmonese. "Hoje temos uma visão muito mais concreta - como discriminação tangível, de cortar o coração, na vida real."

A DOMA priva os ​​casais do mesmo sexo legalmente casados de cerca de 1100 direitos e benefícios federais do casamento - incluindo os benefícios de Segurança Social de sobrevivência, cobertura de sáude do cônjuge de funcionário federal, proteções contra a perda de casas por cônjuges durante emergências médicas, o direito de patrocinar um parceiro estrangeiro para efeitos de imigração, e a capacidade de apresentar uma declaração fiscal conjunta.

Kate Kendell, directora executiva do National Center for Lesbian Rights, disse que a revogação "irá corrigir um ponto vergonhosamente baixo na história da nossa nação."

"A DOMA foi aprovada num momento muito feito de intolerância anti-gay", disse ela. "Cada dia que se mantém em efeito, a DOMA prejudica famílias, estigmatiza os nossos relacionamentos e perpetua um clima de hostilidade para todas as pessoas LGBT".

A diretora do Projeto Casamento da Lambda Legal, Jennifer Pizer, disse que o seu grupo "teve relatos de inúmeros casais do mesmo sexo que, por causa da DOMA, tiveram de pagar mais impostos federal relativos a seguro de saúde, viram negadas prestações familiares essenciais através da Segurança Social, suportaram a separação dolorosa se um dos cônjuges não é um cidadão americano, e enfrentaram uma série de outras injustiças desde as mais insignificantes a situações dramáticas. "

Pizer afirma que "a DOMA fez algo que nunca tinha acontecido antes na história dos EUA". Concluindo que a DOMA "definiu que o governo federal iria fingir que toda uma classe de pessoas legalmente casadas ​​não são realmente casadas devido a opiniões religiosas ou morais de outras pessoas sobre estes casais, ou porque não se encaixam na forma como um número de pessoas cada vez menor imagina a família".

A Diretora Executiva da National Gay e Lésbica Task Force, Rea Carey disse: "É chocante que, na América do século 21, casais do mesmo sexo legamente casados sejam apontados e vejam ser seletivamente negados direitos fundamentais pelo seu próprio governo federal."

Uma recente pesquisa nacional pela Greenberg Quinlan Rosner Research, paga pelo HRC, constatou que 51 por cento dos eleitores se opõem à DOMA e apenas 34 por cento a apoiam.

O casamento entre pessoas do mesmo sexo é legal no Connecticut, Iowa, Massachusetts, New Hampshire, Vermont e Washington, DC. Além disso, os casamentos de gays e lésbicas em qualquer parte do mundo são reconhecidos legalmente, em Maryland, México, Nova Iorque, Rhode Island e Califórnia (se o casamento ocorreu antes da aprovação da Proposition 8), apesar de estes estados não permitirem a realização de casamentos entre pessoas do mesmo sexo. 

Por Rex Wockner par portugalgay

quinta-feira, 24 de março de 2011

Uganda: leis contra os homossexuais ainda mais duras

Lei anti-homossexuais vai ser apresentada ao parlamento ugandês novamente

A lei que criminalizaria ainda mais a homossexualidade no Uganda está prestes a ser apresentada no parlamento. O Parlamento de Uganda vai rever na próxima semana o projecto de lei anti-homossexualidade apresentado pela primeira vez em 2009.


O sexo consentido entre adultos já é punível com prisão perpétua no país africano com cerca de 30 milhões de habitantes, mas a nova lei iria impor a pena de morte a gays condenados por relações sexuais com menores ou deficientes. A pena de morte também passaria a ser aplicável a homens seropositivos que tenham sexo com outros homens.

Para completar o pacote de reformas, o projecto também apresenta pena de prisão para todos aqueles que tendo responsabilidades sociais, como professores, não informem a polícia sobre pessoas que suspeitem ser homossexuais.

A lei gerou polémica fora do país, especialmente nos EUA quando se conclui que a criminalização da homossexualidade foi fortemente apoiada por parte de evangelistas cristãos norte-americanos que se deslocaram ao Uganda. A esmagadora maioria da população do país é cristã.

in Portugalgay

domingo, 20 de março de 2011

Considerações sobre as Uniões homossexuais: um documento a desbravar

Um novo Documento em Destaque no blogue é a série de considerações que a Congregação para a Doutrina da Fé, na pessoa do cardeal Ratzinger (actual Papa), publicou no ano de 2003 (ler na íntegra aqui).

O documento, intitulado Considerações sobre os projectos de reconhecimento legal das Uniões entre pessoas homossexuais será um interessante e polémico objecto de estudo, porventura pouco novo mas, ainda assim, esclarecedor no que diz respeito ao que a Igreja (instituição) conhece - ou desconhece - da realidade da homossexualidade. É também espelho da falta de vontade da Igreja se desvincular dos poderes políticos e dum discurso que cai no moralismo dos costumes em vez de ir beber insaciavelmente à revelação do Evangelho.


Este documento encontra-se originalmente no site do Vaticano

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

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São benvindos os comentários, as perguntas, a partilha de reflexões e conhecimento, as ideias.

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As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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