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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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quarta-feira, 28 de março de 2018

Prece de Vitorino Nemésio, com ecos da Paixão

PRECE

Meu Deus, aqui me tens aflito e retirado,
Como quem deixa à porta o saco para o pão.
Enche-o do que quiseres. Estou firme e preparado.
O que for, assim seja, à tua mão.
Tua vontade se faça, a minha não.

Senhor, abre ainda mais meu lado ardente,
Do flanco de teu Filho copiado.
Corre água, tempo e pus no sangue quente:
Outro bem não me é dado.
Tudo e sempre assim seja,
E não o que a alma tíbia só deseja.

Se te pedir piedade, dá-me lume a comer,
Que com pontas de fogo o podre se adormenta.
O teu perdão de Pai ainda não pode ser,
Mas lembre-te que é fraca a alma que aguenta:
Se é possível, desvia o fel do vaso:
Se não é beberei. Não faças caso.

Vitorino Nemésio 

sábado, 21 de outubro de 2017

Como seres inacabados

«Nas mãos do oleiro/ o universo descobre-se/ inacabado»

Uma das formas fundamentais da sabedoria é a descoberta que cada um de nós vai fazendo, a ciclo e a contraciclo, a tempo e fora de tempo, na nossa vida. E numa vida adulta avançada, muitas vezes é isto que experimentamos: descobrimo-nos inacabados porque nos descobrimos nas mãos do oleiro.

É importante associar a experiência da vida em aberto e a experiência de estarmos a viver continuamente um processo de criação.

Este dia da nossa vida, em que parece que já não há nada para acontecer, em que parece que já vivemos tudo o que havia a viver, é um dia da criação.

«O que se instala na perfeição/ desconhece aquilo/ que só a indigência revela»

Um dos maiores obstáculos na vida espiritual é a ideia ou desejo de perfeição, porque eles se configuram como o anseio de sair para fora da nossa vida, imaginar uma vida outra, viver com a culpa ou a miragem de uma vida que não é nossa.

O objetivo do trabalho espiritual não é colocar-nos fora de órbita, mas reenviar-nos para o coração da existência, para o que somos, abrindo-nos para uma arte inesperada que é a da indigência - percebermos que na nossa imperfeição há uma sabedoria que está a ser revelada.

A verdadeira sabedoria, que nos faz tocar o coração da vida, é a da indigência, da pobreza, do tosco. Tudo o resto são fórmulas, que podem até ser úteis, mas não são a experiência; podem ser um belo sentimento, uma bela paixão, mas não são aquilo que nós podemos viver.

«Diariamente repito/ escolhas e imperfeições:/ a natureza dos seres em solidão»

É importante percebermos que a nossa escolha é sempre imperfeita, e que diariamente habitamos o imperfeito de forma estável.

É importante levarmos a sério a nossa própria vida, aquilo que somos, abraçarmos a nossa solidão. Porque esse abraço àquilo que somos de forma desprevenida, despojada, é a única possibilidade de um abraço de Deus, a única possibilidade de um abraço que nos salva.

«O meu desejo na primavera:/ que mesmo as flores selvagens/ venham florir à minha porta»

Gostamos da arte da jardinagem, e por vezes a nossa vida é uma arte permanente. Olhamos para o jardim, gostamos, não gostamos, intervimos, cortamos, cerceamos; é muitas vezes um jardim à maneira francesa, com aquele gosto pelas figuras geométricas, pelas formas, pelo jogo da simetria, pelo pandã.

Por vezes, a nossa forma de arrumação torna-se uma obsessiva ilusão, porque a vida é viva, isto é, é informe, em bruto, não trabalhada. Temos de desejar os nossos canteiros muito bem ordenados e floridos, mas também desejar que as flores selvagens, de que não conhecemos o nome nem a forma, venham florir à nossa porta.

Elas dão-nos o espelho do nosso inacabamento, dão-nos a impressão não de uma vida doméstica, que é sempre uma vida domesticada, mas a impressão de uma vida outra, de uma vida na sua torrente, na sua originalidade, na sua verdade.

«A vida monástica/ é uma forma de nudez/ que não se envergonha de si»

É essencial olharmos para uma das imagens iniciais do livro do Génesis, quando Adão e Eva se descobriram nus e se esconderam de Deus. Esta metáfora é também muito da nossa existência.

A nossa vida espiritual é muitas vezes uma arte de esconder, uma arte de não revelar. E a vida que mostramos a Deus é subtraída, é uma vida que nós queremos ser digna de ser vista por Deus, mas que deixa de ser a nossa própria vida.

Os mestres da vida espiritual mostram-nos precisamente o contrário: a Deus, temos de levar a nossa nudez, isto é, a nossa radical verdade, a vida destapada, desoculta e informe."

José Tolentino Mendonça 

Monjas Dominicanas do Mosteiro de Santa Maria, Lumiar, Lisboa a 9 de novembro de 2013
In SNPC

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Deus em Sophia

Este texto é de autoria de Frederico Lourenço, foi publicado na sua página de Facebook e foi-me autorizada a sua utilização neste blogue.

Deus – nos poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen

"No dia 2 de Setembro deste ano, tive o grato prazer de participar numa conversa íntima (só que diante de 400 pessoas) sobre a obra poética de Sophia de Mello Breyner Andresen. Os meus interlocutores eram Ana Luísa Amaral e Miguel Sousa Tavares. Fomos admiravelmente moderados por Anabela Mota Ribeiro. O auditório da Biblioteca Almeida Garrett (Porto) encheu-se para nos ouvir – e tanto a Ana Luísa como o Miguel deram pistas extraordinárias para a compreensão da poesia de uma autora que, cada vez mais, se revela aos falantes de língua portuguesa como criadora de uma obra que, na sua aparente e desarmante simplicidade, está, como a de Mozart, ao nível do maior conseguimento artístico em termos absolutos.

A minha intervenção centrou-se sobretudo no tema «Sophia e Deus». Há muito tempo que esta pista para a compreensão da sua obra me atrai e fascina. Mas não é uma clave de leitura evidente. Na verdade, quem faça a extraordinária viagem da alma que é ler, de fio a pavio, as mais de 900 páginas da Obra Poética de Sophia de Mello Breyner Andresen na excelente edição da Assírio & Alvim, rapidamente chega a esta conclusão: nos poemas da genial autora não faltam «deuses». Mas «deus» é uma palavra que encontramos com muito menos frequência. E as vezes em que por «deus» se pode entender «Deus» são mesmo raríssimas.

No entanto, a obra poética de Sophia está cheia de Deus. Quantas vezes é enunciada a palavra «Deus» na «Arte da Fuga» de Bach? O facto de a resposta ser «zero» não significa que a «Arte da Fuga» não tenha como sujeito, tema e objecto «Algo» que só podemos enunciar por meio da palavra Deus.

Deus é ubíquo na obra poética de Sophia, porque é a sua aparente ausência que denuncia a sua presença. Num livro publicado em 1958, a autora escreve «és sempre um deus que nunca tem um rosto / por muito que eu te chame e te persiga» (Mar Novo).

Já antes, num livro publicado em 1947, lêramos uma das mais assombrosas definições de Deus que eu conheço: «Deus é no dia uma palavra calma / um sopro de amplidão e de lisura» (Dia do Mar).

Para Sophia, Deus não está ausente do mundo: está dentro dele, em cada milímetro quadrado do mundo. Basta estarmos atentos para captarmos a presença de «esse deus que se oferece, como um beijo, nas paisagens» (Dia do Mar).

Deus é o visível, é a imanência do real. Amá-lo significa amar a realidade, o visível: o «amor pelas coisas visíveis» e o canto poético que as celebra actuam como «oração em frente do grande Deus invisível» (Livro Sexto). Amar a Deus é amar o real.

Cinco anos após a publicação de Livro Sexto, foi-nos dado a ler em Geografia (1967) este credo extraordinário: «não trago Deus em mim mas no mundo o procuro / sabendo que o real o mostrará» (Geografia).

A relação entre o plano divino e o plano humano é vista como um enigma de sugestão e de silêncio: «Escuto e não sei se o que oiço é silêncio ou deus» (Geografia).

Que deus é este? É o Deus criador do céu e da terra? Em Geografia, lemos «o universo não brota das mãos de um deus do gesto e do sopro de um deus da alegria e da veemência de um deus».

É o Deus trino dos cristãos? «O Deus uno de desvios nos protege» (Ilhas)

É um Deus que nos dá a vida eterna? A única resposta de Sophia é: «Buscamos um deus que vença connosco a morte.... pois caminhamos nos cadafalsos do tempo» (Geografia).

Dentro deste deus não estarão deuses anteriores ao Deus cristão? Dioniso, «deus que nos deste a vida e o vinho» (Poesia, 1944)? E Apolo, «deus puro... deus sem espinhos e sem cruz» (Dia do Mar)?

Mas o Deus cristão também é puro. O que O separa do nada é a palavra. E não é o teólogo que tem poder sobre ela, mais sim o poeta, o aedo, «o recitador... que entoa a veemência pura da palavra, / Fronteira de puro Deus e puro nada» (O Nome das Coisas)

Numa obra poética exígua em igrejas cristãs, mas rica em templos gregos, afinal onde Deus está é cá fora – não é na igreja, não é no templo.

Porquê? Porque «a casa de Deus está na terra onde os homens estão» (Poemas Dispersos).

E perguntemos de novo: porquê? «Porque Deus nos criou para a alegria» (Poemas Dispersos)"

terça-feira, 21 de março de 2017

Entrevista com Pádraig Ó Tuama

Poeta, Teólogo e Gay

Uma leitora do moradasdedeus partilhou esta entrevista da "On Being Studios". A americana Krista Tippet entrevista Pádraig Ó Tuama, um poeta e teólogo irlandês, actual responsável da Corrymeela Community (uma organização cristã e ecuménica que trabalha pela paz e pela reconciliação) que, a propósito do seu mais recente livro "In the Shelter: finding a home in the world", aborda temas tão diversos como o medo, a arte de viver, a sua história de vida pessoal, o catolicismo, o casamento entre pessoas homossexuais e muito mais. A entrevista está em inglês: para ouvi-la basta seguir o link abaixo e fazer "Play" sobre o número 5.


Para conhecer mais sobre a história de Corrymeela e o posicionamento de Pádraig Ó Tuama em relação ao casamento homossexual, leia AQUI

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Poesia: uma ordem mendicante

A Poesia dá espaço para o silêncio

"O que formou a minha alma foi a leitura dos poemas, que é feita mais de intensidade e de fulgores. A poesia dá-nos mais espaço para o silêncio, é como um relâmpago a que se segue muita outra coisa, que é da construção do leitor. A oração diária do livro dos salmos foi música no meu ouvido. A leitura da poesia foi uma espécie de iniciação ao ato de ler. Penso que a poesia é uma ordem mendicante, os poetas são mendigos do real. Por vezes temos uma atitude de dominação sobre as coisas e os outros, mas se cairmos em nós percebemos que somos e sabemos pouco. A aceitação dessa escassez é fundamental para nos abeirarmos do mundo de outra forma."

Excerto do texto redigido a partir das intervenções de José Tolentino Mendonça no debate "A sabedoria dos livros", com Frederico Lourenço Festa do Livro em Belém, Lisboa (Setembro 2016)
Redação: Rui Jorge Martins 
Ler em SNPC

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Um poema de Fernando Pessoa

O meu Olhar

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O mundo não se fez para pensarmos nele
(pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na natureza, não é porque saiba o que ela é,

Mas porque a amo e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

Fernando Pessoa, in O Guardador de Rebanhos

sábado, 2 de novembro de 2013

Mãe de Deus, segundo Pessoa

Mãe de Deus, porque tu a Deus creaste,
Filha de Deus, pois Elle te creou,
Irmã de Deus, pois Elle te enviou,
Sposa de Deus, pois virgem tu ficaste,

Eterna, transcendente e fragil haste
Que abre ao alto em Mulher, na que baixou
Á terra, a dar á Eva que peccou
A seiva do carinho que lhe achaste.

És tu que dás ás mães o - afago
És tu -
Tu és a alma da Mulher -

E se o que penso é com amor affim,
E em minha inspiração sinto o teu beijo,
Mãe, mãe de Deus, mãe do Divino em mim.


Fernando Pessoa

Sonetos inéditos até 2000
Edição: Jerónimo Pizarro, Carlos Pittella-Leite
In Granta (Portugal), n. 1

O Rei, segundo Fernando Pessoa

O Rei

O Rei, cuja coroa de oiro é luz
Fita do alto do throno os seus mesquinhos.
Ao meu Rei coroaram-O de espinhos
E por throno Lhe deram uma cruz.

O olhar fito do Rei a si conduz
Os olhares fitados e visinhos
Mas mais me fitam, e mortas sem carinhos,
As palpebras descidas de Jesus.

O Rei falla, e um seu gesto tudo prende,
O som da sua voz tudo transmuda.
E a sua viva majestade esplende;

Meu Rei morto tem mais que majestade:
Falla a Verdade nessa bocca muda;
Suas mãos presas são a Liberdade.

Fernando Pessoa

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Rilke e Maria

Sobre a morte de Maria

I

O mesmo grande Anjo que outrora
lhe trouxera a mensagem da conceção,
ali estava, aguardando a sua atenção,
e disse: o tempo do teu aparecimento é agora.
E ela perturbou-se como antes e mostrou
ser de novo a serva, assentindo profundamente.
Mas ele irradiava e, aproximando-se infinitamente,
desapareceu como que no rosto dela e mandou
aos Apóstolos que se tinham afastado
que se juntassem na casa da encosta,
a casa da Ceia derradeira. Eles vieram a passo pesado
e entraram cheios de temor: ali se encontrava posta
sobre estreito leito, aquela que tinha mergulhado
misteriosamente no declínio e na eleição,
imaculada, como criatura de indiviso coração,
escutando o coro angelical com ar maravilhado.
Então, quando os viu atrás das suas velas,
expectantes, arrancou-se ao excesso de harmonia
das vozes e ofereceu-lhes ainda as duas vestes belas,
de todo o coração, as únicas que possuía,
e ergueu a sua face para este aqui e aquele além...
(Ó fonte de inomináveis lágrimas em caudais!)

Mas ela reclinou-se nos seus requebros finais
e atraiu os céus para tão perto de Jerusalém
que a sua alma, ao escapar,
apenas teve de um pouco se elevar:
e já a levava Aquele que tudo dela sabia
para a Natureza divina a que ela pertencia.


II

Quem poderia pensar que até à sua chegada
o vasto Céu imperfeito era?
O Ressuscitado ocupara a sua morada,
porém a seu lado, havia vinte e quatro anos, estivera
um trono vazio. E todos já começavam
a habituar-se à pura ausência
que estava como que fechada, pois a ofuscavam
os raios de luz do Filho em permanência.

E assim ela também, ao entrar no Céu naquele dia,
não se dirigiu a Ele, por muito que o desejasse;
ali não havia ligar, só Ele lá se encontrava e resplandecia
numa claridade que a ela lhe doía.
Porém, como agora essa figura comovente
aos bem-aventurados se juntasse
e discretamente, luz na luz, um lugar viesse ocupar,
expandu-se então do seu ser um brilho incandescente
de tal intensidade que o Anjo que ela estava a iluminar
gritou, ofuscado: quem é esta?
Houve um silêncio de espanto. Depois todos viram em festa
Deus Pai nas alturas Nosso Senhor deter
de modo a, envolto na luz do amanhecer,
o lugar vazio, como um pouco de compunção,
se mostrar, uma réstia de solidão
como algo que ainda suportava, um nada
de tempo terreno, uma cicatriz sarada.
Olharam para ela: o seu olhar com receio aí pousou,
profundamente inclinado, como se sentisse: eu sou
a sua dor mais longa; e, de súbito, caiu para diante.
Mas os Anjos consigo a tomaram
e a apoiaram e cantaram de felicidade exultante
e a elevaram e no lugar cimeiro a colocaram.


III

Porém, diante do Apóstolo Tomé, chegado
já demasiado tarde, apareceu
o rápido Anjo, há muito para tal compenetrado,
e junto ao lugar da sepultura a ordem deu:

afasta a pedra para o lado. Queres saber
onde está aquela que comove o teu coração?
Vê: como almofada de alfazema, a jazer
se encontrou ali, em breve posição,

para que a Terra tivesse o seu odor
nas dobras, como um pano raro.
Tudo o que está morto (tu o sentes), toda a dor
Estão envoltos no seu aroma claro.

Olha para a mortalha: onde está a brancura
que a torne mais deslumbrante, sem a alterar?
A luz que emana desta morta pura
mais a iluminou do que a luz solar.

Não te admiras de quão suavemente lhe escapou?
Quase como se ela ainda aí estivesse, nada saiu do lugar.
Porém todo o Céu nas alturas se agitou:
Homem, ajoelha-te, segue-me com o olhar e começa a cantar.

Rainer Maria Rilke
In A Vida de Maria, ed. Portugália
Trad.: Maria Teresa Dias Furtado

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

a igualdade do deus ausente

a igualdade do deus ausente
Entre ti e mim a igualdade,
mesmo obscuro, mesmo ausente,
entre ti e mim o espaço
do teu corpo imenso, irmão,
azul e áureo,
num infinito odor ardente, saboroso,
transviando-se, morrendo e renascendo,
mas sempre igual, igual em sua presença de olvido,
resolvido desde sempre e para sempre
e sempre inicial.

Que alegria não saber que deus é este
e estar com ele sem ele
na sua suprema companhia como o ar!
Que alegria ser a onda, a sua onda,
profunda, calada, verdadeira!
Que alegria ser a permanência leve
deste unânime deus ausente!


António Ramos Rosa

domingo, 20 de outubro de 2013

o deus azul

asumatsu.blogspot.com
o deus azul
Há um deus que fertiliza a polpa azul da sombra
e extenso no silêncio está como o olvido no olvido.
Recolhe-se num movimento para o centro
onde permanece côncavo e completo.
Na sua enamorada eternidade
o corpo é asa, pedra e nuvem.
O mundo por vezes é um instante de amêndoa
em que ele transparece em carícias de regaço.
Movimento de plácida e redonda consciência,
não a imagem mas a visão nua do âmbito pleno,
em que estamos com ele em sequência natural.
A sua vida é o sono da luz e da sombra em aberta órbita
sempre no seu próprio círculo em sucessivas ondas
de sossegada incandescência.
Ele está no mundo, o mundo está nele
sempre como no princípio num fulgor cumprido
na radiosa concavidade azul. 


António Ramos Rosa
(Caminho: Lisboa 1990, p. 25.)

Deus nos poetas: António Ramos Rosa

«Um deus que fertiliza a polpa azul da sombra»: metáforas para a inclusão de Deus em António Ramos Rosa

Que alegria não saber que deus é este
e estar com ele sem ele
na sua suprema companhia como o ar!
(António Ramos Rosa)

Uma coisa que eu faço, desde há vários anos, é buscar Deus mais na poesia do que na teologia. E reparo que, na nossa poesia contemporânea sobre Deus, anda muito a palavra silêncio. Será isso negativo? Não é o silêncio a última inspiração/aspiração/respiração antes da Palavra? Ou não é o nosso silêncio que nos faz ouvir a Palavra do totalmente-Outro? E não é no silêncio que repercute em nós o eco da última palavra que nos foi dita ou do último acorde que ouvimos? E não foi em plena noite, com o silêncio envolvendo a Terra, que Deus se revelou num homem (Sb 18,14)? E não foi esse Homem-Deus que nos exortou a falar com o Pai na intimidade ou em segredo (Mt 6,6)?

Ao ouvir falar de Deus como o grande excluído da sociedade, pergunto-me se o é da maneira e pelas razões que nós julgamos. Não será a nossa incapacidade para captar os seus muitos sinais que nos leva a dizer que Ele foi excluído da nossa cidade e as pessoas vivem “como se Deus não existisse”? Não serão as coordenadas da nossa visão, os parâmetros da nossa leitura e análise demasiado estreitos ou demasiado largos para o captar? Não o teremos definido, quadriculado, limitado, reduzido demais a uma ortodoxia ou a um olhar ocidental e europeu pretensamente universalizado?

Deus galgou as margens e fronteiras onde o julgávamos circunscrito, e anda por aí a tentar regar outros cantos da nossa aridez, a inquietar algumas das nossas seguranças e certezas mal adquiridas, à espera de cruzar-se connosco no caminho das novas decepções ou deserções... Seremos, ainda, capazes de aceitar que Ele possa chamar-se novidade e surpresa, dois mil anos depois de Cristo no-lo ter revelado?

Vejamos, a propósito, dois poemas de António Ramos Rosa, em Facilidade do ar (Caminho: Lisboa 1990, pp. 25 e 22).

o deus azul
Há um deus que fertiliza a polpa azul da sombra
e extenso no silêncio está como o olvido no olvido.
Recolhe-se num movimento para o centro
onde permanece côncavo e completo.
Na sua enamorada eternidade
o corpo é asa, pedra e nuvem.
O mundo por vezes é um instante de amêndoa
em que ele transparece em carícias de regaço.
Movimento de plácida e redonda consciência,
não a imagem mas a visão nua do âmbito pleno,
em que estamos com ele em sequência natural.
A sua vida é o sono da luz e da sombra em aberta órbita
sempre no seu próprio círculo em sucessivas ondas
de sossegada incandescência.
Ele está no mundo, o mundo está nele
sempre como no princípio num fulgor cumprido
na radiosa concavidade azul.

 (Caminho: Lisboa 1990, p. 25.)

Neste poema, Ramos Rosa não parece ter dúvidas quanto à presença de Deus no mundo: Ele está no mundo, o mundo está nele. E ainda: O mundo por vezes é um instante de amêndoa / em que ele transparece em carícias de regaço. O poeta fala-nos de uma ausente omnipresença, de uma certa osmose entre Deus e o mundo: este deus (assim, com minúscula) tem a cor do “planeta azul”. É quase uma visão beatífica: não a imagem mas a visão nua do âmbito pleno / em que estamos com ele em sequência natural. Pois A sua vida é o sono da luz em aberta órbita.

Literariamente, escrever deus sem a inicial maiúscula pode ajudar-nos a senti-lo mais próximo de nós, sem que tal implique uma subestima do autor. Por outro lado, várias palavras deste poema, sem definirem Deus, falam-nos metaforicamente de propriedades e valores que a revelação e a teologia nos habituaram a atribuir-lhe. Com esta vantagem: são palavras dinâmicas, de sentido aberto para novas buscas e significados, como: extenso no silêncio, movimento, centro, côncavo, eternidade, regaço, consciência, círculo, princípio, concavidade azul, aberta órbita, sossegada incandescência...

a igualdade do deus ausente
Entre ti e mim a igualdade,
mesmo obscuro, mesmo ausente,
entre ti e mim o espaço
do teu corpo imenso, irmão,
azul e áureo,
num infinito odor ardente, saboroso,
transviando-se, morrendo e renascendo,
mas sempre igual, igual em sua presença de olvido,
resolvido desde sempre e para sempre
e sempre inicial.

Que alegria não saber que deus é este
e estar com ele sem ele
na sua suprema companhia como o ar!
Que alegria ser a onda, a sua onda,
profunda, calada, verdadeira!
Que alegria ser a permanência leve
deste unânime deus ausente!


Deus, igual a si próprio: fonte da nossa igualdade? Deus, nosso irmão: nosso igual, ou raiz da nossa fraternidade? Deus ausente: alheio e alheado, ou solidário, sempre inicialem qualquer das nossas procuras e dos nossos caminhos, mas respeitando a liberdade que nos deu? O não saber que deus é este não nos impede de estar com ele sem ele / na sua suprema companhia como o ar:

A quem foi criado por Deus e tende para Ele, não bastará aalegria ser a onda, a sua onda, mesmo sem se fundir e perder n’Ele como num qualquer nirvana, nem Ele se confundir connosco e muito menos se esgotar em nós como únicos, exclusivos e absolutos destinatários do amor difusivo e criador?

Sem querer tirar conclusões, aos que apenas falam deste unânime deus ausente diria, com Manuel Alegre: talvez Deus e sua ausência (in Senhora das Tempestades,Publicações Dom Quixote: Lisboa, 1998, p. 49).

Fr. Lopes Morgado, OFM Cap
Excerto de “Dizer Deus: metáforas para a inclusão social à luz de S. Francisco”, em Estudios Franciscanos, Barcelona, vol. 107, nº 441 (setembro-dezembro 2006), pp. 497-528 [520-521.522-524].
27.09.13

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Whitman descreve a obra de Deus

Creio que uma folha de erva não vale menos do que a jornada das estrelas,

E que a formiga não é menos perfeita, nem um grão de areia, nem um ovo de carriça,

E que o sapo é uma obra prima para o mais exigente,

[…] E que a vaca ruminando com a cabeça baixa supera qualquer estátua,

E que um rato é milagre suficiente para fazer vacilar milhões de infiéis

Walt Whitman

Manuel Alegre e João XXIII

Pablo Picasso
Novidade e atualidade da mensagem de João XXIII


Quando foi publicada a encíclica Pacem in Terris (Paz na Terra) de João XXIII, eu estava na prisão. A razão fundamental para ter sido preso foi a minha oposição à Ditadura e a minha participação num movimento militar que tinha em vista encontrar uma solução para o fim da guerra colonial, que conheci como combatente e me deixou memórias que jamais se apagarão. Foi também em plena guerra, no verão de 62, que vivi com extrema ansiedade a crise dos mísseis, em Cuba, que colocou o Mundo à beira de uma catástrofe nuclear. Imaginam por isso a alegria que senti com a notícia da publicação desta Encíclica, que interpretei como um reforço da nossa esperança num futuro de liberdade, de justiça e de paz.

(...) Não me tinha enganado quanto ao seu significado e sobre a forma como iria pôr em causa a desordem estabelecida. Daí surgiu o poema:

Para João XXIII

Porque não sei de Deus não trago preces.
Sou apenas um homem de boa vontade.
Creio nos homens que acreditam como tu nos homens
creio no teu sorriso fraternal
e no teu jeito de dizer
quase como quem semeia
as palavras que são
trigo da vida.
Creio na paz e na justiça
creio na liberdade
e creio nesse coração terreno e alto
com raízes no céu e em Sotto il Monte.
De Deus não sei. Mas quase creio
que Deus poisou nas mãos cheias de terra
de um jovem camponês de Sotto il Monte.
Por isso mando à Praça de S. Pedro
não uma prece
mas a minha canção fraterna e livre
esta canção
que vai pedir-te a humana bênção
João XXIII: Avô do século.

Havia uma razão suplementar para pretender ler a encíclica, que tinha como subtítulo “Sobre a Paz de todos os Povos na base da Verdade, Justiça, Caridade e Liberdade”: ela era dirigida não apenas aos fiéis de todo o mundo, mas também “a todos os homens de boa vontade”, como eu próprio sempre me considerei. João XXIII demonstrava acreditar nos homens, crentes ou não-crentes. Falava também da vocação do homem como sujeito criador de fraternidade e solidariedade. (...) João XXIII teve uma grande preocupação em enunciar e fundamentar um conjunto de direitos humanos em termos que marcaram as decisões posteriores do Concílio Vaticano II e, particularmente a Gaudium et Spes, a constituição pastoral Alegria e Esperança, que viria a definir a relação da Igreja com o mundo moderno, designado como “o mundo deste tempo”.

A Pacem in Terris marcou uma evolução do pensamento católico, que um homem de esquerda como eu, empenhado na luta pela democracia, não podia deixar de saudar. Tanto mais que sempre pertenci àquela esquerda para a qual a liberdade é um valor essencial e que considera os direitos sociais inseparáveis dos direitos políticos. Ora Pacem in Terris proclamava direitos humanos fundamentais, conjugando liberdades, direitos económicos, sociais e culturais. Ao mesmo tempo sublinhava o respeito pela consciência individual e valorizava, não apenas o direito de participação na vida pública, mas a própria democracia.

Entre os direitos humanos permitam-me que sublinhe o que se refere ao respeito pela consciência dos homens. João XXIII escreve: “52. Todo o ser humano possui o direito natural ao devido respeito pela sua pessoa, à boa reputação, à liberdade para procurar a verdade (…)”. (...) Discorrendo sobre as relações entre os homens e os poderes públicos no seio das diferentes comunidades políticas, João XXIII conclui: “52.(…) a doutrina que acabamos de expor é plenamente conciliável com qualquer espécie de regime genuinamente democrático”.

(...) Estas palavras de João XXIII inspiraram a minha geração, fazem parte da vida de muitos de nós e estão ligadas à minha própria experiência histórica. Pacem in Terris, até pelas circunstâncias históricas em que foi publicada e dela tomei conhecimento, foi a Encíclica que mais me marcou. Mas não se pode esquecer a Gaudium et Spes, segundo o bispo Carlos Azevedo, “o documento mais inovador e mais amplo de horizontes do II Concílio do Vaticano…A novidade está no género, no tema, na estrutura, no estilo e até nos destinatários”. A Gaudium et Spes dirige-se a todos os homens e não apenas aos cristãos: o estilo representa uma nova atitude da Igreja Católica perante o mundo contemporâneo.

A forma como começa é bem significativa: Cito: ”1. As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens do nosso tempo, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo, e nada existe de verdadeiramente humano que não encontre eco no seu coração (…) é por isso que a comunidade dos cristãos se reconhece real e intimamente solidária do género humano e da sua história”.

A análise da condição humana no mundo de hoje é marcada pelo método da Pacem In Terris, a leitura dos sinais dos tempos, mas avança com novas abordagens, sublinhando, nomeadamente, em termos de reflexão, uma nova atitude mais desenvolta dos cristãos. Para além dos princípios que lhe subjazem, impressiona ainda hoje a alegria e a esperança que brotam das suas páginas e o otimismo com que se encara o devir do mundo contemporâneo.

Vivemos hoje uma crise sem precedentes. Uma globalização desregulada, um capitalismo sem ética nem regras, em que o poder financeiro e especulativo domina o próprio poder político, além do mediático. A economia virtual tomou o lugar da economia real. Forças e poderes invisíveis, denominados mercados, sobrepõem-se ao poder legítimo dos Estados e dos órgãos democráticos de cada país, retirando-lhes a própria soberania. Crise moral, num mundo dominado pelo culto do bezerro de oiro, pela ganância e pela corrupção, pelo lucro pelo lucro e pelo poder pelo poder. A cultura do número substituiu o pensamento. A própria palavra do homem está pervertida e a linguagem ocupada por aquilo a que Sophia de Mello Breyner chamou “ o capitalismo das palavras.” É preciso descontaminar e libertar a palavra. Porque pela palavra se muda a vida. Assim o disse um poeta, assim o pensava, creio eu, João XXIII. Como disse o poeta Octávio Paz, Prémio Nobel de Literatura, as grandes crises são sempre crises de civilização. Ora uma crise de civilização não pode ser resolvida por receitas economicistas e tecnocráticas, as mesmas, aliás, que estiveram na origem da crise atual. Há outra dimensão da vida e o Mundo precisa de valores espirituais, da busca de um outro sentido, de um pouco mais de sonho e de um pouco mais de poesia. Talvez por isso alguém disse que esta é de novo a hora dos pensadores, dos filósofos e dos poetas. Eu diria que esta é também a hora de reler e reencontrar as palavras de alegria e esperança do Papa João XXIII.

Há cinquenta anos, João XXIII assinalou o contraste entre “a perfeita ordem universal" e a desordem que reina entre indivíduos e povos. Hoje, ainda que sob outras formas, esse contraste ameaça de novo a paz e a justiça. Dizia-nos também que era necessário tratar da ordem que deve vigorar entre os homens. E dizia-o em palavras simples, claras, universais e intemporais: “...é fundamental o princípio de que cada ser humano é pessoa; isto é, natureza dotada de inteligência e vontade livre. Por essa razão possui em si mesmo direitos e deveres que emanam direta e simultaneamente de sua própria natureza. Trata-se, por conseguinte, de direitos e deveres universais, invioláveis e inalienáveis.” Estas palavras da Encíclica Pacem in Terris constituíram na altura uma verdadeira revolução moral e cultural. E são-no outra vez neste tempo em que os poderes que comandam o mundo esquecem que os seres humanos são pessoas e não mercados. Não posso deixar de lembrar também aquilo que João XXIII disse numa época de sectarismo e intolerância e que, neste nosso tempo marcado pelo pensamento único, é de uma profunda atualidade: “Ninguém tem a verdade toda.”

Creio que nestes nossos dias crispados e sem horizonte, é preciso de novo uma mensagem de alegria e de esperança. E por isso devemos reviver as palavras de João XXIII como um guia para a ação, porque não podemos adiar para um amanhã incerto a construção de um Mundo mais livre, mais justo e mais fraterno.
Manuel Alegre
8.ª Jornada da Pastoral da Cultura, Fátima, Junho 2012
In SNPC

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Reis com Sophia

A estrela


Eu caminhei na noite
E entre o silêncio e frio
Só uma estrela secreta me guiava.

Grandes perigos na noite me apareceram:
Da minha estrela julguei que eu a julgara
Verdadeira sendo ela só reflexo
Duma cidade a néon enfeitada.

A minha solidão me pareceu coroa.
Sinal de perfeição em minha fronte.
Mas vi quando no vento me humilhava
Que a coroa que eu levava era dum ferro
Tão pesado, que toda me dobrava.

Do frio das montanhas eu pensei:
“Minha pureza me cerca e me rodeia”.
Porém meu pensamento apodreceu
E a pureza as coisas cintilava
E eu vi que a limpidez não era eu.

E a fraqueza da carne e a miragem do espírito

Em monstruosa voz se transformaram:
Pedi às pedras do monte que falassem
Mas elas como pedras se calaram.
Sozinha me vi, delirante e perdida.

E eu caminhei na noite; minha sombra
De gestos desmedidos me cercava
Silêncio e medo
Nos confins dos desertos caminhavam:
Então vi chegar ao meu encontro
Aqueles que uma estrela iluminava
E assim me disseram: “Vem connosco
Se também vens seguindo aquela estrela”.
Então soube que a estrela me seguia.

Era real e não imaginada.
Grandes e humanas miragens nos mostraram
Em direcções distantes nos chamaram
E a sombra dos três homens sobre a terra
Ao lado dos meus passos caminhava.
E eu espantada vi que aquela estrela
Para cidade dos homens nos guiava.

E a estrela do céu parou em cima
duma rua sem cor e sem beleza
Onde a luz tinha o mesmo tom que a cinza
Longe do verde-azul da Natureza.

Ali não vi as coisas que eu amava
Nem o brilho do sol nem o da água.
Ao lado do hospital e da prisão
Entre o agiota e o templo profanado
Onde a rua é mais negra e mais sem luz
E onde tudo parece abandonado
Um lugar pela estrela foi marcado.

Nesse lugar pensei: Quando deserto
Atravessei para encontrar aquilo
Que morava entre os homens tão perto.


Sophia de Mello Breyner Andresen

sábado, 8 de dezembro de 2012

um poema de Hildegarda

Philippe de Champaigne
Ave, generosa, gloriosa e intacta virgem.
Tu pupila de castidade,
tu matéria santa,
que agradou a Deus.

Pois celeste graça
em ti foi infusa,
o Verbo celeste
fez-se carne em ti.

Tu cândido lírio,
que Deus mais que qualquer criatura
contemplou.

Ó belíssima e cheia de doçura,
quanto em ti Deus se deleitava,
quando te possuía
na amplidão do seu calor,
seu filho seria amamentado por ti.

Teu ventre provou grande alegria,

quando toda a sinfonia celeste
de ti ressoou,
pois, ó Virgem, transportaste o Filho de Deus,
enquanto em Deus tua castidade resplandecia.

Tuas vísceras provaram a alegria,
erva sobre a qual cai o orvalho,
e se lhe reaviva o vigor.
Assim também em ti se operou,
ó Mãe de toda a alegria.

Agora toda a Igreja esplenda de alegria
e cante em sinfonia
pela dulcíssima e louvável Virgem
Maria, Mãe de Deus. Amen.
Santa Hildegarda de Bingen

publicado in SNPC

Uma oração e um desenho para Maria

Rui Aleixo
Oração à Senhora do Advento

Avé Maria, Senhora do Advento
A misericórdia de Deus esplende em ti
Bendita és tu entre as mulheres
Em teu seio amadurece a manhã

Ó Mãe propícia
leve, magnífica e atenta
aos amplos pátios da nossa solidão
És aquela que melhor apascenta
a turbulenta forma da nossa sede:

Roga por nós que atravessamos o mundo agora
roga por nós que atravessamos esta hora

José Tolentino Mendonça

Capela do Rato
publicado in SNPC

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Uma oração e um desenho para o 1º Domingo do Advento

Rui Aleixo
O Anjo do Advento


Venha o teu anjo abrir de novo estas portas
ao anúncio da vida pura e repentina
que eleva os nossos dias mesmo baços
à altura da promessa

Venha o teu anjo restabelecer o alfabeto censurado
ensaiar a dança que os gestos ignoram
Venha apontar o dia límpido, só pelo azul esclarecido
desprender-nos da cinza do desânimo e do sono
guiar-nos para lá das fronteiras

Venha o teu anjo nomear o que trazemos
e passa de um dia para outro sempre adiado
Venha redizer o corpo inacabado
Este reticente modo de habitação
ainda à espera do seu nascer verdadeiro

José Tolentino Mendonça
Capela do Rato, publicado por SNPC

sábado, 28 de julho de 2012

Muito mais que teatro

Fui ver e aconselho. É um espectáculo de teatro, mas é muito mais do que isso: é um serão intimista, é um lavar de alma e de sentidos, um exercício de simplicidade, um mergulho na poesia medieval.

LAVDA: Loas e Prantos de Nossa Senhora
O Teatro Taborda, em Lisboa, recebe na sua Capela até 31 de julho, o espetáculo “Lavda - Loas e Prantos de Nossa Senhora”, de Mestre André Dias (1348-1437).

«Lavda é um exercício de piedade mariano dividido em duas partes, as loas e os prantos. A meio caminho entre a oratória e o teatro», anuncia a nota de imprensa enviada ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

A peça segue os textos que o religioso beneditino português redigiu no “Livro de Laudas e Cantigas Espirituais” (1435). Depois de obter o grau de mestre em Teologia no ano de 1393, na Áustria, André Dias dedicou-se ao ensino da disciplina, inclusivamente em Roma. Fundou a Confraria do Bom Jesus no Convento de S. Domingos, em Lisboa, e foi nomeado bispo de Mégara, na Grécia.

A encenação, concebida e dirigida por Miguel Loureiro, sobe ao palco às 23h00, com as interpretações do diretor e de Maria Duarte, Simão Biernat e Vera Kalantrupmann.

Os bilhetes, a 7,5 euros, podem ser reservados através dos telefones 21 885 41 90 e 96 801 52 51, bem como pelo endereço eletrónico jbelo@teatrodagaragem.com.
in snpc

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Sentimentos, olhares, afectos

Dia dos Namorados: sentimentos, olhares e afetos

Verdade, verdade é que os sentimentos são um atraso de vida.
Paralisam ou põem tudo em rodopio.
Estremecem.
Tiram de órbita.
Afundam e ressuscitam.
Fazem rodar as quatro estações.
Na mesma tarde.
Acreditam?

Verdade, verdade é que os sentimentos atrasam. Deixam o trabalho para depois.
Despistam.
Aproximam o pó das estrelas e distanciam o pó das sebentas.
Que fazer?
Suspiros. Olhares. Olhinhos.
A linguagem passa perigosamente ao estado diminutivo sempre que os sentimentos perigosamente se expandem.
O pior é que nem pela ironia se dá.

Mas a verdade, a grande verdade é que os sentimentos interessam.
Tornam-nos gente.
Ensinam-nos a ser.
Pedem de nós o que trazemos de único e de irrepetível.
E preparam-nos para querer, para desejar receber o mesmo.
Do outro. Da outra.
Um comércio puro, gratuito.
Tão diferente, tão distante
dos rotineiros comércios. (...)

A qualidade do nosso estar, aqui ou noutro lado, as coisas
que temos ou que gostamos mesmo de aprender, os 
outros com que vamos tecendo o quotidiano, o sentido 
mais profundo que buscamos emprestar à nossa vida
dão-nos estofo. Firmeza interior.
Capacidade de construir.

Não aconteça sermos nós
uns atrasos de vida que fazem emperrar
os essenciais sentimentos.

José Tolentino Mendonça

publicado in SNPC

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

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