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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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quinta-feira, 11 de maio de 2017

Conceitos LGBTI: Lésbica

Glossário LGBTI: letra L

Reconhecendo as minhas próprias limitações relativas a alguns conceitos utilizados ao falar de questões ligadas à comunidade LGBTI, resolvi partilhar com os leitores do blogue um glossário dos termos mais recorrentes. Esta publicação será faseada e é baseada numa publicação do site da rede ex aequo

"Conscientes dos efeitos de estereotipização e da tentativa de normalização, não se pretende com este glossário contribuir ainda mais para o aumento dessa problemática. Pretendemos apenas clarificar alguns conceitos básicos para que possamos todos/as falar a mesma língua.

Lésbica – mulher que se sente atraída fisicamente, emocionalmente e psicologicamente por uma outra mulher."

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A aparição gay e lésbica no grande écran

Spartacus, 1960
Um artigo escrito no Brasil em 2005. Alguns dos títulos poderão não coincidir com as traduções de Portugal.

SOMBRAS ELÉTRICAS Nº 5/6 – Novembro-Dezembro de 2005
LONG-SHOT: CINEMA E SEXUALIDADE(S), À LUZ DO MIX BRASIL 2005.

O BOOM GAY E LÉSBICO


William Aguiar

Uma onda do que se convencionou chamar "politicamente correto" invadiu a sétima arte e, sem preocupar-se com a moral e os bons costumes, revelou o amor que os mais conservadores não ousam dizer o nome.

Antes do boom gay e lésbico das últimas duas décadas no cinema, a homossexualidade estava presente em cenas e diálogos camuflados, ou em situações inteiras. Por exemplo, vamos encontrar cenas carregadas de homossexualidade em 1960, na superprodução Spartacus. A seqüência do banho que o escravo Antonius (Toni Curtis) dava em seu senhor (Sir Laurence Olivier), enquanto escutava uma não inocente declaração sobre gostar ou não de caramujos ou ostras, foi cortada na época. Somente depois de 23 anos, os interessados puderam se deliciar com a cena do banho (e outras tantas), principalmente quando o senhor olha para seu escravo e afirma "gostar das duas coisas". Dificilmente é encontrada nas locadoras a versão sem cortes. Vale a pena procurar, pois os olhares e manifestações de carinho entre os dois permanecem até as cenas finais.

Da sutileza, o cinema passa para o (não menos bom) escracho dos anos 80 e 90. A comédia Essa Estranha Atração (Torch Song Trilogy), apesar do título em português, não é preconceituosa e mostra a relação entre homens, vivenciada por Arnold (Harvey Fierstein), Alan (Mathew Broderick) e Ed (Brian Kerwin). A parte dramática da fita fica por conta da relação de Arnold com sua mãe (Anne Banckroft), a morte de um de seus companheiros e, principalmente, da imagem sempre solitária do protagonista.

Outra comédia interessante é O Banquete de Casamento. Um jovem chinês, radicado nos Estados Unidos (Nova Iorque) é pressionado pelos pais, que moram em Taiwan, a contrair matrimônio. Os pais não sabem que o jovem já é casado no "mercado paralelo". Com um homem. Este é apenas um pequeno detalhe, é claro. O filme fica interessante quando o chinês resolve casar-se com uma inquilina sua, que conhece a situação mas aceita a farsa porque precisa de um green-card. O que ninguém esperava era a vinda dos pais do noivo para o casamento e, desgraçadamente, que fosse feito de acordo com as tradições chinesas, em que é oferecido um banquete no qual os noivos ficam à mercê das brincadeiras dos amigos. O desenrolar é leve e até o que seria considerado um "Deus nos acuda" (a dúvida em dizer ou não aos pais a orientação sexual) tem um tratamento especial, que não deixa transparecer a tensão que uma situação como essa provocaria.

A maioria dos filmes que abordam ou fazem alguma referência a isso não são apenas do gênero comédia. Basta citar como exemplo uma produção recente chamada Traídos pelo Desejo (Vanity). Outro filme em que o título nada tem a ver com a história. Ninguém ali é traído pelo desejo e sim pelo preconceito. O mérito do filme, na verdade, fica por conta da brilhante Miranda Richardson, que interpreta uma terrorista do Exército Republicano Irlandês (IRA). O que seria uma relação apaixonada, entre um dos guerrilheiros e um cabeleireiro, serve como pano de fundo para uma trama ideologicamente reacionária. Deve ter agradado muito pouco aos guerrilheiros do IRA e, também, aos militantes de organizações de esquerda que conseguiram compreender o sentido da parábola do escorpião, que funciona como reflexão ética das atividades revolucionárias radicais, perfeitamente estendida a todas as outras que não indicam a mesma solução para os problemas das sociedades capitalistas. A homossexualidade retratada no filme foi alardeada pela Academia de Hollywood como sendo a grande questão da festa do Oscar. Vale a pena lembrar que na festa da premiação, o ator que interpreta o travesti esteve presente, mas só conseguiu entrar pela porta dos fundos e não pela principal, por onde todas as outras pessoas "normais" costumam entrar. Parece que em casa de ferreiro...

Os filmes citados estão longe de mostrar, em termos quantitativos, o volume de obras em que a homossexualidade é abordada. Os que retratam a homossexualidade feminina são muito difíceis de serem encontrados nas locadoras e muito mais difícil é encontrar aqueles que não relacionam a homossexualidade com algum desequilíbrio psíquico, como é o caso de O Silêncio dos Inocentes - um excelente duelo de titãs entre Antony Hopkins e Jodie Foster -, no qual um homossexual psicopata conduz a trama, ou Instinto Selvagem (com Sharon Stone e Michael Douglas), onde a lésbica mais dócil é uma serial killer. Com esse quadro, O Banquete de Casamento e Essa Estranha Atração despontam com uma positividade que começa a ser compreendida e absorvida por diretores e roteiristas. Lucram os "iguais" e, também os "diferentes".

WILLIAM AGUIAR é membro do Grupo de Gays e Lésbicas do PT. O texto acima foi originalmente publicado na revista Teoria&Debate nº 26 (set/out/nov 1994)

© 1994 – Editora Fundação Perseu Abramo
© 2005 – SOMBRAS ELÉTRICAS

in sombras elétricas

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Luzes de lucidez na hierarquia da Igreja católica

Cardeal de Berlim apela à igualidade na forma de tratamento entre casais heterossexuais e homossexuais

Nota e resumo da mensagem: este é um post em inglês de uma das amigas da página de facebook do moradasdedeus, em que o cardeal de Berlim alerta que se devia olhar para relações duradoiras homossexuais como se olha para as heterossexuais, quando são vividas na fidelidade. A Igreja devia ver e pensar mais longe. A sua voz juntou-se à do Arcebispo de Londres, que apoiou a união civil entre gays e lésbicas no Reino Unido, e à do bispo de Ragusa (Itália) que fez o mesmo no seu país. O bispo Robinson de Austrália, num sínodo, também ergueu a voz no sentido de reexaminar a ética sexual na Igreja, aprovando moralmente, entre outros, as relações entre pessoas do mesmo sexo. O bispo de Portland (Maine) anunciara igualmente que a diocese não teria um papel activo de oposição ao referendo do estado para a igualdade de acesso ao casamento. Carlo Maria Martini, o antigo bispo de Milão, no seu livro Credere e Cognoscere diz que não concorda que, na Igreja, se tomem posições relativas às uniões civis.

Passo a citar a notícia:

Cardinal Rainer Maria Woelki

So far I’ve only seen one news report in English about this item, but there are several in German that are floating around the web. It is too good not to report, even though the information is rather sparse.
Berlin’s Cardinal Rainer Maria Woelki told a major Catholic conference in Germany that relationships of same-gender couples should be treated equally with heterosexual couples. An article in The Local, an English news source in Germany reports:

“He told a crowd on Thursday that the church should view long-term, faithful homosexual relationships as they do heterosexual ones.

” ‘When two homosexuals take responsibility for one another, if they deal with each other in a faithful and long-term way, then you have to see it in the same way as heterosexual relationships,’ Woelki told an astonished crowd, according to a story in the Tagesspiegel newspaper.

“Woekli acknowledged that the church saw the relationship between a man and a woman as the basis for creation, but added that it was time to think further about the church’s attitude toward same sex relationships.”

Speaking at the 98th Katholikentag (Catholic), a conference of 60,000 Catholics in Mannheim, Woelki joins a growing chorus of episcopal voices who are calling for change in the hierarchy’s traditionally absolutist refusal to acknowledge the moral goodness of lesbian and gay relationships.

Last December, London’s Archbishop Vincent Nichols made headlines by supporting civil partnerships for lesbian and gay couples in the U.K. That same month, Fr. Frank Brennan, a Jesuit legal scholar in Australia, also called for similar recognition of same-sex relationships. In January, Bishop Paolo Urso of Ragusa, Italy, also called for recognition of civil partnerships in his country.

March of 2012 saw an explosion of questioning from prelates of the hierarchy’s ban on marriage equality. At New Ways Ministry’s Seventh National Symposium,Bishop Geoffrey Robinson of Australia called for a total re-examination of Catholic sexual ethics to allow for, among other things, moral approval of same-sex relationships. The Diocese of Manchester, New Hampshire, supported a bill that would legalize civil unions (albeit as a stopgap measure to prevent marriage equality). Bishop Richard Malone of Portland, Maine, announced that the diocese would not take an active role in opposing the state’s upcoming referendum on marriage equality, as it had in 2009. In Italy, Cardinal Carlo Maria Martini of Milan stated in his book, Credere e Cognoscere (Faith and Understanding), that “I do not agree with the positions of those in the Church who takes issue with civil unions.” You can read excerpts, in Italian, from the book here. An English translation of a different set of excerpts, thanks to the Queering the Church blog, can be found here.
While opposition to marriage equality from the hierarchy, especially in the United States, is still massive and strong, it is significant that these recent statements are all developing a similar theme of at least some recognition of the intrinsic value of lesbian and gay relationships, as well as the need for civil protection of them. May this trend continue and grow.

Francis DeBernardo, New Ways Ministry

In http://newwaysministryblog.wordpress.com/2012/05/20/cardinal-calls-for-equality-of-heterosexual-and-homosexual-relationships/

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Evitar comportamentos de risco: locais gratuitos de testes VIH para gays (e não só) em Lisboa

Ainda há muita gente descuidada com a sua saúde, pessoas negligentes que perpeptuam comportamentos sexuais de risco, expondo-se a si mesmos e ao seu/sua parceiro/parceira a doenças sexualmente transmissíveis, achando que os azares só acontecem aos outros. Não há razões para isso: sabias que há centros onde podes fazer testes gratuitos e saber os resultados na hora? Sugiro dois sítios na cidade onde vivo:

CheckpointLx, testes de detecção rápida do VIH

Localizado em pleno bairro do Príncipe Real, em Lisboa, o CheckpointLx oferece um serviço anónimo, confidencial e gratuito, para detecção rápida do VIH, dirigido a homens que têm sexo com homens (HSH). O serviço está localizado na Travessa Monte do Carmo, nº 2 e abre esta quinta-feira [31 de Março de 2011]. A inauguração oficial será divulgada oportunamente.

O aconselhamento é personalizado e feito por técnicos HSH, "promovendo o acesso à prevenção e à saúde sexual de uma forma mais eficaz e integrada na realidade da comunidade gay", pode ler-se na informação a que o dezanove teve acesso. É aconselhada marcação prévia através do 910 693 158 para maior rapidez no atendimento. O projecto conta com um site que deverá ficar online em breve, informação em folheto sobre PPE (profilaxia pós-exposição) e uma campanha de postais distribuídos no circuito comercial e de espectáculos através da Postal Free.
Centro de Aconselhamento e Detecção do VIH
O CAD Lapa é situado no bairro da Lapa, próximo da basílica da Estrela (R. de S. Ciro, 36, 1200-831 Lisboa). Não é exclusivo para homossexuais, é gratuito e funciona há uma série de anos. É possível ser atendido das 10h às 16h30 às terças, quintas e sextas e das 12h às 18h30 às segundas e quartas. O número de telefone é o 21 393 0151/2.

Direitos na Ilha de Man

Uniões civis para casais do mesmo sexo

A ilha no Mar da Irlanda que está sob a dependência da Coroa do Reino Unido passou a reconhecer o direito a parceria civil.

Entre os novos direitos que estão disponíveis a partir de hoje para os casais do mesmo sexo incluem-se herança, pensões e subsídios fiscais.

Os grupos de ativistas LGBT na ilha já celebraram a nova iniciativa.

A homossexualidade era ilegal em Isle of Man até 1992 e o projeto de parceria civil para casais do mesmo sexo provocou intenso debate na ilha de 80 mil habitantes.

Desde dezembro de 2005 que os casais do mesmo sexo tinham acesso à lei de parceria civil no Reino Unido em tudo igual ao casamento excepto no nome, mas a Ilha de Man passou ao lado desta inovação legislativa.

Em Portugal estas uniões não deverão ser reconhecidas como casamento, as uniões registadas do Reino Unido também não são reconhecidas.

A nova lei de parceria civil também abre a possibilidade de adopção pelos casais de gays e lésbicas. E não são só os casais do mesmo sexo que passam a ter esta possibilidade: casais de sexo diferente mas que não estejam casados podem agora adoptar em conjunto desde que tenham uma relação estável. 

in portugalgay

Será mesmo verdade?

Hesitei antes de publicar esta mensagem, pois li-a no dia 1 de Abril e receei que se tratasse de uma piada do "dia das mentiras"... Mas atrevo-me a divulgar, para o caso de ser mesmo verdade:



Papa reúne-se com gays e lésbicas na Alemanha

A LSVD Berlin-Brandenburg congratula-se com o diálogo "Erstes Netzwerktreffen DER PAPST KOMMT"

O Papa Bento XVI irá visitar a Alemanha e representantes da Associação Lésbica e Gay de Berlim-Brandemburgo (LSVD) anunciaram que no dia 22 Setembro 2011 irá haver um encontro de activistas com o papa. O anúncio foi feito hoje pela Arquidiocese de Berlim.

A LSVD Berlin-Brandenburg congratula-se com o novo diálogo do papa. É a primeira reunião oficial do mundo entre representantes papais e representantes de uma Associação Lésbica e Gay.

Em 17 de Maio 2011 (Dia Internacional Contra a Homofobia) será realizada uma reunião preparatória da viagem papal com Marechal Alberto Gasbarri.

O convite vem como uma oferta surpresa do Vaticano. No passado Joseph Ratzinger tem lançado críticas à decisão dos parlamentos democraticamente eleitos de reconheceram legalmente os casais do mesmo sexo que classificou como uma "legalização do mal". Mas há quem já tema agora uma "mudança político-sexual" e uma "ditadura do relativismo papal".

Mais detalhes desta notícia em: www.berlin.lsvd.de.
in portugalgay

sexta-feira, 25 de março de 2011

Defense of Marriage Act (DOMA): o novo combate nos EUA

Proposta de revogação da DOMA apresentada no Congresso norte-americano

Foram apresentadas propostas nas duas câmaras do Congresso com vista à revogação da lei que proíbe o reconhecimento federal de casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

As propostas de revogação da Defense of Marriage Act (DOMA) foram apresentadas na passada quarta-feira 16 de março quer na Câmara dos Representantes quer no Senado.

Actualmente a DOMA proíbe o governo federal de reconhecer o casamento entre pessoas do mesmo sexo e dá cobertura aos estados que se recusam a reconhecer os casamentos realizados noutros locais dos EUA.

A proibição de reconhecimento federal foi recentemente considerada inconstitucional pelo presidente Barack Obama e pelo Departamento de Justiça, que parou de a defender numa série de ações judiciais federais em curso.

Na mesma ocasião, o departamento declarou que toda e qualquer discriminação baseada na orientação sexual, tal como acontece com a discriminação baseada em raça ou religião, é inconstitucional automaticamente na ausência de alguma necessidade governamental especial que justifique tratamento diferente de gays e lésbicas.



O projeto de revogação da DOMA, chamada Respect for Marriage Act (algo como "Carta de Respeito pelo Casamento"), poderá não chegar a ser votada em qualquer das câmaras ainda este ano, embora seja provável que avance no Senado, que é controlado pelos democratas.

O projecto foi apresentado na Câmara dos Representantes por Jerry Nadler, John Conyers, Barney Frank, Tammy Baldwin, Jared Polis e David Cicilline, sendo que estes últimos quatro são abertamente homossexuais. Por outro lado foi apresentada no Senado por Dianne Feinstein, Patrick Leahy e Kirsten Gillibrand. Na Câmara, Nancy Pelosi, líder da minoria e Steny Hoyer fiscalizadora da minoria estão entre os mais de 100 patrocinadores da medida. Recorde-se que a Câmara tem 435 votantes, 242 do partido republicano e 193 do partido democrata.

"O debate sobre DOMA não é sobre se é a favor da igualdade do casamento, é sobre se o governo pode selecionar quais os casamentos que gosta, e quais os que não gosta", disse Joe Solmonese, presidente da Human Rights Campaign. "É hora de o governo federal deixa de favoritismos e cria um campo de jogo igual para todas as famílias."

"Em 1996, a DOMA era apenas uma discriminação hipotética porque todos os estados excluíam casais do mesmo sexo no casamento", acrescentou Solmonese. "Hoje temos uma visão muito mais concreta - como discriminação tangível, de cortar o coração, na vida real."

A DOMA priva os ​​casais do mesmo sexo legalmente casados de cerca de 1100 direitos e benefícios federais do casamento - incluindo os benefícios de Segurança Social de sobrevivência, cobertura de sáude do cônjuge de funcionário federal, proteções contra a perda de casas por cônjuges durante emergências médicas, o direito de patrocinar um parceiro estrangeiro para efeitos de imigração, e a capacidade de apresentar uma declaração fiscal conjunta.

Kate Kendell, directora executiva do National Center for Lesbian Rights, disse que a revogação "irá corrigir um ponto vergonhosamente baixo na história da nossa nação."

"A DOMA foi aprovada num momento muito feito de intolerância anti-gay", disse ela. "Cada dia que se mantém em efeito, a DOMA prejudica famílias, estigmatiza os nossos relacionamentos e perpetua um clima de hostilidade para todas as pessoas LGBT".

A diretora do Projeto Casamento da Lambda Legal, Jennifer Pizer, disse que o seu grupo "teve relatos de inúmeros casais do mesmo sexo que, por causa da DOMA, tiveram de pagar mais impostos federal relativos a seguro de saúde, viram negadas prestações familiares essenciais através da Segurança Social, suportaram a separação dolorosa se um dos cônjuges não é um cidadão americano, e enfrentaram uma série de outras injustiças desde as mais insignificantes a situações dramáticas. "

Pizer afirma que "a DOMA fez algo que nunca tinha acontecido antes na história dos EUA". Concluindo que a DOMA "definiu que o governo federal iria fingir que toda uma classe de pessoas legalmente casadas ​​não são realmente casadas devido a opiniões religiosas ou morais de outras pessoas sobre estes casais, ou porque não se encaixam na forma como um número de pessoas cada vez menor imagina a família".

A Diretora Executiva da National Gay e Lésbica Task Force, Rea Carey disse: "É chocante que, na América do século 21, casais do mesmo sexo legamente casados sejam apontados e vejam ser seletivamente negados direitos fundamentais pelo seu próprio governo federal."

Uma recente pesquisa nacional pela Greenberg Quinlan Rosner Research, paga pelo HRC, constatou que 51 por cento dos eleitores se opõem à DOMA e apenas 34 por cento a apoiam.

O casamento entre pessoas do mesmo sexo é legal no Connecticut, Iowa, Massachusetts, New Hampshire, Vermont e Washington, DC. Além disso, os casamentos de gays e lésbicas em qualquer parte do mundo são reconhecidos legalmente, em Maryland, México, Nova Iorque, Rhode Island e Califórnia (se o casamento ocorreu antes da aprovação da Proposition 8), apesar de estes estados não permitirem a realização de casamentos entre pessoas do mesmo sexo. 

Por Rex Wockner par portugalgay

quinta-feira, 24 de março de 2011

Desporto britânico contra a homofobia

Matt Schiermeier
Carta do desporto apresentada no Reino Unido pela ministra da Igualdade

Foi apresentada esta semana uma inovadora carta do desporto LGBT convida organismos nacionais a empenharem-se no combate à homofobia.

O anúncio foi feito pela ministra das Igualdade, Lynne Featherstone, quando assistia a um jogo da liga de rugby Sheffield Eagles em que os jogadores usaram equipamento contra a homofobia. No equipamento estava visível o slogan "Homofobia, pláca-a!" numa referência à ação de placar no rubgy situação em que alguém é parado pelo adversário.



A Ministra Lynne Featherstone disse que estava otimista sobre a nova Carta, que visa tornar o desporto mais seguro e acolhedor para gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e transgéneros.

Ela comentou: "A homofobia e a transfobia não têm lugar no desporto e estou muito contente que tantos organismos desportivos estejam a apoiar a nossa campanha para erradicá-la em todos os níveis, a partir dos clubes locais até aos estádios olímpicos."

Centenas participaram no jogo que foi patrocinado pelo LGBT History Month e Pride Sports, juntamente com o diversos sindicatos de professores de todos os níveis de ensino e a intersindical Unison

in Portugalgay

A aplicação "milagrosa" que "curava" homossexuais desapareceu

A Apple removeu a aplicação que apontava aos homossexuais uma organização que os "tratava" da homossexualidade. Para compreender melhor o fenómeno, lê os seguintes textos:

100 mil assinam petição contra aplicação anti-gay para iPhone

"A Apple está a ser alvo de críticas por ter aprovado uma aplicação que permite o acesso a conteúdos de uma organização americana que defende a "libertação" da homossexualidade por via da religião.

À data de publicação deste artigo, 100 mil pessoas tinham assinado uma petição online, dirigida a responsáveis da Apple, entre os quais Steve Jobs, onde é pedida a remoção da aplicação. Ao longo da última hora, o texto conseguiu duas mil novas suibscrições. A empresa tem também sido fortemente criticada na Web e ainda nos comentários à aplicação, na própria loja do iTunes.

A aplicação em cau
sa, que é gratuita, permite, no iPhone, iPod Touch e iPad, o acesso a notícias, calendário de eventos e outra informação da Exodus International. "Com mais de 35 anos de experiência, a Exodus está empenhada em encorajar, educar e equipar o Corpo de Cristo para lidar com a questão da homossexualidade com graça e verdade", lê-se na página da aplicação.

A petição acusa a Exodus de ser uma organização "fanática", aponta para as possíveis consequências negativas das tentativas de "cura" da homossexualidade (particularmente em jovens) e critica a Apple - que é conhecida por ser muito criteriosa nas aplicações que disponibiliza na sua loja - por ter aceite a aplicação, classificando-a como apropriada para maiores de quatro anos, o que significa, de acordo com a classificação da empresa, que não tem conteúdos problemáticos.

"A Apple não permite aplicações racistas ou anti-semitas na sua loja", lê-se na petição. "Mas está a dar luz verde a uma aplicação que dirige a LGBT jovens e vulneráveis a mensagen de que a sua orientação sexual é 'um pecado que tornará o teu coração doente'".

"É preciso dizer à Apple, alto e bom som, que isto é inaceitável", defende o texto.

A Apple já tinha tido um problema semelhante, com uma aplicação contra o casamento de pessoas do mesmo sexo, que acabou por ser retirada, por, segundo a empresa, ser "ofensiva" para um grande número de pessoas.

Ainda não houve um comentário da empresa às críticas."
por N in PÚBLICO

Apple finalmente remove aplicação que "cura" homossexualidade

"A aplicação que, supostamente, permite acabar com a homossexualidade de alguém foi, depois de muita polémica, removida pela Apple sem mais esclarecimentos.

A aplicação foi criada pelo grupo cristão Exodus conhecido por promover a mudança de homossexualidade para heterossexualidade auto-classificando-se como "o maior ministério a nível mundial para aqueles que lutam com a atração pelo mesmo sexo não desejada."

Segundo o grupo a aplicação foi "concebida para ser um recurso útil para os homens, mulheres, pais, estudantes e líderes de ministério". A aplicação oferecia a "libertação da homossexualidade através do poder de Jesus".

A situação da Apple ficou mais complicada tendo em conta que todas as aplicações disponíveis na loja iTunes são pré-aprovadas pela empresa. Aplicações com conteúdo racista ou anti-semita não são permitidas por exemplo.

Uma petição foi colocada no site change.org para denunciar a aprovação de uma aplicação que é direccionada a uma juventude LGBT vulnerável à mensagem que a sua orientação sexual seria "imoral", "satânica" e que precisaria de ser curada.

Factores que, segundo a petição, "contribuem para o suicídio". A petição recorda que a "terapia" oferecida pela Exodus foi rejeitada pelas principais organizações médicas incluindo a American Psychological Association, a American Medical Association, e ainda a American Counseling Association.

No momento em que escrevemos estas linhas a petição já ia em mais de 148000 assinaturas.

Ben Summerskill, diretor executivo do grupo de direitos LGBT britânico Stonewall, fez os seguintes comentários sobre a aplicação: "No grupo Stonewall, todos nós temos vindo a utilizar esta aplicação desde as 08:00 e podemos assegurar todos os interessados que não está a ter nenhum efeito" sob a nossa orientação sexual.

Neste momento a aplicação não está disponível na loja de aplicações da Apple."
in Portugalgay a 23 de Março de 2011

domingo, 20 de março de 2011

Considerações sobre as Uniões homossexuais: um documento a desbravar

Um novo Documento em Destaque no blogue é a série de considerações que a Congregação para a Doutrina da Fé, na pessoa do cardeal Ratzinger (actual Papa), publicou no ano de 2003 (ler na íntegra aqui).

O documento, intitulado Considerações sobre os projectos de reconhecimento legal das Uniões entre pessoas homossexuais será um interessante e polémico objecto de estudo, porventura pouco novo mas, ainda assim, esclarecedor no que diz respeito ao que a Igreja (instituição) conhece - ou desconhece - da realidade da homossexualidade. É também espelho da falta de vontade da Igreja se desvincular dos poderes políticos e dum discurso que cai no moralismo dos costumes em vez de ir beber insaciavelmente à revelação do Evangelho.


Este documento encontra-se originalmente no site do Vaticano

Acolhimento dos homossexuais na Igreja católica

Deus Cidadão e Cidadania Cristã

Na passada sexta-feira o Metanoia (Movimento Católico de Profissionais) promoveu um encontro dentro do tema Deus Cidadão e Cidadania Cristã. Lamentavelmente não o soube atempadamente para divulgar neste blogue, já que o tema me parece bastante oportuno para o teor do moradasdedeus.

O encontro foi preparado por três mulheres e congratulo-me por este estar a ser um ano em que o tema da homossexualidade tem passado o umbral das portas da Igreja em Portugal: recorde-se o encontro Fé e Cultura organizado pelos Jesuítas para o próximo dia 9 de Abril (ler mais aqui) e o Encontro do Lumiar (Na Fronteira de Deus e do Mundo), intitulado "Viver como cristão - a condição homossexual" no dia 8 de Janeiro (ler mais aquiaqui e aqui).

Cito um texto sobre Deus Cidadão e Cidadania Cristã:

"Evangelizar um homem é dizer-lhe: “Tu és amado por Deus, no Senhor Jesus Cristo”. E não é apenas dizê-lo, mas pensá-lo realmente. E não é apenas pensá-lo, mas tratar esse homem de forma a que ele o sinta e descubra em si qualquer coisa de grande, qualquer coisa de maior, e assim desperte para uma nova consciência de si próprio – de filho de Deus e irmão de todos os homens. Isto é anunciar-lhe a Boa Nova!
Autor desconhecido

As nossas aproximações a muitos temas começam pelo amor concreto aos que nos são mais queridos. Na proximidade afectiva, ultrapassamos o desconhecido e vamos ao encontro do outro. O seu mundo torna-se-nos próximo, só porque é seu. E a realidade daquilo que vive, até então abstracta e obscura para nós, vem
iluminar o nosso olhar. Se reconhecemos no outro morada de Deus, no mesmo movimento em que nos convertemos [voltamos] para o outro, convertemo-nos [voltamo-nos] para Deus. Através do outro, Deus chama-nos a ir ao Seu encontro.

Esta experiência é única, porque Deus faz-se presente em cada uma e cada um de nós, e nos chama a ir sempre mais longe. Comecemos pela proximidade afectiva, se nos for mais fácil no início, e não paremos por aí. O caminho é longo, mas o convite faz-se presente a cada instante.

No próximo encontro do Metanoia queremos trazer à reflexão o acolhimento das mulheres e homens homossexuais no seio da Igreja. Abordemos a possibilidade de as orientações da Igreja levarem, algumas vezes, a afastamentos e pertenças perdidas. Mas não fiquemos presos a essa possibilidade. Deus não se faz perdido nem distante, faz-se encontrado e próximo – em quaisquer circunstâncias.

O convite a esta reflexão é um convite à reconciliação e ao apaziguamento.

Tertuliano dizia que não nascemos cristãos, tornamo-nos cristãos. Mas não nos tornamos cristãos apenas no Baptismo. Tornamo-nos cristãos pelo acolhimento, pelo encontro com o outro. Só assim acolhemos a Cristo – cuja própria vida é uma sucessão de encontros. Acolher o desconhecido é também acolher a Deus no seu
mistério.


Procuremos ter sobre o outro um olhar reflexivo – que reflicta a Luz recebida. Ao procurar o olhar de Cristo, confiamos: Deus ama-me pelo que sou. O Deus cidadão convida – com vida – a uma cidadania cristã. Aos olhos de Deus possuímos a mesma dignidade e somos iguais. Deus não exclui, inclui. Deus não fractura, une.
Deus não divide, partilha.


Princípio da Igualdade
1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de
qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo,
raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas,
instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.
Constituição da República Portuguesa, Artigo 13.º

Deus, que se faz igual através do Seu Filho, habita o princípio da Igualdade.

Importa viver o Amor enquanto encontro sério, compromisso de união e de partilha. O Amor não começa nem termina na conjugalidade – homossexual ou heterossexual – ou no celibato – também ele homossexual ou heterossexual. O Amor não começa nem termina na orientação sexual. O Amor começa e termina em Deus. É vivido no encontro. Na abertura ao outro. Nas nossas relações. Porque todos somos chamados ao Amor. Em Cristo.

Propomos que a preparação para este encontro comece por dentro, na procura do olhar reflexivo. E que prossiga com uma pesquisa de temas relacionados com o acolhimento das mulheres e homens homossexuais no seio da Igreja, com palavras-chave como: “homossexualidade e catolicismo”, “igreja católica e pessoas
homossexuais”. No site oficial do Vaticano, podem ser consultados os seguintes documentos oficiais: “Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre o Cuidado Pastoral das Pessoas Homossexuais”, “Considerações sobre os Projectos de Reconhecimento Legal das Uniões entre Pessoas Homossexuais”. Sobre uma
temática mais específica mas relacionada, a revista Viragem nº 52 inclui o artigo “Os homossexuais podem ser padres?”, de Timothy Radcliffe. (...)"

Mais sobre Metanoia – Movimento Católico de Profissionais:
metanoia.mcp@gmail.com
www.metanoia-mcp.org

quinta-feira, 17 de março de 2011

Candidatos à União Europeia têm de cuidar que os direitos LGBT sejam respeitados

Direitos LGBT são uma das condições para adesão à UE
No passado dia 9 de Março o Parlamento Europeu adoptou duas resoluções relativamente ao caminho que a Turquia e o Montenegro têm de percorrer para completarem a sua adesão à União Europeia.  Os eurodeputados apelaram à Turquia que “se assegure de que igualdade, independentemente do sexo […] ou da orientação sexual seja garantida por lei e que esta seja aplicada de modo eficaz.” Inicialmente, a resolução apenas mencionava o encerramento ilegal de organizações LGBT e a classificação da homossexualidade como uma “doença psicossexual” (sic). No entanto, esta versão do texto foi corrigida e passou a incluir o assassínio sistemático de pessoas transgéneros, assim como a condenar a retirada de género e orientação sexual de um projecto lei anti-discriminação.
Michael Cashman, vice-presidente do grupo parlamentar LGBT Intergroup declarou: “Louvo o progresso da Turquia, um estado moderno e secular, mas apelo ao governo turco que volte a inserir a identidade do género e orientação sexual no projecto lei anti-discriminação. Ao tomar estas medidas, este país demonstra que está determinado a completar o processo de adesão.”
Quanto ao Montenegro, os eurodeputados aplaudiram a lei adoptada recentemente que proíbe a discriminação no emprego e no acesso a serviços públicos, mas lamentaram que a “discriminação em relação à orientação sexual e identidade do género ainda persista, mesmo da parte das autoridades”.
Ulrike Lunacek, também vice-presidente do grupo LGBT Intergroup disse que “este é um grande passo para o Montenegro. A Constituição montenegrina proíbe a discriminação directa ou indirecta em todas as áreas, mas ainda não está ao nível europeu, pois ainda permite a discriminação em alguns casos, por exemplo, as pessoas com deficiências, pessoas de ascendência cigana ou ashkali”.
O Intergroup continuará a monitorizar os processos de adesão à UE da Turquia, do Montenegro e de outros sete países.
por Lúcia Vieira in dezanove

Futebolista saíu do armário

Primeiro jogador futebol sueco de topo a afirmar-se homossexual

Um jovem de 20 anos de idade, com um pai famoso, é o primeiro jogador de futebol de alto nível sueco a anunciar que é homossexual.


Anton Hysén, que joga no Utsiktens BK, fez o anúncio numa entrevista à revista de futebol Offside.

Hysén revelou questiona "onde é que andam os outros todos?", numa referência ao facto de não haver nenhum outro jogador sueco fora do armário. "Eu sou jogador de futebol. E sou gay. Se eu sou um bom jogador de futebol, então acho que não importa se eu gosto de mulheres ou de homens."



Até agora, nenhum jogador de topo de futebol tinha dado este passo, apesar das grandes estrelas de outros desportos já o terem feito.

Gareth Thomas, um dos jogadores favoritos de rugby do País de Gales e o jogador de críquete de Inglaterra, Steve Davies, estão entre os que declararam publicamente que são gays.

Hysen admitiu que seu anúncio pode afetar sua carreira, mas acrescentou: "As pessoas podem me chamar os nomes que quiserem, isso só me faz ser ainda mais dedicado."

Anton Hysén é filho de Glenn Hysén, estrela do futebol do Liverpool de 1989 até 1992.

In Portugalgay


«Eu sei que tudo será diferente depois desta entrevista. Há quem não consiga conviver com homossexuais, assim como existem xenófobos que não conseguem aceitar estrangeiros. Talvez um clube se interesse por mim e o treinador mude de ideias depois que saber que sou gay. Mas não me importo. Agora todos sabem e acho que será incrível. Podem chamar-me o que quiserem, isso apenas me dará mais motivação», defendeu.
In tvi 24


No futebol feminino sueco histórias de coming out não são novidade. Entre as jogadoras que assumiram sua homossexualidade está Victoria Svensson, ex-capitã da selecção de futebol feminino, que tornou pública a sua orientação sexual em 2008.
In dezanove

quarta-feira, 16 de março de 2011

Casamento entre homossexuais: números novos nos Estados Unidos da América

Pela primeira vez, sondagem extensa revela mais apoio do que se oposição à igualdade no casamento nos Estados Unidos da América


O General Social Survey de 2010 revela que há mais pessoas nos EUA a favor da igualdade no casamento do que pessoas contra. É a primeira vez que tal acontece neste estudo altamente conceituado entre sociólogos e não só.

O General Social Survey (GSS) é uma pesquisa bienal realizada pelo Centro Nacional de Pesquisa de Opinião da Universidade de Chicago. É destinado a recolher dados sobre as opiniões e crenças de pessoas relativos a uma ampla variedade de fatores demográficos e antecedentes e tornou-se um recurso muito citado por sociólogos desde sua criação em 1972.



A pergunta foi incluída nos inquéritos há 22 anos atrás, quando mais de três quartos dos inquiridos se opunham ao casamento para gays e lésbicas e apenas 12,4 por cento o apoiavam.

Em 2004 os números foram evoluindo com 55.8% contra, 29,6% a favor, e em 2008 a margem já era bem mais pequena: 47,6% contra e 39,7% a favor.

Vale recordar que em 2008 foram levados às urnas diversas alterações legislativas de forma a proibir o casamento entre pessoas do mesmo sexo em diversos estados do país. Actualmente a batalha continua nos tribunais.

Mais informações sobre o General Social Survey em www.norc.uchicago.edu/GSS+Website/.

In Portugalgay

Carta a Obama pedindo igualdade de direitos no casamento



Celebridades norte-americanas pedem igualdade no casamento


A organização Freedom to Marry apresentou a nova campanha que pede ao Presidente Obama que diga "sim".

A campanha foi apresentada esta semana e arranca com uma carta aberta assinada por celebridades como Ellen e Portia DeGeneres, Anne Hathaway, Jane Lynch, co-fundador do Twitter Jack Dorsey, ícones dos direitos civis Julian Bond e Helen Fabela Chávez e estrelas da NFL (liga de futebol americano) Brendon Ayanbadejo e Scott Fujita.



"Sr. Presidente, o casamento importa. No direito, no amor, na vida, o casamento diz que "somos uma família" de uma forma que nada mais faz. O casamento é a união de duas vidas, marcadas por uma promessa pública de amor e responsabilidade em frente a amigos e familiares. E o casamento não traz apenas o respeito público e significado pessoal, mas também uma rede de segurança das proteções legais, direitos e responsabilidades para as quais não há substituto."


A iniciativa agora apresentada aparece depois de o presidente dos EUA ter dado instruções ao Departamento de Justiça para que cesse de defender a DOMA, a lei que define a nível federal o casamento como apenas entre um homem e uma mulher, em tribunal.


A lista de signatários iniciais é: Brendon Ayanbadejo, Helen Fabela Chavez, Ellen & Portia DeGeneres, Jack Dorsey, Melissa Etheridge, Scott Fujita, David Geffen, Anne Hathaway, Chris Hughes & Sean Eldridge, Tony Kushner & Mark Harris, Jane Lynch & Lara Embry, Eric McCormack, Rev. Peter Morales, Mya Sean Parker, Mark Pincus, Frank Selvaggi & Bill Shea, Martin Sheen, Rev. William Sinkford Lily Tomlin & Jane Wagner, Zach Wahls, Rufus Wainwright, Evan Wolfson, Bob Wright & Suzanne Wright, Julian Bond.

A carta também está aberta à assinatura de todos os que estejam interessados e será apresentada à Casa Branca na primavera, no momento em que escrevemos estas linhas já ia em perto de 20.000 assinaturas.

Saiba mais em www.freedomtomarry.org.

domingo, 13 de março de 2011

Porquê o pavor da diferença?

Pastoral Homossexual
4
Uma Igreja que deita lenha na fogueira

"Continuo as reflexões sobre a "Carta sobre o atendimento pastoral das pessoas homossexuais", [lê-la aqui] publicada em 1986 pela Congregação para a Doutrina da Fé (um dos mais importantes órgãos da Santa Sé) e assinada pelo então prefeito desta Congregação, Cardeal Joseph Ratzinger (hoje o Papa Bento XVI). 


[...] O documento transmite uma afirmação muito séria sem, no entanto, fornecer provas ou, pelo menos, exemplos. Infelizmente, apesar do suposto propósito da Carta (o "atendimento pastoral das pessoas homossexuais"), uma frase como esta tem o poder de detonar qualquer impulso de boa vontade e de coragem que eventuais agentes de pastoral (começando pelos bispos e padres) possam ter. Pior, para um leitor católico (portanto aquele que recebe as orientações do Vaticano como dogmas), aquela expressão pode causar uma distorção séria na sua visão do mundo e até levar a justificar pensamentos e actos preconceituosos. 


É mais ou menos isso que Jesus nos disse hoje na liturgia da Missa: "Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens. Vós sabeis muito bem como anular o mandamento de Deus, a fim de guardar as vossas tradições." (Mc 7, 8-9)

Para chegar à frase em questão, cito um trecho maior do texto:

"Mesmo dentro da Igreja formou-se uma corrente, constituída por grupos de pressão com denominações diferentes e diferente amplitude, que tenta impôr-se como representante de todas as pessoas homossexuais que são católicas. (...) Embora a prática do homossexualismo esteja ameaçando seriamente a vida e o bem-estar de grande número de pessoas, os fautores desta corrente não desistem da sua acção e recusam levar em consideração as proporções do risco que ela implica.(in Carta sobre o atendimento pastoral das pessoas homossexuais, alínea 9). 


Qual seria esta "séria ameaça" à vida e ao bem-estar de grande número de pessoas? Tentar mostrar que o Criador, numa infinita riqueza de suas obras, chamou à existência, também, as pessoas homossexuais, concedendo-lhes, igualmente, a vocação para amar e serem amadas? Ou, então, a presença de homossexuais na sociedade (e na Igreja) ter enfraquecido a instituição de família? 


Tenho certeza que não só não enfraquece, mas - pelo contrário - amplia e enriquece a experiência familiar de amar incondicionalmente! Falando francamente: quem está nesta história toda realmente ameaçado, tanto na sua vida, quanto no seu bem-estar? 


Um pouco mais adiante, o próprio documento responde (sem querer): 
"É de se deplorar firmemente que as pessoas homossexuais tenham sido e sejam ainda hoje objecto de expressões malévolas e de ações violentas. Semelhantes comportamentos merecem a condenação dos pastores da Igreja, onde quer que aconteçam. Eles revelam uma falta de respeito pelos outros que fere os princípios elementares sobre os quais se alicerça uma sadia convivência civil. A dignidade própria de cada pessoa deve ser respeitada sempre, nas palavras, nas ações e nas legislações." E acrescenta: "Todavia, a necessária reacção diante das injustiças cometidas contra as pessoas homossexuais não pode levar, de forma alguma, à afirmação de que a condição homossexual não seja desordenada. Quando tal afirmação é aceite e, por conseguinte, a actividade homossexual é considerada boa, ou quando se adopta uma legislação civil para tutelar um comportamento ao qual ninguém pode reivindicar direito algum, nem a Igreja nem a sociedade no seu conjunto deveriam surpreender-se se depois também outras opiniões e práticas distorcidas ganham terreno e se aumentam os comportamentos irracionais e violentos."


Pois é: a Igreja não se surpreende com os comportamentos "irracionais e violentos". Será porque ela própria fornece argumentos para tais comportamentos? É muito triste tudo isso..."


por Teleny in retorno (G-A-Y)



Ler neste blogue:

Até que ponto a Igreja está atenta à Ciência?

Pastoral Homossexual
3
As palavras e a Razão

Sobre a "Carta sobre o atendimento pastoral das pessoas homossexuais" - lê-la aqui

"[...] Como todos os textos deste tipo, a Carta possui, também, uma observação final:
"O Sumo Pontífice João Paulo II, no decurso da Audiência concedida ao Prefeito abaixo-assinado, aprovou e ordenou a publicação da presente Carta, decidida em reunião ordinária desta Congregação.

[...] Acho louvável a própria iniciativa da Igreja de se ocupar com as pessoas homossexuais. É claro que a questão seguinte é: como fazer isso? Confesso que li a Carta diversas vezes e não encontrei uma resposta clara. O que sobressai (para mim, de uma maneira bastante irritante) é a cautela, para não dizer o medo. É uma preocupação impregnada ao longo do texto inteiro. Como se a Igreja dissesse aos bispos e padres que, por acaso, se quisessem aventurar numa tal atividade: "Tudo bem, vocês tem a nossa autorização, mas saibam que, certamente, vão-se queimar! Por isso, pensem bem, antes de começar esse história!". 

Outra coisa [...] é a referência à ciência: 
"Naturalmente, não se pretende elaborar neste texto um tratado exaustivo sobre um problema tão complexo. Prefere-se concentrar a atenção no contexto específico da perspectiva moral católica. Esta encontra apoio também nos resultados seguros das ciências humanas, as quais, também, possuem objecto e método que lhes são próprios e gozam de legítima autonomia." (in "Carta sobre o atendimento pastoral das pessoas homossexuais", alínea 2) 

Em seguida, acrescenta-se: "a Igreja está em condições não somente de poder aprender com as descobertas científicas, mas também de transcender-lhes o horizonte; ela tem a certeza de que a sua visão mais completa respeita a complexa realidade da pessoa humana que, nas suas dimensões espiritual e corpórea, foi criada por Deus e, por sua graça, é chamada a ser herdeira da vida eterna." (idem) 

[...] Eu acredito na importância da ciência nesta questão toda, pois é dela que surgem argumentos para o diálogo. Entretanto, o texto da Carta, mesmo tendo falado sobre o "fenómeno da homossexualidade" (a expressão que pode sugerir um "olhar científico), surpreende depois com a seguinte afirmação: "Alguns afirmam que a tendência homossexual, em certos casos, não é fruto de uma opção deliberada e que a pessoa homossexual não tem outra alternativa, sendo obrigada a comportar-se de modo homossexual. Por conseguinte, afirma-se que, em tais casos, ela agiria sem culpa, não sendo realmente livre." 

A minha reação imediata para tal opinião não pode ser citada aqui literalmente, pois lembra bastante os gritos de adeptos numa partida de futebol. Será que é assim que a Igreja "transcende o horizonte da ciência", quer dizer, ignora totalmente as conclusões das suas investigações sérias e multidisciplinares? O termo "certos casos" induz à compreensão que seriam poucos estes casos. Onde está o resto desses casos, ou seja, aqueles que se tornaram "deliberadamente" gays e lésbicas? Que tipo de ser humano escolhe o que sentir? Quem é capaz de escolher a vida marcada pela constante discriminação e perseguição, privando-se de uma "felicidade normal" (abençoada pela Igreja-instituição), com o casamento, família e filhos, além de toda a garantia de sucesso social e profissional? 

São, exactamente, estas frases que põem em causa o documento inteiro, apesar de este conter um certo incentivo à criação da Pastoral específica para homossexuais. 

Já escrevi, na reflexão anterior, que algum "alívio" em relação às contradições deste documento ser a evolução de pensamento da Igreja como tal. Ainda que esta evolução seja terrivelmente lenta, pelo menos a esperança não morre, por assim dizer. 

Para provar isto, cito algumas frases do Catecismo da Igreja Católica (de 1992): 
"A homossexualidade reveste-se de formas muito variáveis ao longo dos séculos e das culturas. A sua génese psíquica continua amplamente inexplicada. (...) Um número não negligenciável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas. Esta inclinação objectivamente desordenada constitui, para a maioria, uma provação." (in CIC, 2357 e 2358 [1]). É muito interessante que, desta vez, não se fale de uma "opção". Talvez a razão tenha, finalmente, funcionado..."

por Teleny in retorno (G-A-Y)

[1] tradução em português do Brasil, adaptada para português de Portugal

Ler neste blogue:

Nos anos 80: a Igreja deve acompanhar a pessoa homossexual

Esta é a primeira de uma série de mensagens sobre a ideia de uma pastoral homossexual. São mensagens adaptadas a partir de um blogue do outro lado do Atlântico (Brasil).

Pastoral Homossexual 

1

A Igreja recomenda atendimento aos homossexuais


"A ideia de uma Pastoral, estruturada para acolher e atender os homossexuais, não é minha. A própria Igreja, através de alguns documentos, recomenda este trabalho. A Congregação para a Doutrina da Fé, chefiada por vários anos pelo atual Papa Bento XVI (então Cardeal Joseph Ratzinger), enviou a todos os bispos da Igreja Católica a "Carta sobre o atendimento pastoral das pessoas homossexuais"(leia aqui o texto completo). Apesar de apresentar várias opiniões discutíveis (até mesmo do ponto de vista da ciência), o documento traz um incentivo (não sei se posso chamá-lo "ordem") aos bispos: 

Esta Congregação encoraja os Bispos a promoverem, nas suas dioceses, uma pastoral para as pessoas homossexuais, plenamente concorde com o ensinamento da Igreja. (...) Um programa pastoral autêntico ajudará as pessoas homossexuais em todos os níveis da sua vida espiritual, mediante os sacramentos [...], como também através da oração, do testemunho, do aconselhamento e da atenção individual. Desta forma, a comunidade cristã na sua totalidade pode chegar a reconhecer sua vocação de assistir estes seus irmãos e irmãs, evitando-lhes tanto a desilusão como o isolamento. Desta abordagem diversificada podem advir muitas vantagens, entre as quais não menos importante é a constatação de que uma pessoa homossexual, como, de resto, qualquer ser humano, tem uma profunda exigência de ser ajudada contemporaneamente em vários níveis. 

Evidentemente, os trechos acima, parecem bastante animadores e, realmente, vale a pena aproveitá-los para dar o primeiro passo. O resto do texto é, digamos, extremamente cauteloso (para não dizer contraditório), mas isso também podemos compreender. O próprio assunto continua ainda a assustar os líderes da Igreja, assim como a maioria do povo. Precisamos de tempo, de perseverança e de uma corajosa clareza na hora apresentar ao povo tal projeto. 

Lembro-me, neste momento, das primeiras iniciativas em implantar as casas de acolhimento para portadores do vírus HIV (anos 80). Houve muitos protestos, não raro bastante violentos, promovidos pelos habitantes naquelas localidades. Muitas casas, simplesmente, não tiveram chance alguma para começar a sua missão. E tudo isso devido uma tremenda falta de conhecimento básico[...]. 

Assim como, naquela época (e às vezes até hoje), as pessoas acreditavam que o vírus "se pega" respirando o mesmo ar, da mesma forma muitos acham que os gays, só pela sua presença, irão "perverter os normais", especialmente as crianças e os jovens, mas também alguns piedosos e honestos pais e mães de família. Outra "ideia genial" diz que a moda, promovida pelo poderoso lobby gay, faz com que "a praga entre até na Igreja, como se não bastasse a invasão nos média e o escândalo das paradas de orgulho gay". 

Resumindo: temos argumento nas mãos (a recomendação do Vaticano), mas também um árduo e longo trabalho pela frente. Vamos? Alguém se arrisca?

por Teleny, in Retorno (G-A-Y)

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

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Os textos das mensagens deste blogue têm várias fontes. Alguns são resultados de pesquisas em sites, blogues ou páginas de informação na Internet. Outros são artigos de opinião do autor do blogue ou de algum dos seus colaboradores. Há ainda textos que são publicados por terem sido indicados por amigos ou por leitores do blogue. Muitos dos textos que servem de base às mensagens foram traduzidos, tendo por vezes sofrido cortes. Outros textos são adaptados, e a indicação dessa adaptação fará parte do corpo da mensagem. A maioria dos textos não está escrita segundo o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pelo facto do autor do blogue não o conhecer de forma aprofundada.

As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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