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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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sexta-feira, 12 de maio de 2017

Conceitos LGBTI: Orientação Sexual, Orgulho Gay

Glossário LGBTI: letra O

Reconhecendo as minhas próprias limitações relativas a alguns conceitos utilizados ao falar de questões ligadas à comunidade LGBTI, resolvi partilhar com os leitores do blogue um glossário dos termos mais recorrentes. Esta publicação será faseada e é baseada numa publicação do site da rede ex aequo

"Conscientes dos efeitos de estereotipização e da tentativa de normalização, não se pretende com este glossário contribuir ainda mais para o aumento dessa problemática. Pretendemos apenas clarificar alguns conceitos básicos para que possamos todos/as falar a mesma língua."

Orgulho Gay ou Orgulho LGBT - conceito segundo o qual gays, lésbicas, bissexuais e transexuais (LGBT) devem ter orgulho da sua orientação sexual e identidade de género. O movimento tem três premissas principais: que as pessoas se orgulhem pela sua orientação sexual e identidade de género; que a diversidade é uma dádiva; e que a orientação sexual e a identidade de género são inerentes ao indivíduo e não podem ser intencionalmente alteradas. A palavra orgulho é usada neste caso como um antónimo de vergonha, que foi usada ao longo da história para controlar e oprimir indivíduos LGBT. (...) O moderno movimento de orgulho gay começou após a Stonewall em 1969, quando os homossexuais nos bares locais enfrentaram a polícia de Nova Iorque durante uma rusga inconstitucional. (...) A partir do desfile anual que comemora o aniversário da Rebelião de Stonewall, nasceu um movimento popular nacional, e atualmente muitos países celebram a marcha do orgulho LGBT. O movimento promove a causa dos direitos LGBT em todo o mundo. Os símbolos do orgulho LGBT incluem a bandeira arco-íris, a borboleta, a letra grega lambda e o triângulo rosa, assim como os triângulos pretos, reclamados do seu antigo uso.

"Orientação Sexual – atração física, sexual, emocional e/ou psicológica de um indivíduo a um sexo em particular. É definida pela Associação Psicológica Americana como um dos quatro componentes da sexualidade e distingue-se pela atração emocional, romântica, sexual ou atração afetiva por indivíduos de um determinado sexo. "

O conceito de Orgulho gay foi baseado na wikipedia

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Conceitos LGBTI: IST e Intersexual


Glossário LGBTI: letra I

Reconhecendo as minhas próprias limitações relativas a alguns conceitos utilizados ao falar de questões ligadas à comunidade LGBTI, resolvi partilhar com os leitores do blogue um glossário dos termos mais recorrentes. Esta publicação será faseada e é baseada numa publicação do site da rede ex aequo


"Conscientes dos efeitos de estereotipização e da tentativa de normalização, não se pretende com este glossário contribuir ainda mais para o aumento dessa problemática. Pretendemos apenas clarificar alguns conceitos básicos para que possamos todos/as falar a mesma língua.

ISTs – sigla para Infeções Sexualmente Transmissíveis.

Intersexual / intersexo – indivíduo que tem órgãos genitais/reprodutores (internos e/ou externos) masculinos e femininos, em simultâneo, ou cromossomas que não são nem XX nem XY. De acordo com a Intersexed Society da América do Norte em cada 2.000 bebés que nascem um é intersexo (aproximadamente)." Intersexualidade, enquanto transgeneridade, é uma condição sexual e não uma orientação sexual. A palavra intersexual é preferível ao termo hermafrodita, já bastante estigmatizado, precisamente porque hermafrodita se referia apenas a questão dos genitais visíveis.

domingo, 23 de outubro de 2016

Colégio Militar: um grande passo na não descriminação

Já se pode ser quem se é?

"Cabe às instituições de educação garantir ambiente seguro a qualquer estudante. Após polémica, o Regulamento Interno do Colégio Militar inclui agora a não discriminação com base na identidade de género ou orientação sexual nos Direitos do Aluno. (in rede ex aequo)"

"O novo regulamento do Colégio Militar deixa agora claro que os alunos não podem ser discriminados em razão da orientação sexual, saúde e identidade de género.

O documento foi homologado pelo director de Educação do Exército a dia 23 de Setembro e agora disponibilizado na página do Colégio Militar. Vigora já neste ano lectivo.

"Ser tratado com respeito e correcção por todos os membros da comunidade educativa, não podendo, em caso algum, ser discriminado em razão da raça, saúde, sexo, orientação sexual, idade, identidade de género, condição económica, cultural, social ou outras convicções pessoais." É esta a primeira alínea do capítulo que estabelece os direitos do aluno do Colégio Militar no regulamento agora revisto

Como explica a agência Lusa, a formulação adoptada, que segue o sentido do que está previsto na lei geral em vigor, o Estatuto do Aluno. No regulamento anterior do Colégio Militar previa-se que o aluno não podia ser discriminado "em razão da raça, sexo, condição económica, cultural, social ou convicções pessoais".

Recorde-se que em Abril o Observador publicou uma reportagem em que o então subdiretor do Colégio Militar, entretanto afastado, assumia a existência, entre alunos, de situações de exclusão em função da orientação sexual. Essa revelação desatou uma polémica que foi acompanhada no dezanove.pt em vários momentos. As alterações ao regulamento agora conhecidas resultam do grupo de trabalho criado pelo general chefe do Estado-Maior do Exército, Rovisco Duarte, que tinha determinado a revisão dos regulamentos internos para "reforçar a mitigação de eventuais riscos que possam conduzir a qualquer forma de discriminação", relembra a Lusa."

domingo, 2 de dezembro de 2012

Hierarquia da Igreja Anglicana: a homossexualidade não põe em causa o celibato

in DN, 20 de Junho 2011
Igreja anglicana autoriza ordenação de bispos homossexuais


O documento intitulado "ordenar bispos, a lei sobre a igualdade de 2010" defende que a orientação sexual não deverá ser tida em consideração na promoção de um padre a bispo e recomenda que a hierarquia da Igreja possa bloquear uma nomeação se ela "causar divisão e desunião na diocese" em causa.
A Igreja Anglicana foi pressionada a esclarecer a sua posição sobre a ordenação de bispos homossexuais depois de Jeffrey John, padre celibatário e homossexual que vive com outro religioso, ter sido forçado a renunciar ao cargo de arcebispo de Reading em 2003. A Igreja Anglicana de Inglaterra voltou a rejeitar em Julho de 2010 a candidatura de Jeffrey John a bispo da diocese londrina de Southwark. Em setembro, o arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, líder da Igreja Anglicana, disse "não ter problemas" com o facto de os bispos serem homossexuais desde que sejam celibatários.
  A Igreja Anglicana de Inglaterra autoriza a ordenação de bispos homossexuais desde o Sínodo da igreja em Julho do ano passado (2011).   Quando chegará o momento em que a Igreja Católica vai compreender que uma coisa é orientação sexual, e outra é vocação para o celibato?

A ONU e a violação dos direitos humanos baseada na orientação sexual e na identidade de género

Foi no ano passado que pela primeira vez a ONU incluiu a orientação sexual e a identidade de género na lista dos direitos humanos a respeitar, mostrando a preocupação com os actos de violência e de discriminação praticados baseados nestes dois factores. Aqui poderás ler em inglês o comunicado de imprensa que resultou da reunião.

UN Human Rights Council Passes First-Ever Resolution on Sexual Orientation and Gender Identity


17/06/2011

Today’s resolution is the first UN resolution ever to bring specific focus to human rights violations based on sexual orientation and gender identity, and follows a joint statement on these issues delivered at the March session of the council. It affirms the universality of human rights, and notes concern about acts of violence and discrimination based on sexual orientation and gender identity. This commitment of the Human Rights Council sends an important signal of support to human rights defenders working on these issues...
Geneva, June 17, 2011 - In a groundbreaking achievement for upholding the principles of the Universal Declaration of Human Rights (UDHR), the United Nations Human Rights Council has passed a resolution on human rights violations based on sexual orientation and gender identity (L9/rev1).
The resolution, presented by South Africa along with Brasil and 39 additional co-sponsors from all regions of the world, was passed by a vote of 23 in favour, 19 against, and 3 abstentions. A list of how States voted is attached. In its presentation to Council, South Africa recalled the UDHR noting that “everyone is entitled to all rights and freedoms without distinction of any kind” and Brasil called on the Council to “open the long closed doors of dialogue”.
Today’s resolution is the first UN resolution ever to bring specific focus to human rights violations based on sexual orientation and gender identity, and follows a joint statement on these issues delivered at the March session of the council. It affirms the universality of human rights, and notes concern about acts of violence and discrimination based on sexual orientation and gender identity. This commitment of the Human Rights Council sends an important signal of support to human rights defenders working on these issues, and recognizes the legitimacy of their work.
“The South African government has now offered progressive leadership, after years of troubling and inconsistent positions on the issue of sexual orientation and gender identity. Simultaneously, the government has set a standard for themselves in international spaces. We look forward to contributing to and supporting sustained progressive leadership by this government and seeing the end of the violations we face daily”, said Dawn Cavanagh, of the Coalition of African Lesbians
The resolution requests the High Commissioner for Human Rights to prepare a study on violence and discrimination on the basis of sexual orientation and gender identity, and calls for a panel discussion to be held at the Human Rights Council to discuss the findings of the study in a constructive and transparent manner, and to consider appropriate follow-up.
“That we are celebrating the passage of a UN resolution about human rights violations on the basis of sexual orientation is remarkable, however the fact that gender identity is explicitly named truly makes this pivotal moment one to rejoice in,” added Justus Eisfeld, Co-Director of GATE. “The Human Rights Council has taken a step forward in history by acknowledging that both sexual and gender non-conformity make lesbian, gay, trans* and bi people among those most vulnerable and indicated decisively that states have an obligation to protect us from violence.”
"As treaty bodies, UN special procedures, and national courts have repeatedly recognized, international human rights law prohibits discrimination on the grounds of sexual orientation and gender identity.”, declared Alli Jernow, of the International Commission of Jurists.
The resolution is consistent with other regional and national jurisprudence, and just this week, the 2011 United Nations Political Declaration on HIV and AIDS recognised the need to address the human rights of men who have sex with men, and the Organization of American States adopted by consensus a resolution condemning violence and discrimination on the basis of sexual orientation and gender identity.
Earlier in this 17th session of the Human Rights Council, the UN Special Rapporteur on violence against women, its causes and consequences, Rashida Manjoo, reported to the Council that:
“Contributory factors for risk of violence include individual aspects of women’s bodily attributes such as race, skin colour, intellectual and physical abilities, age, language skills and fluency, ethnic identity and sexual orientation.”
The report also detailed a number of violations committed against lesbian, bisexual and trans women, including cases of rape, attacks and murders. It is therefore regrettable that a reference to "women who face sexuality-related violence" was removed from the final version of another resolution focused on the elimination of violence against women during the same session.
"Despite this inconsistency, we trust the UN resolution on sexual orientation and gender identity will facilitate the integration of the full range of sexual rights throughout the work of the UN.", said Meghan Doherty, of the Sexual Rights Initiative.
A powerful civil society statement was delivered at the end of the session, welcoming the resolution and affirming civil society’s commitment to continuing to engage with the United Nations with a view to ensuring that all persons are treated as free and equal in dignity and rights, including on the grounds of sexual orientation and gender identity.
“Now, our work is just beginning”, said Kim Vance of ARC International. “We look forward to the High Commissioner’s report and the plenary panel next March, as well as to further dialogue with, and support from, those States which did not yet feel able to support the resolution, but which share the concern of the international community at these systemic human rights abuses.”

[Quem votou o quê]

Records of Vote and Co-Sponsorship

Council member States supporting the resolution: Argentina, Belgium, Brazil, Chile, Cuba, Ecuador, France, Guatemala, Hungary, Japan, Mauritius, Mexico, Norway, Poland, Republic of Korea, Slovakia, Spain, Switzerland, Ukraine, Thailand, UK, USA, Uruguay
Council member States against the resolution: Angola, Bahrain, Bangladesh, Cameroon, Djibouti, Gabon, Ghana, Jordan, Malaysia, Maldives, Mauritania, Nigeria, Pakistan, Qatar, Moldova, Russian Federation, Saudi Arabia, Senegal, Uganda.
Abstentions: Burkina Faso, China, Zambia

Absent: Kyrgyzstan, Libya (suspended)
Co-Sponsors of the resolution: Albania, Argentina, Australia, Austria, Belgium, Bolivia, Brazil, Canada, Chile, Colombia, Croatia, Cyprus, Czech Republic, Denmark, Estonia, Finland, France, Germany, Greece, Honduras, Iceland, Ireland, Israel, Italy, Luxembourg, Netherlands, New Zealand, Norway, Poland, Portugal, Romania, Serbia, Slovenia, South Africa, Spain, Sweden, Switzerland, Timor-Leste, United Kingdom of Great Britain and Northern Ireland, United States of America, and Uruguay.

In ILGA Europa

quinta-feira, 24 de março de 2011

Violação dos Direitos Humanos com base na orientação sexual e identidade de género na ONU

Nova declaração sobre questões LGBT apresentada esta semana na ONU

Um comunicado conjunto que reconhece as violações dos direitos humanos baseadas na orientação sexual e identidade de género foi apresentado no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas a 21 de março.

Terminou no dia 18 o prazo para os países a subscreverem e pelo menos 58 países já subscreveram a declaração incluindo Portugal e Brasil.

A declaração foi lida pelo embaixador da Colômbia na ONU, no mesmo dia em que a questão dos direitos humanos nos territórios Palestinianos também terá sido abordada. 

in Portugalgay

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Até onde é livre a nossa escolha?

Nota: Esta mensagem foi adaptada a partir de um texto escrito em Português do Brasil; as referências bíblicas do original foram substituidas pela versão da "Bíblia Sagrada" da Difusora Bíblica

Livre-arbítrio

É o poder dado por Deus ao homem de escolher as suas ações em decorrência de tudo o que foi concedido ao mesmo. “Tomo hoje por testemunhas contra vós o céu e a terra; ponho diante de vós a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe a vida (...)” (Deuteronómio 30, 19) O livre-arbítrio compreende as escolhas das ações e a responsabilidade pelas causas e efeitos gerados na vida de cada indivíduo.

O livre-arbítrio não tem nada a ver com escolha por coisas inatas, pois só compreende a escolha da “ação” decorrente do que foi oferecido ao homem para “administrar” na sua vida. Nesta vida tu és “senhor”. Senhor do teu corpo, das tuas relações familiares, do projeto de vida para o teu futuro...

Por outras palavras, ninguém escolhe a altura que terá. Ninguém opta por ter olhos verdes ou castanhos. Ninguém, no momento em que foi colocado no ventre da mãe, passou por questões do tipo: Jesus, quero uma família rica! Deus, deposita mais melanina na minha pele para ser mais moreno! Senhor, por favor, gostaria de ter a orientação sexual A! [...]

Parece injusto, mas repara que a troca é bem justa. Sim, uma troca de escolhas! Deus não te concede o poder de escolheres a tua altura, teres os familiares que preferirias, teres o cabelo desejado, ser da orientação sexual que mais agradasse aos teus amigos... mas Deus concede livremente a todas as pessoas o direito de escolha de onde cada um poderá passar toda a sua eternidade. Deus decidiu por nós as coisas passageiras, as coisas temporais e que poderíamos usar apenas neste breve “tabernáculo”; a maior escolha, a que tem um tempo infinito, a que será para sempre, depende de ti!

Achas mesmo que daqui a cem anos vai ser importante se foste branco ou preto, rico ou pobre, canhoto ou destro, gay ou heterossexual? Toda a matéria veio do pó e ao mesmo voltará. “Se nós temos esperança em Cristo apenas para esta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.” (1 Coríntios 15, 19).

A vida terrena neste corpo mortal é muito pequena. Lembras-te dos dois ladrões na cruz? Já se passaram dois mil anos, um escolheu a vida e o outro a morte espiritual. Os dois estavam ao lado de Jesus e tiveram a mesma oportunidade de terem a vida eterna. Mesmo que durante toda a sua caminhada não tenham feito as melhores escolhas e, ao contrário de Jesus, estavivessem merecidamente pregados na cruz. Todavia, um deles escolheu o melhor caminho naquele quase que último suspiro. Talvez tu não tenhas feito boas escolhas na tua vida, como aqueles ladrões na cruz, mas como aqueles dois, a ti também é dado o direito de uma melhor escolha: Jesus!

Esta escolha é feita enquanto há vida e jamais depois da morte física. A escolha da Salvação é feita aqui e é para todos, pois Deus a ninguém exclui, porque não pode negar-se a si mesmo. A escolha é para “todo o que crê nele”. Porque "tanto amou Deuso mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que crê nele não se perca, mas tenha a vida eterna.” (João 3, 16)

Por Nilo, in gayscatolicoscomfe

sábado, 8 de janeiro de 2011

ONU vota protecção dos direitos LGBT

Os activistas dos direitos homossexuais garantem que estes ainda são alvo de violência por causa da sua orientação sexual

Protecção dos direitos gays em votação na ONU


A Assembleia Geral das Nações Unidas [votou no dia 21 de Dezembro] a proposta de protecção especial a gays, lésbicas, bissexuais e transgéneros, como mais uma das minorias cuja vida está sob ameaça.
 
Deverão os gays ter a mesma proteção que têm outras minorias cujas vidas estão sob ameaça? O tema está a gerar polémica dentro das Nações Unidas (ONU), com os Estados Unidos e associações defensoras dos direitos homossexuais a criticarem a exclusão do tema "orientação sexual" da proposta que hoje vai a votação.
A Assembleia Geral da ONU vota hoje a inclusão da protecção de lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros em execuções extrajudiciais e assassinatos. Protecção essa que já é específica para crimes raciais, nacionais, étnicos, por motivos religiosos ou linguísticos, incluindo refugiados, indígenas e outros grupos. A proposta da inclusão da homossexualidade visa que todos os membros da ONU "investiguem pronta e aprofundadamente todos os assassinatos cometidos por motivações relativas à orientação sexual".

Contudo, na semana passada, um pedido de alteração da mesma, promovido por países árabes e africanos e aprovado pela ONU, levou à substituição da alínea referente à "orientação sexual" pela expressão "razões discriminatórias sem qualquer base". Esta alteração não agradou nem aos Estados Unidos nem aos defensores dos direitos homossexuais, que já expressaram a sua indignação: "Mesmo que estes países não apoiem os direitos gays, pelo menos deviam defender o nosso direito a não sermos mortos", afirmou a norte-americana Jessica Stern, da Comissão de Direitos Humanos Internacional Gay e Lésbica, sediada em Nova Iorque.

Gays alvo de violência discriminatória

Na entrevista ao jornal "The Guardian", a defensora dos direitos homossexuais deixou claro que "gays de todo o mundo continuam a ser alvos frequentes de violência devido à sua orientação sexual". Jessica Stern lembra ainda que tanto o Uganda, como os outros restantes 76 países que criminalizam a homossexualidade, estão a debater a hipótese de se juntarem às cinco nações que já a consideram um crime capital.

Na segunda parte da votação, que se realiza hoje, os países membros podem anular a decisão anterior que teve 79 votos pela exclusão da alínea "orientação sexual", contra apenas 70 votos contrários à retirada do termo. Os 43 Estados que ainda não votaram podem hoje ajudar a manter o tema da homossexualidade no documento oficial que deverá depois ser seguido em todo o mundo.

Os activistas lembram que só conseguiram obter a "atenção mínima" da ONU há uma década, não estando para já dispostos a prescindir dela.

In expresso, a 21 de Dezembro de 2010
http://aeiou.expresso.pt/proteccao-dos-direitos-gays-em-votacao-na-onu=f622238

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A homossexualidade: contra ou pró-natura? A sexualidade não admite opções...

Scott Tuk
Violência contra homossexuais

A homossexualidade é uma ilha cercada de ignorância por todos os lados. Nesse sentido, não existe aspecto do comportamento humano que se lhe compare.

Não há descrição de civilização alguma, de qualquer época, que não faça referência à existência de mulheres e homens homossexuais. Apesar dessa constatação, ainda hoje esse tipo de comportamento é chamado de antinatural.

Os que assim o julgam partem do princípio de que a natureza (ou Deus) criou órgãos sexuais para que os seres humanos procriassem; portanto, qualquer relacionamento que não envolva pénis e vagina vai contra ela (ou Ele).

Se partirmos de princípio tão frágil, como justificar a prática de sexo anal entre heterossexuais? E o sexo oral? E o beijo na boca? Deus não teria criado a boca para comer e a língua para articular palavras?

Se a homossexualidade fosse apenas perversão humana, não seria encontrada noutros animais. Desde o início do século XX, no entanto, ela tem sido descrita em grande variedade de espécies de invertebrados e em vertebrados, como répteis, pássaros e mamíferos.

Virtualmente em todas as espécies de pássaros, nalguma fase da vida, ocorrem interacções homossexuais que envolvem contacto genital, que, pelo menos entre os machos, ocasionalmente terminam em orgasmo e ejaculação.

Comportamento homossexual envolvendo fêmeas e machos foi documentado em pelo menos 71 espécies de mamíferos, incluindo ratos, camundongos, hamsters, cobaias, coelhos, porcos-espinhos, cães, gatos, cabritos, gado, porcos, antílopes, carneiros, macacos e até leões, os reis da selva.

O relacionamento homossexual entre primatas não humanos está fartamente documentado na literatura científica. Já em 1914, Hamilton publicou no Journal of Animal Behaviour um estudo sobre as tendências sexuais em macacos e babuínos, no qual descreveu intercursos com contato vaginal entre as fêmeas e penetração anal entre machos dessas espécies. Em 1917, Kempf relatou observações semelhantes.

Masturbação mútua e penetração anal fazem parte do repertório sexual de todos os primatas não humanos já estudados, inclusive bonobos e chimpanzés, nossos parentes mais próximos.

Considerar contra a natureza as práticas homossexuais da espécie humana é ignorar todo o conhecimento adquirido pelos etologistas em mais de um século de pesquisas rigorosas.

Os que se sentem pessoalmente ofendidos pela simples existência de homossexuais talvez imaginem que eles tenham escolhido pertencer a essa minoria por capricho individual. Quer dizer, num belo dia pensaram: eu poderia ser heterossexual, mas como sou desavergonhado prefiro relacionar-me com pessoas do mesmo sexo.

Não sejamos ridículos; quem escolheria a homossexualidade se pudesse ser como a maioria dominante? Se a vida já é dura para os heterossexuais, imagine para os outros.

A sexualidade não admite opções, simplesmente é. Podemos controlar o nosso comportamento; o desejo, jamais. O desejo brota da alma humana, indomável como a água que despenca da cachoeira.
Mais antiga do que a roda, a homossexualidade é tão legítima e inevitável quanto a heterossexualidade. Reprimi-la é acto de violência que deve ser punido de forma exemplar, como alguns países fazem com o racismo.

Os que se sentem ultrajados pela presença de homossexuais na vizinhança, que procurem dentro das próprias inclinações sexuais as razões para justificar o ultraje. Ao contrário dos conturbados e inseguros, mulheres e homens em paz com a sexualidade pessoal costumam aceitar a alheia com respeito e naturalidade.

Negar a pessoas do mesmo sexo permissão para viverem em uniões estáveis com os mesmos direitos das uniões heterossexuais é uma imposição abusiva que vai contra os princípios mais elementares de justiça social.

Os pastores de almas que se opõem ao casamento entre homossexuais têm o direito de recomendar a seus rebanhos que não o façam, mas não podem ser fascistas a ponto de pretender impor sua vontade aos que não pensam como eles.

Afinal, caro leitor, a menos que os seus dias sejam atormentados por fantasias sexuais inconfessáveis, que diferença faz se a colega de escritório é apaixonada por uma mulher? Se o vizinho dorme com outro homem? Se, ao morrer, o apartamento dele será herdado por um sobrinho ou pelo companheiro com quem viveu trinta anos?

Drauzio Varella
adaptação de rioazur
http://www.drauziovarella.com.br/ExibirConteudo/6375/violencia-contra-homossexuais

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Descobrir as diferenças entre o Estigma e e a Liberdade

... Os actos homossexuais podem ser ordenados ou desordenados do ponto de vista moral, exactamente como os actos heterossexuais, ou seja, [...] a orientação sexual é em si mesma neutra do ponto de vista moral. Este pequeno matiz ou minúsculo pormenor faz toda a diferença: a incomensurável diferença que existe entre a prisão do estigma e o campo da liberdade.
...
Não escandalizar ninguém - antes, pelo contrário, dar vivo testemunho que suscite de novo o sentido magnífico daquelas palavras de Tertuliano acerca dos primeiros cristãos: "Vede como eles se amam."

In O casamento sempre foi gay e nunca triste, de José António Almeida


Mais textos do mesmo livro neste blogue:

http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/10/basta-de-suicidios.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/10/viver-de-cara-descoberta.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/10/luz-sem-ocaso.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/10/ser-bom-cristao.html
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http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/09/o-homossexual-de-hoje-nasceu-do.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/09/grandeza-do-cristianismo.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/09/o-casamento-sempre-foi-gay-e-nunca.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/09/o-santo-vai-nu.html

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O fenómeno transgender

O nosso moderador, pediu-me que trouxesse ao Blog, algum texto que nos ajudasse a reflectir o fenómeno da transexualidade. Encontrei um texto brilhante do Prof. Allen Gomes, que nos ajuda a reflectir esta e outras formas de ser homem e mulher...partilho convosco:

"A nossa sociedade, desde sempre, encarou o sexo, ou o género, de uma forma fortemente bipolarizada e esteriotipada: masculino e feminino.
Na sua forma típica – palavra que me parece menos má do que normal – cada sexo sentia-se identificado com o seu corpo (identidade de género), exibia um comportamento social de acordo como o que cada sociedade, em cada momento, prescreve para cada sexo (papel de género) e orientava-se – em termos de atracção erótica – para o outro sexo (orientação sexual). Em termos simples: homem heterossexual com uma identidade e papel de género masculino e mulher heterossexual com uma identidade e papel de género feminino. Este seria o melhor dos mundos- o admirável mundo velho!

Só que, um número significativo de pessoas, não se consegue encaixar nesta polaridade tão redutora e apresenta vivências ou comportamentos típicos do outro sexo, numa ou mais das suas características. Na terminologia médico-psicológica estas pessoas apresentam transposições de género, situações consideradas de carácter patológico e, portanto, enquadradas nas respectivas classificações clínicas, enquanto no léxico delas próprias se designam por transgender, não se consideram como doentes, mas como tendo um estilo de vida alternativo (...). De acordo com a tipicidade dos elementos definidores do sexo, descreveram-se à partida três grandes transposições do género: a homossexualidade – identidade e papel de género típicos, com orientação sexual atípica; travestismo – identidade de género e orientação sexual típicas e papel de género atípico; transexualismo – identidade, papel e orientação sexual atípicos.

Temos assim, três grandes categorias, aparentemente bem definidas... contudo, a diversidade do comportamento sexual não se esgota em categorias tão rígidas. A orientação sexual é muito mais complexa que a simples polarização heterossexual/homossexual. Ela é um contínuo entre dois extremos – o heterossexual e o homossexual exclusivos. Entre estes pólos, encontra-se uma imensa variedade de comportamentos em que, em maior ou menor grau, se encontram pessoas com vivencias de dupla atracção, cuja frequência e predominância apresenta importantes nuances ao longo da vida. Assim, ao nível da orientação sexual, construiu-se uma nova categoria – bissexualidade –que em si só também não dá para compreender a pessoa, que de facto é susceptível a fenómenos de dupla atracção. Por outro lado, com o passar do tempo, foi-se constatando que não havia critérios científicos para considerar o comportamento homossexual como patológico, pelo que, desde há mais de trinta anos, a homossexualidade foi retirada das grandes classificações internacionais de doença (...). O transexualismo mantém-se como a categoria mais estável. Cientificamente, define-se como todo o indivíduo que deseja viver e ser aceite como membro do outro sexo, sentindo-se altamente desconfortável com o seu sexo anatómico e procurando, afincadamente, tratamentos hormonais, cosméticos e cirurgicos que tornem o seu corpo o mais congruente possível com a sua vivência psicológica. Uma alma de mulher aprisionada num corpo de homem – transexual masculino, ou uma alma de homem aprisionada num corpo de mulher – transexual feminino, constitui ainda a definição mais compreensiva destas pessoas.

Neste contexto classificativo, onde se enquadram os indivíduos do sexo masculino que se vestem de mulheres e se comportam como tal de uma forma permanente, que tomam hormonas femininas, que utilizam silicone para tornar as suas formas mais femininas mas que não se submetem a cirurgias que modifiquem os seus orgãos genitais? A resposta, é que pura e simplesmente, não se enquadram nas classificações existentes! Daí que, o nome mais adequado para eles, seja o que as comunidades gay e transgender utilizam – as drag queens. Como se vê, não são nem travestis, nem transsexuais. A imagem que melhor os caracteriza será o de uma “mulher com pénis” (...).

Como se vê, a diversidade humana a nível de género é tão vasta como a qualquer outro nível. No aspecto científico, classificar as variações de género em categorias rígidas, não só não resolve o problema da compreensão do fenómeno transgender – que abrange todas as identidades sexuais que culturalmente transgridem os chamados papéis masculinos e femininos – como se pode revestir de alguns perigos. A construção, nestas situações, de categorias clínicas bem delimitadas, pode obrigar técnicos de saúde e leigos a fazer com que as pessoas se encaixem, forçadamente, nelas, correndo o risco de se adoptarem procedimentos radicais – nomeadamente cirurgicos – que, no futuro, se revelem insatisfatórios para as pessoas a que foram aplicados.

A título de ilustração, gostaria de terminar este artigo, com uma citação de um site da internet – FTM (female-to-male)International: 'nós situamo-nos em vários pontos do continuum transgender-transexualism. Muitos de nós, fizemos a transição através de auto-exploração com colegas ou conselheiros. Muitos tentaram a transição física tomando hormonas para produzir caracteres sexuais secundários, como voz grave e barba, ou submeteram-se a cirurgias – tais como mastectomia bilateral, para criar um torso masculino e faloplastia, para construir genitais masculinos. Outros, embora partilhando uma identidade de género masculino, decidiram que as hormonas/cirurgias não seriam necessárias para demonstrarem a sua masculinidade. Outros, ainda, expressam a sua identidade masculina, exclusivamente, através da forma como se vestem e se comportam socialmente...'"

In Paixão, amor e sexo de Francisco Allen Gomes (páginas 127-132), Publicações Dom Quixote

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A homofobia é como o apartheid

O antigo líder da Igreja Anglicana da África do Sul [Desmond Tutu] fez esta afirmação no lançamento do livro “Sex, Love & Homophobia”, publicado no passado mês de Julho pela Amnistia International – Reino Unido. Tutu escreveu o prefácio do livro editado por esta organização de defesa dos direitos humanos.

"Nós combatemos o apartheid em África, apoiados por pessoas de todo o mundo, porque nós negros eramos acusados e passávamos por um enorme sofrimento relacionado com algo que não podíamos alterar: a cor da nossa pele", escreveu este líder religioso. “Passa-se o mesmo com a orientação sexual. Esta é um dado adquirido”, acrescentou.

Desmond Tutu disse que não poderia ter lutado contra a discriminação imposta pelo apartheid sem lutar contra a discriminação sofrida pelos homossexuais. “Tenho orgulho que na África do Sul, quando tivemos finalmente a oportunidade de escrever a nossa própria constituição, os direitos humanos tenham ficado explicitamente inscritos nas nossas leis” disse, acrescentando que espera que em breve esse seja também o caso de outros países.

A África do Sul é até agora o único país do mundo em que a constituição garante direitos iguais independentemente da orientação sexual. Esta posição contrasta com a dos seus países vizinhos nos quais a homossexualidade é muitas vezes punida pelo código penal.

"No entanto, um pouco por todo o mundo, lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros são perseguidos" escreve o Arcebispo Tutu. “Tratamo-los como párias e empurramo-los para fora das nossas comunidades. Fazemos com que duvidem que também eles são filhos de Deus – e essa é a última das blasfémias. São acusados simplesmente por serem quem são” acrescenta.

"As Igrejas dizem que a expressão do amor numa relação heterossexual monogâmica – incluindo o lado físico, o tocar-se, abraçar-se, beijar-se, o acto genital – reflecte a totalidade do nosso amor assim manifestado, faz-nos crescer transformando-nos e aproximando-nos de Deus tornando-nos mais próximos do outro, mais solidários. Se é assim para os heterossexuais, porque razão não haverá de ser igual para os homossexuais?” pergunta Tutu.

Também no seio da Igreja Anglicana Sul Africana, a homossexualidade tem sido muito controversa a ponto de ter ameaçado a divisão da própria comunidade anglicana. O actual líder da Igreja Anglicana na África do Sul , Njongonkulu Ndungane, tem sido um grande defensor da inclusão dos homossexuais na comunidade da Igreja, em conflito com outros líderes de outras Igrejas Anglicanas.

Neste livro recém editado, a Aministia Internacional relata histórias de gays e lésbicas um pouco por todo o mundo. Estas incluem Poliyana Mangwiro que liderou o movimento de Gays e Lésbicas do Zimbabwe apesar do Presidente Robert Mugabe defender que a homosexualidade é contra “as tradições Africanas”.

O livro também inclui a história de Simon Nkoli, um Sul Africano activista do ANC que depois de ter passado quatro anos na prisão sob o regime do apartheid continuou a lutar pelos direitos dos gay na África do Sul. Refere ainda histórias de ódio, medo e perseguição que são relatadas a partir da Nigéria, Egipto e outros países, para além de testemunhos de estados em que a homossexualidade é punida com pena de morte; incluindo Sudão, Mauritania e alguns estados da Nigéria do Norte.

Para o Arcebispo Tutu, estas "forças destrutivas" feitas de "maldade e preconceito" são diabólicas. “Um pai que eduque um filho para ser racista estraga esse filho, estraga a comunidade em que ele vive, estraga os nossos desejos de um mundo melhor. Um pai que eduque um filho dizendo-lhe que só há uma orientação sexual e que qualquer outra está errada nega a nossa humanidade assim como a sua própria humanidade,” conclui Desmond Tutu.

Traduzido a partir de:afrol News, 7 Julho 2010 pela amplos

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

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