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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

4 novos países descriminalizaram a homossexualidade em 2016

Balanço do direito LGBTI no mundo

Moçambique (Sudeste de África), Seychelles (Oceano Índico, a Norte de Madagáscar), Nauru (Oceano Índico, sobre a linha do Equador, a Nordeste da Austrália) e Belize (pequeno país vizinho do México) descriminalizaram as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo durante este ano.

Na página Legislação sobre pessoas LGBT no mundo da Wikipedia, além de uma válida contextualização histórica e cultural, pode-se consultar uma tabela onde aparecem descriminadas as informações disponíveis relativamente aos direitos LGBTI aplicados em cada país do mundo.

Em G1.globo.com os leitores de moradas de deus podem ler um interessante artigo (actualizado a 17 de Junho de 2016) sobre as leis activas nos países de todo o planeta referentes à orientação sexual. A relação homossexual é ainda crime em 73 países e 13 prevêem pena de morte.






Mais informação em: Relatório da ILGA

sábado, 1 de dezembro de 2012

Reconhecimento de casais do mesmo sexo no Brasil e igualdade de acesso à parentalidade: comunicado da ILGA Portugal

"O direito existe para a vida; não é a vida que existe para o direito"
Brasil reconhece casais do mesmo sexo e garante igual acesso à parentalidade

O Supremo Tribunal Federal do Brasil aprovou ontem uma decisão histórica que confere direitos civis iguais para casais de pessoas do mesmo sexo, incluindo o acesso à adoção, o acesso às técnicas de procriação medicamente assistida e ao registo de filhas/os da/o parceira/o.

Ainda que não conferindo um igual acesso ao casamento, o Supremo Tribunal Federal decidiu, com 10 votos favoráveis e sem oposição, e reconheceu, nas palavras da ministra Cármen Lúcia, que "o direito existe para a vida; não é a vida que existe para o direito”.
A ILGA Portugal congratula o movimento LGBT brasileiro por esta vitória - e congratula o Brasil, que contribui assim para que a afirmação da igualdade se faça cada vez mais em português.
Também nesse sentido, esperamos que, em Portugal, os partidos que concorrem às eleições legislativas marquem a importância do valor da igualdade e da não-discriminação e da salvaguarda de direitos fundamentais. A ILGA Portugal tem travado várias lutas para garantir a cidadania plena das pessoas LGBT – e tem alcançado algumas vitórias importantes, com o apoio de todas as pessoas e instituições que valorizam a liberdade, a igualdade e os Direitos Humanos. A igualdade no acesso ao casamento e a lei da identidade de género colocaram aliás o nosso país como um exemplo a seguir neste âmbito a nível europeu e mundial. No entanto, e ainda que num novo estádio, a luta contra a discriminação com base na orientação sexual e na identidade de género está ainda no seu início.

Desde logo, e seguindo o exemplo do Brasil, parece-nos fundamental assegurar o igual reconhecimento das relações familiares das pessoas LGBT no âmbito da parentalidade: garantindo a igual proteção de crianças que já hoje são criadas por casais de pessoas do mesmo sexo através do reconhecimento legal das suas figuras parentais; alargando o acesso a técnicas de procriação medicamente assistida a mulheres solteiras e casais de mulheres (casadas ou unidas de facto); e removendo a exclusão a priori de casais do mesmo sexo (casados ou unidos de facto) no acesso à candidatura à adoção.

Temos aliás vindo a agendar audiências com os vários partidos com representação parlamentar no sentido de alertar para o trabalho que é fundamental realizar nesta área.

O debate científico relativo ao exercício da parentalidade por casais de pessoas do mesmo sexo está feito a nível internacional (em campos tão diversos como a Psicologia, a Pediatria, a Medicina Familiar ou o Serviço Social) e as conclusões são inequívocas e favoráveis ao fim das atuais restrições legais.

Mas sobretudo já existem muitas crianças que são criadas por casais de pessoas do mesmo sexo no Portugal de hoje e os principais obstáculos que elas enfrentam são precisamente causados por uma lei que não as protege adequadamente por não reconhecer as suas figuras parentais - basta pensar na importância desse reconhecimento na escola, num hospital ou até em casos extremos como uma eventual morte da única figura parental com reconhecimento legal.

Assim, porque também acreditamos que o direito existe para a vida, esperamos que os partidos proponham legislação que garanta a proteção destas crianças em plano de igualdade com as demais, através do reconhecimento legal das suas figuras parentais. Trata-se, afinal, da única atitude responsável por parte de quem se preocupa com o bem-estar das crianças - e com a igualdade.
Lisboa, 6 de Maio de 2011

A Direção e o Grupo de Intervenção Política da Associação ILGA Portugal

sexta-feira, 25 de março de 2011

Homofobia na Moldávia

Lei anti-discriminação sob ataque na Moldávia

Um projeto de lei apoiado pelo governo para proibir a discriminação contra gays e lésbicas, entre outras, está sob ataque no Parlamento da Moldávia, onde está a ser debatida.

De acordo com a ILGA-Europa, um número de deputados pediram a supressão da expressão "orientação sexual" do projeto de lei depois de terem sido encorajados a fazê-lo por "evangélicos americanos de direita."



Em 17 de março, cerca de 150 activistas anti-LGBT organizaram um protesto em frente do Parlamento pedido aos "Homossexuais fiquem em casa."

A ILGA-Europa disse: "retórica agressiva homofóbica por parte de organizações religiosas e parlamentares já resultou em ameaças feitas aos membros do GenderDoc-M, a principal organização de direitos LGBT na Moldávia. Alexei Marcicov, presidente da organização, foi agredido verbalmente e pedras foram atiradas contra ele perto de sua casa. Outros defensores dos direitos humanos que apoiam a lei anti-discriminação foram ameaçados nas ruas e perto de suas casas. "

O co-presidente da ILGA-Europa, Martin K.I. Christensen, afirmou (...) "A Moldávia comprometeu-se a aprovar uma lei anti-discriminação para proteger todas as minorias no âmbito do seu acordo de liberalização de vistos com a União Europeia", disse. "Pedimos à União Europeia que reafirmasse a sua posição perante as autoridades moldavas e responsabilize-as dos seus compromissos."

A ILGA-Europa é a região europeia da ILGA, Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais Transsexuais, Transgéngeros e Intersexo.

Por Rex Wockner in portugalgay

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Reacções ao artigo da Revista da Ordem dos Médicos

Homossexuais católicos contra artigo "homofóbico" da Revista da Ordem dos Médicos

Texto diz que sexualidade dos gays é resultado de alterações genéticas "aberrantes". Ordem diz que os médicos são livres de publicar as suas opiniões.

Homofóbica, "destituída de qualquer verdade científica" e até criminosa. É assim que o Rumos Novos - Grupo Homossexual Católico critica a visão da sexualidade que diz ressaltar de um artigo de opinião, publicado na edição de Janeiro da Revista da Ordem dos Médicos (OM), onde se diz que "as civilizações mais evoluídas" toleram a homossexualidade, "pois a humanidade aprende a respeitar os doentes, os defeituosos, os anormais, os portadores de taras".

Em comunicado, o Rumos Novos "expressa a sua mais veemente repulsa" pelo artigo intitulado A Genética e os Sentidos. Em particular esta frase: "A sociedade em geral é testemunha das alterações genéticas definidoras do sexo e classifica os seres com essas alterações aberrantes como homossexuais." O autor do texto é William H. Clode, chefe de serviço hospitalar do Instituto Português de Oncologia, aposentado desde Setembro de 1997. Actualmente com 83 anos, o especialista em Radioterapia e Medicina Nuclear exerce pontualmente como clínico geral. Em declarações ao PÚBLICO, o médico admite que o tema seja polémico. "Mas ainda bem que é, porque o assunto merece ser discutido." E garante que não pretendeu ofender ninguém.

A OM, através do assessor de imprensa Diamantino Cabanas, diz que a revista da ordem é uma publicação "plural e abrangente, que publica as opiniões que lhe chegam dos médicos" e que "é obviamente possível que quem quiser rebater a opinião do doutor William H. Clode o faça". Diferentes visões devem ser divulgadas, diz, "desde que não ofendam ninguém".

O Rumos Novos considera, no entanto, que o texto é ofensivo. E vai mais longe: "O conceito verberado em relação à homossexualidade é um crime previsto e punido pelo artigo 240.º do Código Penal, pois injuria um grupo de pessoas." O grupo pede, por fim, a demissão do médico - desconhecendo que está aposentado - e aponta o dedo à OM. "Tendo o dever de exercer um controlo responsável das suas publicações, não só não o exerceu como permitiu que esses impropérios sejam feitos."

O psiquiatra Daniel Sampaio, um dos médicos que em 2009 lançaram uma petição onde lembrava que a homossexualidade não é considerada doença desde 1973 e condenava "qualquer intervenção dita de "reconversão" da orientação sexual", não leu ainda o artigo. Mas, confrontado com excertos, diz que eles constituem uma "opinião absolutamente ideológica, sem nenhuma evidência científica". Não são os genes que definem a orientação sexual, exemplifica, "é um processo de construção do indivíduo ao longo da vida". E continua: "Não digo que o autor não tenha direito a ver publicada a sua opinião, mas o editor da revista - que tem particulares responsabilidades na informação que divulga - devia ter suscitado o contraditório".

O artigo já chegou ao conhecimento da Ilga, associação de defesa dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgénero. Paulo Côrte-Real, dirigente da associação, diz que vai interpelar a OM sobre "a falta de base científica" do texto, mas também o Ministério da Saúde, sobre as práticas que impedem ou dificultam o acesso dos homossexuais, bissexuais e transgénero aos serviços de saúde. "Opiniões deste teor existem entre clínicos", diz. "Há medidas para lidar com o problema previstas no plano nacional da igualdade". Mas é preciso saber o que já está a ser posto em prática.
William Clode diz que não afirma que a homossexualidade é uma doença. Fala antes de "aberrações de sentidos" - tal como há pessoas que não conseguem identificar uma cor ou uma música, pode haver "uma anomalia" no que considera um sexto sentido, o do sexo. "A genética dos sentidos não está feita ainda."

Por Andreia Sanches in Público a 22 de Fevereiro de 2011

Ler o artigo que causou esta polémica

Ler mais no blogue:
http://moradasdedeus.blogspot.com/2011/02/um-comentario-ao-artigo-homofobo.html
http://moradasdedeus.blogspot.com/2011/02/e-suposto-os-medicos-serem-pessoas.html

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Uma associação dedicada à transexualidade e intersexualidade

Uma associação independente para Transexuais e Intersexuais

Elementos do GRIT que recentemente se desassociaram da ILGA Portugal, juntamente com novos elementos, assumem um novo nome: API Associação Pela Identidade - Intervenção Transexual e Intersexo, enquanto a denominação GRIT Grupo de Reflexão e Intervenção sobre Transexualidade continuará como pertencente à Ilga Portugal.

Em comunicado emitido hoje, o GRIT continuará assim a fazer da ILGA Portugal uma associação com um foco cada vez maior na sigla T.

A API torna-se assim na única associação transexual e intersexo independente no panorama das associações e grupos nacionais, com foco na transexualidade e intersexualidade sem, no entanto, pôr de parte outras questões de género, assumindo-se como continuadora da extinta aT, que tinha sido até ao momento, a única associação transexual independente.

Segue-se o comunicado na sua íntegra.
Comunicado:
O GRIT - Grupo de Reflexão e Intervenção sobre Transexualidade vem, no seguimento do comunicado da sua desassociação da Associação ILGA Portugal, anunciar que, doravante, adopta o nome de Associação pela Identidade – Intervenção Transexual e Intersexo, prevendo oficializar-se como associação de solidariedade social com brevidade.

Desta forma, o Grupo de Reflexão e Intervenção sobre Transexualidade mantém-se, com tal denominação, como uma unidade da Associação ILGA Portugal, com a responsabilidade de cuidar dos temas relacionadas com os direitos das pessoas transexuais, dentro desta associação. É, assim, confirmado o objectivo do GRIT em tornar a ILGA Portugal numa associação LGBT cada vez mais inclusiva à sigla T, através da produção de material formativo e informativo, assim como da implementação de iniciativas socioculturais.
A Associação pela Identidade, por sua vez, assume-se como uma unidade autónoma e complementar ao movimento LGBT, com o objectivo de reflectir e intervir em exclusivo nas temáticas da transexualidade, e também da intersexualidade, que assumimos de forma a explorar as afinidades e diferenças entre estas duas condições.

Este é um projecto que descende directamente do GRIT – Grupo de Reflexão e Intervenção sobre Transexualidade, a partir do qual se forma, mas também, indirectamente e em parte, da extinta ªt. – Associação para o Estudo e Defesa do Direito à Identidade de Género, que já procurou trabalhar num activismo voltado em exclusividade para as questões de género. Ou mesmo de todos os que lutaram, à sua maneira, pela melhoria de vida das populações transexuais e intersexo.

Com a reaprovação da Lei de Identidade de Género na Assembleia da República, sem alterações atentatórias aos Direitos Humanos, e com garantia de promulgação pelo Presidente da República, reafirmamos o sentimento de conquista: trata-se do reconhecimento da nossa identidade e cidadania! E acrescentamos o significado da data que se aproxima e assinala os cinco anos sobre o assassinato da mulher transexual Gisberta Salce Júnior, a mesma que nos relembra o quanto há ainda por fazer.

Este momento faz-nos sentir confiantes e positivos na concentração de energias e esforços que nos garantam conquistar cada vez mais e melhores condições de vida, tornando-se claro que este é o momento para que as populações transexuais e intersexo surjam e se estabeleçam num activismo muito próprio, ímpar e seu. Reavivamos o convite para que mais pessoas se juntem a nós!

A Associação pela Identidade – Intervenção Transexual e Intersexo

Contactos:
E-mail: associacaopelaidentidade@gmail.com
Blog: http://associacaopelaidentidade.blogspot.com/

In Portugalgay

domingo, 9 de janeiro de 2011

Cristiano Ronaldo reconhecido por declaração pública: prémio Arco-Íris

Gays [e não só] portugueses dão prémio a Cristiano Ronaldo
Cristiano Ronaldo foi a personalidade portuguesa de 2009 escolhida pela ILGA Portugal para receber o prémio Arco-Íris, galardão com que aquela associação LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros) distingue anualmente os que mais contribuíram para luta contra a discriminação com base na orientação sexual e na identidade de género.

"Todos os cidadãos devem ter direitos e deveres exactamente iguais". Segundo a ILGA, esta foi a frase do jogador do Real Madrid que percorreu o mundo, logo após aprovação da lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo em Portugal.

"No meio desportivo há muito homofobia. É importante que, nesse mesmo meio, se levantem vozes contra a desigualdade e discriminação com base na orientação sexual. E Cristiano Ronaldo, tendo em conta o símbolo nacional que é, contribuiu para essa luta, daí o nosso reconhecimento", disse, ao JN, Paulo Corte-Real, presidente da associação.

A entrega do galardão ocorrerá na segunda-feira, às 18.30 horas, no Cinema São Jorge, em Lisboa.

Ao lado de Cristiano Ronaldo estarão ainda Filipa Gonçalves, que em 2010 falou abertamente da sua transexualidade no livro "Obviamente Mulher", o comediante Bruno Nogueira, o encenador Filipe La Feria e representantes do PS, PCP, PEV e Bloco de Esquerda, partidos que asseguraram a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo e a lei da identidade de género (que permite a mudança de sexo e nome no Registo Civil, vetada pela Presidência da República).

por NMR, in Jornal de Notícias
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Gente/Interior.aspx?content_id=1751674
Ler no blogue as declarações de Cristiano Ronaldo
http://moradasdedeus.blogspot.com/2010/06/cristiano-ronaldo-favor-do-casamento.html

A mesma notícia, outro enfoque

A associação ILGA Portugal já divulgou a lista de premiados da edição 2010 dos Prémios Arco Íris, os galardões que visam distinguir pessoas ou instituições que contribuíram de forma significativa para a luta contra a discriminação com base na orientação sexual e na identidade de género.

Este ano a distinção coube a Cristiano Ronaldo, ao humorista Bruno Nogueira, a Filipa Gonçalves autora do livro “Obviamente Mulher”, a Filipe La Féria pela encenação peça “A Gaiola das Loucas” e aos partidos cujas representações parlamentares asseguraram a aprovação da igualdade no acesso ao casamento e da Lei da Identidade de Género: PS, BE, PCP e PEV.

Cristiano Ronaldo foi notícia em todo o mundo quando, questionado pelo jornal Público sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, proferiu: "Sei que a lei foi aprovada e o que devo dizer é que temos de respeitar as opções de cada um porque, afinal de contas, todos os cidadãos devem ter direitos e deveres exactamente iguais".

Desde 2003 já foram premiados personalidades como Fernanda Câncio, Francisco Pinto Balsemão, Gabriela Moita, Júlia Pinheiro, Júlio Machado Vaz, São José Almeida e Ricardo Araújo Pereira, entre outros.

in dezanove
http://dezanove.pt/117158.html#cutid1

As razões de cada uma das atribuições

Realçando que 2010 foi "um ano histórico, um marco" que revelou "a importância de unir em torno da luta contra a discriminação", Paulo Corte-Real, dirigente da ILGA Portugal, explicou à Lusa que o actor/humorista Bruno Nogueira foi premiado por usar "o humor para desconstruir o preconceito".


Já o futebolista Cristiano Ronaldo, que fez uma "afirmação clara de apoio à igualdade no acesso ao casamento", com "um impacto mundial", mostrou que há exceções no desporto, "um meio em que ainda existe muita homofobia", acrescentou o activista da organização de defesa dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros (LGBT).

Já o encenador Filipe La Féria foi galardoado por "A Gaiola das Loucas", espectáculo que "correu todo o país", revelando "representações da parentalidade em casais de pessoas do mesmo sexo", com uma "mensagem simples: a família é amor", descreveu Paulo Corte-Real.

Também premiados foram Filipa Gonçalves, autora do livro "Obviamente Mulher", sobre o que é ser transexual em Portugal, e os partidos parlamentares PS, BE, PCP e PEV, que "asseguraram a aprovação da igualdade no acesso ao casamento e a aprovação na generalidade da Lei da Identidade de Género", entretanto vetada pelo Presidente da República.

A ILGA atribui os Prémios Arco-Íris desde 2003, em reconhecimento pelos contributos de pessoas e/ou instituições "para uma democracia mais aberta, inclusiva e verdadeira, baseada na valorização da diversidade e na igualdade de direitos".

In Lusa

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Cavaco veta mudança de sexo e de nome no registo civil

Cavaco Silva veta a Lei do Género e diz que "transexualismo" é perturbação

A Presidência da República anunciou hoje o veto à Lei de Identidade de Género. As razões apontadas são, segundo Cavaco Silva, as "graves insuficiências de natureza técnico-jurídica assim como procede a um enquadramento controverso das situações de perturbação de identidade de género".

Recorde-se que a lei propunha que a mudança de género e de nome pudesse ser feita no registo civil. No entanto, Cavaco Silva considera que "de acordo com as melhores práticas seguidas nesta área, o diagnóstico estrito de transexualismo só é considerado firme após a comprovação durante, pelo menos, dois anos da persistência da perturbação". "Esta é, de resto, a solução adoptada, por exemplo, pela lei que vigora em Espanha, a qual exige, inclusivamente, dois anos de acompanhamento médico para adequar as características físicas às do sexo pretendido", completa o actual Presidente da República.

Cavaco Silva, com este veto, considera ainda que é uma forma de proteger "as pessoas que detêm perturbação de identidade de género" já que se encontram "desprotegidas relativamente a um eventual erro de diagnóstico ou à própria reponderação da sua decisão de mudança de sexo – a qual, segundo a opinião de especialistas, pode ocorrer nos estádios iniciais da referida perturbação".

A Lei da Identidade do Género regressa agora à Assembleia da República. A proposta tinha reunido os votos favoráveis do PS, BE, PCP, PEV e de 12 deputados do PSD.

Primeiras reacções

PS, Bloco e PCP:
O jornal Público avança que o PS, Bloco de Esquerda e PCP pretendem confirmar a lei, ultrapassando assim o veto de Cavaco Silva.
José Magalhães, Secretário de Estado da Justiça, em declarações à Lusa considerou "lamentável" que o diploma que simplifica o procedimento de mudança de sexo e de nome próprio no registo civil tenha sido vetado pelo Presidente da República.

"É pena" que, "quando tudo está resolvido no plano clínico", haja "um sistema hiper-burocrático que leva não só a penosidade acrescida como a situações absolutamente equívocas", disse José Magalhães, que acrescenta, "uma pessoa que já viu o seu sexo mudado arrasta o seu velho bilhete de identidade e apresenta-se com uma documentação que é perfeitamente questionável", o que "gera embaraços e um profundo desgaste psicológico"

Miguel Vale de Almeida:
O activista dos direitos LGBT e ex-deputado na Assembleia da República afirma no seu blogue "Os Tempos Que Correm" que em plena campanha eleitoral, e no auge do debate sobre o caso BPN, Cavaco Silva não só distrai as atenções como supostamente entra na batalha dos “costumes”. "Quem sofre são as pessoas que não podem esperar mais por verem a sua verdadeira identidade reconhecida administrativamente. Justamente as pessoas que ele era suposto defender".

ILGA Portugal:
Para a associação de defesa dos direitos LGBT este veto é "um ataque do Presidente da República à minoria mais discriminada de Portugal". Em comunicado, a associação refere que o Presidente da República escolheu "ignorar compromissos de Portugal com o Conselho da Europa e com os Direitos Humanos" dado que "esta lei surgiu na sequência de uma recomendação do Comissário Europeu dos Direitos Humanos ao Governo português".

Panteras Rosa:
Para o colectivo LGBT, Cavaco Silva mostrou com este veto estar "contra os mais elementares direitos humanos, ao obstaculizar um diploma legal que simplifica a vida de muitas pessoas que sofrem na pele a incompreensão da sociedade, a mais profunda discriminação e são remetidas para um limbo legal sem direitos nem identidade face ao Estado". As Panteras declaram que "a lei aprovada recentemente, apesar de limitada por não considerar os transexuais inteiramente autónomos e capazes de decidirem por si mesmos, dava um passo muito importante na simplificação dos procedimentos administrativos, no reconhecimento social e formal do Estado face a estas pessoas" e remetem que esta decisão presidencial foi um pretexto para contentar "as clientelas conservadoras descontentes com a aprovação da lei do casamento de pessoas do mesmo sexo".

Teresa Morais, deputada do PSD:
"Posso dizer com confiança que esperávamos este veto porque esta lei tem deficiências técnicas e jurídicas evidentes. O PSD salientou na altura as insuficiências da lei, que estava mal feita", declarou Teresa Morais. Segundo a deputada do Partido Social Democrata, a lei aprovada "não era suficientemente rigorosa na exigência" do relatório clínico, que "poderia vir do estrangeiro sem nenhuma exigência quanto à especialidade clínica de quem o assinava" colocando os conservadores do registo civil numa situação "muito complicada" dado que tinham de atestar publicamente uma realidade sem terem "elementos suficientes" para o comprovar.

in dezanove, 6 de Janeiro de 2011

Ler a Mensagem do Presidente da República à Assembleia da República a propósito da não promulgação do diploma que cria o procedimento de mudança de sexo e de nome próprio no registo civil http://www.presidencia.pt/?idc=10&idi=50503

domingo, 12 de dezembro de 2010

10 de Dezembro, o Dia Internacional dos Direitos Humanos

O Dia Internacional dos Direitos Humanos foi marcado em Lisboa com uma caminhada entre a Rua Augusta e o Largo Trindade Coelho, com o título “Itinerário de Memória LGBT”.

A iniciativa foi da Associação rede exaequo e na ocasião foram distribuídos pequenos panfletos que chamavam atenção para este dia internacional. Juntou-se a esta caminhada a Opus Gay na pessoa do seu presidente António Serzedelo, que juntamente com um grupo de pouco mais de dez jovens da Rede Ex aequo, iniciaram a caminhada às 19h30.

Além da Opus Gay a iniciativa teve ainda o apoio da AMPLOS, ILGA Portugal, bem como da CIG (Comissão para Cidadania e Igualdade de Género).

A identificar os intervenientes estava ora o número 8 - número dos países que tem ainda a pena de morte para pessoas homossexuais -, ora o 78 - número dos países onde a homossexualidade é criminalizada.
Já no Largo Trindade Coelho fez-se uma vigília em memória daqueles que já nos deixaram devido a leis homofóbicas um pouco por todo o mundo.

O Dia Internacional dos Direitos Humanos foi escolhido para celebrar a data de assinatura da Declaração Universal dos Direitos Humanos em 1948 pela Organização das Nações Unidas.

in PortugalGay.Pt a 10 de Dezembro de 2010
http://portugalgay.pt/news/101210D/portugal:_dia_internacional_dos_direitos_humanos

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O suicídio entre os jovens homossexuais europeus

Instituto holandês alerta para aumento de suicídios entre jovens gays na Europa

Resumo do estudo “Increasingly normal; never the norm. Acceptance of homosexuality in the Netherlands” por Saskia Keuzenkamp em 24 de Junho de 2010. (in Opera Mundi e ILGA-Portugal)
"Metade dos jovens gays e lésbicas ouvidos numa investigação realizado pelo governo da Holanda já pensaram em cometer suicídio. Quase um em cada dez rapazes e uma em cada oito raparigas afirma ter tentado matar-se, uma atitude que menos de metade dos homossexuais em geral disse já ter tentado. A tendência é maior entre os mais jovens. É a primeira vez que esses dados são divulgados na Holanda, considerado o país de maior aceitação da homossexualidade na Europa, e geraram um alerta para o tema noutros países do continente.

Em Portugal, tentar suicídio foi um dos sentimentos relatados por vítimas de agressão (verbal ou física) que se queixaram ao Observatório da Educação da Rede Ex Aequo – associação de jovens homossexuais, bissexuais e transgéneros e simpatizantes.

A situação é considerada “preocupante” pelo relatório Just Different, That’s All, divulgado no dia 13 de Junho pelo Instituto Holandês de Pesquisa Social (SCP), que pede a atenção do Sistema de Saúde do país para a situação psicológica dos jovens.

“Hoje, as políticas do governo estão voltadas para [a prevenção de] espancamentos de gays. Mas o risco de suicídio tornar-se-á definitivamente numa preocupação”, diz Saskia Keuzenkamp, coordenadora da pesquisa, em entrevista ao Opera Mundi. “São dados relativamente novos. Algumas ONG tinham notado e pedido ao governo para fazer alguma coisa”. No entanto, a coordenadora da pesquisa aponta que nenhuma medida foi tomada pelas autoridades.

O estudo foi feito com base em questionários destinados a cerca de 1,6 mil jovens entre os 16 e 25 anos e em 30 entrevistas. O SCP considera o universo da amostra representativo, apesar de não haver uma estatística formal que classifique os indivíduos de acordo com a orientação sexual. Os dados sobre o suicídio entre heterossexuais foram obtidos noutras pesquisas sobre o tema.

Identidade
De acordo com o relatório, o risco de suicídio cresce quando o homossexual vive em um ambiente hostil. Um em cada quatro jovens (ou 25%) que disseram ser alvo de reacções negativas semanalmente afirma ter tentado acabar com a própria vida. No geral, a taxa ronda uma em cada oito lésbicas e quase um em cada dez gays.

Os ataques dificultam a auto-aceitação num período que coincide justamente com a formação da identidade do indivíduo e levam também a uma maior ocorrência de depressão. Os gays que regularmente são alvo de rejeição têm três vezes mais surtos depressivos do que os que são aceites, segundo os entrevistados no estudo. As lésbicas mais masculinizadas tendem a ser mais deprimidas do que as demais e o mesmo fenómeno acontece entre os gays afeminados, embora a diferença não seja tão grande.

A Holanda tem uma tradição histórica de aceitação da homossexualidade. No país, desde o início do século passado, a prática sexual entre pessoas do mesmo sexo não é proibida – algo que foi considerado crime em Portugal até a década de 1980, por exemplo. O país foi o primeiro do mundo a aprovar o casamento homossexual com direito a adopção, em Abril de 2001 – a lei portuguesa foi aprovada em Maio e retira expressamente esse direito dos casais.

Noutro estudo do SCP, divulgado em Março passado, à pergunta se seria inaceitável ter um filho gay ou lésbica, 87% dos entrevistados disseram que não. Entre os jovens ouvidos no relatório mais recente, 7% disseram ser rejeitados pelos pais – o que acontece principalmente em famílias religiosas.

Educação
Mesmo nesse contexto, o sentimento homofóbico ainda causa alarme, também porque o que se diz não é, necessariamente, o que se faz. O relatório holandês afirma haver sinais de um aumento da discriminação recentemente, citando registos de ataques físicos – como espancamentos ocorridos na rua. No caso dos jovens, a atenção é voltada para a escola. Quase um em cada cinco diz não ser totalmente aceite no ambiente de ensino.

“O ensino secundário não é um lugar seguro para jovens gays e bissexuais. Os jovens impõem normas sexuais e de género rígidas uns aos outros. O escárnio e o bullying são a norma”, aponta o documento. A mesma situação é relatada pelo Observatório da Educação da Rede Ex Aequo em Portugal. “É evidente que, para muitos alunos e alunas, a fase em que descobrem e assumem a sua homossexualidade é muito complicada, frequentemente feita no seio do preconceito e do insulto, num ambiente claramente hostil”, diz Isabel Advirta, da direcção da ONG ILGA-Portugal, de apoio à causa homossexual, ao Opera Mundi. “As escolas portuguesas não são, portanto, um território amigável para os e as jovens LGBT.”

Os dados do Observatório da Educação da Rede Ex Aequo, de Portugal, permitem ter um olhar de relance de como essa hostilidade se constitui. Entre 2006 e 2008, foram recebidas no órgão 92 queixas informais de pessoas que foram vítimas ou presenciaram agressões baseadas na orientação sexual. Desse total, 76 são alunos e a maioria dos agressores também são estudantes. Um dos relatos, do relatório de 2008, é da discussão entre professores sobre baixar a nota de um aluno após a descoberta de sua homossexualidade. Há situações em que a violência vem de outro homossexual, o que pode ser uma estratégia para reprimir a própria orientação.

Para Vera Bergkamp, presidente da COC Netherlands – ONG que se diz a mais antiga entidade de defesa dos direitos dos homossexuais no mundo e que tem a juventude como um de seus principais focos de atenção –, a questão da homossexualidade deve ser incluída no conteúdo ensinado em aula. Ela defende, por exemplo, que os professores indiquem a orientação sexual de figuras históricas.

“A escola é um dos locais onde há maiores problemas. Se não lemos sobre alguém que foi gay, se isso não é comentado, é fácil achar que um problema em nós”, diz a activista. A Rede Ex Aequo aponta a mesma falha: evita-se a menção à homossexualidade de figuras históricas importantes, o que não contribui para uma visão mais positiva da opção tanto por quem a fez como por quem não a fez, diz o relatório de 2008 do Observatório da associação.

Outros países
Além de serem alvo de rejeição fora de casa de forma mais comum do que os adultos, os jovens tendem a ser mais sensíveis a esses ataques, na opinião de Saskia. Por isso, a alta taxa de aceitação pelos pais, identificada na pesquisa, convive com também altos níveis de depressão e pensamento suicida.

“Para os jovens os pais são importantes, mas os amigos são igualmente importantes. Na adolescência é muito importante o que os seus colegas pensam de nós”, diz a investigadora.

Em 2008, foi perguntado aos europeus se concordavam com a frase “os gays e as lésbicas devem ser livres para viver como quiserem”. Aproximadamente 5% dos holandeses afirmaram discordar; em Portugal – a meio da tabela – o índice foi de 15%; já na Rússia – o maior dos 21 países estudados – o índice foi de quase 50%.

“Os índices de suicídio entre jovens em geral é muito alto na Rússia. Eu suspeito que a juventude LGBT não seja excepção”, diz Polina Savtchenko, coordenadora de projectos do Coming Out e do The Russian LGBT Network. “Nas escolas, não há ajuda disponível para a juventude homossexual. Os psicólogos não estão preparados ou educados para lidar com a orientação sexual adequadamente”, afirma.

Um dos principais lobbies da organização, afirma Polina, é classificar como crime de ódio o ataque contra homossexuais. “Não há protecção contra a discriminação baseada na orientação sexual. Pode-se ser discriminado na escola, no trabalho.” Sem uma política central nesse sentido, o tratamento nas escolas depende da posição dos profissionais da educação em relação à homossexualidade e à homofobia, diz ela.

“Se é claro que nalgumas escolas a orientação curricular e a formação pessoal dos educadores ajudam a um ambiente amigável e acolhedor das diferenças, sejam elas quais forem, também é verdade que noutras escolas acontece o contrário”, diz Isabel Advirta, da ILGA-Portugal.”

http://amplosbo.wordpress.com/2010/09/01/instituto-holandes-alerta-para-aumento-de-suicidios-entre-jovens-gays-na-europa/
resumo do estudo em inglês
http://www.scp.nl/english/dsresource?objectid=25608&type=org

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Activista russo detido e ameaçado pelas autoridades

Nikolai Alekseev, organizador do Pride de Moscovo foi detido pelas autoridades russas como forma de o obrigar a desistir das queixas no Tribunal Europeu de Direitos Humanos.

A ILGA Europe indica que Nikolai foi detido e intimidado a abandonar as suas queixas contra a Federação Russa no Tribunal Europeu de Direitos Humanos relativas às recorrentes violações do direito de livre reunião de pessoas LGBT na Rússia.

No mesmo dia a cerimónia de abertura do Festival Cultural Queer em São Petersburgo foi cancelada e todo o festival corre o sério risco de ser banido depois de uma recomendação da administração da cidade que classifica o Festival de "propaganda da homossexualidade".

Segundo a ILGA Europe a atitude do governo da Rússia é consequência do facto de que compreenderam que iria ser condenado pelo TDH e passaram a medidas desesperadas de intimidação, ameaças e rapto para o evitar.
http://portugalgay.pt/news/160910D/russia:_activista_lgbt_detido_e_ameacado_pelas_autoridades

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

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