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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.
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terça-feira, 10 de abril de 2018

Deus é mãe

Deus pai e mãe

João Paulo I dizia que Deus é mãe. As feministas suprimem da Bíblia as formas "machistas". Por outro lado, a Bíblia não será talvez tão radical na sua supremacia masculina, e João Paulo II falava de «reciprocidade e complementaridade» dos sexos, apoiando-se nas Sagradas Escrituras. Então porque se há de ter medo de dizer que Deus é pai e mãe?

Num ensaio de título evocador, "Gott - Vater und Mutter" ("Deus, pai e mãe"), Hanna-Barbara Gerl, intelectual alemã, elenca uma vintena de representações femininas de Deus na Bíblia, face a quatro vezes vinte imagens masculinas.

Tomemos dois exemplos do livro de Isaías: «Acaso pode uma mulher esquecer-se do seu bebé, não ter carinho pelo fruto das suas entranhas? Ainda que ela se esquecesse dele, Eu nunca te esqueceria» (49, 15); «Como a mãe consola o seu filho, assim Eu vos consolarei» (66, 13). O Antigo Testamento atribui regularmente a Deus «entranhas maternais», sinal de amor espontâneo, instintivo, absoluto.

Pode legitimamente falar-se de uma dimensão maternal de Deus, não esquecendo que se trata sempre de um antropomorfismo, de um símbolo, como a dimensão paternal, para exprimir o mistério divino inefável e representar a realidade do Incognoscível.

Palavra de Deus incarnada, a Bíblia privilegia o rosto paternal de Deus aos olhos dos condicionalismos culturais onde se manifestou. É por isso lícito retomar determinadas leituras demasiado literais do machismo de Deus sem negar os valores que Ele exprime, como é necessário voltar a situar Jesus na sua época histórica sem negar a sua masculinidade, como é devido ajustar certa linguagem eclesiástica exclusivamente ligada a modelos e formas machistas.

O mundo moderno, sensível «à reciprocidade e à complementaridade» dos sexos, mencionadas várias vezes pelo papa João Paulo II, encorajou esta interpretação dos textos bíblicos. Inevitavelmente surgiram excessos, especialmente nos países anglo-saxónicos, onde se desenvolveu um feminismo cristão bastante agressivo.

Chegou-se ao ponto da recusa total da Bíblia sob o pretexto de "falocratismo"; outros seguiram o caminho de um desalinho total, chegando a banalidades como a transcrição da Trindade em «Mãe-Filho-Sobrinho» (!); outros, ainda, introduziram um processo, nem sempre sereno, de "despatriarcalização" da tradição judaico-cristã. A obra "Em memória dela", da teóloga Elisabeth Schüssler Fiorenza (publicada em 1983), é significativa. Em 1895 já tinha aparecido nos EUA "A Bíblia da mulher", um livro polémico.

No que diz respeito à feminilidade, o Antigo Testamento oferece um ensinamento muito mais aberto do que se pensa. É evidente que a incarnação da Palavra de Deus deixa aparecer o contexto sociocultural do antigo Israel que leva Sirácida, um sábio do séc. II a.C., a escrever que «menos dano te causará a malvadez de um homem do que a bondade de uma mulher» (42, 14).

Mas pensemos na intervenção de figuras femininas como Sara, Raquel, Débora, Rute, Ana, Judite, Ester, a mulher do capítulo 31 dos Provérbios, a extraordinária protagonista do Cântico dos Cânticos, ou ainda Maria e a Mulher do Apocalipse, do Novo Testamento.

A bipolaridade sexual é celebrada na sua plenitude especialmente no Génesis. O famoso «lado» de Adão não é o sinal de uma dependência mas de uma identidade de natureza, ao ponto de os sumérios empregarem uma mesma palavra, "ti", para designar o lado e a feminilidade, sem esquecer o canto final de Adão: «É o osso dos meus ossos e a carne da minha carne, [...] ambos serão uma só carne», manifestando precisamente a identidade estrutural.

Não é anódino ter-se recorrido a um jogo etimológico para explicar os dois termos hebraicos que significam «homem» e «mulher»: "'ish" e "'isshah", a mesma palavra no masculino e no feminino (Génesis 2, 23-24).

A outra célebre afirmação do Génesis é igualmente significativa. «Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou, homem e mulher os criou» (1, 27). A constituição do texto segundo as regras estilísticas hebraicas identifica a imagem divina em nós com o ser «homem e mulher»; não que Deus seja sexuado, mas em virtude do valor simbólico da sexualidade, a capacidade de amar e de procriar (a geração) através da comunhão entre homem e mulher, capacidade que oferece uma analogia com o Deus criador.

João Paulo II afirmava na carta "Mulieris dignitatem" ("A dignidade da mulher"), de 1988: «A imagem e semelhança de Deus no homem, criado como homem e mulher (pela analogia que se pode presumir entre o Criador e a criatura), exprime portanto também a "unidade dos dois" na comum humanidade. Esta "unidade dos dois", que é sinal da comunhão interpessoal, indica que na criação do homem foi inscrita também uma certa semelhança com a comunhão divina».

Pode por isso reconhecer-se a legitimidade de uma nova interpretação da Bíblia e da Tradição que simplifica os elementos socioculturais ao mesmo tempo que conserva o valor teológico da paternidade e da maternidade de Deus, da masculinidade e da feminilidade humanas e das suas unidade e diversidade. Goethe afirmava muito acertadamente que «nós podemos falar de Deus de forma antropomórfica (sobre o modo humano) porque somos teomórficos (em forma divina)».

Card. Gianfranco Ravasi
Biblista, presidente do Pontifício Conselho da Cultura
In "150 questions à la foi", ed. Mame
Tradução e edição de Rui Jorge Martins para SNPC

segunda-feira, 19 de março de 2018

Economia feminista

Trabalho doméstico das mulheres é o sócio oculto do capitalismo

Mercedes D’Alessandro, jovem e inovadora economista italiana, escreve e pensa no trabalho feminino de um ponto de vista novo que suscitou muito e interesse e discussões na cultura feminista.

O feminismo não é uma novidade, sempre existiu. A ideia de que a mulher deva ter os mesmos direitos do homem é um dado cultural consumado. Então o que há de particular no ser feminista no momento histórico em que vivemos?

Uma grande diferença é o papel que nós, mulheres, hoje desempenhamos no sistema económico. Nos anos 60 só duas mulheres em 10 trabalhavam fora de casa, hoje são sete em 10.

Isto transformou completamente as relações económicas e sociais. Em geral as mulheres têm mais autonomia porque têm uma profissão e dispõem de receitas próprias. Nos EUA são 50 por cento da força laboral, na Argentina mais de 40 por cento.

Mas tudo isto obteve-se e obtém-se ao preço de uma dupla jornada de trabalho: as mulheres, na maior parte dos casos, continuam a ocupar-se dos afazeres doméstivos e a tomar conta da família.

Estas tarefas requerem muito tempo (uma média de seis horas por dia) e, para quem não pode permitir-se uma colaboradora doméstica ou dispor de uma creche para os filhos, tornam-se um obstáculo.

Muitas mulheres têm de trabalhar menos horas para conseguir fazer tudo, ou trabalhar muitíssimas sem nunca descansar, o que põe em perigo a sua saúde e o seu crescimento pessoal.

Hoje é-se feminista com esta dupla identidade, de mulheres com maiores possibilidades, mas ainda confinadas culturalmente a um papel doméstico, e por isso expostas a uma maior exploração.

Além disso, ganham em média menos do que os nossos pares homens e não conseguem assumir papéis dirigentes. Em poucas palavras, o capitalismo tem um sócio oculto: a mulher que realiza trabalhos domésticos não retribuídos. E se as coisas mudassem, o mercado sofreria as consequências.

Nos anos 70, como resultado das lutas sociais de 1968, o feminismo radical sustentava que o pessoal é político e que as relações entre homens e mulheres são relações de poder. Será que a situação ainda é a mesma?

Quando falamos de trabalho doméstico não retribuído como de um problema social, é precisamente assim. Porque alguém pode dizer que as mulheres escolhem ficar em casa e educar os filhos em vez de fazer carreira. Mas trata-se de opções que se fazem no âmbito de uma sociedade na qual, por exemplo, uma mãe tem três meses de licença de maternidade e o pai dois dias (pelo menos na Argentina).

O pai pode ter toda a vontade do mundo de cuidar do filho mas não tem essa possibilidade. Por outro lado, uma mãe que deixa o seu lugar na família para trabalhar é contestada, enquanto as pessoas se congratulam com um pai que se “sacrifica” pela sua família e está fora todo o dia. Então, até que ponto as decisões pessoais são privadas?

«O pessoal é político» é um moto ainda vigente, que se refere também à violência masculina e a certas formas de enfrentar os problemas para procurar soluções globais.

Há uma mudança de guarda entre as veteranas combatentes dos anos 70 e 80, de atitude muito combativa mas talvez algo sectária, e as jovens atuais? Existe um fio condutor entre o velho feminismo e o de hoje? E o feminismo de hoje em que se baseia e em que se diferencia do do passado?

Creio que cada vaga feminista teve características e debates internos muito construtivos. Eu não vivi os do passado, que só conheço através de livros e narrativas. Penso, em qualquer caso, que não foram menos apaixonados do que os atuais.

Hoje há muitos grupos e ideias, o feminismo é muito diferente. O patriarcado, ao contrário, não mudou muito. Quando se leem os motivos pelos quais as mulheres não podiam votar, ainda soam atuais…

Seja como for, acredito que o desafio, não só do feminismo mas também da nossa geração, é o de encontrar uma alternativa possível ao mundo em que vivemos. Vivemos numa sociedade desigual, e esta desigualdade aumenta em relação ao género e à cor da pele.

As mulheres pobres, migrantes, negras, são as que sofrem maioritariamente os efeitos da desigualdade. O nosso sistema económico contrapõe-se à natureza. São portanto muitas as coisas a desmantelar. Nesse sentido o feminismo tem muito a oferecer.

É notícia recente que Carrie Gracie, importante chefe de redação da BBC, deixou o trabalho devido à persistente disparidade salarial entre homens e mulheres na televisão estatal britânica. Há no mundo uma discriminação sistemática contra as mulheres? Como é possível que a variação salarial e a precariedade laboral sejam o pão de cada dia de milhões de mulheres em todo o mundo?

Tendo uma carga maior nos trabalhos domésticos não retribuídos e nos cuidados familiares, as mulheres têm menos tempo para trabalhar de modo formal. E por isso desempenham trabalhos precários, que são os mais mal pagos. Têm portanto menos oportunidade de crescer na sua carreira, profissão ou emprego. O que as torna mais pobres. A pobreza é sexista.

É verdade que os homens também não escapam a um mercado de trabalho cada vez mais difícil, que só pode piorar ao ritmo das mudanças tecnológicas e da robotização. A disparidade salarial é o sintoma de uma doença profunda do sistema que é preciso atacar pela raiz.

Segundo dados de 2017 do Fórum Económico Mundial, a variação na relação homem-mulher não só não está a diminuir, como está a aumentar. Além disso, os dados indicam que o caminho inverteu-se em sentido negativo. A leitura desse relatório mostra-nos um mundo em que, por exemplo, um país como a Alemanha, motor da União Europeia, tem a terceira maior discrepância salarial do continente. Na sua opinião, o que é preciso fazer para inverter a situação?

Os dados do Fórum Económico Mundial, e também da Organização Internacional do Trabalho, mostram que as diferenças não se estão a eliminar. Há anos que em todos os fóruns mundiais se ouve falar da emancipação da mulher, mas quando de procura ver o que é que se fez nesse sentido, o quadro é muito triste. Inclusive nas questões mais elementares.

A ONU faz grandes discursos mas em toda a sua história nunca teve uma secretária-geral. Os países nórdicos são geralmente o farol neste campo e as suas políticas públicas no âmbito do apoio às famílias deram excelentes resultados. Por exemplo, nas licenças de maternidade e paternidade prolongadas, partilhas e obrigatórias para ambos os pais. Mas ainda há muito por fazer.

Do ponto de vista da ciência económica, como explica o facto de que o mercado coloque a mulher em segundo plano dentro do sistema laboral?

Não sei se o mercado, entendido como entidade abstrata, aponta para alguma coisa. O que sucede, sim, é que – como afirmou Heather Bushey – o capitalismo tem um sócio oculto: a mulher que desempenha trabalhos domésticos não retribuídos.

Sem esta mulher que lava, passa a ferro, mete em ordem, faz as compras, controla as tarefas dos filhos, leva-os à escola ou às atividades desportivas, limpa o chão e cozinha, dificilmente se poderia, levar por diante todas as outras atividades.

Esta ideia permanece colada à mulher, como se fizesse parte da sua natureza, como se fosse uma responsabilidade sua. O que, num mundo onde as mulheres trabalham oito horas por dia, não só é injusto, como é também penalizador. O que quero dizer é que para o mercado é cómodo ter trabalhadoras multitarefas e gratuitas dentro de casa.

Explique-nos o que é a “Economia Feminista”. Em que consiste? Quando decidiu lançar-se nesta aventura e quais foram as suas motivações?

“Economia Feminista” é uma página na Internet nascido como espaço de reflexão para mulheres economistas sobre temas que não faziam parte da agenda nem dos meios de comunicação nem dos nossos colegas economistas.

Nasceu do grito «nem uma menos», o que lhe conferiu um espaço mais que importante no debate mais vasto ligado a todas as desigualdades que nós, mulheres, vivemos e vão da violência masculina à económica, passando pelos estereótipos que nos são impostos e nos limitam.

A página, e sobretudo o debate nas redes sociais, mostrou-me, no plano pessoal, que na economia feminista havia muitíssimas perguntas sem respostas, e serviu-me de inspiração para escrever o livro “Economia feminista”.

Como a página, queria que fosse um espaço que oferecesse ideias, debates, e sobretudo que fosse formativo. Que quem o lesse pudesse aprender qualquer coisa de novo, mas não como factos curiosos, mas como algo que lhe fornecesse instrumentos para transformar este mundo desigual e patriarcal.

Dois anos após a abertura da página e da publicação do livro posso dizer, com grande orgulho e satisfação, que contribuímos muito para o debate e, ao mesmo tempo, enriquecemo-nos incrivelmente através da relação contínua com as nossas correspondentes. É o lugar no qual me interessa pôr a render a minha formação académica.

Espero muito que possa superar as formas e as barreiras da universidade e forje instrumentos, para contribuir diretamente para as expressões populares do feminismo.

Silvina Pérez
In L'Osservatore Romano (suplemento Donne-Chiesa-Mondo)
Tradução SNPC em 1 de março de 2018

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Conceitos LGBTI: Transfobia, Transgénero, Transexual, Travesti, Triângulo Negro, Triângulo Rosa

Glossário LGBTI: letra T

Reconhecendo as minhas próprias limitações relativas a alguns conceitos utilizados ao falar de questões ligadas à comunidade LGBTI, resolvi partilhar com os leitores do blogue um glossário dos termos mais recorrentes. Esta publicação será faseada

"Conscientes dos efeitos de estereotipização e da tentativa de normalização, não se pretende com este glossário contribuir ainda mais para o aumento dessa problemática. Pretendemos apenas clarificar alguns conceitos básicos para que possamos todos/as falar a mesma língua.

Transfobia – ódio, medo ou repulsa irracionais e injustificados por pessoas trans.

Transgénero – termo abrangente que inclui qualquer pessoa que, por qualquer razão, não se identifica com o género associado ao sexo que lhe foi atribuído à nascença. Pode, ou não, fazer algum tipo de transição.

Transsexual – termo médico, que data de 1850, criado para referir as pessoas que desejam que o seu sexo biológico corresponda à sua identidade de género, mudando assim o seu corpo através de hormonas e/ou cirurgias. Refere-se a idivíduos que não se identificam com o género associado ao sexo que lhes foi atribuído à nascença. Frequentemente descrevem sentir disforia de género e fazem algum tipo de transição com o objetivo de aliviar essa disforia.

Travesti – pessoa que se veste com roupas do sexo oposto por prazer ou diversão. Um travesti não é necessariamente um homossexual. Em Portugal, o termo é usado para designar drag queens ou crossdressers, indiferentemente.

Triângulo Negro – símbolo nazi para identificar lésbicas, prostitutas, mulheres sem crianças e aquelas com peculiaridades “antissociais”. Semelhante ao triângulo rosa, o triângulo negro tornou-se tanto um símbolo de orgulho lésbico como do feminismo.

Triângulo Rosa – símbolo criado para identificar os homossexuais masculinos nos campos de concentração nazi. Tornou-se num símbolo do orgulho gay e foi usado pela primeira vez para relembrar a judeus homofóbicos que os homossexuais também estiveram nos campos de concentração." (Ler mais em: triângulo rosa)

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

Este blogue também é teu

São benvindos os comentários, as perguntas, a partilha de reflexões e conhecimento, as ideias.

Envia o link do blogue a quem achas que poderá gostar e/ou precisar.

Se não te revês neste blogue, se estás em desacordo com tudo o que nele encontras, não és obrigado a lê-lo e eu não sou obrigado a publicar os teus comentários. Haverá certamente muitos outros sítios onde poderás fazê-lo.

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rioazur@gmail.com

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Os textos e as imagens

Os textos das mensagens deste blogue têm várias fontes. Alguns são resultados de pesquisas em sites, blogues ou páginas de informação na Internet. Outros são artigos de opinião do autor do blogue ou de algum dos seus colaboradores. Há ainda textos que são publicados por terem sido indicados por amigos ou por leitores do blogue. Muitos dos textos que servem de base às mensagens foram traduzidos, tendo por vezes sofrido cortes. Outros textos são adaptados, e a indicação dessa adaptação fará parte do corpo da mensagem. A maioria dos textos não está escrita segundo o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pelo facto do autor do blogue não o conhecer de forma aprofundada.

As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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