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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Contador de visitas

5 meses após a criação do blogue foi inaugurado um contador de visitas no fundo da página.

Ministra defende que gays podem ser doadores de sangue

Ana Jorge veio defender que os inquéritos feitos antes da doação não devem incluir nenhuma referência à orientação sexual.

Depois de no ano passado ter sido gerada alguma confusão sobre se os homens que tivessem sexo com homens podiam ou não doar sangue e o Ministério da Saúde ter vindo defender a teoria que não havia nenhuma discriminação eis que nas últimas semanas a situação tornou-se ainda mais confusa.


A Assembleia da República aprovou em Abril uma recomendação no sentido de permitir a doação por parte de homens homossexuais. No entanto o Jornal de Notícias de 26 de Julho anunciava que o Ministério da Saúde não iria tomar nenhuma medida neste sentido. Esta é aliás a posição defendia pelo presidente do Instituto Português do Sangue, Gabriel Olim, que se mostra frontalmente contra a eliminação nos questionários feitos aos potenciais dadores sobre se sendo homens tiveram sexo no passado com outros homens. Pelo contrário o Coordenador Nacional da Comissão para o VIH/SIDA Prof. Doutor Henrique Barros já veio a público defender que o que é preciso questionar é sobre os comportamentos específicos e que o sexo de quem se teve sexo com não deveria ser factor de exclusão.

Mas eis que agora, Ana Jorge, Ministra da Saúde veio a público indicar que os serviços do Ministério da Saúde vão reforçar as recomendação aos locais de colheita de sangue para que expurguem os inquéritos a preencher pelos dadores de quaisquer questões relativas à orientação sexual. Esta foi a reacção da ministra da Saúde quando confrontada com um formulário utilizado recentemente no Hospital de Santo António, no Porto, em que aparece a questão: “Se é homem, alguma vez teve relações sexuais com outro homem?”.


"Do inquérito constam apenas perguntas relacionadas com o comportamento das pessoas, independentemente de serem homo, hetero ou bissexuais", insistiu a governante em declarações aos media referindo-se a um modelo de inquérito preparado pelo Ministério mas que não estará em utilização em todos os locais neste momento.


Resta saber quanto tempo irá demorar até que as recomendações "reforçadas" sejam postas em prática e se não irão ser utilizados outros métodos para excluir homens homossexuais da doação de sangue.
http://www.portugalgay.com/news/290710A/portugal:_ministra_defende_que_gays_podem_ser_doadores_de_sangue

Homossexuais honrados no sul de Espanha

A Junta de Andalucía prevê “dignificar” os homossexuais que foram encarcerados e sofreram a repressão do regime franquista como consequência da Ley de vagos y maleantes, que foi instaurada durante a Segunda República e revogada e substituida em 1970 pela Ley sobre peligrosidad y rehabilitación social, que incluía penas de prisão ou ingresso num manicómio para que este colectivo se "reabilitasse".

mais informações em castelhano
http://www.cristianosgays.com/
Ley de vagos y maleantes
http://es.wikipedia.org/wiki/Ley_de_vagos_y_maleantes
Ley sobre peligrosidad y rehabilitación social
http://es.wikipedia.org/wiki/Ley_sobre_peligrosidad_y_rehabilitaci%C3%B3n_social

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O direito fundamental do descanso

Já todos ouviram dizer - mesmo que não o experienciem - que a situação laboral é cada vez mais precária, que já não há empregos para a vida.

Olho à minha volta e para a minha vida dos últimos tempos: trabalho há sete anos e há sete anos passo recibos verdes. Não sei o que é um subsídio de férias, um 13º mês ou até um subsídio de desemprego...

Há tanta gente nesta situação. Caminhamos para uma circunstância completamente absurda, descabida e que sempre considerámos bizarra; lembro-me de ouvir relatos deste género: "os chineses nem sequer têm férias! Que horror! É mesmo uma escravatura!"

Lembrei-me de partilhar esta reflexão para que, quem vai de férias, não deixe de viver a realidade e não feche a sua consciência e coração ao que o nosso próximo vive. O descanso deveria ser um direito fundamental do ser humano. Deus, que nos criou à sua imagem e semelhança, também descansou.

A quem pode ir de férias: não se esqueçam de as gozar bem. Tirem delas o que de melhor têm, sem esquecer uma atitude responsável para com a natureza e construtiva nos laços humanos. Descansem e mantenham os sentidos bem abertos... e cometam alguns excessos, claro!

Tempo de pausa

Um músico sabe: os tempos de pausa são tão importantes como os de emissão de som.

Durante duas semanas não haverá novas mensagens no blogue, mas podem sempre fazer comentários, participar nas sondagens e ler as mensagens passadas.
Na segunda metade de Agosto o blogue continuará com a actividade do costume (e só aí serão editados os comentários pendentes).
Há pelo menos cinco anos que não tinha férias. Decidi parar e poder olhar para as coisas simples que nos são oferecidas.
Vou "sem mais nem menos" e "sem destino nenhum", entrando pelo calor pelo nosso país fora, começando por atravessar a ponte 25 de Abril - para quê usar outras palavras se estas dos Trovante me servem perfeitamente? Aqui fica um link para recordar...

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Podem gays ser padres?

dois excertos do texto de Timothy Radcliffe, anterior superior dos Dominicanos, traduzidos por rioazur:
Can gays be priests?

(...) a vocação é um chamamento de Deus. É verdade que, como diz o documento, "é recebida através da Igreja, na Igreja e para o serviço da Igreja", mas é Deus quem chama. Tendo trabalhado por todo o mundo com bispos e padres, diocesanos e religiosos, não tenho dúvidas que Deus chama homossexuais para serem padres, e eles contam-se entre os mais dedicados e impressionantes padres que encontrei. (...) E podemos deduzir que Deus vai continuar a chamar tanto homossexuais como heterossexuais ao sacerdócio porque a Igreja precisa dos dons de ambos.
...


A nossa sociedade é obcecada por sexo e a Igreja devia propor um modelo de uma aceitação da sexualidade saudável mas não compulsiva. O Catecismo do concílio de Trento ensina que os padres devem falar acerca de sexo "com moderação e não abundantemente". Devíamos estar mais atentos a quem os nossos seminaristas possam ter tendência a odiar do que a quem eles amam. Racismo, misoginia e homofobia todos serão sinais que alguém não pode ser um bom modelo de Cristo.

na íntegra em inglês

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O calendário gay católico oficial

Há sempre maneiras de santificar o desejo... É curioso que a Santa Sé encontrou uma. Este calendário foi oficializado pelo Vaticano e pode mesmo ser encomendado pela internet em http://www.calendarioromano.org/.

Chama-se calendário romano e cada mês é ilustrado por um padre jovem, lindo, enfim, um autêntico sex-symbol, um ícone gay. Os fiéis e os padres já podem trazer um souvenir no mínimo original da cidade eterna, sem ficarem mal vistos.

Não me venham dizer que é devoção... é o chamado gato escondido com o rabo de fora!

...


Padres gays: qual é a surpresa?

A sério? Qual é a admiração? Será que só a hierarquia desconhece os factos? Até no nosso pequeno país católico abundam os casos de padres que se envolvem exporádica ou regularmente com outros homens: no mundo gay isso é sabido. E não são apenas padres mais alternativos e open-mind. Muitos são os mais rigorosos juízes da moral dos leigos, muitos andam-se a pavonear - durante o dia, é certo - com o seu colarinho romano e adoram a tradição e tudo o que esta tem de faustoso, de brilho e de rendas.


O problema não é o facto em si, que causa espanto e escândalo. O problema está na base da forma como os seminários lidam com a sexualidade e a psicologia. Enquanto o celibato for obrigatório para o clero é urgente que haja um sério discernimento e amadurecimento das vocações. Enquanto um seminarista homossexual não puder assumir a sua condição e decidir livremente se quer viver o celibato ou não, e no caso de querer ser celibatário ser aceite e assumir as consequências desta escolha para o seu ministério, haverá muitos casos de homossexualidade "activa" no seio do clero da Igreja.


A hierarquia da Igreja permite estas vidas duplas, ouso dizer, pois é um terreno bastante discreto para se viver a sexualidade activamente e o tabú em que a homossexualidade se esconde - pois não se fala dela - perpetua gerações de padres moralmente arrogantes que têm medo dos seus próprios sentimentos e do seu corpo.
A pressão na panela pode ser mantida por um tempo, mas a tampa acaba por se destapar.


Anexo a notícia em relação a este tema que correu a imprensa dos últimos dias.



Vidas duplas. As noites romanas dos padres gay
por Mariana de Araújo Barbosa, Publicado em 24 de Julho de 2010 no jornal I


Revista italiana publica reportagem sobre vidas duplas que envolve padres da Igreja Católica com relacionamentos homossexuais


Vinte dias, uma câmara oculta e filmagens dos locais de maior concentração de homossexuais na capital italiana. Roma serviu de cenário à reportagem "As noites loucas dos padres gay", publicada na revista "Panorama", que está a causar polémica por envolver a Igreja Católica em novo escândalo sexual.


O jornalista Carmelo Abbate - acompanhado por um cúmplice gay que o aconselhava a cada passo - percorreu locais habitualmente frequentados por homossexuais na capital italiana, infiltrando-se em ambientes e registando com uma câmara oculta tudo o que viu. O resultado foi a exposição de sacerdotes com uma vida dupla: de dia padres, de noite homens perfeitamente integrados no ambiente homossexual da capital italiana.


"Não pretendemos escandalizar, mas queremos demonstrar que não se trata de um caso isolado: existe uma comunidade de sacerdotes que se sujeita a determinados comportamentos", explicou o director da revista "Panorama", Giorgio Mulé. Além da reportagem, o responsável da revista escreveu o editorial com o título "A dupla vida dos padres gay: temos nomes, apelidos e moradas".


Ao pormenor
A reportagem inclui as histórias de três padres. Paul, 35 anos, francês, é o que mais dá nas vistas: no momento do encontro com Carmelo Abbate estava a dançar seminu num bar gay no bairro de Testaccio. As fotografias da festa são publicadas na revista e o encontro com o jornalista contado ao pormenor. À saída do bar, o padre Paul convida o jornalista da "Panorama" para o acompanhar até casa; Abbate aceita.


Apesar da polémica, o Vaticano ainda não comentou o conteúdo da reportagem, mas as regras da Igreja Católica proíbem que os homossexuais activos entrem nos seminários e aí estudem.


Sem surpresa
A capa da revista é clara: "Por quase um mês documentou vícios e perversões de sacerdotes insuspeitos numa vida dupla.


"Mas a revelação não apanhou desprevenidas as associações que representam as comunidades homossexuais. A realidade, segundo referem, já era conhecida por todos. "Que muitos padres sejam homossexuais à procura de sexo, incluindo sexo pago, com outros homens, não é nenhuma novidade", reagiu Aurelio Mancuso, da associação Arcigay, acrescentando que ele próprio já teve experiências. "Eu mesmo, há uns 15 anos, tive uma história com um bispo."

http://www.ionline.pt/conteudo/70538-vidas-duplas-as-noites-romanas-dos-padres-gay
http://www.guardian.co.uk/world/2010/jul/24/catholic-church-gay-priests-exposed

A nova Irlanda

Irlanda: reconhecidas legalmente uniões homossexuais
por Agência Lusa, Publicado em 19 de Julho de 2010

A presidente da Irlanda, Mary McAleese, ratificou hoje a nova lei das Relações Civis que reconhece legalmente as uniões de facto homossexuais no país.

Dado que a Irlanda ainda não permite o casamento entre homossexuais, a nova legislação reconhece alguns direitos a casais «gays» e lésbicos.

Os casais terão apoio legal em questões de propriedade imobiliária, direitos de sucessão, pensões e impostos.

O ministro da Justiça e do Interior, Dermot Ahern, garantiu que a nova lei é um dos textos mais importantes «sobre direitos civis desde a independência» do país (1921).

«Esta legislação reforça os direitos e proteção de muitos milhares de mulheres e homens irlandeses. Tem uma importância social enorme para os casais, que se podem agora registar como sócios legais, para os seus amigos e famílias», disse Ahern.

O documento entrará em vigor no próximo mês de janeiro.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Uma carta aberta de Hans Küng

Uma voz incómoda, uma pedra no charco. Partilho esta carta aberta de um teólogo:


Perda histórica de confiança

Igrejas vazias – e agora ainda por cima um escândalo: Cinco anos após Bento XVI ter sido eleito Papa, a Igreja Católica vê-se a braços com a maior crise de confiança desde a Reforma.

Venerados bispos,
Joseph Ratzinger, agora Bento XVI, e eu éramos em 1962-1965 os teólogos mais jovens do Concílio. Agora somos os mais velhos e os únicos ainda em actividade. Entendi sempre o meu trabalho teológico como sendo também um serviço para a igreja. Assim, no quinto aniversário do pontificado do papa Bento XVI, escrevo-vos uma carta aberta, pois estou preocupado com a nossa igreja, que se debate com a crise de confiança mais profunda desde a Reforma. Não tenho outra maneira de chegar a vós.
Prezei muito o facto de Bento XVI me ter convidado para uma conversa de quatro horas, pouco depois da sua eleição, apesar de eu ser um crítico seu. A conversa foi amigável e deu-me esperança de que o meu antigo colega da Universidade de Tubinga encontrasse o caminho para o prosseguimento da renovação da igreja e do entendimento ecuménico, no espírito do Concílio Vaticano II.

Oportunidades perdidas
Infelizmente, as minhas esperanças, assim como as de tantos católicos e católicas empenhados, foram vãs e eu comuniquei isso ao papa Bento XVI em diversas cartas. Ele cumpriu sem dúvida conscienciosamente os seus deveres papais e até já nos deu três proveitosas encíclicas sobre a fé, a esperança e o amor.
Mas no que respeita aos grandes desafios do nosso tempo, o seu pontificado é cada vez mais caracterizado pelas oportunidades perdidas e não pelas ocasiões aproveitadas:
— Perdeu-se a oportunidade de aproximação com as igrejas evangélicas: não são entendidas como igrejas em toda a acepção da palavra, pelo que não é possível reconhecer os seus ministros e realizar celebrações conjuntas da eucaristia.
— Perdeu-se a oportunidade de diálogo com os judeus: o papa reintroduziu uma oração pré-conciliar pela iluminação dos judeus e abre as portas da igreja a bispos cismáticos notoriamente anti-semitas, beatificou Pio XII e entende o judaísmo somente como raiz histórica do cristianismo, e não como comunidade de fé existente com um caminho próprio de salvação. Irritação dos judeus em todo o mundo por causa da homília de Sexta-Feira Santa do pregador da Casa Pontifícia, que comparou as críticas ao papa com ódio anti-semita.
— Perdeu-se a oportunidade de diálogo confiante com os muçulmanos: sintomático foi o discurso de Bento em Regensburgo, no qual, mal aconselhado, falou do Islão como uma religião da violência e da desumanidade, tendo provocado uma desconfiança duradoura entre os muçulmanos.
— Perdeu-se a oportunidade de reconciliação com os povos nativos colonizados da América Latina: o papa tem afirmado seriamente que eles “ansiavam” pela religião dos seus conquistadores.

Luta contra a SIDA
— Perdeu-se a oportunidade de ajudar os povos africanos: na luta contra a sobrepopulação através da aprovação de medidas de contracepção e na luta contra a SIDA através da autorização do uso do preservativo.
— Perdeu-se a oportunidade de selar a paz com a ciência moderna: através de um reconhecimento sem reservas da teoria da evolução e da aprovação diferenciada de novos campos da investigação, como a investigação sobre células estaminais.
— Perdeu-se a oportunidade de transformar finalmente o espírito do Concílio Vaticano II na bússola da Igreja Católica dentro do próprio Vaticano e de levar por diante as reformas nele preconizadas.
O último ponto, venerados bispos, é especialmente importante. Este papa tem vindo sempre a relativizar os textos do Concílio e a interpretá-los contra o espírito dos pais do Concílio, recuando em vez de avançar. Toma até uma posição expressa contra o Concílio Ecuménico que, segundo o direito canónico católico, constitui a autoridade máxima da Igreja Católica:
— Admitiu incondicionalmente na igreja bispos da tradicionalista Fraternidade Pio X, ilegalmente ordenados, à margem da Igreja Católica, que rejeitam o Concílio nos seus pontos centrais.
— Promove com todos os meios a missa medieval segundo o rito tridentino e celebra ocasionalmente a eucaristia em latim de costas voltadas para o povo.
— Não cumpre o acordo delineado em documentos ecuménicos oficiais com a Igreja Anglicana (ARCIC), mas tenta atrair para a Igreja Católica Apostólica Romana religiosos anglicanos casados, libertando-os da obrigação do celibato.
— Fortaleceu globalmente as forças anticonciliares no interior da Igreja, através da nomeação para cargos de chefia (secretários de estado, congregação da liturgia, etc.) de pessoas com posições anticonciliares e bispos reaccionários.

Política de restauração falhada
O papa Bento XVI parece distanciar-se cada vez mais da grande maioria do povo católico, que se preocupa cada vez menos com Roma e, na melhor das hipóteses, se identifica apenas com a comunidade e o bispo local. Sei que muitos de vós também sofrem com isso: a política anticonciliar d o papa é inteiramente apoiada pela cúria romana. Esta procura sufocar as críticas no episcopado e na igreja, e desacreditar os críticos por todos os meios.
Através de uma renovada sumptuosidade barroca e de manifestações com impacto nos meios de comunicação social, Roma procura apresentar uma Igreja forte, com um “Vigário de Cristo” absolutista, que reúne nas suas mãos todo o poder legislativo, executivo e judicial.
No entanto, a política de restauração de Bento XVI fracassou. Todas as suas aparições, viagens e documentos não conseguiram alterar, no sentido da doutrina romana, as opiniões da maioria dos católicos acerca de questões controversas, principalmente em termos de moral sexual. E mesmo os encontros de juventude, frequentados sobretudo por agrupamentos carismáticos conservadores, não conseguiram travar o abandono da Igreja por parte de fiéis, nem despertar mais vocações para o sacerdócio.

Abandonados
Serão justamente os bispos quem mais profundamente lamentará este facto: desde o Concílio, dezenas de milhares de sacerdotes abandonaram o sacerdócio, sobretudo devido à lei do celibato obrigatório. A renovação não só de sacerdotes, mas também de congregações religiosas, freiras e irmãos laicos decaiu, tanto em quantidade como em qualidade. A resignação e a frustração alastram no seio do clero e entre os membros mais activos da igreja.
Muitos sentem-se abandonados nas suas necessidades e sofrem na Igreja. Em muitas das vossas dioceses deve acontecer isto: cada vez mais igrejas vazias, seminários vazios, residências paroquiais vazias. Nalguns países as comunidades católicas são fundidas, por falta de padres e frequentemente contra a sua vontade, em “unidades de assistência espiritual” gigantescas, nas quais os poucos padres disponíveis estão completamente sobrecarregados e que apenas servem para simular uma reforma da Igreja.
E eis que aos muitos factores de crise vêm ainda juntar-se escândalos que bradam aos céus: acima de tudo, o abuso de milhares de crianças e jovens por clérigos, nos Estados Unidos, na Irlanda, na Alemanha e noutros países — tudo isto ligado a uma crise de liderança e confiança sem precedentes.

Não ao silêncio
Não se pode calar o facto de que o sistema de encobrimento global de delitos sexuais de clérigos foi dirigido pela Congregação para a Doutrina da Fé do Cardeal Ratzinger (1981-2005), na qual, ainda no pontificado de João Paulo II, os casos foram compilados sob o mais estrito sigilo.
Ainda em Maio de 2001, Ratzinger enviou uma carta solene acerca dos delitos graves (“Epistula de delictis gravioribus”) a todos os bispos. Nesse documento os casos de abuso eram colocados “sob Secretum Pontificium”, cuja violação pode implicar severas penas canónicas. É, pois, com justiça que muitos exigem do então prefeito e agora papa um ”Mea culpa” pessoal. Contudo, infelizmente este deixou passar a oportunidade de o fazer na Semana Santa. Em vez disso, fez atestar “urbi et orbi” a sua inocência através do cardeal decano, no Domingo de Páscoa.
As consequências de todos estes escândalos para o prestígio da Igreja Católica são devastadoras. Isto é confirmado também por titulares de altos cargos da Igreja. Inúmeros pastores e educadores irrepreensíveis e altamente empenhados são agora vítimas de uma suspeita generalizada.
É a vós, venerados bispos, que cabe perguntar como deve ser o futuro na nossa Igreja e nas vossas dioceses. Contudo, gostaria de vos esboçar um programa de reformas; é algo que fiz por várias vezes, antes e depois do Concílio.

Dêem uma perspectiva à nossa Igreja
Gostaria de fazer apenas seis sugestões, que é minha convicção serem comuns a milhões de católicos que não têm voz:
1. Não calar: O silêncio torna-vos cúmplices de tantos males graves. Muito pelo contrário, nos casos onde considerem determinadas leis, disposições e medidas como contraproducentes, devem dizê-lo publicamente. Não enviem declarações de submissão a Roma, mas sim reivindicações de reforma!
2. Ajudar as reformas: São muitos os que se queixam de Roma, na Igreja e no Episcopado, mas nada fazem. No entanto, quando, numa diocese ou paróquia, os serviços religiosos não são frequentados, a assistência espiritual é pobre, a abertura às necessidades do mundo é limitada, a colaboração ecuménica é mínima, então a culpa não pode ser assacada simplesmente a roma. Bispo, sacerdote ou leigo – cada um faça algo pela renovação da Igreja no âmbito maior ou menor da sua vida. Muitas coisas extraordinárias, tanto a nível paroquial como na totalidade da Igreja, começaram por iniciativas solitárias ou de pequenos grupos. Na vossa qualidade de bispos, há que apoiar e estimular essas iniciativas, e ir ao encontro das queixas fundamentadas dos fiéis, sobretudo agora.
3. Agir em colegialidade: O Concílio decretou, após um debate intenso e contra a oposição persistente da cúria, a colegialidade do papa e dos bispos, no sentido da história dos apóstolos, na qual Pedro não agia sem o colégio dos apóstolos. Mas, no período pós-conciliar, os papas e a cúria têm vindo a ignorar esta decisão conciliar central. Desde que o papa Paulo VI, apenas dois anos depois do Concílio, publicou uma encíclica em defesa da controversa lei do celibato, sem ter consultado o episcopado, o magistério e a política papais regressaram ao velho estilo não colegial. Até na liturgia o papa se apresenta como autocrata, perante o qual os bispos, de que ele gosta de se rodear, surgem como meros comparsas, sem direitos nem voz. Por isso, venerados bispos, há que agir não apenas individualmente, mas em comunidade com os outros bispos, os sacerdotes e o povo da Igreja, homens e mulheres.

A obediência é devida apenas a Deus
4. A obediência incondicional é devida apenas a Deus: Na sagração solene como bispos, todos fizeram um voto de obediência incondicional ao papa. Mas também todos sabem que a obediência incondicional nunca é devida a uma autoridade humana, mas apenas a Deus. Assim, o vosso voto não deve impedir-vos de dizer a verdade acerca da actual crise da Igreja, da vossa diocese ou do vosso país. Em absoluta conformidade com o exemplo do apóstolo Paulo, que resistiu [a Pedro] frente a frente, porque merecia censura“ (Gal 2, 11)! Pressionar as autoridades romanas no espírito da fraternidade cristã pode ser legítimo, quando estas não correspondem ao espírito do Evagelho e à sua missão. A utilização das línguas nacionais na liturgia, a alteração das disposições relativas aos casamentos mistos, a aceitação da tolerância, da democracia, dos direitos humanos, do entendimento ecuménico e tantas outras coisas, apenas foram conseguidas graças a uma perseverante pressão vinda de baixo.
5. Procurar soluções regionais: O Vaticano mostra-se frequentemente surdo às reivindicações do episcopado, dos sacerdotes e dos leigos. Tanto mais necessária é, pois, a procura inteligente de soluções regionais. Um problema particularmente delicado, bem o sabeis, é a lei do celibato, oriunda da Idade Média, que está a ser justificadamente posta em causa no contexto dos escândalos de abusos sexuais. Uma alteração contra a vontade de roma parece quase impossível. No entanto, isso não significa que se esteja condenado à passividade: um sacerdote, que após madura reflexão pensa em casar, não teria de renunciar automaticamente ao seu cargo, se o bispo e a comunidade o apoiassem. As várias conferências episcopais poderiam avançar com soluções regionais. Mas o melhor seria procurar uma solução para toda a Igreja. Portanto:
6. Exigir um Concílio: Tal como foi necessário um Concílio Ecuménico para alcançar a reforma litúrgica, a liberdade religiosa, o diálogo ecuménico e interreligioso, o mesmo acontece para a resolução dos problemas que agora eclodem de modo tão dramático. O Concílio de Constança, no século anterior à Reforma, determinou a convocação de um Concílio a cada cinco anos, mas essa decisão tem sido ignorada pela cúria romana. Sem dúvida que esta também agora fará tudo para evitar um Concílio do qual tem a recear uma limitação do seu poder. É responsabilidade de todos vós levar a cabo a realização de um Concílio ou, pelo menos, de uma assembleia representativa do episcopado.

Enfrentar os problemas com sinceridade
É este, venerados bispos, o apelo que vos faço perante uma igreja em crise, pôr na balança o peso da vossa autoridade episcopal, revalorizada pelo Concílio. Nesta difícil situação, os olhos do mundo estão postos em vós. Inúmeras pessoas perderam a confiança na Igreja Católica. Só uma abordagem aberta e séria dos problemas e a adopção das reformas indispensáveis pode ajudar a recuperar essa confiança. Peço-vos com todo o respeito, que cumpram a vossa parte, sempre que possível em colaboração com os outros bispos, mas em caso de necessidade também sozinhos, com “desassombro” apostólico (Act 4, 29.31). Dêem sinais de esperança e coragem aos vossos fiéis e uma perspectiva à nossa Igreja.

Saúdo-vos na comunhão da fé cristã
Vosso
Hans Küng

uma entrevista à Euronews
sobre Hans Küng (biografia)

A Igreja e os Homossexuais

Conferência A Igreja e os Homossexuais organizada pelo Rumos Novos - Grupo homossexual católico.
Conta como orador com o padre jesuíta Luís Corrêa Lima, doutorado em História e professor catedrático da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Quando? dia 29 de Julho de 2010; recepção às 21h, conferência às 21h30 e debate às 22h30
Onde? Hotel Ibis Lisboa - Saldanha, sala Almirante Reis (Av. Casal Ribeiro, 23)

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Na fronteira de Deus e do Mundo

Tal como nos vêm habituando, as Monjas Dominicanas do Mosteiro de Santa Maria (Lumiar - Lisboa) organizam o ciclo de conferências Encontros do Lumiar 2010-2011.

O tema do próximo ano lectivo é Na fronteira de Deus e do Mundo. O mês de Janeiro será dedicado a Viver como cristãos - a condição homossexual. De resto, há temas que me parecem muito fecundos, passando pela estética, poesia, dor, fronteira...

ver mais

A sondagem aberta deste blogue

Como já devem ter reparado, no fundo desta página (abaixo das mensagens) está uma sondagem em aberto sobre a opinião dos leitores das Moradas de Deus. A data limite da sondagem é o 15 de Agosto. Pareceu-me oportuno sondar a opinião para sentir o eco dos nossos leitores. Revelo um apanhado da opinião até agora recolhida:

77% dos votantes consideram que o blogue tem bom conteúdo
66% acham que é importante
55% pensam ser um blogue abrangente, interessante e informativo
44% vêem-no como recomendável

Vota tu também: quantas mais opiniões, melhor conseguirei conduzir o blogue.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Aproveitar o céu aberto

Eu sei que já começou há algumas semanas... mas aqui vai a dica para ainda apanhar alguns filmes e música sob a abóbada celeste:

Quinta das Conchas - Cineconchas 2010
http://www.viverlisboa.org/?page_id=7383
(entrada gratuita)

Inatel - Festa do Cinema 2010
http://www.inatel.pt/topimagecontent.aspx?menuid=39
(entrada paga - mas mais barato que o cinema convencional)

Jardins e parques em Lisboa - OutJazz
http://ncs.pt/outjazz.php
(entrada gratuita)

Gulbenkian - Jazz em Agosto
(entrada paga)
Aproveitem o Verão!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Contra a Homofobia

Em França, para o ano 2010, o Ministério da Saúde e dos Desportos encarou como uma prioridade a luta contra a homofobia. Há uma série de 5 curtas que são mostradas nas escolas. Para quem percebe francês aqui vai uma delas e, em baixo, o link deste projecto Jeune et Homo sous le regard des autres com material que pode servir a quem se interessa por esta questão (o site está muito bem feito). Este filme chama-se Basket et Maths.

http://www.le-regard-des-autres.fr/

e ainda o link de outra das curtas

http://www.youtube.com/watch?v=nFgYczhF4cU&feature=related

domingo, 11 de julho de 2010

Viver por amor

Hoje quero partilhar convosco uma das mais belas páginas de música escritas no século XX. O autor é o compositor francês Francis Poulenc. A obra chama-se Les Dialogues des Carmelites e trata-se da cena final da ópera. Poulenc inspirou-se no texto homónimo de Georges Bernanos que se inspira no facto real do martírio de todas as freiras de um convento francês na altura da Revolução Francesa. Poulenc é conhecido pela sua conversão tardia e por muitas obras de música sacra, de uma intensidade espiritual pouco vulgar no século passado. A cena final é uma Salve Regina para coro feminino, em que, uma a uma, as vozes vão desaparecendo à medida que as guilhotinas (simuladas pelos instrumentos da orquestra) vão caindo e matando as religiosas. Por fim, a noviça que tinha fugido antes da prisão das suas irmãs, regressa para junto delas.

Para mim, esta é a ópera mais espiritual de todos os tempos e é muito difícil ficar indiferente a esta entrega da vida por amor.

Alternativo: Turismo com Voluntariado

Em tempo de férias, porque não pensar num turismo diferente? Divulgo uma iniciativa:

TU-Voluntário, Turismo Comunitário e Voluntariado em Moçambique, de 28 de Agosto a 11 de Setembro

O Turismo impõe-se, cada vez mais, como um pilar do Desenvolvimento. A associação entre Turismo e Desenvolvimento deve ser feita numa lógica de sustentabilidade, privilegiando a participação e a capacitação das comunidades de acolhimento, o respeito pelo ambiente e a valorização da diversidade cultural, colocando a tónica na economia solidária.

A partir dessa Visão Integrada, a AIDGLOBAL promove a 1ª edição do projecto TU-Voluntário, um projecto de Volunturismo que associa o Turismo Comunitário e Responsável ao Voluntariado.

ver mais sobre Volunturismo

ver mais sobre AIDGLOBAL e o projecto TU-Voluntário

Ensino à distância

Curso de Síntese Catequética Avançada
http://www.ucp.pt/site/custom/template/ucptplfac.asp?SSPAGEID=2765&lang=1&artigoID=4345

www.ft.lisboa.ucp.pt (Ensino a Distância / Síntese Catequética Avançada)

Ser peregrino é...

Para quem faz caminho

música jazz sobre o Tejo

Uma proposta cultural para os meses de julho e agosto. Jazz às quintas é sempre às 22h, na Cafetaria Quadrante do Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, e a entrada é gratuita.

http://us1.campaign-archive.com/?u=605760f48c90eedc9dde1faa5&id=c54e05ae95&e=efa8f0146d

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Óp'ra de arte

O soprano de coloratura francês Nathalie Dessay (conhecida pelos seus sobre-agudos) interpreta "O Zittre Nicht", famosa ária da ópera Flauta Mágica de Mozart.
A ópera é um espectáculo que por excelência concilia várias artes. Gosto particularmente desta encenação.

http://www.youtube.com/watch?v=d1ODbDKmSEc

Quem disse que a morte tem de ser a preto e branco?

"Na aldeia de Săpânţa, na Roménia, há uma bizarra atração turística.

O cemitério local, conhecido como o Cemitério Alegre, difere da esmagadora maioria de locais semelhantes no mundo.

As centenas de lápides são um mar de cores vivas, onde predomina o azul. Esculpidas em madeira, as lápides contêm poemas que sintetizam a forma como viveu, ou como morreu, a pessoa que lá se encontra sepultada."

ler mais em

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Estágio remunerado

Selecção
Entrevistas individuais e/ou em grupo serão efectuadas do dia 20 a 25 de Julho. O anúncio será feito da decisão final será feito entre 26 e 30 de Julho. Depois da selecção a aprovação final dependerá da candidatura ao IEFP (Instituto de Emprego e Formação Profissional) que deverá seguir os trâmites próprios.

Estágio Remunerado no GAIA - Secretariado do Centro Social do GAIA na Mouraria
Trabalhar como secretário do Centro Social do GAIA na Mouraria (CSG) significa a oportunidade de aprender os processos burocráticos e técnicos para desenvolver e apoiar projectos de uma organização não governamental ambiental (ONGA). Ao trabalhar numa organização com decisão não hierárquica o estagiário tem a oportunidade de aprender como funciona o GAIA no seu todo, o que implica responsabilidade, motivação, dinâmica e capacidade de trabalhar em grupo.O estágio decorrerá na sede do núcleo de Lisboa do GAIA (no centro social da Mouraria). O estágio, co-financiado pelo IEFP, terá a duração de 12 meses.

O que faz um secretário?
O trabalho de um secretário no GAIA inclui tarefas várias:
* fazer a contabilidade simples das actividades do CSG;
* fazer os registos documentais de toda a actividade do GAIA, como actas de reuniões e relatórios;
* contactar as instituições com que o GAIA trabalha, como a Confederação Portuguesa de Associações de Defesa do Ambiente, Instituto Português da Juventude, Agência Nacional para o Serviço Voluntário Europeu, Finanças, Segurança Social, Instituto Nacional de Estatística, Instituto de Emprego e Formação Profissional, Associações Académicas e outros colectivos sociais;
* contactar Notário e Contabilistas;
* a concepção, ou apoio à concepção, de candidaturas de envio ou recepção no âmbito de Serviço Voluntário Europeu;
* auxiliar o coordenador na gestão corrente do CSG.Espera-se que o estagiário tenha boas capacidades de administração burocrática ou que esteja pronto para as adquirir durante o primeiro mês do estágio. Boas capacidades para o relacionamento com instituições são igualmente características desejadas.

Perfil do Candidato:
* Deverá identificar-se com os princípios do CSG (fazer ligação);
* Recém licenciad@ em Administração, Direito ou Gestão
* Boas capacidades de comunicação.
* Capacidade de trabalhar em grupo e gerir conflitos inter-pessoais.
* Elevada auto-iniciativa e sentido de responsabilidade;
* Capacidade de trabalhar sob pressão.
* Bons conhecimentos informáticos básicos: internet, openOffice;
* Boas capacidades de organização: planeamento, gestão de recursos, assiduidade, assertividade;
Mais-valias
* Experiência de trabalho em organizações sem fins lucrativos.
* Experiência de trabalho com burocracia.
* Conhecimento de informática na óptica do utilizador de Linux

Selecção
Entrevistas individuais e/ou em grupo serão efectuadas do dia 20 a 25 de Julho. O anúncio será feito da decisão final será feito entre 26 e 30 de Julho. Depois da selecção a aprovação final dependerá da candidatura ao IEFP (Instituto de Emprego e Formação Profissional) que deverá seguir os trâmites próprios.

Local de trabalho
O secretário trabalhará sobretudo no escritório do GAIA na Mouraria, em Lisboa.

Data de início e duração
O candidato deverá poder iniciar as suas funções em assim que o estágio for aprovado no IEFP. A duração do “estágio profissional” é de 12 meses.

O que oferecemos
Oferecemos uma oportunidade única a jovens de viverem um período de aprendizagem para desenvolver as competências que uma posição de secretário requer. Oferecemos esta posição num ambiente dinâmico com amplo espaço para criatividade e contribuição pessoal.

Ainda interessado/a ?
Envia-nos um CV em Português para lisboa [arroba] gaia [ponto] org [ponto] pt e uma carta explicando quais as tuas motivações para esta função até dia 15 de Julho (inclusivé).
Depois de lermos todas as cartas de motivação e Cvs, serão seleccionadas entre três a seis candidaturas que serão objecto de entrevista.Finalmente teremos um@ nov@ secretári@ do Centro Social do GAIA na Mouraria.
O que é o GAIA ?
O GAIA é uma associação que foca as temáticas ambientais integrando questões sociais e políticas. Com uma forte componente activista, utiliza frequentemente acções criativas de cariz directo e não violento como forma de sensibilizar e criar consciência sobre as raízes sociais dos problemas ambientais. O GAIA investe também fortemente na integração e influência de outros grupos sociais, transformando o trabalho de pressão e cooperação em pontos fortes do trabalho que realiza.
O GAIA foi fundado em 1996, como um núcleo universitário dedicado exclusivamente para assuntos ambientais. Após 3 anos de activismo, dentro e fora da Universidade, os seus membros tomaram consciência de que os assuntos que a associação defendia eram demasiado importantes para serem sujeitos às limitações de uma associação de estudantes.
Em 2000, o GAIA registou-se como Associação Juvenil, legalmente independente da Universidade. O facto de se tornar independente permitiu uma participação activa nos temas das Alterações Climáticas e Globalização ao nível das bases e com um nível de crítica social que raramente se encontra noutras Organizações Não Governamentais de Ambiente. Em 2004, o GAIA registou-se legalmente como Organização Não Governamental de Ambiente e iniciou o processo para se tornar ONG de Ambiente no Registo Nacional.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Concordo e aceito um homem que viva com um homem

por Rosa Ramos, Publicado em 26 de Junho de 2010 no I

No Natal, e apesar de "conhecer mal" os vizinhos, distribui postais pelas caixas de correio do prédio, no centro de Lisboa. Diz que é o único bispo "a morar num andar" e tranca-se a sete chaves em casa, mesmo de dia. "Fui assaltado, sabe? Mas só me levaram uma máquina fotográfica digital", conta, antes de nos fechar à chave dentro do apartamento. O bispo das Forças Armadas e de Segurança, D. Januário Torgal Ferreira, é assim: nunca faz cerimónias e recusa-se a fazer fretes. Vive em Lisboa há 22 anos, mas jura que ainda tem o Porto no coração. Na sala, há um quadro gigantesco com um poema de Eugénio de Andrade e várias fotografias da mãe - "uma das primeiras mulheres a formar-se em Portugal". No escritório tem pilhas de livros até ao tecto. Devem ser uma dor de cabeça para a empregada que lhe limpa a casa duas vezes por semana. D. Januário reformou-se o ano passado da vida militar e deixou de ter gabinete no Ministério da Defesa, mas ainda faltam mais de três anos para acabar o "mandato" de bispo. Provavelmente, continuará a ser inconveniente e polémico até ao fim. Defende Saramago e os homossexuais, elogia as manifestações da CGTP, critica o mediatismo da sociedade. Mas depois fala do amor e do mundo com a ingenuidade e a emoção de uma criança. O bispo das Forças Armadas vai à praia de calções e diz que se irrita com "críticas gratuitas". Aos 72 anos, confessa que odeia autobiografias: "São detestáveis. Ontem já não era eu."

Costuma googlar o seu nome?
Uma ou outra vez. A primeira foi há mais de dez anos, no estrangeiro, por sugestão de um padre meu amigo. Na altura tinha seis páginas de resultados, fiquei muito admirado. Hoje devem ser mais de 30! É uma ferramenta interessante, porque permite medir as animosidades e as simpatias que vamos suscitando. De vez em quando, lá vou ver o que se escreveu de novo. E a informação nunca se perde, eterniza-se. Por exemplo, agora com a morte do Saramago, lembrei-me das críticas que recebi na altura em que ele recebeu o Nobel...

Por causa de o ter defendido?
Sim. Quando comecei a lê-lo tive dificuldade em entrar no estilo. Não foi daquelas pessoas com quem simpatizasse muito, no início, do ponto de vista literário. Mas acabei por ir descobrindo e compreendendo a sua obra que, de facto, é genial. E isto escandalizou muitas pessoas.

Não ficou chocado quando leu o "Evangelho segundo Jesus Cristo"?
Não. A mim o que me chocou foi perceber que muita gente o atacava só por ser comunista e por não ser católico. Isso não tem nada a ver com a qualidade da sua produção literária. Nessa altura, falava-se de como ele era demoníaco por ter escrito uma obra sobre Jesus Cristo, desumanizando-o e humanizando-o ao ponto de tudo aquilo ser uma ficção, uma mentira. Era uma negação, um Cristo grotesco. Eu pensei muitas vezes: "Este homem diz-se ateu e tem expressões terríveis sobre Deus, mas ao mesmo tempo tem conceitos extremamente humanizadores quanto à figura de Cristo." Saramago não era de Deus, mas passava a vida a falar de Deus. Ele, no fundo, tinha interesse por Deus! E deve merecer respeito pelo seu ponto de vista. A única coisa que me entristece e me distancia de certas leituras é a agressão gratuita, a calúnia, o banditismo mental, a inquisição ao contrário.

Na semana passada, o "Osservatore Romano" chamava Saramago de "populista e extremista". Revê-se nisto?
[Olha para o exemplar do jornal do Vaticano que tem em cima da mesa] Eu não! Eu pensei que esse extremismo já tivesse passado, esse radicalismo. Não ficava mal mostrar alguma sensatez - mantendo a verdade - diante de uma pessoa que já cá não está para se defender. É claro que discordo de muitas interpretações de Saramago e tenho pena que ele tenha demonstrado um conjunto de desconhecimentos em relação às estruturas bíblicas, mas dou-lhe o mérito de se ter interessado por Deus. Talvez ele não gostasse que eu dissesse isto, mas não sei se esse interesse não esconderia uma grande inquietação dele, uma grande procura de Deus. Só que o procurava ao contrário. Uma coisa é a interpretação estético-literária. Outra coisa é a interpretação exegética ou espiritual. Não separar as duas vertentes mostra uma crise de cultura.

Normalmente a Igreja é um pouco inflexível nestas matérias...
O que eu acho, então, é que há uma soma de pessoas, e digo-o com respeito, que ficaram perfeitamente analfabetas, cheias de complexos, de maldade, de sensualidade, quase castradas. Quem conhece o mundo e o adora, olha-o de forma límpida e feliz. Eu dou graças à vida e aos educadores que tive, por olhar para o mundo de forma descomplexada e desinibida. É como quando me dizem: "Ah... você vai para a praia e para a piscina de calções." E então? Qual é o problema? Sou um cidadão como outro qualquer!

Mas já lhe disseram isso?
Directamente, não. Mas as pessoas encontram-me na praia. Vamos imaginar a seguinte situação: "Então você estava ali deitado, ao lado de uma rapariga a fazer topless?" E então? Que mal teria? Só um tarado é que vai para a praia pensar nessas coisas. Por vezes, a maldade está na forma como se pensa o mundo. E veja lá onde a conversa já foi parar... [risos]

Então vamos voltar ao Google. Sabe que os primeiros resultados que aparecem são coisas pouco simpáticas a seu respeito?
Não sei... hum...

Criticam-no por ser de esquerda, por exemplo...
Isso para mim até é muito simpático. Se as pessoas entenderem que ser de esquerda é falar dos problemas sociais, defender gente desempregada, demonstrar diante de sistemas governamentais a sua inutilidade, desvarios e erros... Tenho-me batido por isto e até dada altura parecia estar sozinho na luta. Fiquei contente quando ouvi, recentemente, o grande bispo do Porto, D. Manuel Clemente, falar sobre as Scut. É importante um bispo alertar para as condições sociais das populações. Foi o grito de um cidadão bom, inteligente, educado, que lança um alerta. Acho que o governo lhe devia agradecer.

Também se diz que é comunista...
Pronto. Ora aí está... As pessoas partidarizam tudo. Eu digo, realmente, que foi o Partido Comunista que devolveu a voz ao Alentejo...

Mas é?
Não. Toda a gente sabe que não tenho nenhum enquadramento partidário. Mas escolho, naturalmente, o meu voto no dia em que há eleições e sei em quem tenho votado. Ora mais à direita, ora mais à esquerda.
E ultimamente?
Nos últimos longos anos, mais à esquerda do que à direita. Mas já votei à direita. Eu não devo é entrar, publicamente, enquanto bispo, em atitudes partidárias. Já as tive, mas não como bispo. Toda a gente sabe que estive muito ligado, em tempos, a determinados aspectos da social-democracia. Dei-me muito bem com o Sá Carneiro. Mas, para mim, o espectro político não acaba aí. Desde que vim para Lisboa, comecei a ver e a descobrir os interesses, as podridões, as lutas pelo poder. Não entro em questões partidárias. Mas ponho uma tónica na doutrina social da Igreja. E hoje, mais do que nunca, fala-se do desemprego, do défice, das dificuldades e das desigualdades sociais.

Também existem essas lutas pelo poder dentro da Igreja?
Não, embora não diga que não haja diferenças dentro da Igreja. No entanto, eu às vezes até acho que somos demasiado afinados. Eu não quero a anarquia, mas...

Discute-se pouco, é isso?
Eu gostaria de ouvir outras vozes.

Recordo-me que há tempos, quando Obama esteve na China e falou dos direitos humanos, disse que um líder não pode ter medo. Considera que Cavaco Silva teve medo quando decidiu promulgar o casamento entre homossexuais?
Não o quero interpretar. Só posso interpretar o texto que ele publicou. A mim o que me impressionou negativamente nem foi o facto de ter promulgado o casamento, apesar de ser um casamento com o qual eu não concordo e que entendo como união. Fiquei, sim, muito admirado com a produção cultural insuficiente da argumentação usada: dizer que não veta por causa da situação crítica que estamos a atravessar? Mas há aqui alguma relação de causa e efeito? Vetar daria origem a manifestações gigantescas, descontentamento? Se ainda há dias houve uma manifestação espectacular, como todas as da CGTP, e Lisboa foi invadida por pessoas de todo o país, que quiseram protestar por estarem em causa o pão, os salários... Assumiram a defesa dos seus direitos... E houve alguma escaramuça? Qual mal-estar? Felizmente já demos vários passos na democracia!

O que é certo é que mesmo sendo vetada, a lei voltaria ao Parlamento e...
[Interrompe] Por isso mesmo! Ele sabia que o próprio ciclo da legalidade seria suficientemente rápido e teria um determinado efeito. Por isso, para que é que vem com uma explicação que é perfeitamente inadequada, inconveniente, injustificada e incoerente? A sério que não vejo como é que uma situação crítica do ponto de vista económico-financeiro pode ser agravada com a legalização de um homem casar com um homem ou de uma mulher com uma mulher.

Portanto, o que o aborreceu não foi a aprovação do casamento, mas sim a fraca argumentação de Cavaco Silva?
Há coisas que não se podem misturar e que eu não quero misturar. Cavaco Silva não precisava de invocar a sua posição católica a primeira vez, nem justificar se agora tem uma posição diversa, ou não. Eu faço uma análise independente das minhas convicções católicas. Não me parece que pegue, vindo de uma pessoa minimamente apetrechada do ponto de vista cultural, a explicação do senhor Presidente da República. Mas não me compete julgar. Nem analisar ou comentar.

Mas o assunto caiu mal na igreja. O cardeal-patriarca foi muito explícito nas críticas e a Igreja até estará à procura de um candidato alternativo...
Caiu mal, sim. Mas não acredito nisso de se procurarem candidatos. As pessoas sabem que, eventualmente, podendo haver um candidato à direita de Cavaco Silva... será difícil encontrar alguém capaz de o vencer. Mas isto são assuntos da política. A crítica a Cavaco Silva tem o seu fundamento. Para mim, independentemente do conteúdo - eu não concordo com a noção de casamento -, concordo e aceito um homem que viva com um homem e uma mulher que viva com uma mulher.

Isso não o choca?
É evidente que não. A atitude que tenho de ter é a respeitabilidade.

E há mesmo um guião de homilias contra Cavaco Silva?
É uma grande novidade, em absoluto, que me está a dar. Ignoro isso em absoluto.

Vai votar nele?
Vou votar naquele em que achar que devo votar.

Mas uma vez que o desiludiu...
O facto de ele ter dado uma má lição ou ter feito uma má redacção não quer dizer que eu não possa votar nele.

Como encara o movimento de gays católicos?
São pessoas que põem problemas. Eu acho que o drama de cada pessoa deve ser entendido. Nós julgamos e jogamos com generalidades. Eu despertei para este problema já há muitos, muitos anos, quando conheci um casal que já não era jovem e que me confessou, amargurado, que o filho era homossexual. E eles sofriam e diziam: "Não discriminamos o nosso filho, achamos que não é um crime." Nós podemos não aceitar nem entender que os nossos filhos sejam homossexuais, mas temos de os amar, não os podemos afugentar. E a Igreja só pode ter uma atitude: acolher, ouvir, tentar entender. Eu às vezes pergunto a colegas: "Você já alguma vez falou com um homossexual?" É que eu já e sabe o que é que vi? Uma pessoa que sofria loucamente, porque não era entendida, porque tinha uma orientação sexual que não é aceite socialmente. Alguém que se sentia só, escorraçado. Alguém que se escondia.

A Igreja acolhe os homossexuais, na verdade. Desde que não pratiquem a sua homossexualidade...
Com certeza que um casal homossexual não é um teórico, não é? E os afectos traduzem-se por essa prática, por essa fusão psíquico-afectiva da unidade misteriosa que é o ser humano.

A Igreja tem de entender isso?
Entender, sim. Sacralizar é que não - porque o amor, para a Igreja, é um sacramento, o matrimónio. Esta é uma matéria muito complexa, que tem de ser muito bem compreendida. E nenhuma instituição pode dizer se aceita ou não aceita. Cada caso é um caso.

Que opinião tem dos novos movimentos? Em Portugal, o Papa disse que são a nova Primavera da Igreja, mas depois recomendou algum cuidado aos bispos. Em que é que ficamos?
As duas coisas são compatíveis. Eu gosto dos novos movimentos. Há um ou outro mais exagerado, mas não vou mandar recados através do jornal. Na minha diocese não tenho esse problema. Mas se tivesse, chamá-los-ia e dialogaria. Há particularidades que podem chocar dentro da Igreja, por isso o mais importante deve ser criar um espírito de comunhão. E são uma Primavera, de facto. Admiro, por exemplo, os neocatecumenais, apesar das críticas, porque entregam, a partir de determinada altura, 10% do que ganham. Qual de nós é capaz de dar uma pequena parte do seu salário para os pobres e para uma obra de bem comum? Só que, de uma maneira geral, há muito o espírito de tribo e o que o Papa pediu foi que os bispos estejam atentos, no sentido de promoverem uma maior abertura.

De movimento para movimento, os ritos são muito diversificados. A longo prazo, isso não poderá pôr problemas à Igreja e causar rupturas?
Tem razão. Por isso mesmo é que o Papa pede diálogo, acompanhamento e proximidade. A convicção que tenho é que muitos movimentos estão em roda livre e alguns correm o perigo de serem uma igreja dentro da Igreja.

Tem criticado o centralismo do Vaticano. Porquê?
Julgo que deveríamos estar muito mais próximos - nós, Conferências Episcopais - e que o Vaticano nos deveria atender mais. Acho, por exemplo, que o presidente da Conferência Episcopal deveria ser uma espécie de núncio, o nosso representante muito próximo da Santa Sé.

Mas já temos um núncio...
Mas há muita gente que defende que os núncios deviam desaparecer e a ligação com Roma passar a ser feita de uma maneira muito mais próxima, através do presidente das Conferências Episcopais. Não sei se isto faz sentido ou não, mas que há centralismo, há. Roma fica longe. Devíamos estar mais perto e as nossas decisões deveriam ser mais ouvidas no Vaticano.

E existir maior liberdade para decidir?
Há um dirigismo muito grande. Por exemplo, decretou-se, no ano passado, o ano sacerdotal e decidiu-se que se iria falar sobre sacerdotes. Não poderíamos, dentro da Igreja em Portugal, decidir outra temática para cada diocese trabalhar? Às vezes, parece que vem tudo feito de Roma. Digo isto no sentido construtivo, claro. E no sentido de se aumentar a comunhão profunda com Roma.

É conhecido por dizer sempre tudo o que pensa. Diz mesmo?
Sim, sempre. Quer dizer... Agora estou a ir para velho e chega-se à conclusão de que não vale a pena gastar certas munições.

Então mas porquê? Já teve más experiências?
Não, não tive. Normalmente, digo o que penso.

Mas de certeza que já recebeu puxões de orelhas por falar de mais ou dizer coisas que não devia...
Já. De pessoas que discordam das minhas ideias. Recebo tantas cartas antipáticas! Um dia, hei-de publicá-las a todas! Não me importo, naturalmente, que existam posições diversas das minhas. Só me chateia que as pessoas deturpem o que defendo ou partam para o insulto e para a agressão gratuita.

E de dentro da Igreja?
Chamaram-me a atenção uma ou duas vezes.

A propósito de quê?
Planeamento familiar, por exemplo. Só que eu continuo a pensar o mesmo que pensava e a dizer o que dizia. O que vem provar que, da minha parte, não há a mínima hostilidade. Há uma grande comunhão e amor à Igreja e estou convicto, pela minha experiência pastoral, que aquilo que defendo será muito em breve uma realidade. Eu não aceito o dogmatismo dos métodos naturais. Por vezes, as pessoas não querem ser realistas. Mas o mais importante é que se continue sempre em grande diálogo, porque a verdade nunca se possui plenamente.

Teve um percurso académico longo, foi professor universitário, esteve muito ligado à filosofia e estudou muito. Nunca se sentiu tentado a pôr em causa alguns dogmas da Igreja?
Nunca. Pelo contrário. Quanto mais estudei, mais aumentei a minha fé e mais encontrei explicações racionais para a minha fé. Sabe qual é o grande mal no que toca à religião? Ninguém estuda nada, nem o primário. Mas toda a gente tem opiniões.

A fé cabe, então, no domínio da razão?
Fui sempre buscar à cultura filosófica razões e motivos para tornar mais lúcida a minha visão dos grandes problemas da fé. Há uma frase de Pasteur de que gosto muito: "Porque eu estudei muito, tenho a fé de um bretão. Mas se eu tivesse estudado mais, teria tido a fé de uma mulher da Bretanha" - porque a mulher é mais piedosa. Esta frase tem sido um dos grandes guias da minha vida.

domingo, 27 de junho de 2010

Ajudar as famílias a sair do armário

por Fernanda Câncio, 8 de Agosto 2009, in Diário de Notícias

"Estamos do lado do preconceito contra os nossos filhos ou do lado dos nossos filhos contra o preconceito?" A pergunta levou à criação da AMPLOS, Associação de Mães e Pais pela Liberdade da Orientação Sexual. Pelos filhos, pelos pais, "pelos valores mais fortes da família" - por amor

"Não reagimos da forma mais correcta possível. De certeza que fiz coisas erradas ou menos certas." Margarida Lima Faria, 51 anos, socióloga, casada há trinta, mãe de duas filhas, descobriu há cinco anos que uma delas, a mais nova, é homossexual. Descobriu é uma forma de dizer: foi informada pela própria. "Não foi uma conversa nada fácil, sobretudo para ela. Sinto orgulho por ela nos ter dito, por isso corresponder a uma relação de confiança e à noção que teria da nossa capacidade de a aceitar como ela é. E por corresponder a uma ética da verdade, algo que tentámos sempre construir na nossa família."

A hipótese, confessa, "nunca se tinha colocado". E a reacção foi "mais de confusão que de desilusão". Sorri. "Uma coisa que queria dizer aos outros pais é que no dia seguinte ao da revelação está tudo igual, o mundo não acabou - até está melhor, porque se tem um filho mais feliz." Mas nem toda a gente, é sabido, vê as coisas assim. "Tenho uma amiga médica que me contou que uns amigos lhe ligaram para falar do grande drama que acontecera à filha. E ele achou que era algo tão grave que perguntou 'Não me digam,é um cancro?'E eles responderam: 'Pior que isso' ."

No sossego da esplanada do Centro Cultural de Belém, local perto do seu emprego onde Margarida marcou o encontro, a brutalidade irredimível da frase suspende os gestos. "Aquilo que as pessoas são depende muito das relações primárias que se constroem no seio da família.

Se os pais não aceitam os filhos é um golpe terrível na sua auto-estima. E as pessoas que não gostam de si próprias não são bons cidadãos."

A fobia que leva pais a renegar filhos por causa da sua orientação sexual também se vira contra os pais que não os renegam. "É absurdo. Temos dificuldade de falar dos filhos homossexuais, pedem-nos que façamos de conta que não existem. Durante muito tempo quando me perguntavam pelas minhas filhas elidi a vida relacional de uma delas. Mas a partir de uma certa altura senti que devia começar a lidar com a coisa de forma completamente natural, porque de outra forma estava a discriminar uma filha em relação à outra. E as reacções começaram a ser muito estranhas. Quando dizia 'A minha filha tem uma namorada', havia quem me dissesse 'Estás a dizer isso para me provocar' e quem me falasse de doenças, a ponto de eu ficar numa tristeza..."

Foi em grande parte devido a essas reacções que começou a formar-se na cabeça de Margarida a ideia de uma associação. De fazer qualquer coisa mais estruturada, mais organizada, para mudar as coisas. De partilhar o que sentiu e decidiu e pensou durante os últimos cinco anos , desde que sucedeu aquilo que passou a ver "como uma boa oportunidade que a vida me deu".

Para Margarida, a AMPLOS não deve ser "só uma associação de pais de homossexuais" ,: deve ter lugar para toda a gente que ache esta luta importante. Também não quer que se diga "Ai, agora os pais têm de falar pelos filhos, defendê-los". "Não é nada disso, nem eu gostava que a minha filha estivesse nessa situação. Os nossos filhos são jovens adultos, sabem pensar pela sua cabeça e defender-se. A última vez que falei com uma professora da minha filha para a defender tinha ela dez anos. Não se trata disso... Mas estive com jovens que morriam de medo de contar aos pais. Fui a uma reunião da ILGA e quando lemos a primeira frase do manifesto, 'Somos um grupo de mães e pais', houve um jovem que disse 'Isto não está a acontecer'." Pára, como quem sustém qualquer coisa. "Havia pessoas com as lágrimas a correr pela cara abaixo." Lágrimas de felicidade, desta vez - ou de esperança. "Houve alguns que nos contaram que um dia a mãe ou o pai lhes perguntou 'És homossexual?', e eles responderam 'Não'. E a conversa acabou aí. As pessoas contentam-se com o que querem ouvir..." A esses pais, a todos os pais que acham que os filhos os desiludem com coisas como estas, Margarida gostaria de dizer isto: "Não é um problema, um grande problema. É uma contrariedade. A vida em sociedade faz-se de expectativas, das expectativas que acalentamos em relação aos outros. E se uma expectativa se gorar, há a capacidade de adaptação, em que é muito importante o amor e a inteligência. É tudo uma questão de amor, não é?"

A AMPLOS, nome de lugar grande, coisa que abarca, de abraço, nasceu sobretudo disso - "dos valores mais fortes da família". "Desde que pusemos a circular o nossomanifesto que recebemos imensos mails e contactos de encorajamento. As pessoas dizem 'Até que enfim', 'Força', 'Que bom'... Fiquei muito surpreendida com tantas reacções positivas. Um dos que mais me comoveu foi o da mãe de duas filhas de três e cinco anos que disse querer participar para que elas pudessem crescer num mundo melhor."
http://dn.sapo.pt/gente/interior.aspx?content_id=1328905

Uma associação para Mães e Pais contra discriminações relacionadas com a orientação sexual

Inspirado pelo post de um leitor, resolvi incluir uma mensagem sobre a associação AMPLOS

AMPLOS – Associação de Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual

Quem somos:
Somos um grupo de pais que se propõe lutar por uma sociedade mais justa, opondo-nos a todas as formas de discriminação. Pela forma como nos toca enquanto pais, concentrar-nos-emos preferencialmente no combate às formas de discriminação relacionadas com a orientação sexual.

O que sabemos e sentimos:
Sentimos que muito falta fazer para que os homossexuais sejam aceites, possam assumir abertamente a sua identidade, exprimir os seus afectos, casar, ter igualdade de tratamento jurídico; em suma serem pessoas de pleno direito, serem cidadãos de plena cidadania.

Sabemos que a aceitação da sua orientação pelos pais é um dos momentos mais marcantes, e fundamentais, na sua própria aceitação como pessoas. É um momento intenso para ambos. Na maioria das vezes sofrido, por ambos.

Sabemos que muitos pais reagem de forma brutal a essa situação pelas expectativas que criaram em relação aos filhos, pelos preconceitos que circulam, e abundam, na sociedade, pela falta de informação resultante dos tabus que se têm perpetuado em torno da discussão aberta do tema.

Sabemos que para os pais é difícil falar d@ seu filh@ homossexual; falar das suas relações amorosas, dos seus projectos de vida.

Sabemos como são forçados a usar diferentes “histórias” para os seus diferentes filhos e quão dura lhes é essa discriminação. Fazem-no pelas reacções que essa abertura provoca nos outros; fazem-no pelo respeito que os filhos merecem, deixando-os decidir quando e a quem o fazer, dando por vezes um empurrãozinho, na abertura da porta desse tal “armário”. Toda esta situação exige dos pais uma atenção especial, difícil, paciente, cuidadosa.

Também sabemos que os pais estão muito sozinhos, nem sempre sabem como agir da melhor forma. Andam eles próprios a aprender a ser pais, a como sair do seu “armário” de pais reprimindo o desejo de escancarar a porta toda, e celebrar todo o amor que sentem por esses filhos.

O que queremos:
Queremos ser um grupo de pais que se oiçam, esclareçam, acompanhem.

Queremos ser uma plataforma de informação e de apoios especializados dando resposta às diferentes necessidades (individuais ou sociais) dos pais.

Queremos constituir um grupo de acção cívica ao lado dos nossos filhos e de todas as organizações que defendem os seus direitos.

Como pensamos fazê-lo:
Procuraremos locais e momentos de encontro periódico, à medida da dimensão e situações que forem surgindo. Destes contactos se seguirão outras formas de acção dependendo das ideias que nascerem no interior do próprio grupo.

Procuraremos marcar de alguma forma presença em todas as formas de encontro que digam respeito a esta causa.

CONTACTOS
Contactem-nos preferencialmente por e-mail: amplos.bo@gmail.com
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Ajuda pelo Conhecimento

A campanha é organizada pelo Grupo Missão Mundo, das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres, em parceria com a Caritas Diocesana de Lisboa e pretende equipar duas bibliotecas em Moçambique:
· biblioteca de Manjacaze (Província de Gaza)
· biblioteca de Nacuxa (Província de Nampula)

Pode apoiar de duas maneiras
1) enviando ou entregando directamente o(s) livro(s) nas instalações das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres:
R. Carlos Mardel, 25 (junto ao Metro de Arroios) 1900-117 Lisboa
2) fazendo um donativo às Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres - 0010000947468400380, para que o GMM possa comprar os livros e apoiar a construção da biblioteca de Manjacaze.

Quais os livros que as crianças, jovens e professores mais precisam?
· Livros de Cultura Geral
· Livros de história universal, de África e de Moçambique
· Livros Clássicos de literatura
· Livros infanto-juvenil (histórias, romances, ficção, banda desenhada)
· Dicionários de línguas e temáticos
· Enciclopédias
· Mapas e atlas
· Gramáticas de Língua Portuguesa
· Manuais Escolares do Ensino Básico e Secundário (português, matemática, ciências, inglês, física, química, biologia, ciências sociais, direito, economia)
· Manuais escolares com exercícios
· Manuais de acção educativa de apoio aos professores
· Livros técnicos: informática; planeamento e gestão; criação de negócios; análise financeira, estatística, arte; desporto; economia, produção agropecuária e silvicultura; gestão e produção agrícola, sistemas de agricultura sustentáveis, filosofia, psicologia, química, física, direito internacional, saúde, contabilidade e finanças, gestão de recursos humanos, entre outros.
· Livros didácticos (jogos, cursos, pinturas, puzzles)
· DVD com filmes, cursos e documentários em português ou legendados em português

Quando?
Até 31 de Agosto de 2010

Informações em: grupomissaomundo@gmail.com ou 965151011/918126523

Enquadramento da Campanha
A intervenção do Grupo Missão Mundo (GMM), em Moçambique, desde 2007, na comunidade de Manjacaze e, mais recentemente, no Instituto Técnico-profissional de agro-pecuária de Nacuxa (em Nacala) identificou, em conjunto, com os professores e alunos, as necessidades educativas, ao nível de um conjunto de livros e materiais didácticos de apoio às bibliotecas de Manjacaze e de Nacuxa. Estes suportes educativos concorrem para o desenvolvimento humano e do próprio país, na medida em que a educação, pelo acesso à informação e ao conhecimento, é uma importante forma de combate à pobreza.
A biblioteca da Comunidade de Manjacaze, foi uma necessidade manifestada pelo Município de Manjacaze, em Agosto de 2009, e prevista no quadro do projecto Juntos na Hi Funda, a desenvolver pelo GMM, em parceria com a Fundação Evangelização e Culturas. Assim, pretende apresentar-se como um espaço de alargamento da formação escolar e concorrer, desta forma, para um melhor aperfeiçoamento escolar das crianças e jovens daquela Comunidade, colocando à sua disposição uma oferta de livros e materiais didácticos que possam circular também pelas escolas, numa lógica de biblioteca itinerante e, abrangendo, assim, um leque mais vasto de crianças e jovens.
A missão do Mártir Cipriano, em Nacala, inclui o Instituto Agro-pecuário de Nacuxa, com capacidade para 500 técnicos, de nível secundário (12º ano), uma Escola Primária Completa para 1000 alunos e mais três Escolas Primárias Completas dispersas pelas cerca de 16 comunidades envolventes, inclui um espaço reduzido de biblioteca, cujas obras que disponibiliza estão longe de serem as suficientes para as necessidades educativas das crianças e jovens daquela região.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Dicas para pais e mães

O meu filho é gay
A saída do armário dos filhos é recebida com choque, apreensão e, muitas vezes, com revolta por parte dos pais. O terapeuta familiar Pedro Frazão, 33 anos, é autor de um estudo sobre este tema. Saiba quais são as principais recomendações deste especialista.

por Clara Soares, in visão, 9 de Dezembro de 2009

Quando o seu filho lhe diz que é gay

O que não deve fazer:

Transmitir ao adolescente/jovem adulto de que se trata apenas de uma fase e que com o tempo vai voltar a ser heterossexual, desvalorizando todo o trabalho de preparação que o jovem fez para partilhar com os pais o que sentia

Criar um pacto de silêncio sobre as questões relacionadas com os afectos e sexualidade dos jovens

Criar um clima de confrontação e hostilidade que faça o adolescente/jovem adulto sentir-se ainda mais isolado do que já se sentia antes do coming out ("sair do armário")

Fazer ameaças de que ou o adolescente muda a sua orientação sexual ou é afastado da família ou expulso de casa

Proibir o adolescente ou jovem adulto de se encontrar com os seus amigos ou namorados(as) que muitas vezes são apontados pelos pais mais intolerantes como responsáveis pela situação

Fazer formulações culpabilizantes de que os filhos são gays ou lésbicas porque os pais falharam ou porque a orientação sexual dos filhos resulta de experiências infantis (ex: a mãe estava demasiado próxima e o pai era distante)

Fazer comentários homofóbicos e que ridicularizam pessoas gays ou lésbicas

Procurar psiquiatras e psicólogos com o objectivo de mudar a orientação sexual dos filhos

O que deve fazer:

Criar um contexto seguro para que o adolescente ou o jovem adulto fale abertamente sobre os seus sentimentos

Assumir que, à semelhança do que foi vivido pelos filhos, os pais também necessitam de tempo para se adaptar à nova realidade

Procurar informação especializada sobre questões relacionadas com a orientação sexual

Se necessário, procurar um profissional de saúde mental especializado em questões de sexualidade

Conhecer gays e lésbicas que lhe possam assegurar que uma orientação sexual minoritária não é um problema e que lhe mostrem que essas pessoas podem ter vidas completas como homens e mulheres a todos os níveis

Procurar outros pais que têm filhos gays e lésbicas e que viveram situações semelhantes

http://clix.visao.pt/o-meu-filho-e-gay=f539523

Sondagem

Abaixo das mensagens coloquei uma sondagem para que os nossos leitores possam atribuir alguns adjectivos ao blogue. Espero que encontrem adjectivos suficientes para o caracterizar. Se faltarem características que pareçam relevantes, podem escrevê-las para rioazur@gmail.com

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Pedido de colaboração em estudo

O meu nome é Daniel Matias e estou a realizar entrevistas para um estudo do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
Trata-se de um estudo sobre os homens na sociedade portuguesa em que procuramos conhecer as várias opiniões sobre as mudanças no papel do homem, tendo em conta a sua história de vida e a sua própria experiência enquanto homem. -se assistido, nos últimos anos, a uma mudança no que se considera ser o papel do homem a vários níveis: na sociedade, na família, no emprego, entre outros. É objectivo do estudo procurar saber mais sobre o significado destas mudanças.

Estamos, nomeadamente, à procura de homens homossexuais entre os 25 e os 50 anos, cujas narrativas consideramos de grande importância. Estamos actualmente a procurar realizar estas entrevistas na área metropolitana de Lisboa. Gostaríamos igualmente, caso exista a possibilidade, de entrevistar participantes em outros pontos do país; caso seja esse o seu caso, e se concordar, guardaremos o seu e-mail para contacto posterior.

Envio este e-mail no sentido de pedir, caso seja possível, uma divulgação ao nível dos vossos contactos para encontrar possíveis participantes. Gostaria de realçar que todos os dados pessoais não serão revelados ou registados, garantindo assim o anonimato e confidencialidade de todos os participantes.

Para maiores informações, eis os meus contactos:
por telefone para o 914516388
ou por e-mail para daniel.matias@ics.ul.pt ou danielfilipematias@gmail.com

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

Este blogue também é teu

São benvindos os comentários, as perguntas, a partilha de reflexões e conhecimento, as ideias.

Envia o link do blogue a quem achas que poderá gostar e/ou precisar.

Se não te revês neste blogue, se estás em desacordo com tudo o que nele encontras, não és obrigado a lê-lo e eu não sou obrigado a publicar os teus comentários. Haverá certamente muitos outros sítios onde poderás fazê-lo.

Queres falar?

Podes escrever-me directamente para

rioazur@gmail.com

ou para

laioecrisipo@gmail.com (psicologia)


Nota: por vezes pode demorar algum tempo a responder ao teu mail: peço-te compreensão e paciência. A resposta chegará.

Os textos e as imagens

Os textos das mensagens deste blogue têm várias fontes. Alguns são resultados de pesquisas em sites, blogues ou páginas de informação na Internet. Outros são artigos de opinião do autor do blogue ou de algum dos seus colaboradores. Há ainda textos que são publicados por terem sido indicados por amigos ou por leitores do blogue. Muitos dos textos que servem de base às mensagens foram traduzidos, tendo por vezes sofrido cortes. Outros textos são adaptados, e a indicação dessa adaptação fará parte do corpo da mensagem. A maioria dos textos não está escrita segundo o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pelo facto do autor do blogue não o conhecer de forma aprofundada.

As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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