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A diversidade na Igreja

"A casa do meu Pai tem muitas moradas", diz-nos Jesus no evangelho.

A unidade na diversidade não é sempre aparente na Igreja enquanto povo de Deus, mas é uma realidade em Deus e uma presença na fé cristã desde a sua origem. A Palavra de Deus não é partidária, elitista e exclusiva. O Reino de Deus é como uma árvore que estende os ramos para dar abrigo a todos os pássaros do céu. Cristo não morreu na cruz para salvar uma mão cheia de cristãos. Até o Deus Uno encerra em si o mistério de uma Trindade.

A Palavra de Deus é inequívoca e só pode levar à desinstalação, à abertura ao outro, e a recebê-lo e amá-lo enquanto irmão ou irmã. Ninguém fica de fora, nem mesmo - se tivessemos - os inimigos.

Muitos cristãos crêem nesta Igreja, nesta casa do Pai, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Mas como esquecer que muitos se sentem "de fora" por se verem rejeitados, amputados e anulados, e afastam-se por ninguém lhes ter mostrado que há um lugar para cada um, com a totalidade do seu ser?

Um blogue para cristãos homossexuais que não desistiram de ser Igreja

Porquê este blogue?

Este blogue é a partilha de uma vida de fé e é uma porta aberta para quem nela quiser entrar. É um convite para que não desistas: há homossexuais cristãos que não querem recusar nem a sua fé nem a sua sexualidade. É uma confirmação, por experiência vivida, que há um lugar para ti na Igreja. Aceita o desafio de o encontrares!

Este blogue também é teu, e de quem conheças que possa viver na carne sentimentos contraditórios de questões ligadas à fé e à orientação sexual. És benvindo se, mesmo não sendo o teu caso, conheces alguém que viva esta situação ou és um cristão que deseja uma Igreja mais acolhedora onde caiba a reflexão sobre esta e outras realidades.

Partilha, pergunta, propõe: este blogue existe para dar voz a quem normalmente está invisível ou mudo na Igreja, para quem se sente só, diferente e excluído. Este blogue não pretende mudar as mentalidades e as tradições com grande aparato, mas já não seria pouco se pudesse revelar um pouco do insondável Amor de Deus ou se ajudasse alguém a reconciliar-se consigo em Deus.

sábado, 11 de setembro de 2010

EUA: "a proibição de gays e lésbicas servirem abertamente nas forças armadas é inconstitucional"

Uma juíza federal da Califórnia declarou que a proibição de gays e lésbicas servirem abertamente nas forças armadas é inconstitucional.

Na sua declaração a juíza Virginia Phillips indicou que a famosa lei "Don't ask, don't tell" que proíbe gays e lésbicas que sejam militares de divulgarem a sua orientação sexual, mesmo que fora do ambiente militar, é contra a primeira e quinta emenda constitucional dos Estados Unidos da América.

Segundo a juíza a medida além de não ajudar na capacidade de resposta das forças tem um "efeito directo e prejudicial" nas mesmas.

A decisão foi o resultado de uma acção iniciada em 2004 pelo Log Cabin Republicans - um grupo de quase 20.000 republicanos que defendem os direitos de gays e lésbicas. No caso foram apresentados testemunhos, quer de militares, quer de especialistas sobre a realidade de outros exércitos no mundo, em que gays e lésbicas podem servir abertamente.

O Presidente Obama iniciou negociações com os militares para acabar com a lei, e várias declarações suas sobre o assunto foram igualmente apresentadas no tribunal. Entretanto a câmara baixa dos EUA votou em Maio favoravelmente as intenções de Obama, e o Senado deverá analisar a situação ainda este ano. Estas iniciativas legislativas estão dependentes de um estudo que está a ser realizado pelo Pentágono que será divulgado em Dezembro deste ano com conclusões dos militares sobre os efeitos que esta proibição tem nas estruturas militares.

Na declaração da juíza não houve nenhuma indicação sobre os efeitos práticos da sua decisão. É possível que nos próximos dias seja emitida uma decisão que anule a lei a nível nacional.
http://www.portugalgay.com/news/100910A/eua:_juiz_federal_considera_que_proibicao_de_gays_e_lesbicas_serem_militares_e_inconstitucional

NOTA: no blogue há mensagens mais actualizadas sobre o "Don't ask, don't tell". Para as procurar ir à etiqueta dadt

11 de Setembro

Num dia que relembra a sombra do ano 2001, gostaria de partilhar convosco esta música pungente do compositor da Estónia Arvo Pärt: Magnificat.

E gostaria também de comentar as notícias recentes das indignações pela localização de uma mesquita ou de um centro de estudos islâmicos na bairro do Ground Zero em Nova Iorque. Não me parece que a intolerância seja um caminho válido para o que quer que seja. E a ignorância é sempre a porta para a descriminação e para o ódio. Não se pode confundir o terrorismo com o Islão. Não se pode reduzir de forma simplista a religião a uma aparência - mesmo que tenha grande visibilidade - de uma fracção minoritária e extremista.

O Islão também é uma religião da Misericórdia de Deus. O Islão é rico em sábios e místicos que nada têm a ver com um lado bélico, violento e político e fértil em crentes pacíficos com corações transbordantes de bondade e generosidade. Não se pode falar sem se conhecer, baseado em preconceitos e nas ideias manipuladas pela política e pelo medo.

Contudo defendo que a religião e o poder político não devem andar de mãos dadas. Deus não aparece no reverso da moeda de César!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Queer Lisboa 14

Queer Lisboa não é apenas um festival de cinema gay e lésbico, mas também é o mais antigo festival de cinema da capital portuguesa (em 2010 é a 14ª edição). Este ano decorre de 17 a 25 de Setembro no Cinema S. Jorge.

O Festival conta com um total de 118 filmes, sendo, uma vez mais, os EUA o país mais representado, com um total de 30 filmes. Destaque este ano para a presença da cinematografia Suíça, com um total de 12 títulos – o segundo país mais representado, a par da França. O Queer Lisboa retomou também este ano um importante investimento no Cinema Espanhol, com um total de 10 títulos.

O festival já se afirmou com um marco para a cultura portuguesa. Todos os anos são nele mostrados filmes de grande qualidade que não passam pelos normais circuitos comerciais.

O Júri Internacional do Queer Lisboa 14 é composto, na Secção Competitiva para a Melhor Longa-Metragem, por Rita Blanco (Actriz, Lisboa), José Luís Peixoto (Escritor, Lisboa), Michèle Philibert (Programadora, Marselha), Gorka Cornejo (Realizador, San Sebastián) e Thomas Abeltshauser (Crítico de Cinema, Berlim).

O Júri Internacional da Secção Competitiva para o Melhor Documentário é composto por Veronika Minder (Realizadora, Berna), Rui Pedro Tendinha (Crítico e Programador de Cinema, Lisboa), e Adília Godinho (Jornalista da RTP, Lisboa).

Este ano, o Festival conta com a RTP como Televisão Oficial.

para mais informações e programa
site oficial

A Igreja deve procurar a verdade com a humanidade e no serviço

E, finalmente, a última mensagem sobre o processo argentino. Peço desculpa pela exaustão do tema, mas parece-me que a informação assim em bloco é mais eficaz e esclarecedora. Prometo que em breve não tocarei mais no assunto.

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A 18 de Julho de 2010, a partir da reportagem publicada no site Religión Digital, traduzida por Moisés Sbardelotto:


Padre argentino a favor do casamento gay
celebra missa à porta da sua paróquia


O padre Nicolás Alessio, que foi proibido de exercer o sacerdócio por se mostrar a favor do casamento gay na Argentina, voltou a desafiar a Igreja e concelebrou uma missa à porta da sua paróquia no bairro Altamira. Alessio, sancionado pelo arcebispo de Córdoba, Carlos Ñañez com a proibição de exercer o sacerdócio, contornava assim as ordens do seu bispo.


Rodeado por um grupo de religiosos aos quais apresentou como "padres casados" e com a participação de numerosos fiéis, Alessio iniciou o ofício à porta da paróquia San Cayetano após indicar que se tratava de "celebrar a diversidade da vida", ao mesmo tempo em que questionou a sanção que lhe foi aplicada pela diocese.


Antes de começar a missa, um dos membros do grupo, Adrián Vitale, que se apresentou como "padre casado", também criticou a atitude de "negar aquilo que, com toda liberdade e responsabilidade, assinamos a favor do casamento homossexual".


"Além do tema pontual em questão, que pode e deve continuar a ser debatido, de nenhuma maneira se pode aceitar a tentativa de silenciar ou censurar a liberdade de expressão, a liberdade de opinião, a liberdade de pensar de acordo com as próprias convicções", acrescentou.


Disse ainda: "parece-nos um exagero a proibição ao padre Alessio em exercer o ministério sacerdotal por pensar diferente à hierarquia eclesial", pois "nem sequer o padre Grassi, nem Dom Storni, condenados por abuso sexual, foram proibidos de celebrar os sacramentos".


Mais adiante disse que "a estrutura canónica, eclesóloga, monárquica e verticalista que a Igreja sustenta, anula toda a possibilidade de compreensão e aceitação da diversidade".


"A Igreja, mais do que nunca, deve caminhar para o diálogo, a colegialidade, para assumir com respeito, seriamente, os desafios da sociedade de hoje", acrescentou, indicando que "a Igreja deve deixar o medo de perder o poder. A autoridade está na humildade, para buscar a verdade com os homens e no serviço".


A celebração religiosa esteve a cargo do padre Adrián Vitali e foi concelebrada por Alessio.


Entre as mensagens de apoio recebidas, foram mencionadas as que foram enviadas pelas deputadas nacionais Carmen Nebreda e Cecilia Merchán, pela legisladora provincial Liliana Olivero, pelo secretário de Direitos Humanos do município local, Vitín Baronetto, da Frente Cívica e Social e pelos agrupamentos Libres del Sur e Barrios de Pie, entre outras.
http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=34463

"Não pensava que o bispo de Córdoba estivesse disposto a cortar a cabeça daqueles que pensam de maneira diferente"

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A 14 de Julho de 2010, a partir da reportagem de Carlos Rodríguez publicada no Página/12, traduzida por Cepat:

''Isto é censura e castigo’', reage padre argentino

O bispo de Córdoba proibiu o sacerdote Nicolás Alessio de celebrar missa e casamentos.

“Não vou aceitar esta medida imoderada e bastante irracional”. Em conversa com Página/12, o sacerdote Nicolás Alessio, pároco da igreja de San Cayetano da cidade de Córdoba, respondeu com essas palavras à decisão do arcebispo da província, Carlos José Ñáñez, de proibi-lo de celebrar missa e casamentos. Alessio, com outros 14 sacerdotes que fazem parte do Grupo de Sacerdotes Angelelli, em homenagem ao bispo Enrique Angelelli, assassinado durante a ditadura militar, tinha-se pronunciado publicamente a favor do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.

Na cúria não são habituais medidas como esta adoptada contra Alessio. Durante anos, apesar das denúncias por violações dos direitos humanos pelas quais foi condenado, o sacerdote Christian Von Wernich continuou a celebrar a eucaristia. Nem o sacerdote Julio César Grassi sofreu qualquer castigo, apesar de ser responsabilizado pelo crime de abuso de menores.

“Estou magoado porque não pensava que o bispo de Córdoba estivesse disposto a cortar a cabeça daqueles que pensam de maneira diferente. Vou continuar a celebrar a eucaristia nos fins de semana, excepto se me prenderem”, comentou Alessio a este jornal. Ele acompanhou suas palavras com um sorriso discreto, como para alisar tensões. “Isto é censura e castigo. Não me podem proibir o exercício da minha função”.

“Eu sou um sacerdote, não conheço os labirintos do Direito Canónico. O bispo Ñáñez disse-me que fui submetido ao processo por não ter retirado o que disse a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Não me arrependo do que disse. Nenhum dos 15 sacerdotes do Grupo Angelelli se desmentiu e todos mantêm a sua posição. Condenaram-me porque manifestei publicamente a minha posição”.

Do ponto de vista técnico, Alessio sofreu uma “medida cautelar”, prévia ao começo de um “processo” canónico contra ele. “Não podem impedir que cumpra o meu trabalho sacerdotal, enquanto aguardo a sentença. Eu disse ao bispo: ‘Puna-me, mas deixe-me continuar a ser pároco’. Como em qualquer processo, eu posso ter um advogado e defender-me, mas não me vou submeter a esta situação porque estão a aplicar uma medida imoderada e bastante irracional”.

A única coisa que é clara para todos, na minha comunidade religiosa, é que todos têm direito à opinião. Há aqueles que vêm e dizem que estão de acordo com o que eu penso sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Há outros que estão menos de acordo e há os que discordam. O importante é que todos estão de acordo em que tenho toda a liberdade para dizer o que penso e que todos podem ter opiniões diferentes.

Alessio insistiu em que o seu desejo é “continuar o exercício” do seu trabalho sacerdotal, porque “é inaceitável que me proíbam de fazê-lo, porque não aceitam a minha liberdade de opinião. Vou continuar a defender a pluralidade de ideias. Como sacerdote, celebrar a missa é o meu dever mais sagrado. Vou continuar a fazê-lo.”

A decisão de punir Alessio foi divulgada pela Agência Informativa Católica Argentina (AICA). A cúpula da igreja sustentou, num comunicado, que Alessio “ultimamente efectuou e continua a efectuar declarações públicas em diversos meios de comunicação, a favor do mal chamado (sic) casamento entre pessoas do mesmo sexo”.

Depois de assegurar que essa postura é contrária ao “Ensino e ao Magistério da Igreja católica”, e diante da negativa de Alessio em mudar de posição, a cúria “decidiu iniciar o processo eclesiástico correspondente no Tribunal Interdiocesano de Córdoba para que qualquer acção se realize conforme o direito eclesial vigente”.
http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=34340

Sacerdote argentino favorável às uniões homossexuais sofre processo canónico

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A 13 de Julho de 2010, a partir de uma reportagem publicada no site Religión Digital, traduzida por Cepat:

Sacerdote favorável às uniões homossexuais sofre processo canónico

A autoridade máxima da Igreja católica da província central argentina de Córdoba anunciou a 12 de Julho o início de um processo canónico contra um sacerdote que se manifestou a favor do projecto de lei do casamento homossexual que está a ser debatido no Parlamento deste país.

O processo eclesiástico foi iniciado pelo arcebispo de Córdoba, monsenhor Carlos José Ñañez que, além disso, suspendeu de forma cautelar José Nicolás Alessio, de 52 anos, do exercício público do ministério sacerdotal até à conclusão do processo. Alessio, pároco de San Cayetano, no bairro Altamira da capital cordobense, realizou nas últimas semanas várias manifestações públicas a favor das uniões entre pessoas do mesmo sexo.

“Nós apoiamos absolutamente a lei de uniões homossexuais porque nos parece que é hora de curar uma longa ferida de discriminação das comunidades homossexuais. É importante que haja uma voz da Igreja diferente daquela da hierarquia”, assinalou à agência Efe Alessio no passado dia 8 de Julho.

De facto Ñañez afirmou num comunicado que decidiu iniciar o processo canónico “após ter esgotado todos os meios de solicitude pastoral para que José Nicolás Alessio se emendasse e se desmentisse publicamente”.

De acordo com o comunicado, divulgado pela Agência Informativa Católica Argentina, as declarações de Alessio contrariam “o ensino e o magistério” da Igreja católica.

Para hoje a Igreja convocou uma manifestação em frente à sede do Parlamento contra o projecto do casamento homossexual. O acto culminará com o lançamento de uma campanha de denúncia pública dos senadores que votarem a favor da iniciativa.
http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=34295

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A hierarquia quer meter-se na cama das pessoas: as pessoas vivem como podem “e não como quer o padre”

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A 11 de Julho de 2010, a partir de uma reportagem de Emilio Ruchansky no jornal Página/12, traduzida por Cepat:

‘Não me tornei padre para me meter na cama das pessoas’

“A hierarquia não aceita perder o poder e quer meter-se na cama das pessoas. Eu não me tornei padre para me meter na cama das pessoas”, afirma o padre argentino Eduardo de la Serna sobre a polémica que envolve o projecto de lei que permite o casamento civil para pessoas do mesmo sexo. O cardeal Jorge Bergoglio invocou a ‘Guerra de Deus’ contra o projecto e alguns sacerdotes passaram a contestar a posição da hierarquia qualificando-a de atrasada e autoritária.

Primeiro foi um padre de Mendoza, Vicente Reale, que no canal 9 da Província manifestou apoio ao projecto aprovado na Câmara dos Deputados. Justificou o apoio utilizando argumentos jurídicos e religiosos. “Aqueles que possuem determinada convicção, seja religiosa ou não, podem defendê-la, mas não têm o direito de condenar ou obrigar os outros a segui-la, prejudicando a terceiros”, disse no seu comentário semanal televisivo.

Logo depois, um grupo de padres cordobeses criticaram fortemente a hierarquia da Igreja. A esses somou-se um grupo de sacerdotes bonaerenses liderados por Eduardo de la Serna, que trabalha nos bairros de Quilmes. Representam uma outra Igreja: a que trabalha diariamente com os mais pobres e os mais discriminados. Agora, começam a pronunciar-se a favor da inclusão das minorias sexuais.

“Antonio Marino, da Câmara dos Deputados, disse que a Igreja pode sugerir, mas não pode pretender impor o seu ponto de vista”, destacou De la Serna. “A Igreja não deve também fazer leituras fundamentalistas, como pode dizer que a Bíblia apenas fala de homens e mulheres quando fala de amor? E o que iria dizer? Iria falar de andróginos, hermafroditas e travestis? A Bíblia foi escrita em determinado contexto cultura e esse contexto muda. Deus fala através da cultura, a sua palavra não é uma norma dada”, diz De la Serna.

O comentário chega num momento em que a hierarquia da Igreja Católica organiza manifestações em todo o país contra o projecto de lei que permite o casamento civil para pessoas do mesmo sexo. “Falamos sempre da importância do diálogo na Igreja, mas agora aparece um hierarca (o cardeal Jorge Bergoglio) a falar da ‘guerra de Deus’. Parece uma cruzada como na época da Inquisição, como se estivéssemos na Idade Média”, disse De la Serna. Em seguida comenta: “Uma atitude tão violenta… para mim enganaram-se no século”, diz.

Entre as contradições que este padre vê na cúpula eclesiástica está o valor, a norma superior que é a consciência para os católicos. “E nesse caso não se respeita a consciência dos deputados e senadores, a Igreja pressiona-os”, destaca. Na sua opinião a cúpula da Igreja está preocupada por estar a perder poder. “Estavam acostumados a pôr e a tirar ministros, a instaurar leis”, disse.

De la Serna recebeu adesões de párocos de vários pontos da Província bonaerense. Por exemplo: San Isidro, Moreno e Lomas de Zamora.

“Se para a Igreja o casamento civil não é válido, qualquer católico que se encontra nessa situação é um pecador… então, porque está preocupada em debater e em legislar sobre o casamento religioso para gays e lésbicas?”, argumenta De la Serna e imagina o caos que seria se outras religiões seguissem o exemplo da Igreja Católica. “Voltar-se-ia ao regime teocrático no país”.

Em meados de Junho realizou-se uma manifestação em Córdoba que convocou três mil pessoas que pediam aos senadores dessa Província votarem contra o projecto de casamento para pessoas do mesmo sexo. Como resposta a esta situação, o sacerdote Nicolás Alessio divulgou junto a outros 11 colegas do Grupo de Sacerdotes Enrique Angelelli um documento ‘Apoio ao debate sobre a modificação da lei de casamento civil’. No documento critica-se o “fundamentalismo anacrónico de quem cita a Bíblia para justificar os seus próprios preconceitos”.

“Convocam uma guerra santa com os mesmos argumentos medievais que utilizavam para queimar vivas as bruxas. No fundo, a Igreja pretende ser a reitora não apenas da consciência das pessoas, mas de tudo, da economia, da política, do social. Desde a conquista espanhola até hoje, definem o bem e o mal, o que se pode e não se pode fazer. É lógico que não querem perder o poder, querem ser a única voz autorizada para definir o caminho, mas, cedo ou tarde, a sociedade irá separar a Igreja do Estado”, vaticina o sacerdote.

Agora, a cúpula da Igreja vem a público dizer o que pensa. “E dizem-no com todas as letras: que a homossexualidade é uma doença, um desvio perigoso que leva à maldade”, diz o padre e adverte: “Nestes dias pode acontecer qualquer coisa, o bispo de Córdoba ameaça excomungar os senadores que votem a favor de alargar o casamento. Fizeram o mesmo quando se debatia o divórcio, mas no final não excomungaram ninguém”.

De la Serna, assim como Alessio, suspeita que no fundo o tema não interessa aos clérigos locais, mas que podem “fazer carreira” com isto. “A linha mais dura é a que vem do Vaticano e muitos querem aparecer como guardiões da fé”, diz Alessio. “Sonham conseguir um cargo no Episcopado”, completa De la Serna, que insinua que o mais preocupante é que os bispos, neste tema, têm mais respostas do que perguntas. Os que não protestam, calam. “Como o bispo Jorge Casaretto, que disse que não é um tema importante: uma atitude covarde e hipócrita”, disse Alessio.

Por outro lado, muitos dos ferrenhos opositores estão em cargos burocráticos, longe das ruas e também dos fiéis. “Eu vejo as coisas como as pessoas vivem e sofrem. Se fizer a sua acção pastoral desde o escritório, isso torna-se complicado. Não se tem ideia do que se passa pela cabeça das pessoas”, diz De la Serna.
http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=34258

Queremos a possibilidade de uma Igreja mais fraterna e menos autoritária

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A 5 de Junho de 2010, a partir de uma reportagem do jornal La voz, traduzida por Moisés Sbardelotto:

Bispo argentino adverte padres defensores do casamento homossexual


O arcebispo Carlos Ñáñez, de Córdoba, na Argentina, pediu que os padres se abstenham das suas manifestações em favor do casamento entre homossexuais. (...) O arcebispado, confirmou que Dom Carlos Ñáñez se reuniu a sós com cinco desses padres [ver mensagem anterior], entre eles Nicolás Alesio (autor do documento) e Víctor Acha (aderente da missiva), aos quais pediu que preguem a voz oficial da Igreja, que não aprova o casamento homossexual.

Uma fonte do arcebispado reflectiu que a Igreja Católica continua a ser uma "organização" que defende valores e tem posturas bem definidas sobre diversas questões, e aqueles que estão dentro dela aceitam essas "regras do jogo". Formalmente, foi-lhes pedido que entrem em sintonia com os ensinamentos da Igreja", acrescentou a fonte.

O comunicado que desatou a polémica foi redigido por Nicolás Alesio e apoiado por 15 sacerdotes em exercício.

"Foi-nos pedido que desmintamos as nossas declarações. É claro que não o faremos. Somos pessoas adultas, não nos têm de dizer o que temos que dizer ou fazer", afirmou Alesio e admitiu que "isso era de se prever numa Igreja que se fecha mais à pluralidade e à diversidade".

O sacerdote acrescentou: "Como grupo, muitas vezes opinamos em dissonância com as posturas da hierarquia. Sabíamos que, nalgum momento, não iriam tolerar isso. Mas chama-nos a atenção porque não está em jogo nenhum dogma de fé católica. É uma opinião da Igreja sobre uma instituição civil, como o casamento. Ela deveria estar mais aberta, porque isso tem a ver com toda a sociedade".

Alesio reconheceu que é a primeira vez que Ñáñez emite um decreto dessa natureza, no qual "nos adverte e nos pede que nos desmintamos".

O sacerdote completou: "… Temos como ponto assente o direito absoluto de pensar e dizer diferente do que a hierarquia pensa. O direito à diversidade não pode ser sancionado nem abortado. Queremos a possibilidade de uma Igreja fraterna e não uma Igreja autoritária".

Amor homossexual
Víctor Acha foi outro dos sacerdotes a quem Ñáñez chamou para ter uma conversa privada no arcebispado: "O bispo pediu-me que expresse a minha adesão aos ensinamentos da Igreja e indique as diferenças de posição que tenho em relação às afirmações do padre Alesio nessa nota, que assinei junto com outros sacerdotes. Eu manifestei que concordo com os dogmas da Igreja, mas que, sobre este tema particular, tenho uma opinião diferente da que a Conferência Episcopal manifestou", explicou.

"Eu disse a Ñáñez que a Igreja Católica pode fazer todas as argumentações sobre o valor e a riqueza do casamento heterossexual, mas o que ela não tem direito é pedir que a sociedade civil rejeite uma opção diferente. Na Igreja, podemos ensinar o que nos parece mais adequado, mas também temos que dar lugar para outras opções possíveis.

"Existem questões que são ensinadas pela Igreja que são opináveis, que evoluíram e, então, é preciso aprofundá-las para dar respostas mais adequadas. Não pode haver um critério único em questões que não são dogmáticas. Se me perguntam pela Santíssima Trindade, eu digo: Pai, Filho e Espírito Santo. Mas se me dizem que não pode haver amor entre duas pessoas homossexuais, eu digo: errado, pode haver amor, sim".

Diferentemente das expressões de Alesio, Acha negou que Ñáñez lhe tenha imposto qualquer sanção ou "admoestação". "O que o bispo me pediu também merece uma consideração profunda e detalhada. Ele espera que eu responda por escrito à sua carta e não me pôs nenhuma sanção. Na conversa, trocámos pontos de vista, na qual eu lhe disse que há muitos teólogos e moralistas que pensam o mesmo que eu", indicou.
http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=33551

Jesus colocou sempre a Lei ao serviço dos últimos

Vai seguir uma série de mensagens sobre a situação que antecedeu a lei do casamento homossexual na Argentina. Servem as mensagens para contextualizar e esclarecer as polémicas e os processos levantados por uma parte da Igreja (hierarquia) contra outra parte da Igreja (padres a favor do casamento homossexual)

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A 20 de Maio de 2010, a partir de uma reportagem da Página/12, traduzida por Moisés Sbardelotto:

A voz de outra Igreja

Doze padres de Córdoba, na Argentina, manifestaram-se a favor do casamento gay e questionaram a hierarquia católica. "Jesus jamais condenou os homossexuais", disseram.

Um grupo de 12 sacerdotes de Córdoba manifestou a sua posição favorável à lei que autoriza o casamento entre pessoas do mesmo sexo e criticou a hierarquia eclesiástica católica por citar o direito natural para rejeitar a reforma ao Código Civil que é debatida no Congresso argentino. "Citar a 'lei natural' para se opor a essa legislação é só uma posição intransigente, dura e congelada da realidade pretendida como 'natural', sem entender os complexos processos naturais", advertiram os religiosos, integrantes do grupo Sacerdotes do Terceiro Mundo.

Diante da meia sanção que o projecto de lei recebeu na Câmara dos Deputados e o início do debate no Senado, os padres consideraram que "aprovar, acompanhar e aprofundar" a iniciativa os "coloca no caminho do Evangelho de Jesus".

A opinião favorável ao casamento entre pessoas do mesmo sexo foi difundida numa declaração chamada "Contribuições para o debate sobre as modificações à lei do casamento civil", que foi assinada pelo grupo de sacerdotes que é presidido pelo presbítero Nicolás Alessio, pároco de San Cayetano, da cidade de Córdoba.

Após lembrar que "Jesus jamais condenou nem mencionou a homossexualidade", os religiosos reiteraram que são a favor de "uma lei que permita que pessoas do mesmo sexo sejam 'casal' e vivam profundamente o amor e a sexualidade". Além disso, disseram entender a homossexualidade como "uma maneira distinta, diferente, diversa de viver a sexualidade e o amor".

Os sacerdotes, que integram a arquidiocese de Córdoba, estimam que "um legislador pode professar profundamente sua fé cristã e católica" e, por sua vez, "com total liberdade de consciência, pensar, definir e agir diferentemente ao que a hierarquia eclesial propõe".

"Jesus jamais condenou nem mencionou a homossexualidade. Enfrentou, sim, os soberbos, os que se acreditavam puros, os que tinham o poder opressor, os que escravizavam, os que humilhavam. Sempre pôs a lei a serviço de uma maior humanização e, sobretudo, dos proscritos, dos esquecidos, dos últimos", indicaram no documento.

Em declarações pela rádio, Alessio reconheceu que as opiniões do grupo se encontram "nas antípodas" do Episcopado. "Somos a favor de uma igualdade de direitos, do casamento, da família de homossexuais, da família gay", considerou. E defendeu que "os que não querem que o casal gay adopte 'filhos' é porque, no fundo, consideram que são doentes" e "partem desse preconceito".

"Mas se partimos da base de que são pessoas tão normais como você e como eu, porque não poderiam adoptar?", perguntou Alessio.

A Comissão Episcopal de Acompanhamento Legislativo, que é presidida pelo bispo Antonio Marino, tinha notificado sua "total rejeição" ao projecto aprovado pela Câmara, especialmente quanto aos casais do mesmo sexo poderem adoptar crianças.

A Comunidade Homossexual Argentina (CHA) elogiou o documento. "Deve ser muito reconfortante para os cristãos saber que existem outras vozes dentro da Igreja, que, pautados pelos mesmos evangelhos, tenham outra postura não discriminatória sobre o amor entre duas pessoas do mesmo sexo", ressaltou César Cigliutti, presidente da CHA.
http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=32628

Por Igrejas e Miradouros – Do Castelo até à Graça

O Centro Cultural do Patriarcado de Lisboa promove a 18 de Setembro e 2 de Outubro a primeira edição dos itinerários pedestres em igrejas de Lisboa. A iniciativa, intitulada “Por Igrejas e Miradouros - Do Castelo até à Graça”, constitui uma oportunidade única para conhecer e explorar a história destes monumentos, em articulação com a própria história da cidade e da diocese de Lisboa.

O programa é o seguinte:
10h: Miradouro de Santa Luzia, Igreja de Santiago, Igreja da Ordem de Malta;
12h: Miradouro de Santo Estêvão, Igreja de Santo Estêvão;
13h: Mosteiro de S. Vicente de Fora; almoço livre;
15h: Miradouro da Senhora do Monte, Capela da Senhora do Monte;
16h: Miradouro da Graça, Igreja da Graça.

A inscrição (20 €) inclui “kit pequeno almoço e lanche”.
centro cultural do patriarcado

Museu judaico dedica exposição à imagem do Crucificado

“Algo deste género nunca aconteceria em Nova Iorque ou em Jerusalém”. Assim se lamentou um dos patronos da Galeria Ben Uri, o museu judaico londrino. Evidentemente, a decisão de uma instituição judaica dedicar uma exposição ao tema do crucifixo é polémica quanto baste.

Mas “Cross Purposes: Shock and Contemplation in Images of the Crucifixion”, não é uma exposição cristã, longe disso. Algumas das representações são de autores cristãos, mas outros são feitos por judeus. Muitos são até influenciados pelo holocausto.

Ao todo são 21 representações, que demonstram, nas palavras do museu, o desejo de “seguir a evolução da representação da crucificação, de uma iconografia especificamente religiosa e cristã para uma expressão genérica de angústia, pensada especificamente para despertar o choque e a contemplação”.

imagem: Apocalipse En Lilás, Capriccio,Marc Chagall (1945)

Religião e (in)felicidade

Um colóquio no norte do país (seminário da Boa Nova, Valadares, Vila Nova de Gaia), dias 9 e 10 de Outubro. Entre os oradores estarão Lobo Antunes, Queiruga, teólogo católico espanhol, que tem reflectido muito sobre o diálogo entre todas as religiões, além de escrever muito também sobre a liberdade humana e José María Castillo, outro teólogo espanhol muito interessante.
Mais informações em

terça-feira, 7 de setembro de 2010

A grandeza do Cristianismo

Se a grandeza do Cristianismo consiste na capacidade operativa de integrar e transcender em sentido redentor a experiência da morte, da dor e de todas as formas de negatividade, como explicar a obstinada resistência da hierarquia eclesiástica à universal irradiação, para além dos limites da heterosexualidade do mundo, desse amor proclamado, com verdade e em verdade, a essência mesma de Deus? (1Jo 4,7-16)

in O casamento sempre foi gay e nunca triste, José António Almeida, &etc

Os bispos sentem falta do tempo em que falavam e toda a sociedade os ouvia

Governo, Igreja e o casamento gay: entrevista com o padre Eduardo de la Serna

A aprovação do casamento gay na Argentina deixou claro que a influência da Igreja país já não é o que era. Se antes, ela era consultada sobre leis e governantes, hoje precisa entender os novos tempos. A IHU On-Line entrevistou, por telefone, o padre Eduardo de la Serna, que falou sobre a forma como a Igreja lutou contra o casamento gay e sobre as suas relações com o governo Kirchner.

Eduardo de la Serna escreve para o jornal Página 12. Também é professor de Teologia no Instituto Superior de Estudos Teológicos de Buenos Aires e no Instituto de Formação Teológica da Diocese de Quilmes. É coordenador nacional do Grupo de Sacerdotes de Opção pelos Pobres, uma continuação do movimento de Sacerdotes do Terceiro Mundo, dissolvido em 1973 pela repressão militar da Argentina.

Extracto da entrevista:
Em relação à aprovação do casamento gay, como analisa a questão de a Igreja ter ido à praça pública defender sua posição contra esse projecto e, mesmo sabendo que ela teve sempre muita influência no governo, ter perdido a questão?
– A Igreja Argentina sempre se caracterizou por ser tradicionalista e conservadora. E quando o tema do casamento gay foi proposto, ela não soube atender aos desafios dos tempos e apenas respondeu com dogmas e citações bíblicas lidas de modo fundamentalista. No entanto, a repercussão não foi positiva entre a sociedade por que não sentiu que estivessem a falar com ela. Acredito que a Igreja argentina escolheu, desta forma, perder.

Acredito que o projecto, neste momento, passou porque foi apresentado por um grupo de senadores de centro-esquerda que defendiam o direito dos homossexuais de casar. Houve muitos casos em que estes foram rejeitados pela família e, depois, foram morar com os seus companheiros. E quando um deles morria, o outro não tinha direito à herança, principalmente quando a família exige os seus bens. Essa é uma das questões que a sociedade tem colocado.

Podemos dizer que houve uma luta política entre o cardeal de Buenos Aires e o governo Kirchner?
– Não sei se há uma luta política, mas a sensação que tenho, e pode ser que eu esteja absolutamente enganado, é que o cardeal de Buenos Aires, com toda a sua história, vem, aparentemente, da direita peronista. Já o governo actual está mais próximo da esquerda peronista.

Como é que o movimento gay se articula na Argentina?
– Eu realmente não conheço o movimento gay em geral, nem conheço gente que conheça profundamente o mundo gay. Mas o que o movimento fez foi sensibilizar a opinião pública no que diz respeito a um direito que consideravam poder conquistar neste momento. Está claro que a pressão que exerce o episcopado sobre a sociedade e o governo é forte. Este governo, estando num espaço diferente do que ocupa a Igreja, era mais permeável às mobilizações do movimento gay. Outros governos procuravam estar bem com a Igreja, mas o actual governo procura estar bem com a sociedade.

O Padre Eduardo e mais um grupo de padres questionaram a Igreja em relação à sua posição intransigente sobre o tema do casamento gay...
– Nós não nos manifestámos a favor, apenas colocámos algumas perguntas porque nos parecia absolutamente pobre e insuficiente a pressão e as premissas que a Igreja fez ao utilizar uma leitura fundamentalista que não respeitava a consciência de deputados e senadores. A posição da igreja foi extremamente fechada e nada aberta ao diálogo. Uma das leituras fundamentalistas era de que Deus nos fez homens e mulheres com a necessidade de identificar o casamento com a procriação da espécie. Nós questionamos os argumentos que foram colocados pela Igreja, porque eles não construíram um debate profundo sobre o tema.

Alguns bispos foram muito críticos em relação às nossas opiniões. Um padre de Córdoba [1] foi mesmo tirado de sua paróquia e iniciou-se um processo canónico. Isso foi algo muito estranho porque há sacerdotes que foram condenados pela justiça civil por pedofilia ou pederastia ou ainda por participação nos crimes contra os direitos humanos durante a ditadura militar e, apesar disso, continuam a celebrar missa.

Como analisa a força política que a Igreja tem hoje na Argentina?
Neste momento, a Igreja não tem uma grande força política. Os bispos têm nostalgia do tempo em que tinham poder em relação ao governo. Os bispos eram consultados antes de se aprovarem leis, antes de indicar um ministro da educação. Parece-me que os bispos sentem falta do tempo em que falavam e a sociedade inteira os escutava.

E, neste momento, que outros temas põem a Igreja em conflito com o governo?
Há alguns temas que estão pendentes, como o caso do bispo castrense. As suas declarações, há algum tempo, fizeram com que o governo, quando o bispo se reformou, não tivesse indicado outro para o seu lugar e, até hoje, o bispado castrense está sem bispo. Este é um tema que também evidencia a distância que há entre o actual governo e a Igreja. Mas há muitas pessoas que estão de acordo com essa distância.

Qual é a posição de outras religiões na Argentina em relação ao casamento gay?
– Quando o casamento gay estava para ser votado, houve muitas manifestações das igrejas pentecostais, que se opunham. Eles organizaram uma marcha juntamente com a Conferência Episcopal Argentina, que foi realizada um dia antes da votação. A intenção da mobilização era pressionar os senadores, obviamente. Cerca de 50 mil pessoas participaram na manifestação o que, pensando na população argentina, não é um grande número.

Houve uma participação, mais minoritária, do seminário islâmico e de muitos rabinos, ainda que alguns rabinos tomassem posição a favor do casamento entre homossexuais. Nesse sentido, houve atitudes que classifico como uma discussão entre o fundamentalismo e o não fundamentalismo.

Estamos a viver um momento no qual a Igreja – e eu sou parte dela – em geral, tem de se acostumar a que as coisas já não são como antes. A Igreja precisa começar a propor ideias que nasçam a partir da credibilidade que tem diante da sociedade e não do poder que exercia sobre ela.

Nota:
[1] José Nicolás Alessio, 52 anos, é pároco de San Cayetano, no bairro Altamira da capital cordobense. Como é favorável ao casamento gay e afirmou abertamente tal posição, o arcebispo de Córdoba (monsenhor Carlos José Ñañez) suspendeu o padre de forma cautelar do exercício público do ministério sacerdotal até à conclusão do processo eclesiástico movido contra José em função de sua defesa. Posteriormente haverá mensagens no blogue que se focarão neste tema.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A 100ª mensagem e outros números

Os números são indicadores. Os números redondos são marcas e referências, como um conta-quilómetros. Alegro-me em partilhar convosco a actividade deste blogue. Esta é a centésima mensagem, o que mostra que o blogue está vivo, e "de vento em popa".

O contador de visitas (instalado em Julho) marca 692. Hoje houve 40 visionamentos, a mensagem mais lida foi Deus criou o prazer e a maioria dos leitores é de origem portuguesa (28).

Desde a criação do blogue já houve mais de 2800 visitas, a grande maioria do nosso país irmão Brasil (1794), seguido por Portugal (715), Estados Unidos da América, Alemanha, Canadá, Holanda, Espanha, México, Reino Unido, Moçambique. A estatística só mostra o Top 10, mas observei o facto de já termos tido visitantes vindos de países como a Itália, Polónia, França, Letónia, Suíça, Rússia, Turquia, Angola, Argentina, Áustria, Eslovénia, Bolívia, Singapura, Taiwan, Nova Zelândia, Ucrânia e Panamá, entre outros. Fico feliz por poder chegar a leitores vindos de todos os cantos do mundo, grato por terem reconhecido neste blogue algum interesse. A mensagem que foi mais lida, adivinhem? Cristiano Ronaldo a favor do casamento gay (1637).

Dou graças a Deus e peço-lhe forças e coragem para continuar esta missão.

A Argentina: o primeiro país da América Latina a aprovar o casamento entre homossexuais

adaptado da notícia original:

Fazemos votos para que esta obra do diabo - palavras do cardeal primaz da Argentina Jorge Bergoglio - ajude uma parte da Igreja argentina a descobrir caminhos de tolerância, compreensão e amor fraterno para com os homossexuais e outros discriminados, tal como nos ensinou Jesus Cristo.

O Senado da Argentina aprovou no passado dia 15 de Julho uma reforma no Código Civil que abre espaço para o casamento entre pessoas do mesmo sexo no país. A medida seguiu para a presidente Cristina Kirchner, a sua assinatura é o último passo para que a Argentina se torne o primeiro país na América do Sul e o décimo no mundo a reconhecer o casamento gay.

Após 14 horas de debate, o projecto foi aprovado com 33 votos a favor, 27 votos contra e três abstenções.
A reforma substitui as palavras “homem e mulher” (da versão actual da legislação) por “cônjuges” e “contraentes”, o que torna indistinto perante a lei a orientação sexual do casal que contrai casamento.Onde é que o casamento gay já é reconhecido?

O senador nacional Eduardo Torres, a favor da proposta, disse que "a única diferença entre gays e heterossexuais é que os primeiros têm menos direitos na sociedade argentina. "Nós não aceitamos a discriminação que ocorre em várias partes da sociedade", afirmou Torres durante o discurso.

Victoria Blanca Osuna, senadora do bloco justicialista, também votou a favor da permissão do casamento entre pessoas do mesmo sexo: "As questões que estão em jogo nesse projecto não são religiosas ou morais. Nós estamos a questionar-nos sobre a responsabilidade da democracia para com as minorias discriminadas", argumentou.

Mesmo antes da votação no Senado, nove casamentos de casais homossexuais já tinham sido realizados no país, todos eles mediante autorizações judiciais específicas.

Legislação noutros países
Aprovado agora na Argentina, o casamento gay com plenos direitos já é reconhecido em outros nove países: África do Sul, Bélgica, Canadá, Espanha, Holanda, Islândia, Noruega, Portugal, Suécia. O direito também existe nos Estados Unidos (em cinco Estados e na Capital), e no México (apenas na capital).

Ao mesmo tempo, a homossexualidade continua a ser considerada crime em dezenas de países do mundo, a maioria deles na África e no sul da Ásia. Em sete deles, o “crime” está sujeito a pena de morte.

Como está o Brasil?
O Brasil não reconhece nem o casamento, nem a união civil de casais homossexuais. Na falta de legislação pertinente, o casal homo-afectivo pode recorrer a uma brecha no Código Civil brasileiro para formalizar a união como uma “sociedade de fato”, nos termos de uma sociedade comercial, seguindo o artigo 981. “Alguns cartórios permitem que o casal homoafetivo abra uma sociedade com bens de grande valor. Mas isso não garante muita coisa. Garante apenas que no final de sua vida, se o companheiro morrer, não vai perder a casa que vocês dois trabalharam para construir”, explica Phamela Godoy, vice-presidente da ONG Visibilidade LGBT.

Sem a instituição civil do casamento, pelo menos 78 direitos civis expressamente garantidos aos heterossexuais na legislação brasileira ficam negados aos homossexuais, segundo a análise do advogado Carlos Alexandre Neves Lima, Conselheiro Político do Grupo Arco-Íris (RJ). Fica excluída, por exemplo, a protecção legal em temas como posses comuns, direitos de família e direitos de representação.

Não basta o necessário para sobreviver

Encontramos prazer noutras coisas que têm a ver com o corpo e que também estão relacionadas com a parte biológica: comer, dormir, beber, defecar, etc. Seguindo as regras dos moralistas religiosos, se só usássemos as fontes corporais do prazer para o “estritamente necessário para sobreviver como seres vivos ou como espécie” (como argumentam com a sexualidade) então só deveríamos comer as calorias que fossemos gastar durante o dia e nem uma a mais, com os nutrientes necessários e sem nos preocuparmos com o seu sabor, o seu cheiro ou o seu aspecto. Mas os da hierarquia também se presenteiam com grandes comezainas que muitas vezes ultrapassam enormemente a quantidade calórica necessária para “sobreviver”, e isso dá-lhes um grande prazer. A maioria, aliás, tem excesso de peso ou obesidade. Porque é que, então, não vêem isto como pecado? Até onde é o limite da gula? Mas o seu humano tem esta capacidade de não apenas ingerir os alimentos mas desfrutar fazê-lo, e esta capacidade também lhe vem por via corporal (a língua, a boca e o olfacto foram desenhados para detectar os sabores e gozá-los). Por isso a gastronomia se desenvolveu tanto em todo o lado e ninguém viu nisso nenhuma causa de pecado ou perdição. Sob a mesma lógica também teríamos de dormir estritamente as nossas horas, nem mais nem menos. Mas pelos vistos o ser humano não é apenas biologia, e passar do “estritamente necessário para sobreviver” não só nos afecta, como é o que nos parece mais próximo ao que é a nossa “vida normal”.

in Sexualidade e prazer
em castelhano no original

Será que os transexuais vão ter a vida menos complicada?

Em Portugal, o Conselho de Ministros aprovou uma proposta de lei que regula o procedimento de mudança de sexo e de nome próprio no registo civil e procede à alteração do Código do Registo Civil, que seguirá para a Assembleia da República para discussão.

Transcreve-se de seguida o texto do comunicado:
«Proposta de Lei que regula o procedimento de mudança de sexo e de nome próprio no registo civil e procede à alteração do Código do Registo Civil:

Esta Proposta de Lei, a enviar à Assembleia da República, visa simplificar o procedimento de mudança de sexo e de nome próprio no registo civil para as pessoas a quem clinicamente tenha sido diagnosticada uma mudança da identidade de género (transexualidade).

Este novo procedimento justifica-se pelo facto de a complexa solução actual para estes casos, que exige uma intervenção judicial, não ser a mais adequada, por razões de justiça e por este ser o caminho mais seguido a nível europeu.

Em primeiro lugar, não faz sentido que as pessoas que queiram proceder a uma mudança de sexo e de nome próprio no registo civil tenham que propor uma acção em tribunal, que é o que sucede hoje em dia. Na verdade, nestas acções judiciais, o tribunal praticamente se limita a reconhecer os relatórios clínicos e a confirmar por sentença um diagnóstico científico. Desta forma, não se justifica obrigar as pessoas interessadas a propor acções em tribunal com os custos inerentes de tempo e dinheiro, bem como pelo desgaste psicológico envolvido.

O procedimento criado através da presente Proposta de Lei visa, portanto, permitir que as pessoas a quem foi diagnosticada uma mudança de identidade de género possam alterar o seu sexo e o seu nome próprio no registo civil, sem necessidade de propor uma acção judicial.

Em segundo lugar, a solução adoptada pela presente Proposta de Lei é a que mais favorece uma plena integração social às pessoas a quem tenha sido clinicamente diagnosticada uma mudança de identidade de género.

Finalmente, deve referir-se que esta solução já vigora em diversos países, como a Alemanha, a Espanha, a Itália, o Reino Unido e a Suíça. Na verdade, há mais de 20 anos que vigora a legislação alemã, suíça e italiana sobre a mudança de identidade de género. E também há já mais de 20 anos que o Conselho da Europa recomendou aos Estados-membros o reconhecimento legal desta situação.

O procedimento consagrado na presente Proposta de Lei permite que as pessoas a quem tenha sido clinicamente diagnosticada uma mudança de identidade de género possam requerer, em qualquer conservatória do registo civil, a alteração do sexo e do nome próprio, bastando apresentar um relatório elaborado por equipa clínica multidisciplinar de sexologia clínica que comprove o respectivo diagnóstico. O conservador deve decidir sobre o pedido apresentado no prazo de oito dias.

Este regime proposto dá expressão ao compromisso do Governo de “combater todas as discriminações e, em particular, a envidar todos os esforços no sentido de proporcionar a todas as pessoas, independentemente da sua orientação sexual e identidade de género, o pleno usufruto dos direitos constitucionais. Com este passo, acreditamos contribuir para uma sociedade mais justa, estruturada no respeito pelos direitos fundamentais, pela democracia e pelo valor da inclusão de todas as pessoas”.»
notícia do Público

domingo, 5 de setembro de 2010

Deus criou o prazer

Se Deus criou o corpo, então Deus criou o prazer; portanto o prazer também é bom, assim como é bom tudo o que Deus criou. No entanto, com os dons de Deus pode-se fazer tanto o bem como o mal, e é aí que entra a nossa liberdade. Deste modo, o prazer não é intrinsecamente bom nem mau; ao contrário do que argumentam os que ensinam a moral religiosa que o sexo, pelo prazer que pressupõe é algo de pecaminoso e que, por isso, se deve limitar ao uso para a procriação dentro de um casamento heterossexual (quer dizer, colocando-lhe barreiras e limites para asfixiar e diminuir até ao mínimo o prazer).

in Sexualidade e prazer
Texto original em castelhano:

Águas agitadas

Vi hoje um filme profundamente perturbador e notável. O único sítio onde está em exibição em Lisboa é no UCI-Corte Inglés, numa única sessão (19h15). Chama-se Águas Agitadas e é um filme norueguês. É um tema pesado, tratado com uma limpeza escandinava e com interpretações soberbas. Em pano de fundo uma história do passado e outra do presente, Oslo e uma Igreja reformada (e descubram as diferenças entre esta e a Igreja católica romana)... e órgão de tubos como banda sonora omnipresente.

Passo a citar a sinopse e os créditos:
No seu último dia de cadeia e depois de cumprir uma longa pena pelo rapto e morte de uma criança, Yan Thomas (Pål Sverre Valheim Hagen) agarra-se à esperança de avançar com a sua vida em busca de uma segunda oportunidade. Depois de anos como organista da capela da cadeia, resolve candidatar-se a uma vaga numa igreja de Oslo onde, sem que ninguém desconfie do seu passado, acaba por conquistar o amor de Anna (Ellen Dorrit Petersen), a pastora, e o respeito e admiração de todos.

Tudo parece encarrilado até ao dia em que é reconhecido por Agnes (Trine Dyrholm), a mãe da criança a quem ele terá causado a morte. E Agnes, que ainda não ultrapassou a perda nem o sentimento de culpa pela morte do filho, exige saber o que verdadeiramente se passou naquele trágico dia de Inverno...

Último filme da trilogia do norueguês Erik Poppe começada com "Schpaaa" (1998) e "Hawaii.Oslo" (2004), uma história dramática sobre culpa, redenção e segundas oportunidades.

De: Erik Poppe
Com: Pål Sverre Valheim Hagen, Trine Dyrholm, Ellen Dorrit Petersen, Trond Espen Seim
Título original: Troubled Water
Género: Drama
Classificacao: M/16
NOR, 2008, Cores, 115 min

O casamento sempre foi gay e nunca triste

O livro de onde extraí o poema da mensagem anterior, escrito por um leitor assíduo do blogue. De futuro publicarei outros excertos, mas para o conhecerem melhor... terão de o adquirir.

sábado, 4 de setembro de 2010

O Santo vai nu


A nudez de São Francisco


Dos santos, prefiro os nus.
Sebastião e Francisco,
por exemplo. Esses poucos

que em nudez dão testemunho.
E Francisco nunca foi

pintado assim nos altares.
Mas desnudou-se frontal

da maneira que sabemos.
O corpo nu tão direito

parece sermão aos peixes
– como fez um outro santo.
in O casamento sempre foi gay e nunca triste, de José António Almeida, publicado pela &etc.

Acerca do prazer

Começo com esta mensagem a partilhar uma leitura que fiz sobre Sexualidade e Prazer. O texto será apresentado em várias mensagens a partir de hoje:

O Prazer é algo inerente à sexualidade e é aí que os moralistas religiosos viram o maior problema. O prazer foi considerado muitas vezes como a porta do pecado, e não há nada mais distante da realidade. O prazer faz parte do ser humano tanto quanto a felicidade, a harmonia, o amor e a paz espiritual. Ninguém disse que temos de renunciar à felicidade, à harmonia, ao amor e à paz espiritual. Ninguém disse que temos de renunciar ao amor quando o encontrarmos; muito menos ao prazer. O prazer também é corporal. A capacidade de o sentirmos vem-nos “integrada” no corpo e a sexualidade não é a única maneira. Contemplar uma paisagem, ouvir música, também produz em nós um prazer que encontra a sua entrada pelos sentidos. O sexo dá-nos outro tipo de prazer que, consoante o usemos, pode-nos conduzir até outros prazeres mais sublimes.

Aqui está o link do original em castelhano:

Os números do preconceito

Em todo o mundo, centenas de pessoas são mortas todos os anos por causa da sua orientação sexual, apesar dos progressos feitos nalguns países, para eliminar o preconceito.

Um amplo estudo dos direitos mundiais de lésbicas, bissexuais e gays, divulgado pelo The Independent on Sunday [IoS, edição dominical do jornal The Independent], revela o preço enorme – e, em muitos casos, fatal – que as pessoas pagam em todo o mundo por causa da sua sexualidade. A pesquisa, realizada pela ILGA, mostra que 76 países ainda perseguem as pessoas com base em sua orientação sexual – sete dos quais punem os actos homossexuais com a morte.

Numa escala global, as nações que estão a fazer algo de positivo pelos direitos dos gays parecem poucas comparando com aquelas que se comportam negativamente. Enquanto 75 países irão prendê-lo se for gay, apenas 53 têm leis antidiscriminação que são aplicadas à sexualidade. Apenas 26 países reconhecem as uniões de mesmo sexo.

O Primeiro-Ministro britânico diz: "Sim, o Reino Unido é um líder mundial em igualdade de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros, mas não podemos ser complacentes. Enquanto houver pessoas lá fora se sentindo marginalizadas e ameaçadas, temos que continuar a combater o preconceito."

De acordo com o Stonewall, quase dois terços das jovens lésbicas, gays e bissexuais experimentam bullying homofóbico nas escolas da Grã-Bretanha.

O estudo da ILGA dos direitos mundiais dos homossexuais mostra que, noutros lugares, admitir ser gay ainda é uma questão de vida ou morte. Mais de 50% dos Estados africanos tomaram medidas para criminalizar a homossexualidade, e a homofobia religiosa é abundante. O quadro não é muito melhor na Ásia, onde 23 países tornaram o facto de ser gay um crime. A América Latina e as Caraíbas também acolhem muitos governos com uma visão semelhante. Na Jamaica, o sexo com outro homem é descrito no livro estatutário como um "crime abominável".

Widney Brown, da Amnistia Internacional, lista a África subsaariana, o Médio Oriente e a Europa oriental como as regiões que lhe dão as maiores preocupações em relação aos direitos dos homossexuais.

John Bosco Nyombi, de 39 anos, fugiu para o Reino Unido em 2001, porque ser gay no Uganda pode resultar em prisão perpétua. Mais de um gay preso foi morto enquanto cumpria pena nas prisões do Uganda.

Brown também alertou contra o facto das nações ocidentais se estarem a tornar complacentes. "Os EUA são o único país da NATO com uma proibição de se ser abertamente gay nas Forças Armadas".

Baseado na reportagem de Emily Dugan, traduzida por Moisés Sbardelotto.

Reposição dos melhores filmes do ano

Nos últimos meses falei de alguns filmes neste blog. Alguns poderão ser (re)vistos no ciclo um ano de cinema(s) no King, em Lisboa, de 2 de Setembro a 6 de Outubro. O bilhete é a preço único (3,5€) e cada fime estará num só dia.

Cito alguns nomes: Vencer de Marco Bellocchio, O laço branco de Michael Haneke, Mother - Uma força única de Bong Joon-Ho, Um profeta de Jacques Audiard, Estômago - uma história nada infantil sobre poder, sexo e gastronomia.

Destaco dois filmes, em que a temática da homossexualidade é abordada:

Eu sou o amor de Luca Guadagnino
na quarta-feira dia 6 de Outubro (e este filme ainda está em exibição nos cinemas UCI- Corte Inglés)

e, sobretudo, o extraordinário
Um homem singular de Tom Ford,
na quinta-feira dia 16 de Setembro.

As sessões destes dois filmes são às 14h, 16h30, 19h e 21h30.
Aproveitem, pois não se vêem filmes destes todos os dias.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Judeus ortodoxos divulgam declaração em apoio aos gays

Mais de 100 rabinos ortodoxos modernos, educadores e profissionais de saúde mental de Israel e dos EUA assinaram um documento que pede respeito aos homossexuais, mas que não chega a aprovar os relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo.

A reportagem é de Michele Chabin, publicada pela agência Religion News Service, 02-08-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A "Declaração de Princípios", divulgada na véspera do primeiro aniversário do tiroteio fatal em um clube gay durante a parada anual do orgulho gay em Tel Aviv e Jerusalém, amplia os limites do judaísmo ortodoxo tradicional, que considera a homossexualidade uma abominação.

Iniciado pelo rabino Nathaniel Helfgot, que ensina bíblia e pensamento judeus na Chovevei Torah Rabbinical School, em Nova York, o documento é uma colaboração entre rabinos, educadores, profissionais de saúde mental e ativistas gays da comunidade ortodoxa.

Helfgot teve a ideia depois que a Yeshiva University, uma instituição ortodoxa, realizou um fórum em dezembro passado que atraiu cerca de mil estudantes, disse ele ao jornal The Forward.

O documento faz uma clara distinção entre o comportamento homossexual, que é proibido pela Torá, e o devido respeito às pessoas com orientação homossexual.

Ele afirma que "todos os seres humanos são criados à imagem de Deus e merecem ser tratados com dignidade e respeito", e que "constranger, ofender ou humilhar homossexuais é uma violação das proibições da Torá que encarnam os valores mais profundos do Judaísmo".

Embora a lei judaica veja o casamento heterossexual como o modelo ideal e única saída legítima para a expressão sexual humana, a declaração diz que "a sensibilidade e o entendimento que expressamos apropriadamente pelos seres humanos com outras orientações sexuais não diminui o nosso compromisso com esse princípio".

Uma parte especialmente controversa diz que gays e lésbicas devem ser "acolhidos como membros plenos da sinagoga e da comunidade escolar e devem contar ritualmente, para fins de oração comunitária, e ser elegíveis para honras rituais da sinagoga".

Embora a lei judaica não possa "dar a sua bênção e seu imprimatur às cerimônias religiosas judaicas de compromisso e aos casamentos do mesmo sexo", as comunidades judaicas devem "abraçar (totalmente) o filhos adotados ou biológicos de judeus homossexuais ativos na sinagoga e no ambiente escolar", diz o comunicado.

Realmente, o que conhecem as pessoas sobre os homossexuais?

Padre mexicano a favor dos casamentos homossexuais e da adopção

O sacerdote José de Jesús Aguilar, subdirector da Radio e Televisão da Arquidiocese do México, pronunciou-se a favor da adopção de crianças entre pessoas do mesmo sexo – contrário à posição dos cardeais Norberto Rivera e Juan Sandoval Íñiguez – e disse que a "Igreja Católica está cheia de homossexuais" que participam no trabalho pastoral.

A reportagem é de Eugenia Jiménez, publicada no jornal Milenio, 23-08-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"Há catequistas (homossexuais) que ajudam no apostolado e em grupos juvenis, porque, quando se trata do trabalho do apostolado, eles são reconhecidos e, em outro momento determinado, volta-se à má imagem...".

O clérigo afirmou conhecer gays que educaram crianças, e que os menores estão bem.

A sociedade, argumentou, deve valorizar os gays que trabalham. Além disso, "nem todos os homossexuais vão adoptar. Nele, há uma consciência, e Deus lhes diz em que momento vão adoptar, estabelece capacidade afetiva e outros elementos que devem exigir".

No programa noturno Frente a Frente, de Lolita de la Vega, no Canal 13 – no qual analisou a questão das adopções entre casais do mesmo sexo, ao lado de especialistas e activistas do movimento gay –, o ex-sacristão da Catedral Metropolitana questionou as afirmações de membros da Igreja Católica que asseguram que é negado o direito de meninos e meninas de ter um pai e uma mãe. E ironizou: "Onde estão esses pais?".

O padre indicou que existe muito desconhecimento: "Realmente, o que conhecem as pessoas sobre os homossexuais? Às vezes, conhece só o que acontece nos programas, onde se debocha deles, onde são apresentados como cabeleireiros, medrosos ou louquinhos".

"Esses programas apresentam um homossexual sobre o qual as pessoas dizem: esse modelo vai ser mãe ou pai, essa pessoa frágil que não tem caráter, que não tem uma vida respeitável, que anda com este, com aquele. Grande parte desses programas e a pouca informação fizeram com que existam preconceitos", comentou.

Aguilar acrescentou que "não marcaria as pessoas como homossexuais ou heterossexuais, mas falaria de pessoas que são capazes de amar, porque o amor implica em respeito, continuidade, acompanhamento... e não a imposição. Conheço pessoas heterossexuais e homossexuais. De ambos os lados, vejo pessoas muito más e muito boas".

"Não posso dizer em nome pessoal ou da Igreja que uma pessoa, por ter uma atracção diferente, é má", detalhou.

O padre referiu que um documento do Papa João Paulo II assinala que a homossexualidade "não tem uma origem clara, e isso vai contra aqueles que pensam que a homossexualidade é uma conduta e, portanto, uma aberração. Se uma pessoa nascesse, deveria estar dentro do plano de Deus, se fosse tomada depois, seria outra coisa diferente".

Actualmente, defendeu, as leis não exigem que sejam casados para adoptar. Uma pessoa solteira pode fazê-lo e educar uma criança, e não se questiona se é homossexual ou lésbica.

"Conheço pessoas que são homossexuais e que educaram uma criança, e que os filhos, inclusive, não sabem que são homossexuais. Compreendo que a Igreja eleve o casamento como sacramento e leve em conta que ele ocorra entre um homem e uma mulher, porque, naturalmente, estão abertos à vida", disse.

Alguns personagens da Igreja, comentou, "dizem que não se deve tirar o direito do filho de um pai e de uma mãe. Então, pergunto, onde estão esses pais?". Como cidadãos, insistiu, os gays têm direitos e não podem ser negados.

Enquanto isso, a Arquidiocese do México, por meio de seu jornal Desde la Fe, felicitou os ministros da SCJN, Guillermo Ortiz Mayagoitia e Salvador Aguirre Anguiano, pela "firmeza heroica" e pela defesa jurídica que fizeram ao casamento heterossexual e ao direito das crianças de ter um pai e uma mãe.

Realismo Responsável

Lucas 14,25-33

Os exemplos que utiliza Jesus são muito diferentes, mas O Seu ensino é o mesmo: aquele que empreende um projecto importante de forma temerária, sem avaliar antes se tem os meios e as forças para conseguir o que pretende, corre o risco de terminar fracassando.

Nenhum lavrador se põe a construir uma torre para proteger as suas vinhas, sem tomar antes um tempo para calcular se a poderá concluir com êxito, não seja que a obra fique inacabada, provocando a zombaria dos vizinhos. Nenhum rei se decide a entrar em combate com um adversário poderoso, sem antes analisar se aquela batalha pode terminar em vitória ou será um suicídio.

À primeira vista, pode parecer que Jesus esteja a convidar para um comportamento prudente e precavido, muito afastado da audácia com que fala habitualmente aos Seus. Nada mais longe da realidade. A missão que quer encomendar aos Seus é tão importante que ninguém deve comprometer-se nela de forma inconsciente, temerária ou presunçosa.

A Sua advertência ganha grande actualidade nestes momentos críticos e decisivos para o futuro da nossa fé. Jesus chama, antes de mais nada, à reflexão madura: os dois protagonistas das parábolas «sentam-se» a reflectir. Seria uma grave irresponsabilidade viver hoje como discípulos de Jesus, não sabendo o que se quer, nem onde se pretende chegar, nem com que meios se há-de trabalhar.

Quando nos vamos sentar para unir forças, reflectir juntos e procurar entre todos o caminho que temos de seguir? Não necessitamos dedicar mais tempo, escutar mais o evangelho e mais meditação para descobrir chamadas, despertar carismas e cultivar um estilo renovado para seguir Jesus?

Jesus chama também ao realismo. Estamos a viver uma alteração sociocultural sem precedentes. É possível contagiar a fé neste mundo novo que está a nascer, sem conhecê-lo bem e sem compreendê-lo de dentro? É possível facilitar o acesso ao Evangelho ignorando o pensamento, os sentimentos e a língua dos homens e mulheres do nosso tempo? Não será um erro responder aos desafios de hoje com estratégias de ontem?

Seria uma temeridade nestes momentos actuar de forma inconsciente e cega. Expúnhamo-nos ao fracasso, à frustração e até ao ridículo. Segundo a parábola, a "torre inacabada" apenas provoca o zombar das pessoas em relação ao construtor. Não devemos esquecer a linguagem realista e humilde de Jesus que convida os Seus discípulos a ser "fermento" no meio do povo ou punhado de "sal" que põe sabor novo na vida das pessoas.

JOSÉ ANTONIO PAGOLA, vgentza@euskalnet.net
SAN SEBASTIÁN (GUIPUZCOA)
Tradução de Antonio Manuel Álvarez Pérez

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Os Emmys deixaram de lado o preconceito

Série com temática LGBT é grande vencedora dos Emmys

A série Modern Family foi a grande vencedora dos prémios anuais da televisão nos EUA.

Modern Family é uma série da ABC que junta um casal gay e sua filha adotada que tem uns avós da velha guarda, e um bisavô que conhece o mundo e tem uma esposa bem nova e escaldante.

O prémio de melhor actor secundário em comédia foi para Eric Stonestreet que faz o papel estereotipado de gay efeminado no casal e melhor argumento em comédia para Steven Levitan e Christopher Lloyd.

Na luta pelos prémios também esteve a série musical Glee da Fox que embora não tenha ganho não saiu de cabeça baixa. O criador da série, Ryan Murphy, ganhou um Emmy e Jane Lynch que faz de treinadora ganhou o papel de melhor actriz secundária ficando-se, no entanto, muito longe do esperado com as suas 19 nomeações.

A série True Blood também estava na lista de melhor série dramática mas o prémio foi para Mad Men que também arrecadou mais outro prémio.

Modern Family (Uma Família Muito Moderna) e Glee, estão disponíveis em Portugal no canal cabo Fox Life. True Blood (Sangue Fresco) está disponível no canal de sinal aberto RTP1.

Fidel Castro assume culpas na perseguição de homossexuais

Em entrevista ao jornal mexicano La Jornada, Fidel Castro assume que a perseguição aos homossexuais em Cuba foi culpa sua devido a diversas complicações no país.

A declaração surge em réplica ao comentário da jornalista Carmen Lara Saade em que refere a solidariedade e reconhecimento e o "encanto" da Revolução Cubana foi "cano abaixo devido à perseguição dos homossexuais em Cuba". Na prática nos últimos 50 anos os homossexuais têm sido perseguidos na ilha muitas vezes sobre a desculpa de serem "anti-revolucionários".

Fidel, que hoje em dia tem 84 anos, responde que sim, foram tempos de grande injustiça, "uma grande injustiça". Fidel alega que o que aconteceu foi uma reacção espontânea das fileiras revolucionárias com base na tradição... não eram só os negros, eram também os homossexuais e as mulheres discriminadas.

Mas a jornalista questiona quem foi responsável por deixar as coisas chegarem ao ponto que chegaram e que tiveram consequências na forma como o exterior vê hoje em dia o regime da ilha.

Fidel responde que "se há algum responsável... fui eu". Fidel explica que na altura a questão da discriminação dos homossexuais não estava no topo das suas prioridades. Estava "cercado" com questões políticas, guerra, crise de Outubro, o bloqueio. Até atentados à sua própria pessoa.

Mas Fidel lamenta não ter tomado uma atitude quando as coisas ficaram mais calmas.

Hoje em dia a situação começa a mudar rapidamente em termos institucionais em Cuba. Nos anos 90 foi descriminalizada a homossexualidade. Este ano foi assinalado pela terceira vez o Dia Internacional Contra a Homobofia, as questões específicas das pessoas transexuais também estão a começar a ser tratadas e já se fala no reconhecimento legal das uniões entre pessoas do mesmo sexo. Mas ainda há muito a fazer para mudar as mentalidades depois de décadas de exclusão e perseguição sistemática.

No México: depois do casamento a adopção

A cidade do México não tem parado. Depois da aprovação do casamento homossexual em Dezembro de 2009, no passado mês de Agosto a Corte Suprema de Justiça da Nação aprovou a adopção por casais homossexuais. Tanto o casamento como a adopção serão válidos no resto do país.

As notícias do Verão

Constatamos sempre no Verão que os noticiários se enchem com notícias irrelevantes, que certamente estão no fundo das gavetas à espera de oportunidade para tapar buracos no espaço de antena. As pessoas partem para férias e as cidades funcionam a meio-gás. O blogue sofreu do mesmo... talvez não pelos mesmos motivos. A primeira quinzena de Agosto correspondeu realmente com um período de descanso. A segunda foi de trabalho intenso, quase descabido para um mês de Verão.

Peço desculpa aos meus leitores pela irregularidade de publicações de novas mensagens (o ideal seria uma por dia). Há dias mais inspirados ou mais informados que outros.

Mas assinalo no princípio deste mês de Setembro a minha rentrée. E assiná-lo-a com a alegria de ver que, desde o dia em que instalei o contador, o blogue já teve mais de meio milhar de visitas.

Também queria partilhar que o nosso "psicólogo de serviço" vai mudar de ares - desde já um agradecimento profundo pela sua colaboração - mas vai continuar, desde lá, a colaborar nas moradas de deus.

Está a ser pensada a próxima sondagem, há leituras a decorrer - e serão partilhadas posteriormente - e aguardo sempre as vossas sugestões e comentários para enriquecer o conteúdo.

Porque estou aqui

Sinto-me privilegiado por ter encontrado na Igreja um lugar vazio, feito à minha medida. É certo que tê-lo encontrado (ou encontrá-lo renovadamente, pois não é dado adquirido) foi também mérito da minha sede, do meu empenho, de não baixar os braços e achar, passivamente, que não seria possível. Passo a contextualizar: a comunidade onde vou à missa é pequena e acolhedora, e podia bem não o ser. Ao mesmo tempo, sentia um desejo grande de reflexão de vida cristã e encontrei um casal (heterosexual) que tinha a mesma vontade. Começámo-nos a reunir semanalmente numa pequena comunidade de oração e reflexão que, apesar de crítica, nos tem ajudado a sermos Igreja e a nela nos revermos. Paralelamente, face ao contínuo desencanto em relação a algumas posturas e pontos de vista de uma Igreja mais institucional e hierárquica, tive a graça de encontrar um grupo de cristãos homossexuais, que se reuniam com um padre regularmente, sem terem de se esconder ou de ocultar parte de si.

Sei que muitos cristãos homossexuais nunca pensaram sequer na eventualidade de existirem grupos cristãos em que se pudessem apresentar inteiros, quanto mais pensarem poder tomar parte e pôr em comum fé, questões, procuras, afectos e vidas.

Por tudo isto me sinto grato a Deus e me sinto responsável para tentar chegar a quem não teve, até agora, uma experiência tão feliz como a minha.

Este blogue também é teu

São benvindos os comentários, as perguntas, a partilha de reflexões e conhecimento, as ideias.

Envia o link do blogue a quem achas que poderá gostar e/ou precisar.

Se não te revês neste blogue, se estás em desacordo com tudo o que nele encontras, não és obrigado a lê-lo e eu não sou obrigado a publicar os teus comentários. Haverá certamente muitos outros sítios onde poderás fazê-lo.

Queres falar?

Podes escrever-me directamente para

rioazur@gmail.com

ou para

laioecrisipo@gmail.com (psicologia)


Nota: por vezes pode demorar algum tempo a responder ao teu mail: peço-te compreensão e paciência. A resposta chegará.

Os textos e as imagens

Os textos das mensagens deste blogue têm várias fontes. Alguns são resultados de pesquisas em sites, blogues ou páginas de informação na Internet. Outros são artigos de opinião do autor do blogue ou de algum dos seus colaboradores. Há ainda textos que são publicados por terem sido indicados por amigos ou por leitores do blogue. Muitos dos textos que servem de base às mensagens foram traduzidos, tendo por vezes sofrido cortes. Outros textos são adaptados, e a indicação dessa adaptação fará parte do corpo da mensagem. A maioria dos textos não está escrita segundo o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, pelo facto do autor do blogue não o conhecer de forma aprofundada.

As imagens que ilustram as mensagens são retiradas da Internet. Quando se conhece a sua autoria, esta é referida. Quando não se conhece não aparece nenhuma referência. Caso detectem alguma fotografia não identificada e conheçam a sua autoria, pedimos que nos informem da mesma.

As imagens são ilustrativas e não são sempre directamente associáveis ao conteúdo da mensagem. É uma escolha pessoal do autor do blogue. Há um critério de estética e de temática ligado ao teor do blogue. Espero, por isso, que nenhum leitor se sinta ofendido com as associações livres entre imagem e conteúdo.

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